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11/12/2009 - 11:58

A educação pelo leitor

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Depois de um ano e meio, estou deixando o iG, onde fui alfabetizado em matéria de Internet, em direção a um novo desafio profissional. Roubo de um dos mais famosos poemas de João Cabral de Mello, “A Educação pela Pedra”, o título deste texto com que pretendo me despedir dos leitores deste blog.

Porque, se João Cabral extraiu da pedra a dicção de sua poesia, posso afirmar que descobri, no contato diário com os leitores, uma dimensão do jornalismo que teimei muitos anos em ignorar.

Escrevi, até esta sexta-feira, 538 textos para o blog e colhi 29.919 comentários a respeito do que foi publicado aqui. Como repórter especial do iG, produzi mais de duas centenas de reportagens e críticas, no período, publicadas em páginas do Último Segundo, no Esporte e no Babado, com outros milhares de comentários.

Conheci os mais variados tipos de leitores. Alguns poucos, fiéis, passavam quase todo dia e deixavam algum sinal de sua presença. A maioria, eventual, aparecia em função dos variados temas que propus.

Conheci, e sou muito grato, a todos que vou simbolizar aqui na figura do “leitor-colaborador” – aquele que lê e, rapidamente, comunica um erro, lembra de algo que o autor esqueceu, sugere um link, recomenda algo que pode complementar o post.

Também quero agradecer muito ao “leitor-crítico” – todos aqueles que tiveram a paciência de apresentar idéias em contraste com as minhas, propor visões diferentes, questionar o meu ponto de vista, sugerir novos enfoques.

Aprendi muito, ainda, com o “leitor-tropa-de-choque”, que entrou neste blog para manifestar a sua revolta com as idéias do blogueiro e, mesmo num tom de voz alto, exaltado, me ajudou a entender como devo ter cuidado com o impacto das minhas palavras.

Sem demagogia, colhi lições até do “leitor-covarde”, a pior espécie que habita a Internet – aqueles sujeitos, protegidos pelo anonimato, especialistas em defender interesses escusos, ofender quem pensa diferente deles e alimentar o terror.

O curso sobre Internet que tive no período também contou com lições fundamentais dos meus generosos companheiros de trabalho, Caio Túlio Costa, Mario Vitor Santos, Alessandra Blanco, Mariana Castro, Gian Oddi e as dedicadas equipes do Último Segundo, iG Esporte e Babado. Desejo muito sucesso, a todos que permanecem, nesta nova fase do iG.

Como disse no início, creio que fui alfabetizado em matéria de Internet neste convívio diário, por um ano e meio, com os leitores. Sinto-me pronto para seguir adiante nesta mídia e convido, a quem se interessar, a acompanhar os próximos passos da jornada pelo meu Twitter.

Deixo-os na companhia de João Cabral. Obrigado.

A educação pela pedra

Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, freqüentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições da pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.

*
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse, não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.

Autor: - Categoria(s): Blog, Internet, jornalismo Tags: , , ,
10/12/2009 - 10:46

A nova fase de Mano Brown

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A confirmação, nesta quinta-feira, de que Mano Brown sairá na capa da próxima “Rolling Stone” é a notícia do dia no meio musical brasileiro. Famoso pela aversão à mídia tradicional, que ele sempre enxergou como inimiga, o líder dos Racionais vive uma nova fase, como ele mesmo diz à revista, em frase destacada pela coluna de Mônica Bergamo, na “Folha”: “Não posso ser refém de nada. Nem do rap. Aquele Mano Brown virou sistema viciado”. Sobre este assunto, escrevi, em 23 de novembro, o texto abaixo, publicado originalmente no Último Segundo:

Mano Brown e Racionais ensaiam guinada “pop”

Os sinais já estavam no ar, mas se intensificaram nas últimas semanas. O Racionais MC’s, mais importante e respeitado grupo de hip hop brasileiro, prepara-se para lançar um novo CD no qual deixa de lado, em algumas músicas, a temática de cunho social e a agressividade nas letras que sempre caracterizaram o grupo.

Além de canções sobre a “vida loka” dos jovens da periferia envolvidos com a miséria e o crime, celebrizadas em CDs como “Sobrevivendo no Inferno” e “1000 Trutas 1000 Tretas”, o grupo agora volta-se também para outros interesses e parceiros.

O sinal mais evidente desta guinada “pop” já circula no You Tube. Chama-se “Mulher Elétrica”. Bem-humorada, a letra da música contém trechos assim: “Ela é preta na cor loira no cabelo, ela é uma hora e meia em frente ao espelho. Ela é… Ela é Naomi, Ela é Clara, é Nunes, é Donna Summer, Rosa, é Sônia, Ela é Tereza, Ela é Ana, Ela é Glória, Ela é bem Brasil, me engana que eu gosto ela tem tristeza balança o swing rara beleza, Ela é…Onde vai…? Mulher Elétrica Mulher Elétrica 3000 volts”.

Como tudo que diz respeito a Mano Brown e os demais músicos do grupo, há muito segredo envolvido em seus novos movimentos. Uma das novidades – talvez a que venha causar mais surpresa para os fãs – é o rumor que Mano Brown estará na capa da revista “Rolling Stone”, cuja próxima edição chega às bancas no dia 10 de dezembro.

O editor-chefe da revista, Ricardo Cruz, diz não poder confirmar a informação, mas o Último Segundo ouviu de pessoas próximas aos Racionais que está tudo certo –as fotos, inclusive, já foram feitas.

Desde que surgiu à frente dos Racionais, no início dos anos 90, Mano Brown mantém o compromisso de não falar com a chamada grande imprensa. Oriundo do Capão Redondo, na zona Sul de São Paulo, o músico deu raras entrevistas nestes últimos 15 anos, normalmente apenas para veículos alternativos.

Outra novidade sobre Brown é a sua aproximação com a Banda Black Rio. O famoso grupo de funk e soul music, surgido na década de 70, retomou suas atividades no final dos anos 90, liderado por William Magalhães, filho do fundador da banda, Oberdan Magalhães.

Na última sexta-feira 20, Dia da Consciência Negra, Brown cantou quatro músicas no show que a Black Rio fez na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, dentro das atividades do Seminário Internacional da Cultura Digital, um evento destinado a discutir políticas públicas para a área da comunicação.

Acompanhado do rapper Dom Pixote, Brown cantou “O Jogo é Hoje”, música feita por encomenda para a Nike e utilizada na trilha da promoção “Batalha das Quadras”. Originalmente um campeonato de futsal para jovens, no Rio e em São Paulo, realizado em 2008, “Batalha nas Quadras” gerou um CD promocional, produzido pelo músico Ice Blue, dos Racionais, com a presença de vários jovens artistas do hip hop.

A primeira faixa, que dá nome ao disco, intitula-se justamente “O Jogo é Hoje”, e é uma parceria entre Brown (que assina “MB”) e Pixote. A música fala da ansiedade antes de uma partida de futebol, e é outro sinal de mudança de foco das preocupações de Brown e seus colegas dos Racionais.

Chamado de “presidente” por William Magalhães, Brown vestia uma vistosa camisa pólo da Nike, com o logo da empresa estampado no peito – modelo idêntico ao que Pixote usava. Estava bem-humorado, à vontade e simpático – outra novidade para quem já viu algum show dos Racionais.

O Último Segundo ouviu de fontes ligadas à promoção do show que a Nike teria interesse em adquirir os direitos de “O Jogo é Hoje” para utilizá-la em outras campanhas da marca, mas a empresa nega. A Nike “adoraria”, nas palavras de um executivo, ter relações com Mano Brown, “assim como com Gisele Bundchen” e outros formadores de opinião deste quilate.

Em 2007, durante entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, Mano Brown travou um curioso diálogo com Ricardo Cruz, o editor da revista “Rolling Stone”, na qual reconhece que, para ele mesmo e para seus fãs, soa estranho utilizar roupas e tênis do fabricante americano.

Pergunta: Você conseguiu, Brown, fazer uma revolução interna no seu jeito de ser, de pensar? Você conseguiu lutar contra os seus, suas próprias contradições, seus próprios medos? Você consegue isso hoje?

Resposta: Na verdade, as contradições só acabam quando morre, né? Tipo, eu era um cara, hoje eu estou de Nike no pé, mas eu já xinguei a Nike muito por aí. Entendeu? Mas eu descobri também que a Adidas não me dá nada se ficar falando mal da Nike. Eu derrubo um e levanto a outra. A Adidas é dos alemães, não são nada. Estou de Nike, o KL Jay não usa Nike, vai ver o Nike que o Blue tá no pé? Entendeu? É contradição, Racionais é isso, é quatro caras, quatro mentes, quatro idéias, entendeu, meu? Eu sou o mais confuso dos quatro sou eu mesmo.

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09/12/2009 - 10:16

“Cinquentinha” opta pelo riso fácil da caricatura

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cinquentinhaAguinaldo Silva é um dos mais bem-sucedidos autores da Rede Globo. Fã de “Tom & Jerry”, ele entende que o bom vilão, na tevê, deve ser sempre um canastrão. Como Tom. “Ele esmaga aquele ratinho mil vez por dia, prepara as armadilhas mais ardilosas, mas sempre leva a pior, e todo mundo morre de rir”, diz o autor em seu depoimento ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”.

“Cinquentinha”, a série em oito capítulos que estreou nesta terça-feira, não tem um vilão com essas características, mas quatro: são as três viúvas de Daniel (José Wilker), Lara (Susana Vieira), Mariana (Marília Gabriela) e Rejane (Betty Lago), além de Leonor (Maria Padilha), todas inimigas entre si.

Com direção-geral de Wolf Maia, parceiro de Aguinaldo Silva em outras aventuras, “Cinquentinha” adota o tom da caricatura, do humor sem sutileza, disposto a fazer o público rir de qualquer maneira. Tudo é exagerado, avacalhado, chapado – quase um programa estrelado por Didi Mocó.

Todos os bons temas sugeridos por Aguinaldo Silva se diluem, em meio ao clima adotado para contar a história. A atriz em decadência é uma piada ambulante, na interpretação exagerada (e sem jeito) de Susana Vieira. O mesmo vale para o conflito, tratado de forma grotesca, da avó Rejane (Betty Lago) com a neta, que está namorando um homem negro, morador da favela.

Mesmo uma ousadia de Aguinaldo Silva se perdeu, na estreia, soterrada pelo clima de avacalhação geral. A fotógrafa Mariana, cinquentona que só namora garotos de 18 anos, encontra na balada uma colega dos tempos em que ambas eram estagiárias no jornal. Leila (Ângela Vieira) acaba levando Mariana para casa (e para a cama), mas a noitada termina, de manhã, em forma de galhofa, com a personagem de Marília Gabriela fugindo da casa da amiga com as roupas nas mãos.

Aguinaldo Silva defende a idéia que o autor de televisão deve escrever para agradar ao público. “Você está fazendo novela para quê? Para conseguir audiência e agradar o telespectador. É para fazer sucesso, não é por outra razão. Então, é um absurdo se colocar contra o que o espectador quer”. Pano rápido.

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07/12/2009 - 10:32

Torcida mantém Botafogo na primeira divisão

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botafogo torcidaApesar da vocação deste time para disputar a Série B, o Botafogo encontrou, quase que por milagre, o caminho para permanecer na primeira divisão. Como há muito tempo não se via, a torcida fez a diferença nos últimos dois jogos disputados no Engenhão, contra o São Paulo e o Palmeiras.

Os rivais adoram brincar que a torcida do Botafogo cabe numa Kombi. Como a auto-estima do botafoguense não é lá essas coisas, estamos sempre precisando provar que temos uma torcida de verdade, apaixonada e dedicada, capaz de lotar qualquer estádio.

O Engenhão, nesse sentido, veio bem a calhar. Ele parece perfeito para as dimensões atuais do Botafogo. Um estádio moderno, com capacidade para 44 mil torcedores, capaz de produzir aquele efeito que os jogadores sentem em campo.

Depois de levar 26 mil pessoas ao Engenhão contra o São Paulo, o Botafogo, desesperado, atraiu 38 mil torcedores neste último domingo, contra o Palmeiras. É verdade que a diretoria reduziu o preço dos ingressos, mas na situação em que o time estava, precisando vencer um dos líderes do campeonato para se salvar, esse número mostra que a torcida deu prova de coragem, dedicação e amor pelo time.

Botafogo gloriosoCuriosamente, essa reta final do Brasileiro, triste para o Botafogo, lutando contra o rebaixamento, coincide com o lançamento de uma nova fornada de livros sobre o time. São quatro títulos que, ao iluminar as glórias e lembrar os heróis que já vestiram a camisa alvinegra, ajudam a explicar a paixão de seus torcedores.

Três desses livros integram a coleção “Paixão Entre Linhas”, da editora Leitura, dedicada aos doze principais times do Brasil. Os volumes vem acondicionados em uma caixa com as cores da bandeira do time. O livro principal, “Botafogo: o Glorioso!”, é de autoria de um dos mais famosos jornalistas botafoguenses, o apaixonado Roberto Porto, autor de outro livro essencial para o torcedor alvinegro, “Botafogo, 101 Anos de Histórias”.

Neste “O Glorioso!”, Porto relembra histórias saborosas, desde os primórdios, detendo-se, naturalmente, nos períodos mais gloriosos (décadas de 50 e 60) e chegando até 1995, ano da conquista do Brasileiro pelo Botafogo. Como todos os títulos desta coleção, o do Botafogo é acompanhado por um livro infantil, “Uma Estrela Solitária que Conduz”, de Eduardo Ávila, e um pequeno volume com dados históricos sobre o time.

Botafogo 10 maisO outro lançamento é “Os Dez Mais do Botafogo”, do jornalista Paulo Marcelo Sampaio. O livro integra uma coleção da Maquinária Editores, que já lançou livros semelhantes sobre outros times.

Como nos demais volumes, a seleção dos “dez mais” é feita a partir das indicações de dez torcedores ilustres. O que diferencia o livro dedicado ao alvinegro é a qualidade dos dez nomes escolhidos: Heleno de Freitas, Nilton Santos, Garrincha, Didi, Zagallo, Manga, Gerson, Jairzinho, Paulo Cezar e Túlio.

Não preciso dizer nada sobre esses dez jogadores que brilharam com a camisa do Botafogo. É em nome deles, e de muitos outros que não couberam no livro de Paulo Marcelo Sampaio, que os torcedores foram ao Engenhão neste domingo empurrar o time. Que o Botafogo volte, em 2010, a honrar a sua tradição. A sua torcida merece.

No iG Esporte há uma enquete para saber, entre os dez mais do Botafogo, qual é o preferido do leitor.

Crédito da foto da torcida, domingo, 6 de dezembro, no Engenhão: Gazeta Press

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , ,
04/12/2009 - 14:27

A encantadora vida dos personagens sem charme

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Proibido fumarNuma cena sem maior importância de “É Proibido Fumar”, Baby (Gloria Pires), a solitária protagonista da história, está dentro do elevador lotado do prédio em que mora, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. Ela divide o acanhado ambiente com o síndico Pepe (Antonio Abujamra), seu filho Pablo e seu neto Diego.

Quem não conhece Pablo e Diego precisa ir aos créditos finais para saber que o primeiro é vivido pelo músico André Abujamra e o segundo é o garoto José Abujamra. São, como o leitor pode suspeitar, filho e neto do grande ator, que faz Pepe. E mais: André é ex-marido de Anna Muylaert, a diretora do filme, e José é filho de ambos.

Mais que uma ação entre amigos, essa reunião dentro do elevador diz muito do que Anna Muylaert pretendeu fazer e, com muito talento, alcançou neste seu segundo longa-metragem.

“É Proibido Fumar” é um filme pequeno e caloroso, um olhar muito carinhoso sobre a vida de dois personagens sem charme nenhum, narrado num registro próximo ao da comédia romântica, mas contido, quase sem tiques e exageros.

A trama está centrada no encontro de duas pessoas comuns, de classe média empobrecida, e suas vidinhas pouco empolgantes. Baby tem 40 anos, é solteira e dá aulas de violão no pequeno apartamento em que vive, seu único patrimônio, herança da mãe. Max (Paulo Miklos) é um músico de pouco sucesso, que gosta de Jorge Bem Jor, mas é obrigado a tocar samba em churrascaria para pagar o aluguel.

Max vai morar no apartamento vizinho ao de Baby e, assim, de uma hora para a outra, essas duas figuras cujas vidas não prometem nenhuma emoção maior vão começar a escrever uma história em comum.

O encontro dos dois personagens envolve amor, carinho e ciúme, mas não paixão. Parece ser a relação de duas pessoas maduras, que já viverem muitas coisas e, agora, controlam melhor seus sentimentos. O cigarro, que Baby fuma desesperadamente e Max abomina, é um elemento central na trama – o vilão que finge ser seu amigo – com inúmeras conotações possíveis.

“Durval Discos”, o filme de estreia de Anna Muylaert, já mostrava o seu bom olho para as miudezas do cotidiano de figuras meio fora do trilho, como o vendedor de LPs, vivido por Ary França, resistente à “modernidade”, no bairro de Pinheiros, também em transformação. “É Proibido Fumar” vai além, ao expor uma cineasta segura, madura e muito talentosa.

Só espero que o público supere a preguiça de ver apenas filmes brasileiros com cara e ritmo de novela da Globo e não deixe “É Proibido Fumar” passar despercebido. Uma boa reportagem sobre o filme, publicada nesta quinta-feira no Último Segundo, pode ser lida aqui.

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02/12/2009 - 21:26

Em guerra com a Record, Globo homenageia Lombardi

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Pela importância que adquiriu no imaginário do brasileiro nos últimos 40 anos, o locutor Luiz Lombardi Neto merece todas as homenagens, inclusive o destaque que ganhou na edição do “Jornal Nacional” na noite de quarta-feira. Além de ter sido mencionada entre as principais notícias do dia, a morte de Lombardi foi objeto de uma reportagem generosa do principal noticiário da Globo, com direito, até, a uma imagem de Silvio Santos.

Não custa lembrar que, até recentemente, o SBT de Silvio Santos era o principal concorrente da Globo e orgulhava-se de ocupar a vice-liderança. Era um rival guerrilheiro, mas pouco ameaçador, e suas eventuais vitórias no Ibope, como ocorreu com “Casa dos Artistas”, eram vistas com um misto de espanto e desprezo.

O quadro mudou nos últimos anos, com a ascensão da Record, culminando com a perda, pelo SBT, da vice-liderança. Como se sabe, diferentemente da emissora de Silvio Santos, a rede da Igreja Universal do Reino de Deus não se orgulha nem se satisfaz com o segundo lugar. Quer alcançar a liderança da Globo – e essa disputa entre as duas emissoras tem provocado lances ferozes, que não cabe aqui, neste momento, comentar.

O fato é que não apenas o SBT lamenta ter perdido a vice-liderança para a Record, como também a Globo. Enxergo na cobertura simpática da morte de Lombardi mais um lance deste quadro – uma sinalização da emissora da família Marinho à concorrência.

Em junho de 2008, Daniela Beyruti, herdeira e sucessora de Silvio Santos, deu uma raríssima entrevista, publicada na revista “Poder”. Ao longo da conversa, conduzida por mim e pela jornalista Simone Galib, Daniela falou com muito carinho da Globo, como pode-se ler no trecho a seguir:

No ano passado (2007), fiz um estudo da grade da Globo. Aprendi a ter um respeito e uma admiração muito particular. É tão bem programado com o hábito do brasileiro. É muito legal. Eles têm uma programação direcionada. A gente era a segunda opção. Quando você perde isso, você se pergunta: “Onde eu me perdi? O que aconteceu?” Só quando você perde, você se depara com esta questão.

Enfim, melhor para os espectadores do “Jornal Nacional” que Lombardi tenha merecido uma reportagem à altura da sua importância. Só tenho dúvidas se essa situação teria ocorrido em outro momento.

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02/12/2009 - 19:05

Carta em jornal mostra que “Casseta & Planeta” pega leve com Lula

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Uma frase muito repetida de Millôr Fernandes diz que só existe imprensa de oposição – “o resto é armazém de secos e molhados”. O mesmo pode-se dizer, e com muito mais ênfase ainda, a respeito do humor. Não existe humor a favor. O humor é, por natureza, do contra, de oposição.

Mesmo sabendo disso, creio que muita gente se espantou com a carta que Marcelo Madureira, um dos integrantes do grupo “Casseta & Planeta”, enviou à “Folha de S.Paulo” no sábado, 28 de novembro. A propósito de comentar o artigo que Cesar Benjamin publicou no jornal, Marcelo escreveu:

“Em tempos de unanimidades, bajulação, mentiras, censuras veladas e neoperonismos, o corajoso e sensível depoimento de César Benjamin só vem confirmar aquilo de que eu já desconfiava havia muito tempo: que o Brasil está sendo governado por um bando de cafajestes sem escrúpulos. E o que é pior: recebem indenizações pelas suas cafajestadas. Parabéns a César Benjamin e a esta Folha.”

Não sei se o jornal recebeu muitas cartas comentando a opinião de Marcelo, mas nesta quarta-feira, dia 2, saiu a mensagem de um leitor, Washington Luiz de Araújo, incomodado com o que leu na seção de cartas. Diz o texto:

“Até para fazer humorismo as pessoas precisam ser sérias, isentas. Mas há os que confundem personagem fictício com real. É o caso de Marcelo Madureira, do ‘Casseta e Planeta’. O ator não foi nada sério ao abordar o lamentável artigo de César Benjamin. Com que isenção vou assistir ao programa humorístico sabendo que um de seus produtores e atores traz na alma tanto veneno, acreditando numa coisa descabida sem aguardar pela constatação dos fatos?”

Pensando no “Casseta & Planeta” em retrospectiva, e nas piadas que ele faz com Lula, não acho que seja muito diferente da forma como o programa já tratou outros presidentes – lembro, sobretudo, de Fernando Henrique e Itamar Franco. Lendo a carta de Marcelo Madureira, posso imaginar que, dependendo dele, a visão que o programa apresenta de Lula é muito amena.

Autor: - Categoria(s): Brasil, jornalismo, televisão Tags:
01/12/2009 - 10:40

“CQC” morde a isca da MTV e explica Top 5 sem Luciano do Valle

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A gafe do narrador Luciano do Valle, que anunciou no microfone da Band estar transmitindo uma partida com exclusividade “aqui na Globo”, continua rendendo. Na quinta-feira, 26 de novembro, como contei aqui no blog, o programa “Furo MTV” desafiou o “CQC” a exibir o vídeo no famoso quadro Top 5. “Como o ‘CQC’ é chapa-branca, não vai mostrar…”, provocou o apresentador Bento Ribeiro, antes de exibir o vídeo na MTV.

E não é que o “CQC” mordeu a isca? O programa da Band, nesta segunda-feira, 30 de novembro, não mostrou o famoso vídeo, mas tratou abertamente do assunto e, de quebra, ainda fez piada com a MTV.

Em quinto lugar no Top 5, Marcelo Tas apresentou um trecho do programa “Podsex”, na qual as duas apresentadoras (“aquelas delicinhas da MTV”, explicou) relatam, com constrangimento, um caso de sexo anal ocorrido involuntariamente.

Na sequência, antes de apresentar o quarto vídeo, Tas fala: “Para compensar essa coisa chula, uma coisa muito refinada que surgiu aqui na Band. Aliás, a gente ia colocar o Luciano do Valle falando que chamou a Globo ao invés da Band, mas o Luciano do Valle ficou lá para trás porque veio ele, o nosso lorde, o lorde inglês desta casa, José Luis Datenão”. E segue um vídeo, sem graça nenhuma, na minha opinião, no qual o apresentador Datena reclama que uma entrevistada “não para de falar” e manda cortar a entrevista no meio.

Autor: - Categoria(s): jornalismo, televisão Tags: , , , , , ,
29/11/2009 - 13:19

Como “reencenar” fatos reais em documentários?

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SP Sob Ataque iG 1A exibição neste domingo, às 20h, no Discovery Channel, de “São Paulo Sob Ataque” é um bom pretexto para discutir um aspecto da produção de documentários para a televisão que ainda causa incômodo a muitos espectadores. Refiro-me ao recurso da “reencenação” de episódios de história sobre os quais não há imagens reais disponíveis, mas que são fundamentais para a compreensão da trama.

A série da Globo “Por Toda a Minha Vida” faz muito uso deste recurso, assim como diferentes programas policiais exibidos na tevê fechada, tipo “Medical Detectives” e outros do gênero.

Documentários, de uma maneira geral, contam com muito menos recursos do que filmes de ficção. Por esse motivo, as cenas de reconstituição nestes programas são pobres e quase sempre passam a impressão de serem artificiais e mal encaixadas no ritmo da história que está sendo contada. Pior, muitas vezes quebram o ritmo, ao produzirem aquele efeito de estranhamento no espectador, que percebe estar assistindo a uma recriação tosca da história.

“São Paulo Sob Ataque”, como escrevi no Último Segundo, tem vários méritos, no seu esforço de compreensão dos ataques do PCC durante três dias, em maio de 2006 e a reação da polícia nos dias que se seguiram. Mas há uma clara quebra de ritmo sempre que o documentário, com narração melodramática, nos convida a “ver” alguma cena de violência recriada pela produção. Na minha visão, o filme não perderia nada sem essas cenas “recriadas”.

Autor: - Categoria(s): São Paulo, televisão Tags: , , , ,
26/11/2009 - 23:06

MTV desafia “CQC” a exibir erro de Luciano do Valle

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Quarta-feira, 22h50. Início do segundo tempo entre LDU e Fluminense. Com a palavra, Luciano do Valle: “Começa o segundo tempo, para você, desta final. Primeira partida da final da Copa Sul-Americana, que você acompanha com exclusividade aqui na Globo… Aqui na Bandeirantes, né? Que a Globo não está fazendo pra São Paulo, é bom que se saiba. Então, a Bandeirantes faz com exclusividade pra São Paulo”. E Neto tenta ajudar: “É com a gente aqui, pelo amor de Deus”. E Luciano completa: “E nós estamos ao lado do futebol brasileiro, ao lado do Fluminense, para todo o Brasil”.

Gafes e atos falhos acontecem. Quanto mais absurdos, mais engraçados. Para infelicidade de quem participa de transmissões ao vivo, hoje em dia existe o You Tube, implacável no registro dos erros e infelicidades das figuras da televisão.

E é justamente desta matéria-prima – os erros e os absurdos vistos na tevê, preservados pela Internet – que vários programas, da própria tevê, se alimentam. No Brasil, a lista de atrações que recorre a este expediente é imensa, de A a Z. Não espanta que, menos de 24 horas depois de cometido, na noite de quinta-feira, 26, o erro de Luciano do Valle já era visto num desses programas, o “Furo MTV”, apresentado pelo ator Bento Ribeiro.

Ele lembrou que um outro programa, o “CQC”, da Band, também acolhe, semanalmente, vídeos engraçados, no quadro “Top Five”. Abusado, aproveitou para provocar seus rivais: “Como o ‘CQC’ é chapa-branca, não vai mostrar…”… E exibiu a gafe do narrador de futebol da Band. O desafio está lançado… Aguardemos o “CQC” de segunda-feira.

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26/11/2009 - 15:17

Bob Dylan reclama das críticas ao seu CD de Natal

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Bob Dylan NatalO surpreendente “Christmas In The Heart’”, mais recente CD de Bob Dylan, deve chegar ao Brasil na primeira semana de dezembro. Recheado exclusivamente com canções de Natal (15, no total), que Dylan reinterpreta à sua maneira, o CD é um projeto de caráter beneficente, cujos royalties devidos ao músico serão destinados a diferentes entidades de combate à fome, nos Estados Unidos e na Europa. Segundo a Sony Music, o CD será vendido exclusivamente na Livraria Cultura.

Ao anunciar o projeto, em agosto, Dylan justificou: “É uma tragédia que 35 milhões de pessoas neste país (os EUA) – sendo 12 milhões de crianças – costumam ir para a cama com fome e acordem no dia seguinte sem saber quando vão comer novamente”.

Para promover o disco, Bob Dylan aparece num videoclipe, o que não fazia desde 1997, e deu uma única entrevista, ao crítico de rock e produtor Bill Flanagan. A íntegra da conversa está sendo distribuída pela Street News Service, um portal voltado à divulgação de notícias publicadas em jornais feitos por moradores de rua, como o “Ocas”, no Brasil.

No diálogo com Flanagan, Dylan fala sobre canções de Natal, diz o que gosta numa ceia (peru assado com purê de batatas e molho, além de couve) e explica o que o seduz na festa. É uma conversa sem grandes revelações, mas que ganha temperatura numa passagem, quando o entrevistador comenta o que os críticos andam dizendo do novo CD. Traduzo rápida e livremente as três perguntas e respostas em que Dylan discute o assunto.

Flanagan: Alguns críticos parecem não saber o que fazer com este disco. O Bloomberg News escreveu: “Algumas canções soam irônicas. Será que ele realmente deseja um Feliz Natal para você?” Há alguma ironia no conteúdo destas músicas?
Dylan: De jeito nenhum. Críticos como este estão olhando de fora para dentro. Eles não são, definitivamente, os fãs ou o público para quem eu toco. Eles não compreendem o meu trabalho, o que eu posso ou não posso – o sentido disso tudo. A esta altura, eles ainda não sabem o que fazer comigo

Flanagan: Derek Barker no “Independent” comparou este disco com o choque que você causou ao trocar o violão acústico pela guitarra elétrica (nos anos 60). Tantos artistas gravaram discos de Natal, de Bing Crosby a Huey Piano Smith. Por que é um choque se você faz a mesma coisa?
Dylan: Você vai ter que perguntar para eles.

Pergunta: O “Chicago Tribune” sentiu falta de mais irreverência no disco. Você não acha que eles erraram o alvo?
Resposta: Seguramente. Este é um comentário irresponsável. Já não há irreverência suficiente no mundo? Quem precisa mais? Especialmente no Natal.

A entrevista pode ser lida na íntegra aqui.

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25/11/2009 - 11:15

A floresta pelas lentes de Gautherot

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Gautherot Igapos blog

O fotógrafo francês Marcel Gautherot disse certa vez ao poeta Jacques Prévert: “No Brasil, tive vontade de derrubar uma floresta inteira para tirar o retrato de uma certa árvore de que gostei”. Brincadeiras à parte, como observam Milton Hatoum e Samuel Titan Jr. na introdução a “Norte”, uma belíssima coletânea de fotos feitas por Gautherot na região, as dificuldades envolvidas na tarefa de registrar a floresta amazônica mobilizaram, desde sempre, artistas e fotógrafos dos mais variados calibres.

Nascido em Paris em 1910, Gautherot radicou-se no Rio de Janeiro a partir de 1940. A serviço do SPHAN, viajou pelo país, registrando o patrimônio histórico e artístico nacional. Documentou o nascimento de Brasília numa série famosa de fotos. Morreu em 1996 e seu acervo de mais de 25 mil imagens hoje pertence ao Instituto Moreira Salles.

Gautherot Cidade flutuante Rio Negro Manaus blog

Gautherot foi diversas vezes à Amazônia, e fotografou não apenas a floresta, como os índios e as grandes cidades da região. Hatoum e Titan organizaram “Norte” como se fosse uma viagem, iniciada em Manaus e encerrada em Belém. Com razão, os organizadores observam que Gautherot descobriu “um jeito inédito de ver o Brasil” – e as duas fotos aqui exibidas dão uma boa idéia disto. As 72 imagens que formam o livro (144 págs., R$ 56) poderão ser vistas, também, em uma exposição que será inaugurada nesta quarta-feira (25 de novembro) e abre ao público na quinta-feira (26), permanecendo até 21 de março de 2010, no Instituto Moreira Salles, em São Paulo (rua Piauí, 844)

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24/11/2009 - 22:02

Crianças na cozinha

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New Yorker Food Edition 2
“E é assim que se faz um sanduíche de pasta de amendoim”

A edição anual dedicada à gastronomia da “New Yorker” (com data de 23 de novembro) abre com este cartoon de Tom Cheney sobre a aventura de duas crianças na cozinha. Uma das atrações do número é a ótima reportagem de John Colapinto sobre o guia Michelin. Pela primeira vez na história, o mítico guia deixou um repórter entrevistar e acompanhar o trabalho de um de seus inspetores. O texto sugere que a decisão de abrir este segredo deve-se à dificuldade do Michelin, cinco anos depois de entrar nos Estados Unidos, de se firmar no mercado de guias gastronômicos. A leitura da reportagem, com perdão da obviedade, é de dar água na boca – não apenas pela descrição da aventura gastronômica, mas pelo trabalho jornalístico.

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24/11/2009 - 11:45

Tentando entender “Lua Nova” e “Crepúsculo”

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Lua Nova 2Adolescentes, não leiam este texto. Tenho certeza que vocês vão se irritar. O que se segue é o esforço, possivelmente fracassado, de um “tiozinho” no sentido de entender este novo fenômeno da indústria do entretenimento.

No intervalo de quatro dias, assisti aos filmes “Crepúsculo” e “Lua Nova”, ambos recordistas de bilheteria, baseados na série de Stephenie Meyer, de quem nunca li, até hoje, uma única linha. Com muito atraso, reconheço, escolhi tentar recuperar o tempo perdido, mesmo que de forma superficial, por meio dos filmes.

Vi “Crepúsculo” na televisão, no Telecine, o que diminui muito do seu impacto, imagino. Mas me chamou a atenção o make-up exagerado de todos os vampiros da família Cullen, o jeito afetado e lento de falar e o fato de serem todos bonitos – homens e mulheres.

Registrei uma única piada ao longo de 122 minutos de filme – na cena em que Edward Cullen (Robert Pattinson) explica para Bella Swan (Kristen Stewart) que os vampiros de sua família não bebem sangue humano. “Nós nos vimos como vegetarianos. Seria como um ser humano que só comesse tofu: você nunca fica totalmente satisfeito”.

Também chama a atenção de cara que, com seus vampiros bonitinhos e modernos, “Crepúsculo” acaba com qualquer sutileza e sugestão que normalmente existe em filmes do gênero.

Assisti “Lua Nova” numa pré-estreia, à meia-noite, véspera do feriado, no Kinoplex Itaim. O cinema exibiu o filme em duas salas lotadas – uma terceira teve que cancelar a sessão porque a cópia não chegou.

Pattinson é o novo Leonardo di Caprio no imaginário das adolescentes. Provoca gritos histéricos por onde passa. Como escrevi no Último Segundo, nas telas, quando aparece, causa reações incomuns em cenas de cinema: barulho, murmúrios, suspiros e gritos se espalham pela sala.

O estranho visual – purpurina no rosto e lábios muito vermelhos – não atrapalha em nada. Ao contrário, parece torná-lo ainda mais atraente, talvez porque inofensivo, às meninas na platéia.

Lutando contra os seus instintos, no primeiro filme, Edward Cullen resiste a dar a mordida fatal em Bella e, ainda por cima, se apaixona pela jovem. Mas percebe, logo no início de “Lua Nova”, ao ver sangue nas mãos da menina, que sua índole (e a de seus familiares) é mais forte, o que coloca a vida da amada em risco.

Com um pé em “Romeu e Julieta” e outro em “Harry Potter”, Stephenie Meyer construiu sua saga em torno da mais essencial das questões para uma adolescente: a perda da virgindade. O tema é ótimo, de fato, e o seu potencial para arrebatar platéias femininas está mais do que comprovado pelos espetaculares resultados nas bilheterias.

LUa NovaAbandonada pelo vampiro Edward, Bella sofre horrores durante meses, até que se reaproxima de um amiguinho do primeiro capítulo, o índio Jacob Black (Taylor Lautner), agora sem camisa, encorpado e com segundas intenções.

Bella acaba sentindo uma certa queda por Jacob, mas vai sofrer outra decepção ao descobrir que o menino é, na verdade, um lobisomem! E lobisomens, como todo mundo sabe, não se dão com vampiros. É assim, literalmente, entre a cruz e a caldeirinha, mendigando um beijo aqui e outro ali, que Bella vai passar os intermináveis 130 minutos de “Lua Nova”.

Não acontece absolutamente nada no filme, o que pode explicar a implicância e resistência do público masculino, que transparece em comentários em blogs e fóruns sobre a saga. Bella também é cortejada nos filmes por um menino “normal”, nem vampiro nem lobisomem, mas não vê a menor graça nele. Seu sonho é ser mordida pelo vampiro galã. Para os meninos, trata-se de concorrência desleal.

Para piorar, a paciência e o recato do vampiro são realmente de outro mundo. O que pode ser tedioso para parte da plateia, parece encantador para a outra parte. À saída da sessão que assisti, às 2h20 da manhã, enquanto dezenas de adolescentes procuravam seus pais à saída do Kinoplex Itaim, muitas trocavam impressões sobre o filme. “Chorei muito na hora em que ele (Edward) falou que ia embora”, dizia uma. “Também chorei muito”, dizia a amiga. “Eu só lacrimejei”, respondeu a terceira.

Em tempo: sem nenhuma sutileza, num expediente que lembra as novelas da televisão, “Lua Nova” termina deixando pela metade uma conversa importante dos dois protagonistas. Só faltou exibir em seguida “cenas do próximo filme”. Que, a propósito, chama-se “Eclipse”, e tem estreia programada para 30 de junho de 2010.

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23/11/2009 - 16:13

Problema crônico em reality: falta de transparência

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Fazenda Sheila e Bombom“Votações encerradas”, anunciou Britto Jr. diante de Sheila Mello, Ana Paula Oliveira e Mateus Rocha, os três peões no paredão da primeira semana. Menos de um minuto depois, o apresentador comunicou: “Sheila Mello, você está salva!”. O mundo se curva diante da Record por esta que foi, até onde eu sei, a apuração mais rápida da história das eleições no mundo. Nem o BBB, com seus critérios pouco claros, chegou perto. A ex-loira do Tchan respondeu à altura: “Obrigado, Brasil. Oi, galinhas. Estou de volta”.

Começa assim o texto “Como no BBB, falta transparência na apuração”, que publiquei nesta segunda-feira no blog do iG dedicado ao programa A Fazenda 2. Aproveito para comentar também o histórico momento em que Adriana Bombom e Sheila Mello compararam seus bumbuns na tevê.

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