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09/11/2009 - 10:48

Repórter deve avisar ao entrevistado que ele está falando besteira?

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A entrevista do repórter Thiago Salata, do “Lance!”, com o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, “horas depois” de encerrada a partida contra o Fluminense, no domingo, levanta uma questão importante, que interessa de perto a qualquer jornalista: cabe a um repórter advertir o seu entrevistado que ele está falando o que não deve, mesmo sob o risco de perder a melhor parte da matéria?

Irritado com o erro grosseiro cometido por Carlos Eugenio Simon, que anulou um gol de Obina no primeiro tempo da partida, Belluzzo ofende o árbitro na entrevista e afirma que ele estava “na gaveta de alguém”, ou seja, foi comprado.

Em dois momentos, durante os 15 minutos em que conversou com Belluzzo, Salata adverte: “Vou publicar tudo que você está falando”. Antes, ainda havia chamado a atenção do dirigente: “Presidente, sinceramente, nunca o vi tão alterado”.

Entendo que Salata agiu corretamente. Entrevistou Belluzzo num momento em que o presidente do Palmeiras estava emocionalmente abalado, mas deu a ele diversas chances de repensar sobre as suas declarações. Na minha opinião, há algumas situações em que o entrevistado deveria ter a chance de voltar atrás em declarações, especialmente quanto podem resultar em danos para si próprio.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , ,

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16 comentários para “Repórter deve avisar ao entrevistado que ele está falando besteira?”

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Alessandra Carvalho, gutemberg. gutemberg said: Acho legal RT @mauriciostycer Amigos jornalistas, o repórter deve avisar ao entrevistado que ele está falando besteira? http://migre.me/b4dT […]

  2. Marcio Hasegava disse:

    Acho que em todas as situações isto deve ser lembrado, principalmente – embora este não seja o caso – quando o entrevistado em questão não tem muita familiaridade em lidar com a imprensa.

  3. Geiza disse:

    Acho que depende da situação Stycer. Que nós temos o direito de publicar, nós temos. Particularmente, acho que Salata teve pena de Belluzzo e o aviso não fez mal algum. Às vezes, você pode acabar perdendo a fonte para sempre. Tem que pesar.

  4. Thiago Candido disse:

    Mas, Maurício, isto não é normal? Estou cansado de ler (pego como exemplo mais recente o perfil do Serra na piaui) textos em que aparece coisas do gênero “fulano falou algo sobre siclano mas pediu que não fosse publicado”.

    Achei que isto fosse comum na imprensa.

  5. Karan Novas disse:

    Achei muito interessante a atitude do Salata, que acabou se mostrando positiva em todos os sentidos. Foi sincero com a fonte, o que deve preservá-la para próximas pautas; tirou ótimas declarações para o peso da entrevista; e ainda ganhou muitos leitores, não só pela qualidade do que escreveu, mas também pela “polêmica” jornalística que discutimos aqui.

  6. Avisar que está gravando e será publicado é praxe para o repórter. Acredito que, em casos como esse especialmente, pode ser interessante procurar o entrevistado algumas horas depois da primeira conversa. É uma forma de deixar que ele reflita sobre o caso e suas declarações. E um bom gravador reduz possíveis dores de cabeça após a publicação…

  7. Evaldo disse:

    Entrevistei uma figura pública amada pela turba, certa ocasião, sobre uma ação criminal que ela enfrentava. A tal pessoa estava sob efeito de medicamentos, tratando-se pra se livrar de drogas pesadas, e, talvez em função disso, tenha se escancarado comigo. As coisas que revelou e as confissões que fez, tudo gravado, seriam suficientes pra que ela fosse pra cadeia por pelo menos 10 anos. Terminei a exclusiva, dei-lhe um abraço e entreguei a fita ao médico dela. Agi corretamente? Pode ser que não, mas dormi muito bem depois disso.

  8. […] um comentário » O jornalista Maurício Stycer levantou uma interessante questão em seu blog sobre até onde o jornalista deve ir quando o entrevistado fala uma bobagem. Devemos repetir a […]

  9. Ele não só alertou o entrevistado, mas também se garantiu pra publicar o que está ouvindo sem depois ter que engolir algum desementido, “não foi bem isso o que eu quis dizer, fui mal interpretado” etc. etc.

  10. Fabio Peixoto disse:

    Excelente comportamento do repórter. Agiu com responsabilidade e respeito com o entrevistado e ao mesmo tempo se protegeu contra futuros arrependimentos do mesmo, como bem observou o colega André Monnerat em seu comentário.

    Aliás, em tempos onde muitos “jornalistas” nada fazem além de ficar à espreita de um deslize, em vez de realmente prover informação correta e confiável, trata-se de um sopro de esperança.

    Parabéns ao Thiago pelo comportamento e ao Maurício por trazê-lo à discussão.

  11. Fabio Peixoto disse:

    Só um adendo: acredito também que muito disso se deveu a quem era o entrevistado, alguém que acredito merecer o respeito da grande maioria. Fosse um safado qualquer, eu mesmo não teria tal preocupação, só tomaria o cuidado de gravar mesmo =).

  12. Vives disse:

    Acho muito legal o que o repórter fez. Foi uma situação de “fair play” jornalístico.

  13. Paulo DicKni disse:

    O que não falta é burro, ladrão e fdp nesse país para xingar; cada um escolhe se xinga ou não, mas que merecem, merecem.

  14. Foi correto; para mim prova que jornalismo e honestidade podem conviver enquanto existir profissional com caráter.
    Muito gente só fica esperando o “deslize” alheio como se isso fosse preponderante na profissão.

  15. Anita Dutra disse:

    Repórter, como todo ser humano, tem que lembrar que também o é. E ter sensibilidade.

  16. Fernando disse:

    Além de ter pautado a imprensa esportiva, Salata mandou muito bem nos avisos ao Belluzzo e às declarações. É a postura que todos deveriam ter para depois não haver troca de responsabilidade

Os comentários do texto estão encerrados.

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