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10/12/2009 - 10:46

A nova fase de Mano Brown

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A confirmação, nesta quinta-feira, de que Mano Brown sairá na capa da próxima “Rolling Stone” é a notícia do dia no meio musical brasileiro. Famoso pela aversão à mídia tradicional, que ele sempre enxergou como inimiga, o líder dos Racionais vive uma nova fase, como ele mesmo diz à revista, em frase destacada pela coluna de Mônica Bergamo, na “Folha”: “Não posso ser refém de nada. Nem do rap. Aquele Mano Brown virou sistema viciado”. Sobre este assunto, escrevi, em 23 de novembro, o texto abaixo, publicado originalmente no Último Segundo:

Mano Brown e Racionais ensaiam guinada “pop”

Os sinais já estavam no ar, mas se intensificaram nas últimas semanas. O Racionais MC’s, mais importante e respeitado grupo de hip hop brasileiro, prepara-se para lançar um novo CD no qual deixa de lado, em algumas músicas, a temática de cunho social e a agressividade nas letras que sempre caracterizaram o grupo.

Além de canções sobre a “vida loka” dos jovens da periferia envolvidos com a miséria e o crime, celebrizadas em CDs como “Sobrevivendo no Inferno” e “1000 Trutas 1000 Tretas”, o grupo agora volta-se também para outros interesses e parceiros.

O sinal mais evidente desta guinada “pop” já circula no You Tube. Chama-se “Mulher Elétrica”. Bem-humorada, a letra da música contém trechos assim: “Ela é preta na cor loira no cabelo, ela é uma hora e meia em frente ao espelho. Ela é… Ela é Naomi, Ela é Clara, é Nunes, é Donna Summer, Rosa, é Sônia, Ela é Tereza, Ela é Ana, Ela é Glória, Ela é bem Brasil, me engana que eu gosto ela tem tristeza balança o swing rara beleza, Ela é…Onde vai…? Mulher Elétrica Mulher Elétrica 3000 volts”.

Como tudo que diz respeito a Mano Brown e os demais músicos do grupo, há muito segredo envolvido em seus novos movimentos. Uma das novidades – talvez a que venha causar mais surpresa para os fãs – é o rumor que Mano Brown estará na capa da revista “Rolling Stone”, cuja próxima edição chega às bancas no dia 10 de dezembro.

O editor-chefe da revista, Ricardo Cruz, diz não poder confirmar a informação, mas o Último Segundo ouviu de pessoas próximas aos Racionais que está tudo certo –as fotos, inclusive, já foram feitas.

Desde que surgiu à frente dos Racionais, no início dos anos 90, Mano Brown mantém o compromisso de não falar com a chamada grande imprensa. Oriundo do Capão Redondo, na zona Sul de São Paulo, o músico deu raras entrevistas nestes últimos 15 anos, normalmente apenas para veículos alternativos.

Outra novidade sobre Brown é a sua aproximação com a Banda Black Rio. O famoso grupo de funk e soul music, surgido na década de 70, retomou suas atividades no final dos anos 90, liderado por William Magalhães, filho do fundador da banda, Oberdan Magalhães.

Na última sexta-feira 20, Dia da Consciência Negra, Brown cantou quatro músicas no show que a Black Rio fez na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, dentro das atividades do Seminário Internacional da Cultura Digital, um evento destinado a discutir políticas públicas para a área da comunicação.

Acompanhado do rapper Dom Pixote, Brown cantou “O Jogo é Hoje”, música feita por encomenda para a Nike e utilizada na trilha da promoção “Batalha das Quadras”. Originalmente um campeonato de futsal para jovens, no Rio e em São Paulo, realizado em 2008, “Batalha nas Quadras” gerou um CD promocional, produzido pelo músico Ice Blue, dos Racionais, com a presença de vários jovens artistas do hip hop.

A primeira faixa, que dá nome ao disco, intitula-se justamente “O Jogo é Hoje”, e é uma parceria entre Brown (que assina “MB”) e Pixote. A música fala da ansiedade antes de uma partida de futebol, e é outro sinal de mudança de foco das preocupações de Brown e seus colegas dos Racionais.

Chamado de “presidente” por William Magalhães, Brown vestia uma vistosa camisa pólo da Nike, com o logo da empresa estampado no peito – modelo idêntico ao que Pixote usava. Estava bem-humorado, à vontade e simpático – outra novidade para quem já viu algum show dos Racionais.

O Último Segundo ouviu de fontes ligadas à promoção do show que a Nike teria interesse em adquirir os direitos de “O Jogo é Hoje” para utilizá-la em outras campanhas da marca, mas a empresa nega. A Nike “adoraria”, nas palavras de um executivo, ter relações com Mano Brown, “assim como com Gisele Bundchen” e outros formadores de opinião deste quilate.

Em 2007, durante entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, Mano Brown travou um curioso diálogo com Ricardo Cruz, o editor da revista “Rolling Stone”, na qual reconhece que, para ele mesmo e para seus fãs, soa estranho utilizar roupas e tênis do fabricante americano.

Pergunta: Você conseguiu, Brown, fazer uma revolução interna no seu jeito de ser, de pensar? Você conseguiu lutar contra os seus, suas próprias contradições, seus próprios medos? Você consegue isso hoje?

Resposta: Na verdade, as contradições só acabam quando morre, né? Tipo, eu era um cara, hoje eu estou de Nike no pé, mas eu já xinguei a Nike muito por aí. Entendeu? Mas eu descobri também que a Adidas não me dá nada se ficar falando mal da Nike. Eu derrubo um e levanto a outra. A Adidas é dos alemães, não são nada. Estou de Nike, o KL Jay não usa Nike, vai ver o Nike que o Blue tá no pé? Entendeu? É contradição, Racionais é isso, é quatro caras, quatro mentes, quatro idéias, entendeu, meu? Eu sou o mais confuso dos quatro sou eu mesmo.

Autor: - Categoria(s): Cultura Tags: , ,

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8 comentários para “A nova fase de Mano Brown”

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Mauricio Stycer, @uau news. @uau news said: A nova fase de Mano Brown http://idek.net/lGt […]

  2. Em 2000 o Brown já falava: “É chato como tratam artista de rap. Por você ser cantor de rap o pessoal já quer que você faça um monte de coisa que não tem nada a ver com a música, já te dão uma tonelada para carregar. Eu sou músico”.

  3. Loki disse:

    Já que republicou, podia ter corrigido a parte em que fala que músicas que NÃO SÃO do Racionais são do grupo.

    E, sei lá, é uma banda que vendeu milhões de discos. Se isso já não era ser pop, não sei o q é.

  4. Carlos Cesar Ferrante disse:

    Mano Brown não tem como explicar sua aliança com a Nike:
    “É contradição, Racionais é isso …” É o mesmo que dizer – o não é o sim. A Nike comemora e dá gargalhadas. Mais um “rebelde” cooptado. Agora a marca estará ligada ao protesto, rebelião, quando na verdade é exatamente o contrário: conformidade, a ilusão do status social ligado a um tênis.
    Ele tem todo o direito de melhorar de vida, mas sem se unir ao mercado que provocou e provoca a pobreza de tantos.

  5. walter rap disse:

    Ai rapa o mano está certo,temos q ganha dinheiro tambem , eu só não apoio guando alguem nega o rap, ele tem q ussa nike dos Americanos já q a olimpycus só patrocina os boys.
    no rap do hip hop eu sou o we
    na rima e no procede.
    falo pra vc , we duas letras do meu nome
    walter com w sugeito homem….. Ai rapa do rap o mundo evoluiu nós também,famos ganha o a vida .

  6. Cohab munck disse:

    Nós aq da comunidade Munck não achamos nada de mais
    todos temos uma visão, temos as nassas ideologia, os Racionais fizeram muito é podem fazer mais,
    isso ai não é nada nós iremos compra essa revista.
    Não gostamos desse bla,bla,bla,é muita conversa sobre isso………… Zona Oeste de ão Paulo,periferias favelas é nosso bairro.

  7. ANDERSON disse:

    O problema dessa país é o rótulo! Se rotula tudo, se o cara é raper não pode fazer isso, se é ator não pode cantar, se é modelo não pode ser ator e por aí vai!

    Quando falamos de arte, não pode existir fronteiras, devemos sim mudar de opinião e porque não contradizer, mas todas essas coisas são feitas em um contexto ou momento. E como alguem comentou, o mundo evoluiu e insistir nas mesmas opiniões é não aceitar mudanças.

    Salve Racionais!

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