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Arquivo da Categoria Blog

11/12/2009 - 11:58

A educação pelo leitor

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Depois de um ano e meio, estou deixando o iG, onde fui alfabetizado em matéria de Internet, em direção a um novo desafio profissional. Roubo de um dos mais famosos poemas de João Cabral de Mello, “A Educação pela Pedra”, o título deste texto com que pretendo me despedir dos leitores deste blog.

Porque, se João Cabral extraiu da pedra a dicção de sua poesia, posso afirmar que descobri, no contato diário com os leitores, uma dimensão do jornalismo que teimei muitos anos em ignorar.

Escrevi, até esta sexta-feira, 538 textos para o blog e colhi 29.919 comentários a respeito do que foi publicado aqui. Como repórter especial do iG, produzi mais de duas centenas de reportagens e críticas, no período, publicadas em páginas do Último Segundo, no Esporte e no Babado, com outros milhares de comentários.

Conheci os mais variados tipos de leitores. Alguns poucos, fiéis, passavam quase todo dia e deixavam algum sinal de sua presença. A maioria, eventual, aparecia em função dos variados temas que propus.

Conheci, e sou muito grato, a todos que vou simbolizar aqui na figura do “leitor-colaborador” – aquele que lê e, rapidamente, comunica um erro, lembra de algo que o autor esqueceu, sugere um link, recomenda algo que pode complementar o post.

Também quero agradecer muito ao “leitor-crítico” – todos aqueles que tiveram a paciência de apresentar idéias em contraste com as minhas, propor visões diferentes, questionar o meu ponto de vista, sugerir novos enfoques.

Aprendi muito, ainda, com o “leitor-tropa-de-choque”, que entrou neste blog para manifestar a sua revolta com as idéias do blogueiro e, mesmo num tom de voz alto, exaltado, me ajudou a entender como devo ter cuidado com o impacto das minhas palavras.

Sem demagogia, colhi lições até do “leitor-covarde”, a pior espécie que habita a Internet – aqueles sujeitos, protegidos pelo anonimato, especialistas em defender interesses escusos, ofender quem pensa diferente deles e alimentar o terror.

O curso sobre Internet que tive no período também contou com lições fundamentais dos meus generosos companheiros de trabalho, Caio Túlio Costa, Mario Vitor Santos, Alessandra Blanco, Mariana Castro, Gian Oddi e as dedicadas equipes do Último Segundo, iG Esporte e Babado. Desejo muito sucesso, a todos que permanecem, nesta nova fase do iG.

Como disse no início, creio que fui alfabetizado em matéria de Internet neste convívio diário, por um ano e meio, com os leitores. Sinto-me pronto para seguir adiante nesta mídia e convido, a quem se interessar, a acompanhar os próximos passos da jornada pelo meu Twitter.

Deixo-os na companhia de João Cabral. Obrigado.

A educação pela pedra

Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, freqüentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições da pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.

*
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse, não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.

Autor: - Categoria(s): Blog, Internet, jornalismo Tags: , , ,
25/11/2009 - 11:15

A floresta pelas lentes de Gautherot

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Gautherot Igapos blog

O fotógrafo francês Marcel Gautherot disse certa vez ao poeta Jacques Prévert: “No Brasil, tive vontade de derrubar uma floresta inteira para tirar o retrato de uma certa árvore de que gostei”. Brincadeiras à parte, como observam Milton Hatoum e Samuel Titan Jr. na introdução a “Norte”, uma belíssima coletânea de fotos feitas por Gautherot na região, as dificuldades envolvidas na tarefa de registrar a floresta amazônica mobilizaram, desde sempre, artistas e fotógrafos dos mais variados calibres.

Nascido em Paris em 1910, Gautherot radicou-se no Rio de Janeiro a partir de 1940. A serviço do SPHAN, viajou pelo país, registrando o patrimônio histórico e artístico nacional. Documentou o nascimento de Brasília numa série famosa de fotos. Morreu em 1996 e seu acervo de mais de 25 mil imagens hoje pertence ao Instituto Moreira Salles.

Gautherot Cidade flutuante Rio Negro Manaus blog

Gautherot foi diversas vezes à Amazônia, e fotografou não apenas a floresta, como os índios e as grandes cidades da região. Hatoum e Titan organizaram “Norte” como se fosse uma viagem, iniciada em Manaus e encerrada em Belém. Com razão, os organizadores observam que Gautherot descobriu “um jeito inédito de ver o Brasil” – e as duas fotos aqui exibidas dão uma boa idéia disto. As 72 imagens que formam o livro (144 págs., R$ 56) poderão ser vistas, também, em uma exposição que será inaugurada nesta quarta-feira (25 de novembro) e abre ao público na quinta-feira (26), permanecendo até 21 de março de 2010, no Instituto Moreira Salles, em São Paulo (rua Piauí, 844)

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23/11/2009 - 02:21

Luciano Huck acusa programa do Gugu de plágio e é chamado de “babaca” e “covarde” pelo diretor do rival

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O Twitter foi palco neste domingo de uma discussão acalorada entre Luciano Huck, apresentador da Globo, e Homero Salles, diretor do programa de Gugu Liberato na Record. A briga terminou por chamar a atenção para um problema crônico da televisão brasileira: o mau hábito de copiar programas alheios ou repetir fórmulas prontas.

Huck indignou-se ao ver o apresentador da Record exibir na noite deste domingo um quadro semelhante ao “Lata Velha”, que ajuda donos de carros velhos a reformarem seus veículos, apresentado no programa da Globo desde 2006.

“Agora o Gugu quer ‘se inspirar’ também no Lata Velha!!! Hahahaha…ô falta de imaginação!!!! Tem gente que acha que povo é burro, né não?”, escreveu Huck, por volta das 21h15, aos seus 1,4 milhão de seguidores – o maior número no Twitter brasileiro. E logo acrescentou, com ironia: “Faça o bem, para receber o bem. Vou acreditar que 80% do Programa do Gugu é uma ‘homenagem’ ao Caldeirão. Obrigado, nobre colega.”

Com apenas 1,5 mil seguidores no Twitter quando começou a discussão, Homero Salles aproveitou a deixa para desferir uma série de ataques a Huck. Por uma hora e meia, ao longo de mais de 20 mensagens sobre o assunto, o diretor da Record não negou ter copiado o programa do rival, apenas argumentou que o apresentador da Globo não tinha autoridade para falar de cópias.

“@huckluciano , deixa de ser babaca…você dirige um TAXI que o Gugu dirigia e pensa que pode falar dos outros?”, começou Salles, lembrando que Huck apresentou um quadro na Globo muito semelhante a um que Gugu mantinha no SBT.

Irônico, Salles lembrou que o quadro “Lata Velha” é baseado num formato estrangeiro, sugerindo que não está copiando a atração do “Caldeirão do Huck”, mas de programas da tevê americana: “amiguinho…TODOS nós assistimos os programas de reforma de carros americanos…nem vc nem nós inventamos isso”

Ainda com sarcasmo, Salles afirmou que Huck utiliza em seu programa vários quadros “importados” de produtores estrangeiros. “ô nobre colega…até três anos atrás vc perdia pro Raul Gil, a Globo teve de gastar uma nota preta comprando formatos…”, escreveu Salles. O diretor da Record citou os quadros “Barco do Amor” e “Acorrentados” como exemplos de atrações “importadas”. E, logo, no Twitter, vários leitores que assistiam a discussão lembraram de outros quadros exibidos no programa de Huck que seriam “inspirados” em atrações estrangeiras, como “Soletrando” e “Lar Doce Lar”.

“Nunca tive vergonha de adaptar bons quadros …mas tem de ser homem e assumir”, escreveu o diretor do programa do Gugu. Chamado de “covarde” por fazer suas críticas quando o programa do concorrente ainda estava no ar, Huck apagou do Twiiter, ainda na noite de domingo, os dois comentários que publicou. Um pouco antes de eliminá-los, dirigindo-se a colegas que se impressionaram com o tom da discussão, Huck escreveu que suas críticas foram apenas “um dasabafinho”, mas que não tinha a intenção de polemizar com Salles.

Atribui-se a Abelardo Barbosa (1917-1988) a célebre frase: “Em televisão, nada se cria, tudo se copia”. É um exagero, evidentemente – e o próprio Chacrinha, original em vários aspectos, está aí para desmentir a si próprio. Mas a briga feia entre Luciano Huck e Homero Salles diz muito do nível da televisão brasileira atual.

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19/11/2009 - 16:06

A alegria de ouvir bobagens na “Fazenda”

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Para quem freqüenta este blog e, ao mesmo tempo, aprecia os textos do autor sobre televisão, informo que meus comentários sobre “A Fazenda” serão publicados às segundas e quintas no blog específico que o iG mantém sobre o programa. No texto desta quinta-feira, eu falo da alegria de ouvir bobagens no reality.

Autor: - Categoria(s): Blog, televisão Tags: , ,
05/11/2009 - 16:06

Verbete de Danilo Gentili na Wikipédia é alvo de disputa e manipulação

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Na manhã desta quinta-feira, o humorista Danilo Gentili anotou no Twitter, onde é seguido por 438 mil pessoas: “Wikipedia diz q sou ‘ator’. Apaguei pois não sou. Reescreveram. Algum idiota por ai acha q sabe + da minha vida do q eu.”

Intrigado com o assunto, entrei imediatamente no verbete dedicado a Gentili. Não constava mais qualquer referência ao problema apontado pelo humorista, mas algo me chamou a atenção. Na última linha do perfil, estava escrito: “PS: todo preto tem mania de perseguição”.

Dado o histórico de Gentili – há quatro meses causou polêmica ao fazer um comentário de cunho racista no Twitter –, imaginei que o tal “PS” foi acrescentado a seu perfil apenas por provocação. Imediatamente, anotei no Twitter: “Verbete de @danilogentili na Wikipedia termina com um PS: ‘Todo preto tem mania de perseguição’. Pegadinha?”.

Seis minutos depois, voltei ao perfil de Gentili na enciclopédia online e o “PS” já havia sido removido. No entanto, vários internautas me mandaram cópias da página onde aparece a frase. Numa prova evidente de como os perfis na Wikipédia são alvo de disputa, @ALuizCosta verificou: “O verbete sobre Danilo Gentili teve 35 edições e contraedições nos últimos 2 dias”, enviando o link que mostra esta estranha movimentação.

O episódio em si não é tão importante, mas reforça o justo coro daqueles que enxergam a Wikipédia com cautela e ceticismo. Trata-se de uma ferramenta útil, mas que não deve ser usada como fonte única nem última de informação.

Autor: - Categoria(s): Blog, Cultura, Internet Tags: , , ,
23/10/2009 - 08:23

Maradona e Cantona, gênios imperfeitos

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Mostra SeloCada um à sua maneira, Diego Maradona e Eric Cantona encarnaram o mais sedutor dos tipos que rondam o mundo do futebol – o do craque magnífico e indomável, tanto dentro quanto fora de campo. (Romário é o brasileiro que primeiro me ocorre quando penso em jogadores deste quilate com este perfil.)

Imprevisíveis com a bola no pé, mas também com a língua, Maradona e Cantona (e também Romário) sempre falaram o que achavam que deviam falar, e não o que os dirigentes ou assessores programavam. Profissionais, mas não fantoches, exigiam respeito – de colegas, dirigentes, jornalistas e torcedores.

Muitas vezes, perderam o controle da situação e, literalmente, meteram os pés pelas mãos. A carreira de Cantona sofreu um baque quando agrediu um torcedor que o ofendeu depois de ser expulso de campo. Ficou dez meses suspenso. (Romário também agrediu torcedores que o ofenderam durante um treinamento, mas não foi punido.)

Maradona não apenas fez um gol com a mão contra o maior inimigo da Argentina em 1986, a Inglaterra, como ainda reconheceu o “crime” e tripudiou: “Foi a mão de Deus”. Depois, violou a mais sagrada das regras do esporte: utilizou drogas (cocaína) e ainda foi pego jogando dopado.

maradona kusturicaChamado de “Deus”, Maradona é idolatrado em toda a Argentina e em Nápoles, na Itália. Conquistou “sozinho” a Copa de 86 e deu à equipe italiana os dois únicos títulos da Série A de sua história. Chamado de “rei”, Cantona é herói entre os torcedores do Manchester United. O time não vencia o campeonato inglês desde 1967 quando ele chegou, em 1991, dando início a uma temporada de glórias e conquistas.

Maradona e Cantona são as estrelas indiscutíveis deste primeiro fim de semana da 33ª Mostra de Cinema de São Paulo. O primeiro é objeto de um documentário do sérvio Emir Kusturica, que o retrata sem nenhum distanciamento, mas com grande energia. O segundo atua como ator, no papel de si mesmo, num divertido filme do inglês Ken Loach.

Como escrevi no Ultimo Segundo (Filme de Kusturica ajuda a entender a Argentina de Maradona), além das dezenas de gols e jogadas que exibe, há momentos impressionantes no filme sobre o craque argentino – o culto na Igreja Maradoniana, a confissão que o ex-jogador faz sobre os efeitos da cocaína e a sua relação com Fidel Castro, entre outros.

cantonaJá o craque francês, cujo filme que protagoniza abriu a Mostra nesta quinta-feira, é igualmente homenageado com a generosa exibição do seu talento como jogador, relembrado em várias passagens, e expõe também os seus curiosos conhecimentos filosóficos. Com real habilidade para interpretação, como escrevi, Cantona distribui pílulas de sabedoria a um carteiro infeliz, ajudando-o a superar os seus problemas com a ex-mulher e com os enteados.

Numa passagem já famosa de “Maradona”, o craque afirma que, não fosse pela cocaína, teria sido ainda maior do que foi como jogador. Ou seja, teria sido Deus de fato. Em outro momento, o dono de uma casa noturna de Buenos Aires diz que as go-go girls reclamam quando a tevê exibe antigos gols de Maradona porque os frequentadores do inferninho preferem ver os gols aos shows das dançarinas seminuas.

Já Cantona, em diálogo com Eric, o carteiro que ajuda, ensina que o momento que mais aprecia em sua carreira como jogador não é nenhum gol em especial, mas um passe perfeito que deu, propiciando o gol de um colega. Pode parecer filosofia de botequim, mas o passe foi realmente maravilhoso.

Entre esta sexta-feira e domingo, há três chances de ver ambos os filmes. “À Procura de Eric” passa hoje, às 16h40, no Unibanco Artplex; sábado, às 23h50, no Cinema da Vila; e domingo, às 15h50, no Cine Bombril. “Maradona” será exibido hoje, às 21h30, no Cine Bombril; sábado, às 12h, no Reserva Cultural; e domingo, às 22h, no Cinemark, Shopping Eldorado. Ambos os filmes serão exibidos no circuito comercial, depois da Mostra.

Autor: - Categoria(s): Blog, Crônica, Esporte Tags: , , , ,
21/10/2009 - 10:39

Eu sou normal, eu estou no Twitter

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No intervalo de três dias, participei de dois debates em São Paulo sobre o Twitter. No primeiro, na Livraria Cultura, o professor José Luis Goldfarb contou que tuitou durante a defesa de uma tese de doutorado, na USP. No segundo, no MIS, o publicitário Michel Lent falou do prazer que sente ao ser reconhecido na rua como o “Lent do Twitter”.

Enquanto debatíamos no MIS, o jornalista William Bonner, editor-chefe e apresentador do “Jornal Nacional”, escrevia: “Hoje é o aniversário do meu triozinho. Quem quer que eu transmita os parabéns por favor diga EU!”. Um pouco antes disso, o jogador Kaká, um dos melhores do mundo, pedia: “Queria lançar para vocês a CAMPANHA WALLPAPER. Preciso de um wallpaper legal e criativo para colocar aqui no twitter!!”

No debate promovido pela produtora de diversão digital Pix, o psicólogo André Camargo foi convocado à mesa para tentar explicar o fenômeno. Não conseguiu. Um repórter da MTV pediu a Lent que definisse o Twitter em 140 caracteres. Ele também não conseguiu.

Wagner Martins, o Mr. Manson, saiu-se melhor. Para ele, o Twitter é um “papo de boteco” – uma definição em 14 caracteres. Pessoalmente, acho que é mais que isso, mas também não me julgo capaz de explicar o fenômeno.

Em resposta a um estudante da UNB, que há duas semanas me pediu para definir o Twitter em 140 caracteres (ô perguntinha original), escrevi: “O Twitter me parece ser uma ótima ferramenta para trocar informações relevantes, ouvir piadas novas e saber da irrelevância da vida alheia”.

Tenho consciência que não é uma definição que dá conta da complexidade desta ferramenta. Ao contrário, relendo hoje, vejo que a minha frase é pobre e ignora diferentes efeitos que o Twitter começa a provocar.

Fui convidado a participar destes dois debates porque nos últimos meses escrevi alguns textos sobre o Twitter. Relatei a hilária tentativa de Marcos Mion e amigos de convencer um ator americano a gritar “fora Sarney” (Ashton Kutcher dá lição de política a brasileiros no Twitter), levantei uma discussão sobre as primeiras iniciativas de promover propaganda disfarçada por aqui (Publicidade velada no Twitter causa polêmica) e narrei o famoso incidente que ocorreu com a apresentadora Xuxa (A desastrada aventura de Xuxa pelo Twitter ).

Ah, e como acaba de me lembrar @juhsuedde (pelo Twitter, é claro), antes disso eu havia feito a experiência de passar 24 horas tentando me comunicar com o mundo exclusivamente por meio da nova ferramenta (Um dia no Twitter).

Nenhum deste textos me transformou num especialista no Twitter, mas confesso ter muito interesse pelo assunto. Depois de pouco mais de um ano postando (e me divertindo), tenho muito mais dúvidas do que certezas. Um fenômeno, porém, me parece claro. O Twitter produz, num primeiro momento, um deslumbramento. É impossível não se deixar encantar pela velocidade e proximidade da “relação” que se estabelece com os seus seguidores.

Com o tempo, o usuário vai percebendo os limites e problemas desta relação. Alguns, como a Xuxa, tropeçam; outros, parecem entender melhor. Para quem tem a vocação e/ou a alma da publicidade e da auto-promoção, observo que parece ser mais difícil temperar o deslumbramento. São pessoas que acreditam, como Biz Stone, criador da ferramenta, que “o Twitter não é um triunfo da tecnologia, mas um triunfo da humanidade”. Lamento por estes.

Autor: - Categoria(s): Blog, Internet Tags: , , , , , ,
19/10/2009 - 15:53

Menino no balão: um “viral” que deu errado

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O caso do menino que (não) sumiu no balão permanece na mídia mesmo depois dos 15 minutos de fama obtidos pelos envolvidos. A razão é a perseguição legal aos pais do garoto, que possivelmente serão presos e processados por fraude.

A proliferação de boatos e notícias falsas ganhou grande impulso na era da Internet – e mais ainda nestes tempos de Twitter, em que a informação circula quase na velocidade da luz.

Na confusão instalada nos dias de hoje, misturam-se diferentes tipos de fraudes. Há de tudo, para todos os gostos, desde vídeos publicitários disfarçados até “informações” plantadas com o objetivo de prejudicar políticos, artistas ou jornalistas.

O caso do menino no balão se enquadra na categoria das mentiras que, em tese, não fazem mal a ninguém e, ao final, podem até ser engraçadas. Para usar a linguagem do meio, foi um “viral”.

Nesta categoria, conseguir disseminar um vídeo ou uma informação falsa na rede tornou-se motivo de glória para seus autores – normalmente publicitários ou humoristas profissionais, que vivem disso e divertem a audiência com seus “virais” e piadas.

Segundo a polícia, a história do balão teria sido pensada com o objetivo de chamar a atenção para a família e promover um futuro “reality show”. A ser verdade esta versão, não é difícil imaginar onde Richard e Mayumi Heene tiveram a ideia. A velocidade com que a história se disseminou, transformando-os em questão de horas em celebridades mundiais, mostra que pensaram corretamente.

O problema no caso, e esta é a lição que outros inventores de notícia devem tirar da história, é que o “sumiço” do menino colocou a engrenagem do Estado (polícia, bombeiros etc) em ação. Deixou de ser apenas uma brincadeira com o objetivo de chamar a atenção para se transformar num trote, que causou prejuízos a terceiros.

Em resumo, ninguém pode impedir você de lutar desesperadamente pelos seus 15 minutos de fama, mas você pode ser preso se envolver as pessoas erradas na brincadeira.

Autor: - Categoria(s): Blog, Crônica, Internet Tags: , , , ,
09/10/2009 - 07:48

Novo Tarantino agrada somente a seus fãs

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Bastardos 3Há duas maneiras de ver “Bastardos Inglórios” (ou, se preferir, “Sacanas Sem Lei”, como foi traduzido em Portugal): como mais um filme de Quentin Tarantino ou como uma diversão sem maiores consequências. Encarado de qualquer outra forma, é uma produção destinada à decepção ou ao tédio.

Para os fãs de Tarantino, “Bastardos Inglórios” oferece os deleites de sempre. Citações variadas, homenagens a diretores europeus, piadas internas, referências ao universo pop, trilha sonora da melhor qualidade – com direito, até, a Ennio Morricone, o maestro dos filmes de Sergio Leone.

Para quem procura apenas diversão no cinema, “Bastardos Inglórios” cumpre razoavelmente bem a tarefa, com cenas brilhantemente dirigidas, um roteiro bem estruturado, bons diálogos e algumas ótimas interpretações – ainda que as suas duas horas e meia de duração possam desagradar a quem prefira emoções mais rápidas.

Se você ainda não leu nada sobre o filme, ai vai um breve resumo: “Bastardos Inglórios” é o nome de uma divisão do exército americano formada por soldados judeus, enviada à Europa em 1941 para exterminar nazistas. Um deles, o sargento Donny Dnowitz (Eli Roth), é especializado em matar alemães com o taco de beisebol.

Além de matar, eles tiram o escalpo das vítimas – uma tara do chefe do batalhão, o tenente Aldo Raine, vivido por Brad Pitt, que tem sangue índio. Os nazistas que sobrevivem para contar a história ganham uma suástica na testa, desenhada com o facão de Raine.

Bastardos 5O antagonista principal do militar americano é o coronel Hans Landa, apelidado “o caçador de judeus”. Interpretado pelo ator austríaco Christoph Waltz, Landa domina o filme de tal maneira que transforma o personagem de Pitt quase num coadjuvante. Não por acaso, Waltz ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes, onde “Bastardos” foi exibido pela primeira vez, em maio deste ano.

A ação de “Bastardos Inglórios” converge para Paris, onde o Estado Maior nazista se reunirá para a exibição de um filme, dentro de um cinema dirigido pela judia Shosanna (Melanie Laurent). A moça escapou da fúria de Lando na magnífica cena de abertura do filme e vive disfarçada em Paris, junto com o amante, um homem negro, projecionista do cinema. Bastardos 4

Há inúmeros bons achados ao longo do filme – o principal deles, a possibilidade de acabar com a Segunda Guerra dentro de um cinema. Como se estivesse filmando uma história em quadrinhos, Tarantino dá asas à imaginação, e produz entretenimento de ótima qualidade.

Para quem não vai ao cinema só por causa de Tarantino ou apenas para se divertir, porém, “Bastardos Inglórios” pode ser uma decepção. Não surpreende que tenha sido entendido nos Estados Unidos como um filme sem pé nem cabeça, cansativo, amoral, cujo pano de fundo histórico – a ocupação nazista na França e a perseguição aos judeus – serve como biombo para várias piadas de mau gosto.

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07/10/2009 - 19:21

Paulo Coelho chega ao topo no Twitter “clonando Confúcio”

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Sem apelar a Ashton Kutcher ou contar com a ajuda de qualquer campanha, o escritor Paulo Coelho emplacou nesta quarta-feira uma expressão de sua autoria – “Cloning Confucius” (“Clonando Confúcio”) – como um dos assuntos mais falados no Twitter (os chamados “Trending Topics”).

Como vem fazendo quase que diariamente já há dois meses, Coelho publicou em sua página, em inglês (às vezes, também escreve em português), uma frase curta, inspirada em um ditado popular. A frase desta quarta-feira dizia: “Quando você está certo, ninguém lembra. Quando você se engana, ninguém esquece”.

A frase agradou aos seus seguidores (hoje na casa dos 150 mil) e foi muito retuitada. Por volta das 17hs (horário do Brasil), o escritor anunciou, eufórico, no Twitter: “I created my CLONING CONFUCIUS two months ago, today it is in the Trending Topics! Thanks to all my followers!”

“Pílulas de sabedoria”, as frases de Paulo Coelho da série “Clonando Confúcio” versam sobre assuntos variados. Na terça-feira, por exemplo, escreveu: “Perdoe seus inimigos; é a coisa que mais os enlouquece.” Um dia antes mandou: “Esqueça o orador, e preste atenção no que é dito”. Ou, ainda, escreveu na sexta-feira: “Experiência é o pente que a vida nos dá quando já estamos carecas”.

O escritor afirma ter batizado a série com o nome de Confúcio por conta da dimensão política das reflexões do pensador chinês: “Confúcio era um personagem que estava mais comprometido com política do que qualquer outra coisa, e achei que seria bom usá-lo. No fundo todas as frases do ‘clone’ nada tem de espiritual”, disse ao blog.

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07/10/2009 - 11:46

A hipermnésia e o Facebook

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Apenas três ou quatro pessoas no mundo sofrem deste estranho e cruel transtorno da memória, a hipermnésia. Segundo o neurobiologista James L. McGaugh, que estudou o fenômeno, trata-se de uma síndrome que leva as pessoas a terem uma memória perfeita, ou seja, guardam involuntariamente todos os detalhes da sua vida. Nada se apaga, nada se esquece. Um tormento. Por sorte, as possibilidades de sofrer desta síndrome são irrisórias.

O problema, escreve a publicitária e romancista Emma Riverola, no diário “El País”, é que hoje em dia estamos sujeitos a ser lembrados involuntariamente de passagens de nossas vidas que estavam completamente esquecidas, e que não queríamos mais recordar, em ambientes compartilhados por milhões de pessoas.

A rede social é o local exemplar, na avaliação da autora, deste fenômeno. Este ataque repentino de memória ocorre, normalmente, pela mão de alguém tão inocente quanto um antigo colega de escola, a namorada da infância ou o colega do acampamento de 1981 que nos localizou no Facebook. Escreve Riverola:

“A vida é evolução. Todos nós temos o direito de mudar, de nos contradizer, de fazer quantas viagens ideológicas quisermos e de defender, em qualquer momento, o nosso modo de pensar e agir. A diferença é que essa evolução, até agora, era um périplo interior. Um trajeto que, às vezes, compartilhávamos com outras pessoas. Companheiros de aventuras que o acaso da travessia obrigava a nos separar em diferentes estações, em função do destino escolhido por cada um. Agora, Facebook, Twitter, Tuenti e outras redes sociais estão convertendo este desenvolvimento pessoal em um cruzeiro de massas”.

A íntegra do artigo de Emma Riverola, em espanhol, pode ser lida aqui . Ela não é contra as redes sociais, mas lembra que “a solidão também é uma fonte de riqueza em nossas vidas. Rende uma boa discussão, acredito.

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06/10/2009 - 15:46

Quando o Super-Homem vai ao psicanalista

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super-homem

“Eu estou muito bem, mas Clark Kent não consegue encontrar um jornal que esteja contratando”.

(Cartoon de Tom Cheney publicado na edição de 5 de outubro da revista “New Yorker”)

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18/09/2009 - 14:24

Pausa para descanso

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Em atividade há quase 14 meses sem interrupção, esse blog poupa os leitores por 15 dias enquanto o autor recarrega as baterias. Volto no dia 5 de outubro. Até lá.

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16/09/2009 - 20:20

Ela procura o pai do filho no You Tube. Será verdade?

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Ela apresenta-se como Karen e, com um bebê no colo, chamado August, dirige-se ao público, informando que é dinamarquesa e diz: “Estou fazendo esse vídeo porque estou tentando encontrar o pai de August”. E conta a história de como, meio bêbada, tropeçou em um estrangeiro nas ruas de Copenhague, começaram a conversar e acabaram a noite juntos.

De manhã, quando acordou, prossegue Karen, ela não encontrou o sujeito ao seu lado. Não se lembra do nome nem da nacionalidade dele. Não faz idéia alguma de quem seja. Por isso, pede a quem assiste o vídeo, caso tenha alguma pista, que a ajude.

Em questão de dias, o vídeo postado no You Tube e chamado “Danish mother seeking” foi visto por mais de um milhão de pessoas em 150 países. O link do vídeo apontava para um site, em que inúmeras fotos da loirinha com seu bebê eram exibidas. O caso explodiu, com direito a reportagens na mídia dinamarquesa e estrangeira.

Logo surgiram dúvidas se o vídeo contava uma história verdadeira ou era uma peça de marketing – o chamado marketing viral – financiado por uma marca de preservativos. Dois dias atrás, o diário “Politiken” informou que o vídeo era parte de uma campanha publicitária do Visit Denmark, o órgão oficial de turismo do país.

Segundo o presidente do órgão, a intenção era propor uma imagem positiva do país e “gerar um buzz”, um assunto, na mídia mundial sobre a Dinamarca. Não passou pela cabeça dele, disse, que o vídeo pudesse ofender pessoas mais sensíveis ao também sugerir que um dos encantos da Dinamarca é a possibilidade de encontrar lindas garotas para uma agradável noite de amor.

Ao perceber a mancada, o Visit Denmark retirou o vídeo do ar, mas inúmeras cópias podem ser encontradas no You Tube. Ficou mal para o órgão, mas a Dinamarca caiu na boca do povo – como eles sonhavam.

Na Internet blogueiros discutem as razões do fracasso deste viral. Não é o primeiro, nem será o último. O sonho de todo publicitário parece ser emplacar um viral na grande rede. Para quem não é do ramo, só resta permanecer alerta e reticente. Parodiando o célebre ditado futebolístico, não tem mais bobo na Internet.

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08/09/2009 - 12:18

Luciano Huck soletrou errado. E não gostou de ser corrigido

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Expostas como nunca no Twitter, as celebridades nacionais estão sofrendo na mão dos fãs que acompanham seus comentários com lupa e não perdoam seus erros. Depois de Xuxa dar show (ou “xou”, se preferirem) de falta de intimidade com a língua portuguesa, a vítima da vez é Luciano Huck. De Toronto, no Canadá, em pleno 7 de setembro, o apresentador não resistiu e mandou ver no Twitter:

“No Brasilian Day em Toronto, muita gente!!! Se fosse em SP, seria a Praça da República lotada!!! Brasucada morrendo de saudades de casa.”

A apresentadora Rosana Hermann foi uma das primeiras a notar o errinho (“brasilian” com “s” e não com “z”) e escreveu no Twitter: “O @huckluciano pode escrever ‘brasilian’ que ninguém briga  #TadinhaDaSasha”

Outros leitores também fizeram piada, sugerindo a Huck melhorar o seu inglês (“improve your english!!!”) e elogiando o novo estilo do apresentador (“BRASILIAN I like it the new style”). Também houve quem pedisse: “ou escreve em português ou em inglês”.

Teria sido um episódio de menor importância não fosse a surpreendente reação de Huck às críticas e ironias. Menos de uma hora depois de soletrar a palavra “brazilian” com erro, o apresentador escreveu, furioso:

“BraZilian Day porr…nenhuma! Vou continuar escrevendo BraSilian Day! Sou braSileiro! Melhor, vou começar a escrever o Dia do Brasil. Pronto.”

Um leitor, gaiato, percebeu o novo erro do apresentador e observou: “Melhor seria Dia do Brasileiro” (ou Dia Brasileiro). Já @eversonu2cover, observou: “hahahahaha… então escreve BRASILIAN DEI… não seja Xuxa, diga q se enganou e pronto”. E @chapeleiro foi direto ao ponto: “em breve teremos o @huckluciano ‘Vocês não merecem falar comigo, nem com minha Angélica!’”

Sem jogo de cintura e bom humor, as celebridades continuarão a sofrer no Twitter.

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