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Arquivo da Categoria Brasil

02/12/2009 - 19:05

Carta em jornal mostra que “Casseta & Planeta” pega leve com Lula

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Uma frase muito repetida de Millôr Fernandes diz que só existe imprensa de oposição – “o resto é armazém de secos e molhados”. O mesmo pode-se dizer, e com muito mais ênfase ainda, a respeito do humor. Não existe humor a favor. O humor é, por natureza, do contra, de oposição.

Mesmo sabendo disso, creio que muita gente se espantou com a carta que Marcelo Madureira, um dos integrantes do grupo “Casseta & Planeta”, enviou à “Folha de S.Paulo” no sábado, 28 de novembro. A propósito de comentar o artigo que Cesar Benjamin publicou no jornal, Marcelo escreveu:

“Em tempos de unanimidades, bajulação, mentiras, censuras veladas e neoperonismos, o corajoso e sensível depoimento de César Benjamin só vem confirmar aquilo de que eu já desconfiava havia muito tempo: que o Brasil está sendo governado por um bando de cafajestes sem escrúpulos. E o que é pior: recebem indenizações pelas suas cafajestadas. Parabéns a César Benjamin e a esta Folha.”

Não sei se o jornal recebeu muitas cartas comentando a opinião de Marcelo, mas nesta quarta-feira, dia 2, saiu a mensagem de um leitor, Washington Luiz de Araújo, incomodado com o que leu na seção de cartas. Diz o texto:

“Até para fazer humorismo as pessoas precisam ser sérias, isentas. Mas há os que confundem personagem fictício com real. É o caso de Marcelo Madureira, do ‘Casseta e Planeta’. O ator não foi nada sério ao abordar o lamentável artigo de César Benjamin. Com que isenção vou assistir ao programa humorístico sabendo que um de seus produtores e atores traz na alma tanto veneno, acreditando numa coisa descabida sem aguardar pela constatação dos fatos?”

Pensando no “Casseta & Planeta” em retrospectiva, e nas piadas que ele faz com Lula, não acho que seja muito diferente da forma como o programa já tratou outros presidentes – lembro, sobretudo, de Fernando Henrique e Itamar Franco. Lendo a carta de Marcelo Madureira, posso imaginar que, dependendo dele, a visão que o programa apresenta de Lula é muito amena.

Autor: - Categoria(s): Brasil, jornalismo, televisão Tags:
08/11/2009 - 19:25

“Ahmadinejad, o Rio te beija”

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Rio, 35 graus. Domingo de praia lotada – e policiamento reforçado na orla entre Ipanema e Leblon. A cada 500 metros, na pista interditada para veículos, há um carro do 23º Batalhão, com dois PMs dentro. No posto da PM no Arpoador, seis policiais vestidos com roupa de guerra seguram fuzis e encaram a multidão que se aperta naquele cantinho de areia.

Segundo o comandante do 23º BPM, a tropa na praia é parte de uma operação que vai durar todo o verão. Inclui 10 carros e 60 soldados. Nas duas ruas que ligam Copacabana a Ipanema, policiais fazem blitz, parando carros e ônibus. Uma briga seguida de uma série de furtos no Arpoador causou pânico no sábado. “Foi um princípio de tumulto”, segundo a PM.

Não é a praia que o carioca está acostumado a ver. Também espanta no calçadão a poluição visual provocada por dois acontecimentos que não dizem respeito ao domingo de sol: as eleições para a presidência do Flamengo e para a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio. Candidatos espalham outdoors móveis por toda a orla. Um dos candidatos à OAB promove uma caminhada, atrapalhando o exercício de quem corre ou anda. Um dos candidatos ao comando do Flamengo distribui panfletos, ajudando a sujar a calçada.

Mas nem tudo está perdido. De bom humor, vascaínos circulam pela praia exibindo a camisa do time que na véspera assegurou a volta à primeira divisão do Brasileiro. No céu, um daqueles pequenos aviões que carregam faixas com publicidade, intriga os banhistas com a mensagem que exibe: “Ahmadinejad, o Rio te beija”.

A faixa é ilustrada nas duas pontas com as cores do arco-íris, símbolo do movimento gay. Trata-se de um protesto bem-humorado contra a visita do presidente do Irã, que deve chegar a Brasília no próximo dia 23, para um encontro com o presidente Lula. Em 2007, Ahmadinejad declarou não existirem gays no Irã.

Atualizado às 10h10 de 9 de novembro: Segundo “O Globo” desta segunda-feira, não se sabe quem é o autor da faixa vista na orla no domingo. O representante de uma entidade gay afirmou não ter entendido se a faixa é uma provocação ao presidente do Irã ou ao próprio movimento de defesa dos homossexuais. E um representante da comunidade judaica especulou que a faixa pode ter sido encomendada por simpatizantes de Ahmadinejad em resposta às manifestações contra a visita do presidente do Irã ao Brasil. A empresa responsável pela propaganda afirmou não ter autorização para revelar quem é o seu cliente.

Autor: - Categoria(s): Brasil, Crônica Tags: , , , , ,
05/10/2009 - 10:39

Duas semanas na Espanha ouvindo falar do Brasil

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Férias no exterior servem não para descansar fisicamente, mas mentalmente: desconectar, ver outras realidades, pensar em assuntos diferentes aos do seu cotidiano. Pois escolhi o lugar errado para as minhas: a Espanha. Passei duas semanas (maravilhosas, diga-se) ouvindo falar do Brasil.

Para começar, Oscar Niemeyer. O arquiteto de 101 anos ganhou uma bela exposição em Madri, recém-inaugurada, e é tema de debates que acontecem esta semana na cidade, que celebra uma série de eventos dedicados à arquitetura.

É óbvio que quando se fala de futebol na Espanha não dá para deixar de falar do Brasil, mas o momento é especial, em função não apenas da chegada de Kaká ao Real Madrid, mas graças ao Sevilha, que a cada dia se firma como a terceira força da bola no país.

O time de Luis Fabiano e Renato deu show nestas últimas duas semanas, com direito a goleada (4 a 1) no Rangers, na Escócia, pela Liga dos Campeões, e vitória sobre o Real (2 a 1) em casa. Depois de seis rodadas, está em terceiro lugar no Espanhol, com o mesmo número de pontos que o Real (5 vitorias e uma derrota) e sua classificação para a próxima fase da Liga dos Campeões só não acontecerá por acidente.

Em entrevista de uma página ao “El Pais”, o principal jornal da Espanha, publicada neste domingo, Luis Fabiano abre uma ótima polêmica ao declarar: “Kaká é melhor do que Cristiano Ronaldo”. O camisa 9 da seleção brasileira, cuja cláusula de rescisão com o Sevilha é de 30 milhões de euros, espera trocar de time ao final da temporada, em 2010.

E, por fim, o mais importante: Jogos Olímpicos. Depois de rodar pela Andaluzia e Barcelona, cheguei a Madri na terça-feira, 29 de setembro. A cidade estava toda decorada com cartazes alusivos à campanha pelos Jogos de 2016, e só se falava deste assunto nos jornais, na televisão e nos bares.

A cidade fez uma campanha com forte apelo emotivo, a começar do título “Madrid, tengo una corazonada” – o que levou o “El Pais” a noticiar no sábado, após o anuncio do resultado, que o Rio partiu o coração de Madri.

Embora falassem muito do lobby de Obama por Chicago, os espanhóis sabiam que o principal rival da candidatura de Madri era o Rio de Janeiro. Por este motivo, o noticiário da semana enfatizou o fato de a cidade já ter prontos quase 80% da infra-estrutura para os Jogos de 2016, contrastando com os números pífios do Rio neste quesito.

Outro sinal evidente da preocupação com a candidatura do Rio estava estampado na capa do “El Pais” de sexta-feira, dia da eleição. Uma enorme foto mostrava o presidente Lula passando a mão no rosto do rei Juan Carlos, observados pelo prefeito de Madri e pelo ex-jogador Pelé. Além da quebra de protocolo, a foto, tirada na véspera, parecia conter a seguinte mensagem, passada por Lula: gostamos muito de vocês (espanhóis), mas vamos levar essa.

Os espanhóis prepararam uma grande festa na sexta-feira, na Praça do Oriente, um dos cartões postais de Madri, tendo ao fundo o imponente Palácio Real, antiga residência dos reis da Espanha. A festa começou à uma da tarde e foi até às 18h50, quando o presidente do Comitê Olímpico Internacional anunciou o resultado final.

Da praça, ainda, enviei um pequeno texto ao iG Esporte, falando do silêncio de velório que tomou conta do lugar, só quebrado pela alegria de uns 20 brasileiros, com camisas do São Paulo, do Grêmio e da seleção, que desfraldaram bandeiras e camisas e, desafinados, começaram a cantar “Cidade Maravilhosa” e o hino do Brasil no local.

Com os vários espanhóis que conversei, incluindo Antonio Garrido, um dos principais radialistas do país, percebi que a frustração com o resultado não desaguou em raiva pelo fato de o vitorioso ter sido o Rio de Janeiro.

Os jornais no sábado confirmaram esta sensação, ao enfatizarem que a América do Sul nunca sediou Jogos Olímpicos – um dos temas centrais do discurso do presidente Lula ao COI – e que seria muito difícil um mesmo continente – a Europa – sediar os Jogos duas vezes seguidas (2012 será em Londres).

Com exceção das reclamações do presidente do Comitê Olímpico Espanhol, que achou estranha a migração quase total dos votos dados a Chicago e Tóquio para o Rio, os espanhóis não reclamaram do resultado final e agora discutem se vale a pena apresentar a candidatura de Madri para os Jogos de 2020.

Enfim, depois de duas semanas, estou de volta, para ouvir falar dos mesmo assuntos que ouvi na Espanha.

Autor: - Categoria(s): Brasil, Esporte Tags: , , , , ,
18/09/2009 - 14:09

A economia no mundo real

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Além do diploma de jornalismo, sou também formado em economia, como já escrevi aqui no blog, mas nunca, curiosamente, pratiquei jornalismo econômico.

Fiz matérias de economia, eventualmente, nos diferentes locais onde trabalhei, mas confesso que nunca tive gosto, realmente, pela coisa. Esta semana, curiosamente, fiz duas reportagens ligadas ao universo econômico. Em ambas, fui encarregado de tentar dar alguma cor, alguma vida, à realidade dos números.

No primeiro caso, um especial do Último Segundo sobre o aniversário de um ano da crise financeira global, parti pela Avenida Paulista procurando a crise. Em meio a diferentes histórias e visões sobre este período, tropecei numa mulher descalça, gritando diante de uma farmácia: “Vocês vão vender pra mim um Lexotan?”. Ao me ver com o bloco de anotações na mão, ela gritou: “Nem todo mundo aqui rouba carro”. Acho que a materia valeu por esta história.

No segundo caso, a divulgação dos dados da PNAD 2008, saí pelo bairro do Bom Retiro em busca de pessoas que reunissem as principais características do “brasileiro médio” que emerge da pesquisa. Encontrei, por acaso, a pernambucana Rizoan Vieira de Moura, vendedora numa loja no bairro, cuja história me comoveu. “Há dois anos não tinha nada, nada, nada. Nada mesmo. Nem lugar para dormir”, ela me disse.

Autor: - Categoria(s): Brasil, jornalismo Tags: , , ,
14/09/2009 - 11:09

Qual é a graça de ver um estrangeiro “abraçar” a bandeira do Brasil?

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BeirutO show do Beirut em São Paulo, na última sexta-feira, já foi bastante comentado, mas um aspecto da ótima apresentação da turma de Zach Condon no Via Funchal me chamou negativamente a atenção: o comportamento “nacionalista” do público.

O Beirut se destacou no cenário musical por duas fortes características: a opção por uma base sonora “démodé”, centrada em trombone, trompete e contrabaixo, e um mix de influências regionais variadas, dos Bálcãs ao México, passando pela canção francesa, entre outros.

Desde o ano passado, Condon tem incluído no repertório de algumas apresentações a canção “Leãozinho”, de Caetano Veloso. O You Tube está repleto de vídeos que expõem o jeito desengonçado, mas simpático do líder do Beirut em seu duelo com versos como “Gosto muito de você, leãozinho… Para desentristecer, leãozinho”.

Assim que o Beirut pisou no palco do Via Funchal começaram o gritos de “Leãozinho”. De forma insistente, no intervalo entre as músicas, fãs do grupo pediam para Condon cantar a música de Caetano Veloso. E nada do músico atender o pedido. A certa altura, tropeçando no português, ele disse que não se lembrava mais da letra, o que não diminuiu o ímpeto do público. “Leãozinho!” “Leãozinho!”

De tanto ouvir a platéia no show de Salvador gritar “toca Raul!”, em homenagem a Raul Seixas, Condon passou a repetir a piada e, mais de uma vez, falou em São Paulo: “Toca Raul!”

Alguém da platéia ofereceu uma bandeira do Brasil a Condon, que educadamente a enrolou em torno do pescoço – e com ela ficou até o final, não sem antes brincar com as palavras “ordem e progresso”. No final do show, o Beirut tocou, sem muito entusiasmo, uma versão em inglês de “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, para delírio do público.

Não canso de me espantar com esse comportamento. Por que alguém vai a um show de um artista estrangeiro e passa 60 minutos pedindo para ele cantar “Leãozinho”? Por que o público fica tão feliz de ver o músico repetir algumas palavras que decorou em português? Qual é a graça de ver um estrangeiro “abraçar” a bandeira do Brasil?  

Crédito da foto: Stephan Solon/Via Funchal

Autor: - Categoria(s): Brasil, Cultura Tags: , , , , , ,
24/08/2009 - 11:35

Nomes de touros e outras lições de Barretos

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Passei três dias em Barretos, a serviço do Último Segundo. Cheguei a tempo de assistir ao início da 54ª Festa do Peão de Boiadeiro, a maior do gênero no Brasil – e como nunca havia visto ao vivo um rodeio antes, tudo foi novidade para mim. 

Aprendi o nome de várias duplas sertanejas importantes, que eu simplesmente desconhecia, como Edson & Hudson, Thales & Thiago, Roger & Rogério e Caio Cesar & Diego. Descobri que uma churrascaria especializada em picanha pode se chamar, sem medo de ser feliz, “picanharia”.

Entre tantas novidades, não consegui entender direito a lógica que determina o nome de batismo dos touros de rodeio. Personagens fundamentais do evento – em alguns casos, mais famosos que os próprios peões –, os touros exibem nomes que sugerem muitas coisas, mas nem sempre coisas que fazem sentido.

Você pode imaginar, por exemplo, por que um touro é batizado de Tissuname, Terremoto, Carandiru, Bombardeio, Mundo Acabado ou Zangado. Até mesmo Fim de Papo ou Timbalada fazem sentido. São touros certamente famosos por seus saltos, que não deixam o peão se equilibrar por mais de oito segundos. Mas o que esperar de um touro chamado Tela Quente? Ou Mensageiro? Ou Turista?

Na falta de nomes que façam alusão aos talentos dos touros, impera a criatividade na hora de batizá-los. Veja outros touros que entraram na arena de Barretos no primeiro fim-de-semana de rodeios: Arroz Doce, Mensalão, Dom King, Poupa Tempo, Lageado. Show da Noite, Cancun e Orgulho. Entre Tissuname e Arroz Doce, quem você preferia montar? O problema é que não adianta querer escolher; os touros são sorteados para os peões na véspera do rodeio.

Descobri, entrevistando o autor da biografia do mítico touro Bandido, que é possível recusar a montaria. Temerosos de enfrentar o quase invencível Bandido, hoje objeto de uma estátua em Barretos, muitos peões preferiam não disputar a rodada do rodeio quando eram sorteados com a fera.

Tentei descrever um pouco a minha sensação de marinheiro de primeira viagem em Barretos num outro texto, publicado sábado, cujo título aproveita uma frase do locutor Adriano do Vale, que classificou o rodeio de sexta-feira como “coisa de outro mundo”.  E, por fim, curioso com a desenvoltura de Adriano, que narra o rodeio no meio da arena, a dez metros dos touros, fiz uma pequena entrevista com ele, na qual o locutor descreve a sua atividade e a compara com o futebol. A matéria se chama “Rodeio é uma caixinha de surpresas”. Frase de Adriano, com a qual eu concordo.

Autor: - Categoria(s): Brasil, Crônica, Cultura Tags: , , ,
16/08/2009 - 20:48

Um menino de 13 anos dá uma aula sobre Richarlyson

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Desde a última quinta-feira pensava em escrever algo no blog sobre o jogador Richarlyson. Naquele dia, a “Folha” publicou uma matéria informando que a torcida do São Paulo não apenas deixou de saudar o jogador antes das partidas, como faz com todos os demais jogadores, como também vem hostilizando-o com cantos homofóbicos.

A cereja do bolo da reportagem é o depoimento de André Azevedo, presidente da torcida organizada Dragões da Real. “Não pegou bem para a torcida algumas coisas da vida pessoal do Richarlyson, que acabam sendo atreladas a todos os são-paulinos. Por isso, a gente não grita o nome dele antes de cada jogo, mas também não xinga e não canta música sobre a vida pessoal dele”, declarou.

O preconceito, como o próprio nome já diz, é primo da ignorância. O preconceito sexual, especificamente, Freud explica e o depoimento de Azevedo fala sozinho.

Toda essa introdução para informar o leitor que, por ora, não vou escrever sobre Richarlyson porque encontrei (no blog do Juca Kfouri) um texto que fala muitas coisas que eu penso a respeito. Foi escrito por um menino de 13 anos, chamado Joaquim, filho de dois jornalistas que eu conheço, autor do Blog do Joca. O texto se intitula “Richarlyson: mais que um homem, um exemplo” e pode ser lido aqui. Ou abaixo:

Richarlyson: Mais que um homem, um exemplo

Joaquim Lo Prete Porciuncula

Esta é a coluna de ontem, que não pude publicar por motivos a vocês já contados.

Ontem eu estava reclamando com meu pai da escola, dizendo que ela enchia o meu saco, que me sentia deprimindo com a “má fase” dos últimos tempos. Na lata, antes de desligar o telefone, ele me respondeu: “Tá triste? Pensa no Richarlyson.” Em um ato incomum nos últimos tempos, obedeci-o. E senti dificuldades em dormir. Porque fiquei pensando. E por bastante tempo. Confesso que caiu uma lágrima quando eu me lembrei do jogo entre São Paulo x Goiás, no ano passado, quando na comemoração pelo título, ao invés de gritarem o nome de Ricky (como gritaram o de seus 23 companheiros), entoaram um imbecil “Bicha! Bicha!”

Imagino como deve ser para ele ver a torcida Independente (depois falo dessas antas) gritando o nome do Sérgio Motta (com todo o respeito) e não o dele. Um cara que deu a vida pelo São Paulo em 2006, 2007 e 2008. Que para mim, mais que Thiago Neves e que Hernanes, foi o melhor jogador do Brasileiro em 2007.

O cara é xingado no Domingo, e treina na Segunda. Dando o máximo de si. É o mais simpático possível com os companheiros. Não deixou de me cumprimentar em todas as vezes em que visitei o CCT do São Paulo. Antes de eu ir lhe pedir autógrafo. Mais gente fina impossível. Humilde.

Eu não sei se Richarlyson é homossexual. Também não quero saber. Mas sei que ele é um exemplo. Um exemplo para todos que se sentirem mau em momentos difíceis. Pense em como é viver um momento difícil, tendo todos contra você durante mais de três anos seguidos. Sei que, desde os tempos do Aloísio, não vejo um cara tão gente boa no elenco do São Paulo. E olha que tem muita gente boa ali.

Não sei se os atos que ele faz são homossexuais. Não quero saber, afinal saber para que? Se eu descobrir que ele é um homo que pega 20 na parada gay, ou que ele é o cara mais macho do mundo, vou continuar tratando ele da mesma forma. Por tudo o que ele passou, pelo que ele passa, e pelo que ele passará.

As torcidas brasileiras são em tese, muito escrotas. A Independente é uma das que passa muito da linha. Conseguem se rebaixar a um nível de imbecilidade e cultural tremendo, em um passe de mágica. Nada de bom sai dela, tudo. Músicas sem graça e racistas (quem não se lembra da que tem preconceito contra favelados?), atitudes impensadas (rezo para que, pois se forem pensadas, aí chegarei a conclusão que eles tem um QI de formiga), preconceitos expostos e tudo que tem de ruim.

Eu não sei se ele é gay, mas tenho guardada e enquadrada um trecho de uma entrevista de Muricy Ramalho para a revista Trivela em Dezembro de 2006: “Os caras adoram ele aqui dentro. Ele é alegre pra cacete, está toda hora pronto para tudo, nunca reclama de nada, é sempre um dos primeiros a chegar. É determinado e responsável: faz faculdade à noite, quando tem concentração eu libero ele para ir na aula. Ele sabe muito bem o que quer, por isso saiu desta situação. E ele brigou com coisa feia. Eu sei com o que ele brigou, e foi fodido. A palavra é essa. Foi um puta homem. Por isso é que ele superou essa situação”

Concordo com tudo o que Muricy disse. Os imbecis da Independente não tem mente para isso, mas espero que vocês tenham.

FORÇA RICHARLYSON! INDEPENDENTE QUE EMENDE! FORÇA RICHARLYSON!

Autor: - Categoria(s): Brasil, Esporte Tags: , ,
28/07/2009 - 09:46

O que aconteceu com Romário?

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É impressionante a lista de más notícias recentes que envolve Romário. Depois de ser preso por 24 horas por não pagar pensão alimentícia à ex-mulher, o ex-jogador terá nesta terça-feira um apartamento avaliado em R$ 9 milhões leiloado em conseqüência do não pagamento de dívidas. A ação judicial que levou a este leilão foi motivada por obras em um apartamento de sua propriedade, que causaram danos em dois imóveis vizinhos.

O prejuízo foi calculado pela Justiça em 5,6 milhões. Romário também deve cerca de R$ 1,2 milhão de condomínio atrasado, além de mais de R$ 700 mil de IPTU. O craque da Copa de 94 teve três carros (Ferrari, Porsche e Mercedes Benz) e uma moto (BMW) penhorados, que podem ser leiloados caso o imóvel não alcance o valor necessário à quitação do que deve.

Em outras frentes, Romário coleciona diferentes ações na Justiça. Foi condenado a indenizar, no valor de R$ 900 mil, Zagallo e Zico por pintar caricaturas dos dois nos banheiros do Café do Gol, um bar do qual foi sócio, no Rio de Janeiro. Aliás, esta semana, o Baixinho foi condenado a pagar uma indenização de R$ 3,7 mil por passar um cheque sem fundo a um técnico de som, por serviços prestados no tal bar.

Não bastasse, em junho, Romário foi condenado a três anos e meio de prisão por crime tributário, além de sofrer uma multa de R$ 1,7 milhão, acusado de sonegação fiscal nos anos de 1996 e 1997. Ele ainda pode recorrer da decisão.

Há uma semana, foi obrigado a depor na polícia, suspeito de envolvimento num jogo conhecido como “pirâmide da fortuna” e, depois, voltou à delegacia para dar explicações sobre o destino de um carro seu, um Hummer, que teria sido passado adiante para cobrir o prejuízo que um conhecido teve no suposto esquema. Romário nega qualquer envolvimento no caso.

Nada disso parece combinar com a imagem que guardamos de Romário em seu período como jogador. O Baixinho era uma figura diferenciada. Além de ter sido um dos maiores atacantes do futebol brasileiro, construiu uma reputação original. Sempre demonstrou orgulho da fama de “bad boy” e “marrento”, que construiu com a ajuda de uma mídia complacente, ao mesmo tempo em que demonstrava coragem de falar “verdades” para dirigentes, técnicos, jogadores e jornalistas.

Fugindo dos lugares comuns, Romário cultivou o hábito, pouco comum no meio futebolístico, de falar o que passava pela sua cabeça, frequentemente em defesa dos seus próprios interesses e, em menor escala, dos “grupos” que integrou como jogador.

Pela segurança e auto-confiança que sempre demonstrou, Romário passava a impressão de que, diferentemente de outros jogadores, tinha a cabeça no lugar e sabia administrar a fortuna que o futebol lhe proporcionou. Pela avalanche de más notícias recentes, não é o que parece ter acontecido. O que será que houve?

Atualizado às 22h. Como informa o iG Esporte, não apareceu nenhum comprador no leilão judicial do apartamento de Romário. Novo leilão será realizado, no próximo dia 12 de agosto, desta vez com um lance mínimo 50% inferior ao pedido, como manda a legislação.

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11/07/2009 - 12:06

Fifa proíbe propaganda religiosa e adverte o Brasil

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Com alguma discrição, a “Folha de S.Paulo” noticia neste sábado que a Confederação Brasileira de Futebol recebeu na sexta-feira, 10, um ofício da Fifa “afirmando que não irá mais permitir mensagens religiosas em comemorações de jogadores durante suas competições”.

A notícia, em duas notas curtas na seção Painel FC, se completa com a informação que a Fifa, “detectou” ter ocorrido “propaganda religiosa no caminho para a tribuna de honra após a seleção vencer a Copa das Confederações”.

O recebimento do ofício da Fifa se dá menos de duas semanas após a partida decisiva, contra os Estados Unidos, concluída com um culto religioso no centro do gramado, sob a liderança do zagueiro e capitão Lucio.

Dois dias depois da partida, o jornal “O Estado de S.Paulo” informou que a atitude da seleção brasileira havia provocado reclamações de entidades filiadas a Fifa, como a Associação Dinamarquesa de Futebol, e também críticas na imprensa britânica.

Na ocasião, o jornalista Jamil Chade escreveu: “A Fifa confirmou ao ‘Estado’ que mandou um alerta à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos, mas indicou que por enquanto não puniria os atletas, já que a manifestação ocorreu após o apito final.”

Um texto publicado neste blog, Fervor religioso nos gramados causa constrangimento, gerou quase 400 comentários – muitos deles negativos. Um grande número de comentaristas enxergou no texto uma crítica à liberdade de expressão religiosa, quando, na verdade, o que está em discussão é a propaganda e o proselitismo religioso em espaços públicos frequentados por pessoas de diferentes credos.

O ofício da Fifa avança em relação ao alerta de duas semanas atrás e, tudo indica, gerará uma reação em cadeia. A principal conseqüência, imagino, será a proibição aos jogadores de exibir em campo, mesmo depois dos jogos, camisas com inscrições religiosas, como as usadas por Lucio, Kaká e cia depois da final da Copa das Confederações.

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02/07/2009 - 12:16

Caro Tico Santa Cruz,

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Como tenho andado muito pelo Twitter acabei achando o seu perfil, onde você se apresenta como “cantor, compositor, poeteiro, blogueiro e AGORA jornalista”. Acredito. Mas, lendo o texto que você postou nesta quinta-feira em seu blog, “Sarney VENCEU”, não posso deixar de pensar que essas qualificações todas não foram suficientes para te fazer entender o que aconteceu nos últimos dias. Nem te ajudaram a ter uma perspectiva histórica dos acontecimentos.

Escrevi há algumas semanas um longo texto contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista, no qual dizia, entre outras coisas:

1. O que é preciso saber e aprender para ser jornalista? É uma questão polêmica. Há alguns consensos: é preciso ter cultura geral e domínio total da língua portuguesa. Conhecer história é fundamental. Matemática e estatística são conhecimentos necessários. Ética. Direito. É preciso ter o hábito de ler jornais e revistas, ter gosto pela informação. Ter espírito crítico, ser capaz de compreender a realidade em que vive, é outro atributo obrigatório.

Tenho a impressão, lendo o seu blog, que te faltam todos esses atributos. Um sinal evidente disso é a sua idéia de que o movimento “Fora Sarney” começou e acabou na Internet no espaço de uma ou duas semanas. Quer dizer, você propõe uma manifestação contra um político que está aí, na estrada, há mais de 50 anos, só aparecem uns gatos pingados e você conclui que o movimento fracassou? Como assim?

Esse teu texto também me lembra aquele garoto que leva a bola para o playground, se irrita porque perdeu a primeira partida e vai embora, levando a bola e impedindo o jogo de continuar.

Neste caso, porém, nem isso é possível. Se você se preparar um pouco mais para os embates da política, verá que essa partida que você quis jogar – e acaba de de desistir – já está em andamento há muito tempo, e não tem data, ainda, para terminar. 

Atualização às 13h: Tico Santa Cruz responde:

Cerca de 30 minutos depois de entrar no ar minha carta-aberta, Tico Santa Cruz manifestou-se sobre o texto por meio de curtas mensagens enviadas via Twitter. O músico disse, primeiro: “Caro jornalista, reconhecer uma derrota como PESSOAL, significa uma reflexão interna, não geral. A meu ver é 1 passo p mudar”. Em seguida, postou: “Reconhecer a derrota não significa DESISTIR, significa que sou capaz de mudar a estratégia, não me julgue sem conhecer.” E completou: “Caso o contrário estará repetindo o mesmo padrão dos TANTOS internautas que emitem opiniões sem se aprofundar nas ações”.

Ontem, Santa Cruz havia escrito no Twitter: “Vocês estão cobertos de razão. Desculpem. Estou me retirando. Reconheço quando perdi. Não consigo + argumentar.” Em seu texto, no blog, também escreve, dirigindo-se a Sarney: “devamos entender que  eles e  vossos pares estão certos e que por conseguinte o Senhor deve seguir as orientações do Querido Presidente LULA e permanecer presidindo a casa.”

Fica aqui, em todo caso, a posição oficial de Tico Santa Cruz: ele não desistiu do “Fora Sarney”. Ainda bem.

Autor: - Categoria(s): Blog, Brasil, Cultura, Internet Tags: , ,
02/07/2009 - 10:39

Fervor religioso nos gramados causa constrangimento

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As cenas de fervor religioso exibidas pela seleção brasileira depois da conquista da Copa das Confederações ainda repercutem no mundo. Ao ver os jogadores brasileiros ajoelhados rezando no meio do gramado, comandados pelo zagueiro Lucio, um narrador da rede britânica BBC observou que o capitão da seleção “parecia um pregador evangélico pela emoção com que proferia cada palavra”. Em texto publicado em seu blog, no site da BBC, o jornalista Ricardo Acampora escreveu:

“Num lugar como a Grã-Bretanha, onde o povo está acostumado a conviver respeitosamente com diferentes religiões, surpreende o fato de atletas usarem a combinação entre um veículo de grande penetração como a televisão e a enorme capacidade de marketing da seleção brasileira, para divulgar mensagens ligadas a crenças, seitas ou religiões.”

E disse ainda:

“Se arriscam a serem confundidos com emissários de pregadores dispostos a aumentar o número de ovelhas de seus rebanhos às custas do escrete canarinho, como emissários evangélicos em missão. Para os críticos deste tipo de atitude, isso soa oportunismo inadequado e surpreende ver que a Fifa não se opõe a que jogadores se descubram do “manto sagrado” que os consagrou para exibir suas preferências religiosas.”

A repercussão negativa não se restringiu à Inglaterra. O jornal “O Estado de S.Paulo” informa nesta quinta-feira que a Fifa “mandou um alerta à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos”.  Escreve o jornalista Jamil Chade:

“Com centenas de jogadores africanos, vários países europeus temem que a falta de uma punição por parte da Fifa abra caminho para extremismos religiosos e que o comportamento dos brasileiros seja repetido por muçulmanos que estão em vários clubes europeus hoje. Tanto a Fifa quanto os europeus concordam que não querem que o futebol se transforme em um palco para disputas religiosas, um tema sensível em várias partes do mundo. Mas, por enquanto, a Fifa não ousa punir a seleção brasileira.”

Ouvido pelo jornal, Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa, confirmou que pediu à Fifa que tome providências no sentido de reprimir manifestações como as realizadas pela seleção brasileira na África do Sul.

Como no domingo, depois de Brasil e Estados Unidos, nesta quarta-feira, ao final de Corinthians e Internacional, alguns jogadores da equipe paulista vestiram sobre o uniforme uma camiseta com as palavras “I Love Jesus”. Mas, diferentemente do que ocorreu na Copa das Confederações, foram manifestações isoladas, e não houve em campo nenhum ato religioso promovido pelo grupo corintiano.

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30/06/2009 - 08:35

Sobre o “chupa” no Twitter

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O sucesso do movimento que emplacou a palavra “chupa” como a mais mencionada no Twitter depois da partida entre Brasil e Estados Unidos me lembrou que usei exatamente esta palavra no esforço de explicar o sucesso do diário “Lance!”.

Em “História do Lance! – Projeto e prática do jornalismo esportivo”, recém-publicado, uma das questões que enfrento diz respeito ao público do jornal, hoje o principal diário esportivo do país. Relato no livro que o objetivo inicial, em 1997, era atingir um público jovem, de classe média, mas o jornal alcançou sucesso junto a outros públicos também. Com base em dados estatísticos disponíveis, e analisando o conteúdo do jornal, bem como as cartas enviadas ao “Lance!” nos seus primórdios, eu escrevo:

“Imagino que um leitor do Lance! é o jovem de classe média abonada, que vai à janela do apartamento gritar “chupa!” quando seu time ganha e, dessa forma, mantém-se à distância, protegido, de um outro leitor do jornal, o jovem de origem humilde que passa embaixo, na calçada, e não pode alcançá-lo. A julgar pelas cartas enviadas ao jornal, esses dois universos comungam de vocabulário limitado e acreditam que o jornal não apenas é uma fonte de informação esportiva, mas um espaço para tripudiar dos colegas e, eventualmente, conseguir uma camisa autografada do seu ídolo.” 

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29/06/2009 - 11:47

Quando o Itamaraty perseguia alcoólatras e homossexuais

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Além das restrições à liberdade e da perseguição feroz a opositores políticos, a ditadura brasileira mais recente (1964-1985) serviu para diferentes acertos de contas e caças às bruxas. Um dos episódios mais chocantes, muito conhecido, mas pouco documentado, ganhou luz extraordinária neste domingo, graças a uma reportagem de Bernardo Mello Franco, publicada no jornal “O Globo” (infelizmente, não disponível para leitura na Internet).

Com base em documentos do Arquivo Nacional, o repórter descreve as atividades de uma Comissão de Investigação Sumária, instalada dentro do Ministério das Relações Exteriores, que deu origem a 44 cassações em abril de 1969, no maior expurgo da história da diplomacia brasileira. Perderam o cargo 13 diplomatas, oito oficiais de chancelaria e 23 servidores administrativos.

Em vez de perseguir comunistas ou simpatizantes da esquerda, como fizeram diferentes órgãos públicos na época, incluindo várias universidades, o Itamaraty foi atrás de funcionários por conta de seus comportamentos na vida privada.

As principais vítimas da comissão foram os homossexuais. Também foram perseguidos diplomatas com vida “desregrada” ou pouco convencional – caso de Vinicius de Moraes, cassado por ser boêmio.

Criada pelo então ministro José de Magalhães Pinto (1909-1996) e chefiada por Antonio Cândido da Câmara Canto, a comissão manifestou publicamente sua homofobia na justificativa da demissão de 7 dos 15 pedidos de demissão de diplomatas: “Pela prática de homossexualismo, incontinência pública escandalosa”. Em três casos, relata Mello Franco, a justificativa da demissão foi “incontinência pública escandalosa, decorrente do vício de embriaguez”.

Outros dez diplomatas, “suspeitos de homossexualismo”, deveriam ser submetidos a “cuidadoso exame médico e psiquiátrico” – sugestão acatada também por Magalhães Pinto.

A reportagem descreve com mais detalhes o caso de Vinicius de Moraes – o mais famoso personagem da degola. O poeta conseguiu manter o bom humor mesmo neste momento negro. Ao saber que as demissões atingiram homossexuais e boêmios, apressou-se em dizer: “Eu sou alcoólatra!” 

Por coincidência, a mesma edição de “O Globo” que traz esta importante reportagem publica, oito páginas adiante, um anúncio da família Magalhães Pinto, convidando para missa pelo centenário do nascimento do político mineiro, a ser realizada nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro.

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18/06/2009 - 20:57

PM blogueiro comenta: “sou jornalista desde ontem”

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Quando Mariana Castro, minha editora no Último Segundo, sugeriu que eu fizesse uma reportagem sobre blogs de policiais, respondi com uma cara de interrogação tão grande que ela deve ter ficado preocupada. Nunca tinha ouvido falar de blogs escritos por policiais – e não fazia idéia sobre como estava desinformado.

Ao longo dos últimos dias descobri um verdadeiro mundo, a chamada “blogosfera policial”, um conjunto hoje formado por 74 blogs, de diferentes lugares do Brasil, nos quais policiais militares, civis e federais discutem questões como o autoritarismo dos chefes, ações mal efetuadas, problemas salariais, bem como fornecem informações sobre concursos públicos, serviços de saúde etc.

Como relato na reportagem Blogosfera policial brasileira cresce e atrai interesse da Unesco, publicada nesta quinta-feira, há muitas dificuldades envolvidas nesta atividade, já que os blogueiros estão submetidos a regimentos e regulamentos muitas vezes restritivos. Há vários casos de blogueiros punidos e de autores que preferem manter os seus blogs no anonimato, para evitar punições.

Conversei com três blogueiros. Um deles, o tenente Alexandre de Sousa, da PM do Rio, autor de um dos blogs mais acessados da “blogpol”, O Diário de um Policial Militar, também mantém um perfil no Twitter. Foi lá que, antenado e bem-humorado, comentou o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalistas: “sou jornalista. desde ontem :P”.

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10/06/2009 - 12:20

Estamos em recessão, mas em boa companhia

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“Definitivamente, alguma coisa está acontecendo. Voltamos a comer comida de cachorro”.

A crise econômica, como não poderia deixar de ser, tornou-se um dos temas prediletos dos cartunistas da “New Yorker”. O cartoon acima, genial, a meu ver, está na edição de 1º de junho da revista.

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