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Arquivo da Categoria Crônica

11/11/2009 - 17:27

Huck, invasão de privacidade e a capa das revistas

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No domingo, 8 de novembro, um dia depois de festejar o aniversário de dois anos do filho caçula, Luciano Huck descobriu que algum convidado da festa colocou na Internet uma foto do evento. O apresentador da Globo foi então ao Twitter para protestar contra o autor do vazamento e convocar seus seguidores a descobrirem e delatarem o culpado: “Domingão se recuperando da festa do nosso caçula. A propósito alguém sabe quem foi o deselegante que postou aqui 1 foto das crianças + bolo”

Com quase 1,4 milhão de seguidores, o campeão de audiência do Twitter no Brasil não teve dificuldade em localizar o “deselegante” convidado que tornou pública a sua privacidade e de sua família. Quinze minutos depois da primeira mensagem, Huck informou: “Obrigado turma, com as dicas, já encontramos o ‘twitter hospedeiro’ das fotos. Fazer o que, né?”.

contigo huck Quem HuckTrês dias depois, na quarta-feira, chegaram às bancas duas revistas que trazem em suas capas imagens da festa do filho de Luciano Huck e Angélica. Tanto as 12 páginas da “Contigo” quanto as três da “Quem” são ilustradas com fotos de João Miguel Junior, da TV Globo.

O que se depreende do episódio é que Huck não ficou indignado de ver uma imagem de sua intimidade na Internet, mas apenas irritou-se porque a indiscrição do convidado “deselegante” acabou com o ineditismo que prometera às revistas. Em outras palavras, parece que o problema de Huck não é a invasão de privacidade, mas o de controlar para quem vai oferecer os “flagrantes” da sua intimidade.

Autor: - Categoria(s): Colunismo social, Crônica, Internet Tags: , , , ,
08/11/2009 - 19:25

“Ahmadinejad, o Rio te beija”

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Rio, 35 graus. Domingo de praia lotada – e policiamento reforçado na orla entre Ipanema e Leblon. A cada 500 metros, na pista interditada para veículos, há um carro do 23º Batalhão, com dois PMs dentro. No posto da PM no Arpoador, seis policiais vestidos com roupa de guerra seguram fuzis e encaram a multidão que se aperta naquele cantinho de areia.

Segundo o comandante do 23º BPM, a tropa na praia é parte de uma operação que vai durar todo o verão. Inclui 10 carros e 60 soldados. Nas duas ruas que ligam Copacabana a Ipanema, policiais fazem blitz, parando carros e ônibus. Uma briga seguida de uma série de furtos no Arpoador causou pânico no sábado. “Foi um princípio de tumulto”, segundo a PM.

Não é a praia que o carioca está acostumado a ver. Também espanta no calçadão a poluição visual provocada por dois acontecimentos que não dizem respeito ao domingo de sol: as eleições para a presidência do Flamengo e para a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio. Candidatos espalham outdoors móveis por toda a orla. Um dos candidatos à OAB promove uma caminhada, atrapalhando o exercício de quem corre ou anda. Um dos candidatos ao comando do Flamengo distribui panfletos, ajudando a sujar a calçada.

Mas nem tudo está perdido. De bom humor, vascaínos circulam pela praia exibindo a camisa do time que na véspera assegurou a volta à primeira divisão do Brasileiro. No céu, um daqueles pequenos aviões que carregam faixas com publicidade, intriga os banhistas com a mensagem que exibe: “Ahmadinejad, o Rio te beija”.

A faixa é ilustrada nas duas pontas com as cores do arco-íris, símbolo do movimento gay. Trata-se de um protesto bem-humorado contra a visita do presidente do Irã, que deve chegar a Brasília no próximo dia 23, para um encontro com o presidente Lula. Em 2007, Ahmadinejad declarou não existirem gays no Irã.

Atualizado às 10h10 de 9 de novembro: Segundo “O Globo” desta segunda-feira, não se sabe quem é o autor da faixa vista na orla no domingo. O representante de uma entidade gay afirmou não ter entendido se a faixa é uma provocação ao presidente do Irã ou ao próprio movimento de defesa dos homossexuais. E um representante da comunidade judaica especulou que a faixa pode ter sido encomendada por simpatizantes de Ahmadinejad em resposta às manifestações contra a visita do presidente do Irã ao Brasil. A empresa responsável pela propaganda afirmou não ter autorização para revelar quem é o seu cliente.

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23/10/2009 - 08:23

Maradona e Cantona, gênios imperfeitos

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Mostra SeloCada um à sua maneira, Diego Maradona e Eric Cantona encarnaram o mais sedutor dos tipos que rondam o mundo do futebol – o do craque magnífico e indomável, tanto dentro quanto fora de campo. (Romário é o brasileiro que primeiro me ocorre quando penso em jogadores deste quilate com este perfil.)

Imprevisíveis com a bola no pé, mas também com a língua, Maradona e Cantona (e também Romário) sempre falaram o que achavam que deviam falar, e não o que os dirigentes ou assessores programavam. Profissionais, mas não fantoches, exigiam respeito – de colegas, dirigentes, jornalistas e torcedores.

Muitas vezes, perderam o controle da situação e, literalmente, meteram os pés pelas mãos. A carreira de Cantona sofreu um baque quando agrediu um torcedor que o ofendeu depois de ser expulso de campo. Ficou dez meses suspenso. (Romário também agrediu torcedores que o ofenderam durante um treinamento, mas não foi punido.)

Maradona não apenas fez um gol com a mão contra o maior inimigo da Argentina em 1986, a Inglaterra, como ainda reconheceu o “crime” e tripudiou: “Foi a mão de Deus”. Depois, violou a mais sagrada das regras do esporte: utilizou drogas (cocaína) e ainda foi pego jogando dopado.

maradona kusturicaChamado de “Deus”, Maradona é idolatrado em toda a Argentina e em Nápoles, na Itália. Conquistou “sozinho” a Copa de 86 e deu à equipe italiana os dois únicos títulos da Série A de sua história. Chamado de “rei”, Cantona é herói entre os torcedores do Manchester United. O time não vencia o campeonato inglês desde 1967 quando ele chegou, em 1991, dando início a uma temporada de glórias e conquistas.

Maradona e Cantona são as estrelas indiscutíveis deste primeiro fim de semana da 33ª Mostra de Cinema de São Paulo. O primeiro é objeto de um documentário do sérvio Emir Kusturica, que o retrata sem nenhum distanciamento, mas com grande energia. O segundo atua como ator, no papel de si mesmo, num divertido filme do inglês Ken Loach.

Como escrevi no Ultimo Segundo (Filme de Kusturica ajuda a entender a Argentina de Maradona), além das dezenas de gols e jogadas que exibe, há momentos impressionantes no filme sobre o craque argentino – o culto na Igreja Maradoniana, a confissão que o ex-jogador faz sobre os efeitos da cocaína e a sua relação com Fidel Castro, entre outros.

cantonaJá o craque francês, cujo filme que protagoniza abriu a Mostra nesta quinta-feira, é igualmente homenageado com a generosa exibição do seu talento como jogador, relembrado em várias passagens, e expõe também os seus curiosos conhecimentos filosóficos. Com real habilidade para interpretação, como escrevi, Cantona distribui pílulas de sabedoria a um carteiro infeliz, ajudando-o a superar os seus problemas com a ex-mulher e com os enteados.

Numa passagem já famosa de “Maradona”, o craque afirma que, não fosse pela cocaína, teria sido ainda maior do que foi como jogador. Ou seja, teria sido Deus de fato. Em outro momento, o dono de uma casa noturna de Buenos Aires diz que as go-go girls reclamam quando a tevê exibe antigos gols de Maradona porque os frequentadores do inferninho preferem ver os gols aos shows das dançarinas seminuas.

Já Cantona, em diálogo com Eric, o carteiro que ajuda, ensina que o momento que mais aprecia em sua carreira como jogador não é nenhum gol em especial, mas um passe perfeito que deu, propiciando o gol de um colega. Pode parecer filosofia de botequim, mas o passe foi realmente maravilhoso.

Entre esta sexta-feira e domingo, há três chances de ver ambos os filmes. “À Procura de Eric” passa hoje, às 16h40, no Unibanco Artplex; sábado, às 23h50, no Cinema da Vila; e domingo, às 15h50, no Cine Bombril. “Maradona” será exibido hoje, às 21h30, no Cine Bombril; sábado, às 12h, no Reserva Cultural; e domingo, às 22h, no Cinemark, Shopping Eldorado. Ambos os filmes serão exibidos no circuito comercial, depois da Mostra.

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19/10/2009 - 15:53

Menino no balão: um “viral” que deu errado

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O caso do menino que (não) sumiu no balão permanece na mídia mesmo depois dos 15 minutos de fama obtidos pelos envolvidos. A razão é a perseguição legal aos pais do garoto, que possivelmente serão presos e processados por fraude.

A proliferação de boatos e notícias falsas ganhou grande impulso na era da Internet – e mais ainda nestes tempos de Twitter, em que a informação circula quase na velocidade da luz.

Na confusão instalada nos dias de hoje, misturam-se diferentes tipos de fraudes. Há de tudo, para todos os gostos, desde vídeos publicitários disfarçados até “informações” plantadas com o objetivo de prejudicar políticos, artistas ou jornalistas.

O caso do menino no balão se enquadra na categoria das mentiras que, em tese, não fazem mal a ninguém e, ao final, podem até ser engraçadas. Para usar a linguagem do meio, foi um “viral”.

Nesta categoria, conseguir disseminar um vídeo ou uma informação falsa na rede tornou-se motivo de glória para seus autores – normalmente publicitários ou humoristas profissionais, que vivem disso e divertem a audiência com seus “virais” e piadas.

Segundo a polícia, a história do balão teria sido pensada com o objetivo de chamar a atenção para a família e promover um futuro “reality show”. A ser verdade esta versão, não é difícil imaginar onde Richard e Mayumi Heene tiveram a ideia. A velocidade com que a história se disseminou, transformando-os em questão de horas em celebridades mundiais, mostra que pensaram corretamente.

O problema no caso, e esta é a lição que outros inventores de notícia devem tirar da história, é que o “sumiço” do menino colocou a engrenagem do Estado (polícia, bombeiros etc) em ação. Deixou de ser apenas uma brincadeira com o objetivo de chamar a atenção para se transformar num trote, que causou prejuízos a terceiros.

Em resumo, ninguém pode impedir você de lutar desesperadamente pelos seus 15 minutos de fama, mas você pode ser preso se envolver as pessoas erradas na brincadeira.

Autor: - Categoria(s): Blog, Crônica, Internet Tags: , , , ,
10/10/2009 - 13:19

As polêmicas duquesas de Alba

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duquesa maioHá quase um ano a Espanha acompanha uma improvável novela da vida real: o romance entre María del Rosario Cayetana Fitz-James Stuart y Silva, 83 anos, a 18ª Duquesa de Alba, e o plebeu Alfonso Diez, 56 anos.

Recuperada de sérios problemas de saúde, a duquesa ressurgiu em forma no mais recente verão europeu, sempre ao lado de seu Alfonso, para deleite das revistas de celebridades, nas mais variadas e famosas praias da Espanha, de Ibiza a Marbella.

Sempre com um sorriso de felicidade no rosto, e vestindo ora um maiô, ora um biquini, a duquesa escandalizou parte dos espanhóis – incluindo os seus filhos, que enxergam no namorado da mãe alguém com outros interesses além do amor.

Em uma entrevista, a duquesa, tida como a mulher com mais títulos nobliárquicos no mundo, lamentou a reação dos filhos e declarou: “Alfonso não é um interesseiro, tem o seu trabalho e está disposto a assinar um documento dizendo que não precisa de nada da Casa de Alba, somente da pessoa que leva os seus títulos”.

Na última semana de setembro, assisti na tevê espanhola a um acalorado debate, num desses programas matinais, sobre o romance. Sempre exibindo as fotos do casal ao mar, os apresentadores discutiam o assunto. A defensora do romance insinuava, repetindo uma mesma frase, que a coisa está quente entre a duquesa e Alfonso: “Para mim, é um amor completo!”

Maja desnuda goya Cayetana de Alba está longe de ser a primeira de sua família a provocar escândalo. É famosa a história da relação do gênio Francisco de Goya (1746-1828) com María del Pilar Teresa Cayetana de Silva Alvarez de Toledo, a 13ª Duquesa de Alba, a quem retratou em vários quadros, e com quem manteve uma longa relação de amizade, depois da morte de seu marido, entre 1795 e 1797.

Goya e a beataDiferentes fontes sugerem que Goya e a duquesa tenham tido um romance, mas outros estudiosos preferem acreditar que tenha sido uma relação platônica. Por muito tempo prosperou a suspeita que o célebre “La Maja Desnuda”, em exibição no Museu do Prado, retrate a duquesa, embora o crítico Robert Hughes, em sua biografia de Goya, considere improvável esse fato.

Goya era 16 anos mais velho que a duquesa. Também estava viúvo no período em que se relacionaram. O caso entre os dois está relatado em diferentes livros e filmes, inclusive no de Carlos Saura (1999). De todas as telas que Goya pintou inspirado na duquesa, o mais famoso é justamente um em que não aparece seu rosto, “A Duquesa de Alba e a Beata”, também presente no Prado.

Autor: - Categoria(s): Colunismo social, Crônica, Cultura Tags: , , , , ,
18/09/2009 - 11:14

“Os decepcionaldinhos”, Freud do Cariri e as crianças

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O grande Xico Sá, jornalista de múltiplos talentos, cunhou na “Folha” desta sexta-feira uma expressão genial para se referir aos torcedores que perseguem craques em momentos de crise. São os “decepcionaldinhos”, os “marcadores cricris”.

O próprio Xico faz uma autocrítica e conta que agiu assim, como um “decepcionaldinho”, em relação a Ronaldo, antes da última volta por cima do craque no Corinthians. “Ronaldo ensinou o que nem precisava”, reconhece.

O cronista protesta contra “gente que está sempre decretando o fim de carreira para uns, magoado com outros, dizendo que esperava mais de fulano etc… Não queria ser grosso, mas que tal cuidarem das suas próprias decepções, que são o que não nos falta pelo caminho?”, escreve, com precisão, o nosso Freud do Cariri.

Hoje, especialmente, Xico Sá reclama dos que pegam no pé de Ronaldinho Gaúcho. “O julgamento moral é implacável, e o nome da vez é de novo Ronaldinho, o grande Gaúcho. Especulam sobre a sua parada, haja bobagem, dizem que ele envergonha o Brasil em campos da Itália, qualé, cara pálida?”

Concordo com Xico. Devemos tomar sempre o cuidado de não projetar nos outros, amigos ou ídolos, as expectativas que temos em relação a nós mesmos. Evitar os julgamentos morais é fundamental.

Mas acho que há uma outra dimensão no caso Ronaldinho Gaúcho, que não é apenas a da decepção. Com seu futebol de lances imprevistos e geniais, e seu jeito engraçado de ser, Ronaldinho se tornou ídolo não apenas dos amantes do bom futebol, mas também das crianças. Vê-lo perdido em campo, sem brilho ou luz, provoca a mesma melancolia que assistir a um mágico aposentado em festa infantil.

Autor: - Categoria(s): Crônica, Esporte, jornalismo Tags: , , ,
01/09/2009 - 16:08

A arte do air guitar e um evento trash em São Paulo

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Tocar guitarra imaginariamente, apenas usando o corpo, é uma espécie de arte, cultivada em inúmeros países. Desde 1996, anualmente, disputa-se um Campeonato Mundial de Air Guitar, que premia os mais habilidosos imitadores de guitarristas. É um negócio levado muito a sério, embora possa parecer coisa de maluco. O lema do campeonato é: “As guerras acabariam e as coisas ruins desapareceriam se todo mundo tocasse air guitar”.

Em 2002, o Sesc promoveu um inédito concurso de air guitar em São Paulo. Então na CartaCapital”, escrevi uma reportagem a respeito, intitulada “Astros da guitarra invisível”, na qual descrevia os esforços dos não muito talentosos candidatos e todo o frenesi causado pela iniciativa. Luís Thunderbird, ex-VJ da MTV, apresentou a competição e observou, muito apropriadamente: “É muito mais difícil e trabalhoso tocar air guitar do que guitarra de verdade”.

Foi com entusiasmo, portanto, que recebi a notícia que seria realizada, na segunda-feira, 31 de agosto, em São Paulo, a final de um campeonato de bandas imaginárias. Iniciativa da rádio Kiss FM, muito ouvida por adolescentes, o concurso estabelecia que todos os grupos participantes deveriam ter entre os seus integrantes a presença de um pai.

 

 

 

 

 

 

 

Dez bandas participaram da final. No júri, entre outros, o roqueiro Nasi (ex-Ira) e o ex-goleiro Ronaldo, ambos apresentadores de um programa na emissora. Aos vencedores, um bom prêmio: instrumentos musicais para formarem um grupo de verdade.

Os participantes, no entanto, não levaram a sério a idéia de “air guitar”. Vários grupos apresentaram-se fantasiados, parodiando os músicos a quem imitavam, mas não demonstraram o menor jeito para a arte. Acabou sendo mais uma brincadeira colegial do que, de fato, um concurso.

 

 

 

 

 

 

Houve imitações de Iron Maiden, AC/DC, Scorpions, Kiss, Queen e Cult. Entre todos os participantes, apenas um grupo cantou uma música em português, “O Vira”, célebre na voz de Ney Matogrosso no Secos e Molhados. Foi justamente o vencedor.

Pelas fotos publicadas aqui, o leitor pode ter uma idéia de como foi trash o evento. Resta esperar que alguém tome a iniciativa de promover um concurso a sério de air guitar.

Autor: - Categoria(s): Crônica Tags: , ,
24/08/2009 - 11:35

Nomes de touros e outras lições de Barretos

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Passei três dias em Barretos, a serviço do Último Segundo. Cheguei a tempo de assistir ao início da 54ª Festa do Peão de Boiadeiro, a maior do gênero no Brasil – e como nunca havia visto ao vivo um rodeio antes, tudo foi novidade para mim. 

Aprendi o nome de várias duplas sertanejas importantes, que eu simplesmente desconhecia, como Edson & Hudson, Thales & Thiago, Roger & Rogério e Caio Cesar & Diego. Descobri que uma churrascaria especializada em picanha pode se chamar, sem medo de ser feliz, “picanharia”.

Entre tantas novidades, não consegui entender direito a lógica que determina o nome de batismo dos touros de rodeio. Personagens fundamentais do evento – em alguns casos, mais famosos que os próprios peões –, os touros exibem nomes que sugerem muitas coisas, mas nem sempre coisas que fazem sentido.

Você pode imaginar, por exemplo, por que um touro é batizado de Tissuname, Terremoto, Carandiru, Bombardeio, Mundo Acabado ou Zangado. Até mesmo Fim de Papo ou Timbalada fazem sentido. São touros certamente famosos por seus saltos, que não deixam o peão se equilibrar por mais de oito segundos. Mas o que esperar de um touro chamado Tela Quente? Ou Mensageiro? Ou Turista?

Na falta de nomes que façam alusão aos talentos dos touros, impera a criatividade na hora de batizá-los. Veja outros touros que entraram na arena de Barretos no primeiro fim-de-semana de rodeios: Arroz Doce, Mensalão, Dom King, Poupa Tempo, Lageado. Show da Noite, Cancun e Orgulho. Entre Tissuname e Arroz Doce, quem você preferia montar? O problema é que não adianta querer escolher; os touros são sorteados para os peões na véspera do rodeio.

Descobri, entrevistando o autor da biografia do mítico touro Bandido, que é possível recusar a montaria. Temerosos de enfrentar o quase invencível Bandido, hoje objeto de uma estátua em Barretos, muitos peões preferiam não disputar a rodada do rodeio quando eram sorteados com a fera.

Tentei descrever um pouco a minha sensação de marinheiro de primeira viagem em Barretos num outro texto, publicado sábado, cujo título aproveita uma frase do locutor Adriano do Vale, que classificou o rodeio de sexta-feira como “coisa de outro mundo”.  E, por fim, curioso com a desenvoltura de Adriano, que narra o rodeio no meio da arena, a dez metros dos touros, fiz uma pequena entrevista com ele, na qual o locutor descreve a sua atividade e a compara com o futebol. A matéria se chama “Rodeio é uma caixinha de surpresas”. Frase de Adriano, com a qual eu concordo.

Autor: - Categoria(s): Brasil, Crônica, Cultura Tags: , , ,
28/07/2009 - 22:50

Dois cartoons malucos sobre o casamento

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Não sei explicar direito as razões, mas adorei esses dois cartoons, publicados nas edições de 20 e 27 de julho da “New Yorker”, ambos sobre o mesmo tema, mas com enfoques bem diferentes (se desejar, clique nas imagens para vê-los ampliados).

 

 

 

 

 

 

 

 

Primeiro casamento?”

 

 

 

 

 

 

 

 

“Já estamos casados há 25 anos. Talvez
pudéssemos remover a lata que resta”

Autor: - Categoria(s): Crônica, jornalismo Tags: , ,
24/07/2009 - 14:33

Socorro! O BBB9 volta a assombrar

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Vou fazer uma confissão pessoal: ando atormentado por um pesadelo – o de que o “BBB9” ainda não acabou. Na tarde desta última quinta-feira, vi gritar na Internet uma notícia impressionante: “Naiá negocia posar nua na Playboy”.  Algumas horas depois, no afã de acalmar os fãs mais agitados, a revista divulgou um comunicado à imprensa: “A Playboy, ao contrário do que vem sendo noticiado, não está em negociação com a BBB Naiá.”

Mas o tormento continua. Na tarde desta sexta-feira, chegou a seguinte notícia na minha caixa postal: “Josy grava no Midas Studios”.  Abro o e-mail e lá está a boa nova: a ex-BBB está gravando um disco. A “música de trabalho”, ou seja, aquela que vai encher os nossos ouvidos, tem o criativo nome de “Fall in Love Again”. E mais: informa a sua assessoria que, “apesar de muito tempo confinada na casa do programa, a cantora não pode demonstrar alguns de seus talentos, como o de tocar piano muito bem”.

A semana já havia começado com uma bomba: Francine rompeu o namoro com Max, disse que faltava “pegada” ao rapaz e chegou à conclusão que foi usada pelo colega de confinamento durante o programa. Com gravidade, Francine denunciou: “Ele é um produto. As caretas são sempre as mesmas e isso não é à toa. Enquanto o produto vender, para que mudar?”.

O campeão do BBB respondeu: “Pra quem disse que nunca me machucaria ou me denegriria, taí. Lamento tudo isso. Dizer que eu usei para me promover? Eu ganhei o BBB mais difícil de todos, com conduta, respeito e ética!”

O que Flavio anda pensando disso tudo? Ainda não comentou a separação, mas no último fim-de-semana foi fotografado junto com Max numa festa no Morro da Urca, no Rio de Janeiro. Vamos aguardar o seu pronunciamento…

E Ana Carolina? A loirinha está envolvida no lançamento de uma revista masculina, a “Vip”, que a estampa na capa, protegendo os seios com os braços, e a legenda: “A estrela que nasceu no Big Brother 9”. Convidada a comentar a separação de Max e Francine, seus rivais no programa, ela disse: “Nunca acreditei, nunca vi amor entre eles. Eu via uma amizade, sem carinho de homem e mulher”.

Descobri que Ana Carolina está tão atrapalhada com sua carreira que não tem tempo de deixar São Paulo para visitar o pai, preso em Santa Catarina, acusado de participar de uma quadrilha que explora caça-níqueis. “Ele é inocente e está com a consciência tranquila, assim como eu”, disse ela.

A partir da semana que vem, e até o início de agosto, todos esses personagens vão ceder espaço à Priscila, cuja capa na próxima edição da “Playboy” já está sendo divulgada. A grande atração, parece, é uma foto do piercing que ela conserva em local inacessível aos simples mortais. Vai bombar, como se diz.

Para o pesadelo se completar só falta Mirla e Norberto aparecerem para assombrar. Bate na madeira.

Autor: - Categoria(s): Crônica, televisão Tags: , , , , , , , , ,
17/07/2009 - 10:31

A estranha Copa que o Brasil ganhou, mas não ficou feliz

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Advertência: Esse blog não faz pregação de VERDADES ABSOLUTAS. O que você vai ler aqui é a reprodução de um ESTADO DE ESPÍRITO, num determinado tempo e lugar.

Sexta-feira, 17 de julho: há 15 anos, neste dia, o Brasil venceu a Itália, nos pênaltis, na final da Copa de 94. É um título especialmente importante por encerrar um período de 24 anos (ou cinco copas seguidas) sem conquistas.

Acompanhei a Copa direto dos Estados Unidos, enviado pela “Folha de S.Paulo”. Participei da equipe que, como carrapato, seguiu a seleção brasileira por 45 dias – basicamente na Califórnia. Foi uma experiência profissional fantástica, mas ao mesmo tempo muito dura.

A insistência do técnico Carlos Alberto Parreira num esquema muito cauteloso e pouco criativo gerou críticas pesadas, do início ao fim da Copa. Em resposta, a seleção, de uma maneira geral, tratou com pouca simpatia, quando não com aberta hostilidade, a imprensa brasileira.

Até hoje, 15 anos depois, essa vitória é considerada uma conquista “menor”, por conta do desempenho esquemático, eventualmente tedioso, da seleção de Parreira. O troféu levantado pelo capitão Dunga não suporta a comparação com as outras quatro copas vencidas e chega a ser questionado até mesmo diante da derrota em 1982. Para piorar, a final contra a Itália, debaixo do sol de meio-dia, no estádio Rose Bowl, em Pasadena, terminou 0 a 0 depois de 120 minutos e foi decidida nos pênaltis – fato inédito e inusitado  em uma final de Copa do Mundo.

Acabooou! É teeeeetra!!! – Lembranças agridoces da Copa de 94

Resolvi reler a edição de 18 de julho de 1994 da “Folha”. O “day after” da Copa. É um trabalho do qual eu me orgulho muito de ter feito parte e que deixou para a história um registro forte, até um pouco amargo, do que foi essa conquista. Todos os trechos a seguir, com a exceção de um, foram publicados no dia seguinte à conquista do tetra.

Johan Cruyff (colunista da “Folha” na Copa de 94): “A partida (final) foi ruim e não vale a desculpa de que dificilmente em uma final se pode ver bom futebol. O que acontece é que o Brasil jogou demasiadamente preocupado com seu rival e em nenhum momento conseguiu impor seu domínio de bola”

Telê Santana (colunista): “Taticamente, a seleção brasileira encerrou sua participação na Copa devendo alguma coisa. Jogou da mesma maneira, do primeiro ao último dos 600 minutos disputados”.

Alberto Helena Jr (enviado especial aos EUA): “O Brasil é o primeiro tetracampeão do mundo da história, mesmo que o futebol que o conduziu ao título seja o anti-Brasil”. Sobre a entrada de Viola no segundo tempo da prorrogação, Helena observou: “Em 15 minutos, Viola jogou mais, agrediu mais, criou mais do que Zinho ao longo de todo o campeonato”.

José Simão (enviado especial): “Essa é a filosofia do Parreira: quem quer bola na rede que vá assistir basquete. Rarará. Muda de esporte”.

Marcelo Fromer e Nando Reis (colunistas): “Ninguém nos convence de que foi este esquema medroso que garantiu nosso sucesso nesta Copa.”

Romário, ao receber a medalha de campeão, disse que o título ia “calar a boca” dos críticos. Dirigiu-se aos fotógrafos – que pediam que ele se virasse para facilitar a foto da premiação – com as seguintes palavras: “Vocês todos foram contra. Se quiserem fotografar agora vão ter que ir lá na puta que o pariu”.

Dunga: “Agora é fácil me elogiar. Mas na hora difícil a equipe teve que se unir para suportar as críticas”. Ao receber o troféu, ao lado de Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos, gritou “porra”, virou-se para os fotógrafos e disse: “Traíras!” Também disse naquele dia: “Foi uma vitória de homens!”

Este repórter escreveu: “O técnico Carlos Alberto Parreira foi vaiado pelo público ao ter seu nome anunciado pelos microfones do estádio antes do jogo. Essa cena se repetiu nas sete partidas que o Brasil disputou na Copa”.

Carlos Alberto Parreira: “O que as pessoas não entendem no Brasil é que a fantasia, a magia, o sonho e o show acabaram no futebol. Agora, o importante é ser competente” (a frase foi dita numa entrevista no meio da Copa e relembrada na edição de 18 de julho)

Zagallo (na véspera do jogo): “Fui burro em 70, sou burro em 94. Mas não reclamo”. Indagado sobre a possibilidade de ser o único tetra-campeão do mundo, um dia antes da final, disse a Mario Magalhães: “Vão ter que me engolir!”

E você, leitor, qual é a sua lembrança desta Copa?

No iG Esporte: Por andam os heróis do tetra?

Crédito da foto: Getty Images

Autor: - Categoria(s): Crônica, Esporte Tags: , , , , , , ,
29/04/2009 - 11:44

Crônica: O taxista e o cliente bêbado discutem no 4º DP

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O famoso 4º DP, próximo à rua Augusta, centro de São Paulo, está lotado. Quase meia-noite de terça-feira. À porta, jornalistas e cinegrafistas aguardam o cantor-vereador Agnaldo Timóteo, que está lá dentro registrando um Boletim de Ocorrência, sobre o roubo de seu apartamento, ocorrido horas antes.

Na fila, esperando atendimento, vítimas variadas. Um casal, acompanhado de dois amigos, espera para fazer o BO de um furto de automóvel, que deu-se dentro de um estacionamento pago. Duas moças chegam, acompanhadas de um policial militar, para registrar o assalto que foram vítimas ali perto.

Sou recebido com cordialidade por um plantonista. Explico meu problema (furto de automóvel), ele faz algumas perguntas, observa que “todo dia tem um” na região e me orienta a aguardar. Sou o quarto na fila.

O quarto? É, havia mais um caso – um desentendimento, aparentemente, entre dois homens, que prosseguia dentro da delegacia. Um dos homens, vamos chamá-lo de Pedro, está nitidamente bêbado; o outro, Paulo, não consegue esconder a sua irritação. Paulo pede: “Me dá o telefone da sua mulher ou de alguém da sua família”. Pedro, bêbado, balbucia um número. Paulo liga e não consegue falar com ninguém. Um PM observa a cena sem dizer nada.

Um policial civil se aproxima e pede um documento a Pedro. Sem reclamar, o homem entrega a sua carteira de identidade. Nisso, chega uma mulher, policial, e tenta intervir. Finalmente, entendo qual é o problema. Ela: “Qual foi o valor da corrida?” Paulo: “R$ 40. Mas o taxímetro ainda está correndo”. Ela, dirigindo-se a Pedro: “ E o senhor não vai pagar?”. Pedro: “Eu falei pra ele que amanhã eu pago.” Paulo: “Eu não conheço ele, não sei onde ele mora e a cada hora ele fala uma coisa diferente pra mim”.

O plantonista da delegacia entra na discussão e diz a Pedro: “Como o senhor está bêbado, se não pagar, vamos ter que esperar até amanhã de manhã para resolver esse problema.” E Pedro, repetindo o seu mantra: “Amanhã eu vou pagar”.

Para demonstrar como Pedro não é confiável, Paulo diz: “Onde está a sua mulher?” E Pedro: “Não importa. Amanhã eu lhe pago, já disse.” “Viu?”, diz Paulo, dirigindo-se aos dois policiais. “Ele não quer me dizer onde está a mulher dele.”

Pedro reconhece que tem a dívida e admite que está bêbado, mas o grande momento da noite é seu. Ele vira-se para o taxista e pergunta: “Onde está a sua mulher?” Desconcertado com a pergunta, Paulo diz: “Não te interessa.” E Pedro arremata: “Viu? Também não te interessa onde está a minha mulher.”

Estava, confesso, me divertindo com a desgraça alheia – afinal, o taxista foi lesado e estava em busca de seus direitos. Por mim, passaria a noite inteira ali aguardando o desfecho do caso, mas o plantonista do 4º DP, sempre muito educado, voltou a se aproximar de mim, ouviu novamente qual era o meu problema e recomendou que eu fosse tentar registrar o meu BO em outro delegacia, ou pela Internet. O que eu fiz.

Apesar da chateação que tive, a discussão no 4º DP não deixou que a minha noite fosse um completo desastre.

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18/04/2009 - 12:15

Onde está a ‘Mona Lisa’?, pergunta a turista em Nova York

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Certa vez, no Metropolitan, em Nova York, numa sala repleta de obras de arte e turistas, ouvi um diálogo surreal. A mulher, não sei de qual nacionalidade, virou-se para o segurança e perguntou: “Please, where is the ‘Mona Lisa’?” (Por favor, onde está a ‘Mona Lisa’?) O segurança, atônito, não entendeu. Ela perguntou de novo: “Please, where is the ‘Mona Lisa’?” O segurança respirou fundo e disse: “Desculpe, senhora, não é aqui”. Ela olhou com cara de “se não é aqui, é em que sala?”. E o segurança, então, educadamente, explicou: “A ‘Mona Lisa’ não está aqui…não está nos Estados Unidos. Está em Paris”. Tenho testemunhas!!!

O Louvre recebeu 8 milhões de visitantes em 2008. O seu recorde. Entrar na sala que guarda a “Mona Lisa” é uma aventura, que requer paciência e condescendência. Quando você consegue chegar perto do quadro, o que pode demorar uns 10 minutos, a situação em torno é de desolação. Na última vez que estive, havia garrafas de água largadas no chão, muito papel, uma confusão só.

O fotógrafo brasileiro Alécio de Andrade(1938-2003) viveu em Paris a partir de 1964. Ao morrer, deixou cerca de 12 mil imagens do Louvre – uma parte delas agora reunida num livro e numa exposição, a ser aberta em São Paulo, com o título “O Louvre e seus Visitantes”.

São fotos, como escrevi no Último Segundo, em preto-e-branco, que registram “momentos decisivos”, flagrantes únicos, de visitantes em diferentes momentos de contemplação. São imagens bem-humoradas, delicadas, sugestivas ou intrigantes, fruto de muita observação, sorte e paciência.
 
Há no livro apenas uma imagem da “Mona Lisa”. É uma foto de 1971. Registra um segurança do museu, com olhar de “Mona Lisa”, contemplando o fotógrafo ao lado da tela mais famosa da coleção do Louvre. Uma cena curiosa, quase cômica, mas que transmite uma paz raramente encontrada naquela sala. Na foto à direita (clique em cima para ampliar), um registro que fiz, em 2005, do esforço de centenas de turistas em dar uma olhadinha – e fotografar – a obra de Leonardo da Vinci.

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11/04/2009 - 20:52

Buenos Aires às moscas, mas com o mosquito da dengue

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Buenos Aires está quase vazia nesta Páscoa. Mais de um milhão de pessoas deixaram a cidade, em direção à praia ou à serra. O diário “Página 12” observa que esse êxodo é um bom sinal. “Um número surpreendente em tempos de crise”, anota o jornal – uma crise, diga-se, que já provocou a queda no ritmo das obras de prolongamento do metrô de Buenos Aires e o cancelamento de outros projetos.

Em todo caso, o que mais preocupa os argentinos hoje é um mosquito, o nosso conhecido Aedes aegypti. A Argentina já registra cerca de 15 mil casos de dengue. O vírus chegou pela Bolívia e já configura uma epidemia em algumas regiões. O diário “Clarin” neste sábado anuncia que há seis casos em Buenos Aires sob a suspeita de que foram contraídos na própria cidade. A se confirmar, será o sinal de que o problema chegou à capital.

Para alegria dos turistas, e desespero dos que cuidam da saúde pública, o clima está muito agradável em Buenos Aires. Uma articulista do “Clarin” critica as autoridades por não terem um plano efetivo de combate à epidemia. “Hoje, os argentinos olham para o céu, implorando que chegue o frio do inverno, capaz de matar o maldito mosquito”.

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10/04/2009 - 20:42

A fama de Ronaldo num táxi em Buenos Aires

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Conversa animada sobre futebol dentro do táxi, no centro de Buenos Aires. O motorista é torcedor fanático do River Plate, que anda em má fase, e grande admirador do futebol brasileiro. A sua primeira pergunta para mim é sobre Dunga. Digo que esperava mais coragem e ousadia de um técnico seleção brasileira. “Ele é técnico da mesma forma que era jogador”, resume o taxista.

“Técnico era Santana”, ele diz, referindo-se a Telê. “E por que Ronadinho nao é titular do time?” Digo que ele está em má fase, é reserva também no Milan. E ele: “É o melhor jogador brasileiro, muito melhor do que Kaká”.

O taxista faz outra pergunta difícil: “E Robinho, o que acontece com ele? Era um craque…” Conversamos sobre alguns jogadores que atuam bem em time, mas mal em selecionados nacionais. Riquelme, ele começa. Edmundo, ele acrescenta. E citamos uma dezena de craques, brasileiros e argentinos, que jogam bem em seus clubes, mas “diminuem” quando vestem a camisa da nacional.

“Mas um que eu gostaria de ver na minha seleção é o gordo”, lança o taxista. Que gordo?, eu pergunto, espantado. “Ronaldo. É um definidor. Todo mundo tem medo dele, mesmo com uns quilos a mais”. É verdade, concordo. “Melhor que ele só o Chapolim”. Chapolim??? “Sim, Romário. É um gênio.”

PS. Leitores perguntam a respeito do apelido Chapolim para Romário. É uma referência ao seriado “Chapolim”, o herói que aparecia quando alguém dizia: “E agora, quem poderá me salvar”. Foi essa a frase que o taxista me disse quando me surpreendi ao ouvi-lo chamar Romário de Chapolim. (Atualizado às 11h de 11 de abril)

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