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Arquivo da Categoria Esporte

07/12/2009 - 10:32

Torcida mantém Botafogo na primeira divisão

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botafogo torcidaApesar da vocação deste time para disputar a Série B, o Botafogo encontrou, quase que por milagre, o caminho para permanecer na primeira divisão. Como há muito tempo não se via, a torcida fez a diferença nos últimos dois jogos disputados no Engenhão, contra o São Paulo e o Palmeiras.

Os rivais adoram brincar que a torcida do Botafogo cabe numa Kombi. Como a auto-estima do botafoguense não é lá essas coisas, estamos sempre precisando provar que temos uma torcida de verdade, apaixonada e dedicada, capaz de lotar qualquer estádio.

O Engenhão, nesse sentido, veio bem a calhar. Ele parece perfeito para as dimensões atuais do Botafogo. Um estádio moderno, com capacidade para 44 mil torcedores, capaz de produzir aquele efeito que os jogadores sentem em campo.

Depois de levar 26 mil pessoas ao Engenhão contra o São Paulo, o Botafogo, desesperado, atraiu 38 mil torcedores neste último domingo, contra o Palmeiras. É verdade que a diretoria reduziu o preço dos ingressos, mas na situação em que o time estava, precisando vencer um dos líderes do campeonato para se salvar, esse número mostra que a torcida deu prova de coragem, dedicação e amor pelo time.

Botafogo gloriosoCuriosamente, essa reta final do Brasileiro, triste para o Botafogo, lutando contra o rebaixamento, coincide com o lançamento de uma nova fornada de livros sobre o time. São quatro títulos que, ao iluminar as glórias e lembrar os heróis que já vestiram a camisa alvinegra, ajudam a explicar a paixão de seus torcedores.

Três desses livros integram a coleção “Paixão Entre Linhas”, da editora Leitura, dedicada aos doze principais times do Brasil. Os volumes vem acondicionados em uma caixa com as cores da bandeira do time. O livro principal, “Botafogo: o Glorioso!”, é de autoria de um dos mais famosos jornalistas botafoguenses, o apaixonado Roberto Porto, autor de outro livro essencial para o torcedor alvinegro, “Botafogo, 101 Anos de Histórias”.

Neste “O Glorioso!”, Porto relembra histórias saborosas, desde os primórdios, detendo-se, naturalmente, nos períodos mais gloriosos (décadas de 50 e 60) e chegando até 1995, ano da conquista do Brasileiro pelo Botafogo. Como todos os títulos desta coleção, o do Botafogo é acompanhado por um livro infantil, “Uma Estrela Solitária que Conduz”, de Eduardo Ávila, e um pequeno volume com dados históricos sobre o time.

Botafogo 10 maisO outro lançamento é “Os Dez Mais do Botafogo”, do jornalista Paulo Marcelo Sampaio. O livro integra uma coleção da Maquinária Editores, que já lançou livros semelhantes sobre outros times.

Como nos demais volumes, a seleção dos “dez mais” é feita a partir das indicações de dez torcedores ilustres. O que diferencia o livro dedicado ao alvinegro é a qualidade dos dez nomes escolhidos: Heleno de Freitas, Nilton Santos, Garrincha, Didi, Zagallo, Manga, Gerson, Jairzinho, Paulo Cezar e Túlio.

Não preciso dizer nada sobre esses dez jogadores que brilharam com a camisa do Botafogo. É em nome deles, e de muitos outros que não couberam no livro de Paulo Marcelo Sampaio, que os torcedores foram ao Engenhão neste domingo empurrar o time. Que o Botafogo volte, em 2010, a honrar a sua tradição. A sua torcida merece.

No iG Esporte há uma enquete para saber, entre os dez mais do Botafogo, qual é o preferido do leitor.

Crédito da foto da torcida, domingo, 6 de dezembro, no Engenhão: Gazeta Press

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , ,
19/11/2009 - 13:20

Rivalidade entre Rio e SP no futebol está de volta

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O sempre sensato e elegante Lédio Carmona, comentarista do SporTV, escreveu em seu Twitter na quinta-feira: “O futebol, como um todo, está fora do tom. Discursos e atitudes raivosas por todos os lados. Me confesso assustado com tudo isso.”

Creio que Lédio referia-se, especificamente, à briga entre dois jogadores do Palmeiras, no intervalo da partida contra o Grêmio, mas também a uma série de outros episódios recentes. “Rivalidade e acirramento é uma coisa. Mas a sociedade do futebol está passando do ponto. Pensem nisso”, escreveu. E ainda: “A sociedade da bola é totalmente IN: Insensata, Intolerante, Invasiva, Insana, Insuportável…”

Todos nós, apaixonados por futebol, temos o hábito de exigir “profissionalismo” dos atores envolvidos neste mundo – jogadores, técnicos, dirigentes, árbitros e mesmo comentaristas. Por trás desta cobrança está a idéia de que todas essas figuras são remuneradas, logo, tem obrigações, deveres e compromissos.

Assim como exigimos conhecimento do médico que nos atende, educação do caixa no banco e pontualidade na entrega da loja, esperamos que o jogador do nosso time seja eficiente em campo, dentro da posição que é escalado, que o dirigente defenda o nosso clube da melhor forma possível, que o árbitro domine as regras do esporte e que o jornalista esportivo seja isento.

O problema todo é conciliar as nossas exigências com a paixão. Nisso, o esporte se diferencia de todas as outras atividades. Ninguém tolera um juiz ladrão, mas você já viu algum torcedor reclamar quando o próprio time é beneficiado por erro de arbitragem? Torcedor odeia cartola corrupto, mas se a ação dele, nos bastidores, ajudar o seu time, você é capaz até de votar no sujeito para deputado federal nas próximas eleições.

Para piorar, muitos dos atores envolvidos no mundo do futebol, apesar de profissionais, também não conseguem controlar sua paixão. Brigas entre jogadores do mesmo time, brigas entre dirigentes esportivos, acusações variadas e teorias da conspiração prosperam no momento em que o Brasileiro se aproxima do fim com um grau de competição nunca visto antes, tanto no alto quanto no fim da tabela.

Os ânimos de todos os envolvidos parecem mais exaltados do que nunca. E dentro dessa confusão toda, reaparece um elemento que andava adormecido – a rivalidade entre Rio e São Paulo. Muito por culpa do desempenho pífio dos times cariocas nos últimos anos, esse bairrismo andava sumido do teatro das paixões do futebol. Mas voltou com tudo nas últimas semanas, em função do bom momento do Flamengo. Infelizmente, prevejo ainda muita baixaria até o final do campeonato.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , ,
09/11/2009 - 10:48

Repórter deve avisar ao entrevistado que ele está falando besteira?

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A entrevista do repórter Thiago Salata, do “Lance!”, com o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, “horas depois” de encerrada a partida contra o Fluminense, no domingo, levanta uma questão importante, que interessa de perto a qualquer jornalista: cabe a um repórter advertir o seu entrevistado que ele está falando o que não deve, mesmo sob o risco de perder a melhor parte da matéria?

Irritado com o erro grosseiro cometido por Carlos Eugenio Simon, que anulou um gol de Obina no primeiro tempo da partida, Belluzzo ofende o árbitro na entrevista e afirma que ele estava “na gaveta de alguém”, ou seja, foi comprado.

Em dois momentos, durante os 15 minutos em que conversou com Belluzzo, Salata adverte: “Vou publicar tudo que você está falando”. Antes, ainda havia chamado a atenção do dirigente: “Presidente, sinceramente, nunca o vi tão alterado”.

Entendo que Salata agiu corretamente. Entrevistou Belluzzo num momento em que o presidente do Palmeiras estava emocionalmente abalado, mas deu a ele diversas chances de repensar sobre as suas declarações. Na minha opinião, há algumas situações em que o entrevistado deveria ter a chance de voltar atrás em declarações, especialmente quanto podem resultar em danos para si próprio.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , ,
01/11/2009 - 19:42

Muricy tem razão de reclamar do horário da partida

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Foi preciso esperar o sol surgir forte no domingo para as reclamações sobre o horário dos jogos aparecerem. Muricy foi o primeiro a chiar, encerrado Palmeiras e Corinthians, ainda no gramado. Lembrando que estamos em horário de verão, o técnico sublinhou que o jogo começou, de fato, às 15hs, sob sol de mais de 30º.

Ouvido pela rádio CBN, falou do “poder econômico”, que impôs este horário, sendo imediatamente replicado pelo comentarista da emissora, que observou: Muricy deveria reclamar com os dirigentes de Palmeiras e Corinthians, que acertaram a partida no oeste do Estado de São Paulo.

Muricy, de fato, deveria ter reclamado antes. A escolha do local do clássico deu-se no dia 22 de setembro – e o horário do jogo estava marcado há uma semana, pelo menos. A questão central, no entanto, e que parece ter escapado ao comentarista da CBN, é que o horário dos jogos é definido pela Globo, detentora dos direitos de transmissão do campeonato, com o aval da CBF, responsável pela organização e gerência do evento.

Em período de horário de verão, todas as partidas marcadas para as 16hs deveriam, automaticamente, ser transferidas para as 17hs. Muito simples.

Sou velho o suficiente para lembrar que as partidas de futebol no Rio de Janeiro, aos domingos, começavam às 17hs – antes disso, era desumano, por causa do calor.

Autor: - Categoria(s): Esporte, televisão Tags: , , ,
28/10/2009 - 11:59

Proposta de mudar horário de jogos noturnos virou pó

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Menos de duas semanas depois de Ricardo Teixeira ter levantado o assunto, parece enterrada a discussão sobre a mudança no horário noturno dos jogos da Série A do Brasileiro. Para quem não se lembra, o presidente da CBF observou que o horário das 21h50, escolhido pela Rede Globo, está longe de ser o ideal para o torcedor. “Como presidente da CBF, não posso ficar preocupado com o índice da televisão. Eu tenho que ficar preocupado também com o torcedor. Não adianta fazer jogo com o campo vazio”, disse Teixeira.

A declaração do presidente da CBF foi vista como uma reação à proposta da Globo, encaminhada dias antes aos clubes, de alterar o sistema de disputa do Brasileiro. A emissora, detentora dos direitos de transmissão do campeonato, sonha em reintroduzir o mata-mata na fase final, em lugar da classificação ser definida pela soma de pontos.

Segundo a coluna “Radar”, na “Veja”, Globo e CBF selaram um acordo de paz há uma semana: a emissora desiste de propor a volta do mata-mata e a confederação deixa de reclamar do horário dos jogos depois da novela.

Além do acordo, também há um argumento supostamente objetivo contra a mudança do horário noturno. Segundo a “Folha” desta quarta-feira, os jogos noturnos, às quartas, apresentam média de público no estádio (20,1 mil pagantes) superior à média geral do campeonato (16,5 mil). E segundo a Globo, as partidas exibidas depois da novela têm audiência superior (cinco pontos, em média) às exibidas aos domingos, às 16h.

Esses números, creio, são fáceis de explicar. Apenas 25 jogos, de um total de 310, foram realizados às 21h50. Os jogos programados para este horário envolvem sempre times muito populares – em São Paulo, quase sempre o Corinthians. Isso puxa para cima tanto a presença de público no estádio quanto o índice de audiência.

Em resumo, a boa notícia é que parece não haver riscos, no futuro próximo, de alteração do sistema de pontos corridos. A má notícia é que seguiremos com jogos neste horário esdrúxulo.

Autor: - Categoria(s): Esporte, televisão Tags: , , , , ,
25/10/2009 - 11:10

Tyson, os Gracies e a arte da violência. Arte?

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Mostra SeloDois documentários programados na 33ª Mostra de Cinema de São Paulo recolocam em questão um tema espinhoso: boxe, jiu-jitsu e outras formas de luta podem ser consideradas esportes? Tanto “Tyson”, de James Toback, quanto “Os Gracies e o Nascimento do Vale Tudo”, de Victor Cesar Bota, defendem essa idéia com unhas e dentes, ao mesmo tempo em que as cenas violentas que exibem os contradizem o tempo todo.

“Parece um esporte brutal, mas é apenas uma técnica, uma arte”, defende Mike Tyson, a certa altura do longo depoimento que dá a Toback. Os diferentes integrantes da família Gracie que falam para a câmera de Bota enfatizam a idéia que o jiu-jitsu é uma técnica de defesa e que não é preciso ser forte e grandalhão para se sair bem numa briga.

O que poderia haver de mais brutal, no entanto, do que um boxeador arrancar um pedaço da orelha de seu rival numa luta? Ou ver um lutador caído no chão acertar um chute na testa do adversário, derrubá-lo e, na sequência, dar um soco no meio da sua cara?

TysonA brutalidade de Tyson, não é preciso ser psicólogo de botequim para notar, está intimamente relacionada à sua história de vida. E é dessa história que Toback tira a força do seu filme. Longe do esforço de objetividade, que caracteriza um documentário próximo do modelo jornalístico, “Tyson” propõe ao espectador um encontro íntimo com o ex-boxeador.

Falando para a câmera, sem ser interrompido ou confrontado com versões diferentes da sua, Mike Tyson conta a história tal como é capaz ou lhe interessa. Evita algumas questões polêmicas e possivelmente “reescreve”, ao bel prazer, diversos episódios, mas o seu relato é impressionantemente forte e comovente.

Tyson fala abertamente da infância na rua, dos primeiros assaltos, das primeiras temporadas no reformatório, até ser “adotado” por Cus D´Amato (1908-1985), que o treinou por alguns anos e o ensinou a administrar o medo. O treinador morreu um ano antes de ver Tyson se tornar, aos 20 anos, o mais jovem campeão mundial na categoria peso-pesado.

Segundo Tyson, D´Amato foi o único amigo que teve na vida. Cercado de “sanguessugas”, nas suas próprias palavras, avalia ter jogado fora mais de US$ 400 milhões ao longo do tempo – acredita ter sido roubado por todos os seus empresários, gastou milhões com indenizações, rompimento de contratos, multas etc. Mas não culpa ninguém. “Os sanguessugas se alimentavam do meu sangue e eu do sangue deles”, diz no filme.

GraciesJá os Gracies emergem do documentário de Victor Cesar Bota como uma família cujo destino de todos os homens parece traçado antes do nascimento: ter um nome iniciado com a letra “R” e ser lutador – de jiu-jitsu, luta greco-romana ou vale tudo.

Desenvolvida nos anos 30 do século passado pelos irmãos Carlos e Helio Gracie, a técnica brasileira do jiu-jitsu vai desembocar, 60 anos depois, no Ultimate Fighting, que tanto sucesso faz nos Estados Unidos e Japão.

Filhos, sobrinhos e netos dos patriarcas, como Rolls, Rorion, Rickson, Royce, Royler, Renzo e Ryan Gracie, desfilam pela câmera, exibindo seus talentos na arte da porrada e mostrando que a família está mais desunida do que nunca tanto em relação à filosofia por trás da luta quanto nos negócios.

O filme resgata boas imagens de arquivo, especialmente os desafios de luta-livre no Rio e em São Paulo nos anos 50 e os treinamentos do clã Gracie nos anos 70. O que mais impressiona, no entanto, são as imagens de um filme caseiro, que mostra dois alunos de academias rivais, ambas mantidas por Gracies, brigando ao ar livre, de sunga, no jardim da casa de alguém, cercados de espectadores. A certa altura, alguém quer interromper a luta, que já produz ferimentos com sangue nos lutadores, mas é impedido por outro espectador. E a briga continua.

“Tyson” tem mais três sessões na Mostra: terça-feira (27), às 12h, no Unibanco Artplex; sexta (30), às 14hs, no Cine Bombril, e domingo, (1/11), às 23h40, no Unibanco Artplex. Mais informações, e um trailer do filme, no site da Mostra.

“Os Gracies e o Nascimento do Vale Tudo” têm mais duas sessões na Mostra: segunda-feira (26), às 13h30, no Unibanco Artplex, e sábado (31), às 14hs, no Cinema da Vila. Mais informações, e um trailer do filme, no site da Mostra.

Autor: - Categoria(s): Cultura, Esporte Tags: , , , , ,
23/10/2009 - 08:23

Maradona e Cantona, gênios imperfeitos

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Mostra SeloCada um à sua maneira, Diego Maradona e Eric Cantona encarnaram o mais sedutor dos tipos que rondam o mundo do futebol – o do craque magnífico e indomável, tanto dentro quanto fora de campo. (Romário é o brasileiro que primeiro me ocorre quando penso em jogadores deste quilate com este perfil.)

Imprevisíveis com a bola no pé, mas também com a língua, Maradona e Cantona (e também Romário) sempre falaram o que achavam que deviam falar, e não o que os dirigentes ou assessores programavam. Profissionais, mas não fantoches, exigiam respeito – de colegas, dirigentes, jornalistas e torcedores.

Muitas vezes, perderam o controle da situação e, literalmente, meteram os pés pelas mãos. A carreira de Cantona sofreu um baque quando agrediu um torcedor que o ofendeu depois de ser expulso de campo. Ficou dez meses suspenso. (Romário também agrediu torcedores que o ofenderam durante um treinamento, mas não foi punido.)

Maradona não apenas fez um gol com a mão contra o maior inimigo da Argentina em 1986, a Inglaterra, como ainda reconheceu o “crime” e tripudiou: “Foi a mão de Deus”. Depois, violou a mais sagrada das regras do esporte: utilizou drogas (cocaína) e ainda foi pego jogando dopado.

maradona kusturicaChamado de “Deus”, Maradona é idolatrado em toda a Argentina e em Nápoles, na Itália. Conquistou “sozinho” a Copa de 86 e deu à equipe italiana os dois únicos títulos da Série A de sua história. Chamado de “rei”, Cantona é herói entre os torcedores do Manchester United. O time não vencia o campeonato inglês desde 1967 quando ele chegou, em 1991, dando início a uma temporada de glórias e conquistas.

Maradona e Cantona são as estrelas indiscutíveis deste primeiro fim de semana da 33ª Mostra de Cinema de São Paulo. O primeiro é objeto de um documentário do sérvio Emir Kusturica, que o retrata sem nenhum distanciamento, mas com grande energia. O segundo atua como ator, no papel de si mesmo, num divertido filme do inglês Ken Loach.

Como escrevi no Ultimo Segundo (Filme de Kusturica ajuda a entender a Argentina de Maradona), além das dezenas de gols e jogadas que exibe, há momentos impressionantes no filme sobre o craque argentino – o culto na Igreja Maradoniana, a confissão que o ex-jogador faz sobre os efeitos da cocaína e a sua relação com Fidel Castro, entre outros.

cantonaJá o craque francês, cujo filme que protagoniza abriu a Mostra nesta quinta-feira, é igualmente homenageado com a generosa exibição do seu talento como jogador, relembrado em várias passagens, e expõe também os seus curiosos conhecimentos filosóficos. Com real habilidade para interpretação, como escrevi, Cantona distribui pílulas de sabedoria a um carteiro infeliz, ajudando-o a superar os seus problemas com a ex-mulher e com os enteados.

Numa passagem já famosa de “Maradona”, o craque afirma que, não fosse pela cocaína, teria sido ainda maior do que foi como jogador. Ou seja, teria sido Deus de fato. Em outro momento, o dono de uma casa noturna de Buenos Aires diz que as go-go girls reclamam quando a tevê exibe antigos gols de Maradona porque os frequentadores do inferninho preferem ver os gols aos shows das dançarinas seminuas.

Já Cantona, em diálogo com Eric, o carteiro que ajuda, ensina que o momento que mais aprecia em sua carreira como jogador não é nenhum gol em especial, mas um passe perfeito que deu, propiciando o gol de um colega. Pode parecer filosofia de botequim, mas o passe foi realmente maravilhoso.

Entre esta sexta-feira e domingo, há três chances de ver ambos os filmes. “À Procura de Eric” passa hoje, às 16h40, no Unibanco Artplex; sábado, às 23h50, no Cinema da Vila; e domingo, às 15h50, no Cine Bombril. “Maradona” será exibido hoje, às 21h30, no Cine Bombril; sábado, às 12h, no Reserva Cultural; e domingo, às 22h, no Cinemark, Shopping Eldorado. Ambos os filmes serão exibidos no circuito comercial, depois da Mostra.

Autor: - Categoria(s): Blog, Crônica, Esporte Tags: , , , ,
17/10/2009 - 12:16

CBF quer mesmo mudar horário dos jogos noturnos?

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É preciso ler com cautela a notícia de que Ricardo Teixeira pretende alterar o horário dos jogos noturnos da Série A do Brasileiro, às quartas-feiras. Em entrevista a três jornais (“Globo”, “Folha” e “Estadão”), o presidente da CBF reconheceu o óbvio, ou seja, que as partidas noturnas, programadas de acordo com a grade da Rede Globo, terminam muito tarde, o que afugenta o público dos estádios.

À medida em que, nos últimos anos, a chamda “novela das 8” foi mudando de horário e virando “novela das 9”, o horário das partidas de quarta-feira foi sendo empurrado para mais tarde. Atualmente, as partidas começam às 21h50, e terminam por volta da meia-noite.

O horário das partidas é determinado em contrato entre a Rede Globo, que detém os direitos de transmissão, e os clubes, sob as bençãos da CBF. Um dos argumentos da emissora para exibir as partidas depois da novela é que esse horário seria de interesse dos patrocinadores dos clubes, interessados na exposição de suas marcas num momento em que a televisão tem altos níveis de audiência.

É a esse argumento que Ricardo Teixeira se refere na entrevista, ao dizer: “Como presidente da CBF, não posso ficar preocupado com o índice da televisão. Eu tenho que ficar preocupado também com o torcedor. Não adianta fazer jogo com o campo vazio”.

Cabe lembrar que Teixeira é presidente da CBF há 20 anos e, até onde me recordo, é a primeira vez que se manifesta publicamente de forma crítica sobre o horário noturno das partidas da Série A.

Também é preciso lembrar que esta declaração ocorre ao final de uma semana em que a Rede Globo apresentou uma proposta aos clubes para mudar o sistema de disputa do Brasileiro, reintroduzindo o “mata-mata” na fase final, em lugar da classificação ser decidida por pontos corridos. Teixeira, como se sabe, é contra essa mudança. Daí a sua declaração: “Querem discutir esse assunto, vamos discutir tudo”.

Em resumo, gostaria de acreditar que o presidente da CBF está interessado em discutir, de fato, o estranho horário das partidas noturnas de futebol no Brasil. Mas temo que, com suas declarações, ele esteja apenas demarcando território no campo de batalha.

Autor: - Categoria(s): Esporte, televisão Tags: , , , , , ,
15/10/2009 - 19:23

Meu personagem da semana: Diego “Dios” Maradona

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Copiando descaradamente o título da coluna que Nelson Rodrigues assinou em “Manchete Esportiva”, volto a falar de Maradona no blog. Assisti nesta quinta-feira ao documentário que Emir Kusturica fez sobre o maior jogador da história da Argentina e, acho, entendi melhor as reações de Maradona à pressão que vem enfrentando no comando da seleção da Argentina.

“Maradona” foi exibido no Festival do Rio e está programado para a Mostra de Cinema de São Paulo. Sua estréia comercial está prevista para novembro. Sem nenhum distanciamento, como escrevi no Último Segundo, Kusturica trata Maradona como Deus e mostra que essa idolatria se espalha de Buenos Aires a Nápoles.

De certa forma, o próprio personagem se vê como uma figura mítica, cuja único tropeço na vida foi a cocaína. Não fosse a dependência da droga, que quase o matou, Maradona sugere que teria sido o maior jogador da história, maior que Pelé ou qualquer outro: “Fica um gosto amargo na boca. Eu teria sido muito maior que sou.”

Dias atrás, já havia falado sobre Maradona aqui no blog: que outro técnico seria capaz de dar um “peixinho” para comemorar a vitória de seu time, depois de um gol aos 48 minutos do segundo tempo? Só um técnico sem a menor vocação para este ofício, mas com um carisma extraordiário, uma energia única e o coração a mil, como se ainda estivesse em campo, jogando.

Ao reagir violentamente contra a imprensa ao final da partida que classificou a Argentina para a Copa de 2010, Maradona causou um mal estar que pode complicar ainda mais a sua situação como técnico da seleção. O seu destino está nas mãos de Julio Grondona, cartola que há 30 anos comanda o futebol da Argentina e é um mestre na arte de lidar com batatas quentes.

Sei que os números de Maradona à frente da seleção são péssimos, mas gostaria, em nome da diversão, de vê-lo dirigindo a Argentina na Copa.

Autor: - Categoria(s): Cultura, Esporte Tags: , ,
11/10/2009 - 12:21

Maradona reinventa ofício de técnico com “peixinho”

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Para tristeza de quem gosta apenas do espetáculo em campo, da bola rolando, do drible e do gol, os técnicos de futebol ganharam nos últimos anos o status de estrelas. Tornaram-se figuras centrais do negócio, capazes de aplicar “nós táticos”, virar jogos impossíveis, fazer substituições genais, além de terem a força de motivar times derrotados e transmitir mensagens geniais.

Pense no Brasil. Pense em Wanderley Luxemburgo, Mano Menezes e Muricy Ramalho. Ou em qualquer técnico da sua preferência, aqui ou no exterior. Cada um a seu jeito, todos eles são, toda semana, tão ou mais protagonistas das partidas que seus clubes disputam do que Ronaldo, Diego Souza, Kaká etc etc. O que os técnicos dizem ou deixam de dizer, o seu bom ou mau humor, o que escrevem no Twitter ou no blog, acompanhamos tudo que fazem como se fossem realmente estrelas do espetáculo.

Para piorar, o protagonismo dos técnicos levou grande parte destes profissionais, como ocorre com toda figura no palco, a comporem personagens. Difícil encontrar hoje um técnico que soe espontâneo, que diga o que realmente pensa, que faça o que lhe dá na telha, que vista a roupa que gostaria… Com a ajuda de assessores de imprensa e de imagem, os técnicos se tornaram, realmente, astros de primeira grandeza, protagonistas, do mundo do futebol.

Não estou aqui dizendo que os técnicos são falsos, mas que agem de acordo com determinados roteiros, que construíram e seguem, para o bem da imagem deles. Tornaram-se previsíveis. Passamos a esperar o novo “nó tático” do “professor”, ou a nova “patada”, ou a nova “bronca” como quem espera um gol do craque do time. E sabemos que ela virá, mais cedo ou mais tarde, porque os técnicos viraram personagens de si mesmos.

Maradona iG EFETudo isso para falar de um técnico que parece não ter a menor vocação para ser técnico – Diego “Dios” Maradona, maior jogador da história da Argentina, hoje no palco à frente da cambaleante seleção de seu país.

Não vou aqui repetir os números e estatísticas que comprovam o desastre de sua gestão no comando da seleção. É possivelmente o pior e mais confuso técnico que o país já teve, nos últimos 40 anos. O que me chama a atenção é o fato de agir e se comportar como um jogador, e não como técnico.

Alguém poderá dizer que ele também está compondo um personagem. Que tudo não passa de encenação. Não é impossível. Mas mesmo que seja um personagem, é fantástico, porque é um personagem que vai totalmente contra a maré, contra essa onda “científica” que os “professores” tentam nos fazer engolir sobre o futebol “moderno”.

O “peixinho” que Maradona deu neste sábado à noite, na beira do gramado, depois do gol de “San” Palermo contra o Peru, aos 48 minutos do segundo tempo, impedido, sob chuva e vento, é uma dessas cenas que ficarão para a história do futebol.

No futuro, Maradona será lembrado pelo dois gols que fez contra a Inglaterra na Copa de 86 (pelo que eles ilustram da sua genialidade e malandragem em campo) e pelo “peixinho” no Monumental de Nunez. Este último, como exemplo da atitude de um técnico de futebol que reinventou o ofício.

Crédito da foto: EFE

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , ,
06/10/2009 - 12:35

O “jeitinho” brasileiro no Santiago Bernabeu

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De férias na Espanha, resolvi assistir uma partida de futebol no estádio. Estive em Sevilha e em Barcelona, mas em períodos que a bola não rolou. Em Madri, tive a oportunidade de ver Real Madrid e Olympique de Marselha, pela segunda rodada da Liga dos Campeões, na quarta-feira, 30 de setembro.

Logo pela manhã, fui ao estádio em busca de ingressos. O metrô deixa o espectador a 100 metros do Santiago Bernabeu. Ao longo do caminho, dois homens de terno, cambistas elegantes, me ofereceram ingressos na rua, antes que eu chegasse à bilheteria.

Cinco bilheterias estavam abertas por volta das 10h da manhã. Fiquei menos de cinco minutos na fila, organizada com a ajuda de dois seguranças. No guichê, uma funcionária me mostrou um mapa com todas as posições no estádio onde havia ingressos disponíveis.

Os ingressos avulsos, para quem não compra pacotes no início da temporada, seja para o Campeonato Espanhol, seja para a Liga dos Campeões, são bem caros. Há quatro posições nas laterais do campo e outras quatro atrás dos gols. Os ingressos vão de 40 euros (R$ 105) a 175 euros (R$ 455).

Comprei, por 40 euros, o ingresso na segunda fila do “quarto anfiteatro lateral oeste”, ou seja, no início da parte mais alta do estádio, com vista para o lado do campo.

Santiago Bernabeu visao realTodos os 80.354 assentos no Santiago Bernabeu são numerados. Com o jogo marcado para começar às 20h45, cheguei ao estádio, de metrô, por volta das 20h. Em 10 minutos, estava sentado no meu lugar. Segundo o diário “Marca”, a partida teve um público de 65 mil espectadores.

Vi muitos brasileiros, turistas como eu, no estádio. Muitos vestiam camisas do Real, com o nome de Kaká às costas. Também vi um com a camisa da seleção brasileira e outro com a do São Paulo. Também notei a presença de muitos turistas de outras nacionalidades – na fila atrás de mim, três armênios enlouquecidos assistiram a partida soprando uma barulhenta corneta a cada lance, de perigo ou não, do ataque do Real.

Um dos grupos de brasileiros sentou-se próximo a mim. Ainda faltavam uns 20 minutos para o início do jogo e havia muitos lugares vazios no terceiro anfiteatro, cujos ingressos custavam 75 euros (R$ 195). “Vamos descer que tem lugar vazio”, propôs um deles, sendo logo seguido por outros dois.

Com 10 minutos de jogo, vejo os brasileiros de volta, procurando seus lugares no quarto anfiteatro. Tinham acabado de ser expulsos dos lugares alheios que ocuparam, diante da chegada ao estádio dos donos dos assentos.

Santiago Bernabeu visao com zoomNão vou aqui falar da partida, vencida pelo Real por 3 a 0. O iG Esporte trouxe um relato preciso do que ocorreu em campo. Mas algumas coisas me chamaram a atenção.

O placar do estádio, diferentemente do que ocorre no Brasil, mostra o tempo de jogo, ao longo de toda a partida. Não entendo porque esse recurso é proibido nos estádios nacionais.

Já tinha reparado, vendo pela televisão, que Cristiano Ronaldo gesticula muito ao longo das partidas. Ao vivo, pude observar que ele reclama muito com os companheiros, aponta com as mãos onde a bola deveria ter ido, comporta-se, enfim, como uma estrela – o que deve, seguramente, incomodar seus colegas de time.

Na hora do pênalti, convertido por Kaká, a torcida ficou histérica. Enquanto ele se preparava para bater, os torcedores começaram a bater palmas, de forma ritmada. Uma cena que já tinha visto em disputas de provas de salto em atletismo. No momento em que Kaká chutou, o estádio inteiro estava batendo palmas, dando o ritmo da cobrança.

Ao ser substituído por Raul, Kaká foi bem aplaudido, mas o camisa 9 do Real foi ovacionado ao pisar no gramado. Aliás, na apresentação dos jogadores, antes de a partida começar, Cristiano Ronaldo foi saudado com mais entusiasmo que Kaká.

Santiago Bernabeu EuEm dois momentos, fui surpreendido por manifestações de entusiasmo da torcida do Real, sem que nada estivesse ocorrendo em campo que justificasse a alegria. A primeira, quando o placar do estádio anunciou que o Zurique estava vencendo o Milan, do mesmo grupo na Liga dos Campeões, por 1 a 0 – resultado final da partida, disputada em Milão. A segunda, quando foi anunciado que o Porto venceu o Atlético de Madrid por 2 a 0.

Ou seja, torcedor é igual em qualquer lugar no mundo: para ficar completamente feliz, não basta ver seu time vencer, é preciso que o rival também perca.

A saída do estádio não ocorreu com a mesma tranquilidade que a chegada, mas não chegou a ser caótica. Lentamente, segui a multidão que se dirigiu ao metrô para voltar para casa. Meia hora depois do final do jogo, já estava num bar, próximo do hotel, comendo tapas e bebendo cerveja.

Em tempo: A primeira foto no post mostra a visão que eu tinha do campo, do lugar que adquiri. A segunda foto foi tirada do mesmo lugar, mas com zoom. E a terceira imagem mostra o repórter, exibido, posando para a câmera.

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05/10/2009 - 10:39

Duas semanas na Espanha ouvindo falar do Brasil

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Férias no exterior servem não para descansar fisicamente, mas mentalmente: desconectar, ver outras realidades, pensar em assuntos diferentes aos do seu cotidiano. Pois escolhi o lugar errado para as minhas: a Espanha. Passei duas semanas (maravilhosas, diga-se) ouvindo falar do Brasil.

Para começar, Oscar Niemeyer. O arquiteto de 101 anos ganhou uma bela exposição em Madri, recém-inaugurada, e é tema de debates que acontecem esta semana na cidade, que celebra uma série de eventos dedicados à arquitetura.

É óbvio que quando se fala de futebol na Espanha não dá para deixar de falar do Brasil, mas o momento é especial, em função não apenas da chegada de Kaká ao Real Madrid, mas graças ao Sevilha, que a cada dia se firma como a terceira força da bola no país.

O time de Luis Fabiano e Renato deu show nestas últimas duas semanas, com direito a goleada (4 a 1) no Rangers, na Escócia, pela Liga dos Campeões, e vitória sobre o Real (2 a 1) em casa. Depois de seis rodadas, está em terceiro lugar no Espanhol, com o mesmo número de pontos que o Real (5 vitorias e uma derrota) e sua classificação para a próxima fase da Liga dos Campeões só não acontecerá por acidente.

Em entrevista de uma página ao “El Pais”, o principal jornal da Espanha, publicada neste domingo, Luis Fabiano abre uma ótima polêmica ao declarar: “Kaká é melhor do que Cristiano Ronaldo”. O camisa 9 da seleção brasileira, cuja cláusula de rescisão com o Sevilha é de 30 milhões de euros, espera trocar de time ao final da temporada, em 2010.

E, por fim, o mais importante: Jogos Olímpicos. Depois de rodar pela Andaluzia e Barcelona, cheguei a Madri na terça-feira, 29 de setembro. A cidade estava toda decorada com cartazes alusivos à campanha pelos Jogos de 2016, e só se falava deste assunto nos jornais, na televisão e nos bares.

A cidade fez uma campanha com forte apelo emotivo, a começar do título “Madrid, tengo una corazonada” – o que levou o “El Pais” a noticiar no sábado, após o anuncio do resultado, que o Rio partiu o coração de Madri.

Embora falassem muito do lobby de Obama por Chicago, os espanhóis sabiam que o principal rival da candidatura de Madri era o Rio de Janeiro. Por este motivo, o noticiário da semana enfatizou o fato de a cidade já ter prontos quase 80% da infra-estrutura para os Jogos de 2016, contrastando com os números pífios do Rio neste quesito.

Outro sinal evidente da preocupação com a candidatura do Rio estava estampado na capa do “El Pais” de sexta-feira, dia da eleição. Uma enorme foto mostrava o presidente Lula passando a mão no rosto do rei Juan Carlos, observados pelo prefeito de Madri e pelo ex-jogador Pelé. Além da quebra de protocolo, a foto, tirada na véspera, parecia conter a seguinte mensagem, passada por Lula: gostamos muito de vocês (espanhóis), mas vamos levar essa.

Os espanhóis prepararam uma grande festa na sexta-feira, na Praça do Oriente, um dos cartões postais de Madri, tendo ao fundo o imponente Palácio Real, antiga residência dos reis da Espanha. A festa começou à uma da tarde e foi até às 18h50, quando o presidente do Comitê Olímpico Internacional anunciou o resultado final.

Da praça, ainda, enviei um pequeno texto ao iG Esporte, falando do silêncio de velório que tomou conta do lugar, só quebrado pela alegria de uns 20 brasileiros, com camisas do São Paulo, do Grêmio e da seleção, que desfraldaram bandeiras e camisas e, desafinados, começaram a cantar “Cidade Maravilhosa” e o hino do Brasil no local.

Com os vários espanhóis que conversei, incluindo Antonio Garrido, um dos principais radialistas do país, percebi que a frustração com o resultado não desaguou em raiva pelo fato de o vitorioso ter sido o Rio de Janeiro.

Os jornais no sábado confirmaram esta sensação, ao enfatizarem que a América do Sul nunca sediou Jogos Olímpicos – um dos temas centrais do discurso do presidente Lula ao COI – e que seria muito difícil um mesmo continente – a Europa – sediar os Jogos duas vezes seguidas (2012 será em Londres).

Com exceção das reclamações do presidente do Comitê Olímpico Espanhol, que achou estranha a migração quase total dos votos dados a Chicago e Tóquio para o Rio, os espanhóis não reclamaram do resultado final e agora discutem se vale a pena apresentar a candidatura de Madri para os Jogos de 2020.

Enfim, depois de duas semanas, estou de volta, para ouvir falar dos mesmo assuntos que ouvi na Espanha.

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18/09/2009 - 11:14

“Os decepcionaldinhos”, Freud do Cariri e as crianças

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O grande Xico Sá, jornalista de múltiplos talentos, cunhou na “Folha” desta sexta-feira uma expressão genial para se referir aos torcedores que perseguem craques em momentos de crise. São os “decepcionaldinhos”, os “marcadores cricris”.

O próprio Xico faz uma autocrítica e conta que agiu assim, como um “decepcionaldinho”, em relação a Ronaldo, antes da última volta por cima do craque no Corinthians. “Ronaldo ensinou o que nem precisava”, reconhece.

O cronista protesta contra “gente que está sempre decretando o fim de carreira para uns, magoado com outros, dizendo que esperava mais de fulano etc… Não queria ser grosso, mas que tal cuidarem das suas próprias decepções, que são o que não nos falta pelo caminho?”, escreve, com precisão, o nosso Freud do Cariri.

Hoje, especialmente, Xico Sá reclama dos que pegam no pé de Ronaldinho Gaúcho. “O julgamento moral é implacável, e o nome da vez é de novo Ronaldinho, o grande Gaúcho. Especulam sobre a sua parada, haja bobagem, dizem que ele envergonha o Brasil em campos da Itália, qualé, cara pálida?”

Concordo com Xico. Devemos tomar sempre o cuidado de não projetar nos outros, amigos ou ídolos, as expectativas que temos em relação a nós mesmos. Evitar os julgamentos morais é fundamental.

Mas acho que há uma outra dimensão no caso Ronaldinho Gaúcho, que não é apenas a da decepção. Com seu futebol de lances imprevistos e geniais, e seu jeito engraçado de ser, Ronaldinho se tornou ídolo não apenas dos amantes do bom futebol, mas também das crianças. Vê-lo perdido em campo, sem brilho ou luz, provoca a mesma melancolia que assistir a um mágico aposentado em festa infantil.

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11/09/2009 - 10:00

Revista “Trivela” deixa de circular

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Trivela ultima edicaoCom uma foto de Kaká na capa, convidando o leitor a conhecer a estratégia do Real Madrid para conquistar a sua décima Liga dos Campeões, a revista “Trivela” chega esta semana às bancas pela última vez. O editor Caio Maio informa no editorial que, por enquanto, a revista seguirá apenas com o seu site  na Internet, mas promete novidades para breve. “Daqui passamos a uma nova fase”, diz, sem revelar detalhes, mas sugerindo voltar às bancas em outro momento. “Até breve, na Trivela.com e nas bancas de todo o Brasil”, encerra o editorial.

“Trivela” surgiu em setembro de 2005 como um guia da Liga dos Campeões e no ano seguinte evoluiu para o formato atual. Projeto de três amigos, que se conheceram na faculdade de Jornalismo da USP, a revista tinha como foco principal o futebol internacional, em particular, o futebol europeu e suas estrelas globalizadas. Nos últimos tempos, no esforço de alargar a sua audiência, também abriu as suas páginas para o futebol disputado no Brasil.

Com um olhar ao mesmo tempo apaixonado e crítico, “Trivela” constituía um projeto original no mercado de publicações esportivas. É uma pena que não tenha conseguido se firmar no mercado. Para os fãs e fanáticos (a revista acompanha os campeonatos da Áustria, Suíça e Bélgica, entre outros), resta o site. E aguardar os próximos passos da editora.

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10/09/2009 - 11:21

Quando Shakespeare invade o automobilismo

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De todos os esportes, o automobilismo talvez seja aquele em que é maior a necessidade de controlar a paixão e demonstrar frieza. Um piloto que se deixa levar pela emoção não coloca apenas uma corrida em jogo, mas a própria vida – o que o diferencia tanto de um tenista quanto de um jogador de futebol, por exemplo, cuja perda de controle pode ocasionar, no máximo, uma derrota.

Hans Ulrich Gumbrecht, em “Elogio da Beleza Atlética” (Companhia das Letras, 2007), observa que os grandes pilotos se diferenciam dos demais por dois aspectos. O primeiro é a capacidade de compreenderem a máquina que os leva pelas pistas. Esse talento é fruto de conhecimento mecânico e intuição. Em uma palavra, a capacidade especial de fazer o “acerto” do carro.

O outro indicador fundamental de desempenho que o automobilismo exige dos pilotos, lembra Gumbrecht, é a frieza. “Eles precisam ser capazes de ficar perdidos, por horas, na intensidade da concentração. Precisam manter a tranqüilidade apesar da constante ameaça de morte – uma tensão que só se dissipa quando cruzam a linha de chegada”.

Com Gumbrecht em mente, é possível entender um detalhe tão fascinante quanto mórbido da saga envolvendo o piloto Nelsinho Piquet, seu pai, o tricampeão mundial Nelson Piquet, e o empresário Flavio Briatore. Em qual outro esporte um atleta teria a frieza de colocar em risco a própria vida para obter benefícios? Muitos atletas já se acidentaram e mesmo morreram praticando esportes, mas não conheço nenhum caso em que um esportista, friamente, provocou uma situação que colocava a sua integridade física em risco.

O que Gumbrecht não analisa em seu livro é a dimensão shakespeariana deste episódio. A julgar pelo que o Grande Prêmio relatou ontem e hoje sobre o caso, estamos diante de uma história não apenas de dolo, mas de vingança. Diferentemente de Hamlet, que quer vingar a morte do pai, aqui vemos um pai em busca da vingança que fará justiça ao filho, supostamente lesado depois de colocar a própria vida em risco em nome de um empresário – aparentemente – ingrato.

Trata-se, enfim, de uma história que nem o mais apaixonado fã do automobilismo poderia um dia ter pensado. Mas Shakespeare imaginou.

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