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Arquivo da Categoria Internet

11/12/2009 - 11:58

A educação pelo leitor

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Depois de um ano e meio, estou deixando o iG, onde fui alfabetizado em matéria de Internet, em direção a um novo desafio profissional. Roubo de um dos mais famosos poemas de João Cabral de Mello, “A Educação pela Pedra”, o título deste texto com que pretendo me despedir dos leitores deste blog.

Porque, se João Cabral extraiu da pedra a dicção de sua poesia, posso afirmar que descobri, no contato diário com os leitores, uma dimensão do jornalismo que teimei muitos anos em ignorar.

Escrevi, até esta sexta-feira, 538 textos para o blog e colhi 29.919 comentários a respeito do que foi publicado aqui. Como repórter especial do iG, produzi mais de duas centenas de reportagens e críticas, no período, publicadas em páginas do Último Segundo, no Esporte e no Babado, com outros milhares de comentários.

Conheci os mais variados tipos de leitores. Alguns poucos, fiéis, passavam quase todo dia e deixavam algum sinal de sua presença. A maioria, eventual, aparecia em função dos variados temas que propus.

Conheci, e sou muito grato, a todos que vou simbolizar aqui na figura do “leitor-colaborador” – aquele que lê e, rapidamente, comunica um erro, lembra de algo que o autor esqueceu, sugere um link, recomenda algo que pode complementar o post.

Também quero agradecer muito ao “leitor-crítico” – todos aqueles que tiveram a paciência de apresentar idéias em contraste com as minhas, propor visões diferentes, questionar o meu ponto de vista, sugerir novos enfoques.

Aprendi muito, ainda, com o “leitor-tropa-de-choque”, que entrou neste blog para manifestar a sua revolta com as idéias do blogueiro e, mesmo num tom de voz alto, exaltado, me ajudou a entender como devo ter cuidado com o impacto das minhas palavras.

Sem demagogia, colhi lições até do “leitor-covarde”, a pior espécie que habita a Internet – aqueles sujeitos, protegidos pelo anonimato, especialistas em defender interesses escusos, ofender quem pensa diferente deles e alimentar o terror.

O curso sobre Internet que tive no período também contou com lições fundamentais dos meus generosos companheiros de trabalho, Caio Túlio Costa, Mario Vitor Santos, Alessandra Blanco, Mariana Castro, Gian Oddi e as dedicadas equipes do Último Segundo, iG Esporte e Babado. Desejo muito sucesso, a todos que permanecem, nesta nova fase do iG.

Como disse no início, creio que fui alfabetizado em matéria de Internet neste convívio diário, por um ano e meio, com os leitores. Sinto-me pronto para seguir adiante nesta mídia e convido, a quem se interessar, a acompanhar os próximos passos da jornada pelo meu Twitter.

Deixo-os na companhia de João Cabral. Obrigado.

A educação pela pedra

Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, freqüentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições da pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.

*
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse, não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.

Autor: - Categoria(s): Blog, Internet, jornalismo Tags: , , ,
26/11/2009 - 23:06

MTV desafia “CQC” a exibir erro de Luciano do Valle

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Quarta-feira, 22h50. Início do segundo tempo entre LDU e Fluminense. Com a palavra, Luciano do Valle: “Começa o segundo tempo, para você, desta final. Primeira partida da final da Copa Sul-Americana, que você acompanha com exclusividade aqui na Globo… Aqui na Bandeirantes, né? Que a Globo não está fazendo pra São Paulo, é bom que se saiba. Então, a Bandeirantes faz com exclusividade pra São Paulo”. E Neto tenta ajudar: “É com a gente aqui, pelo amor de Deus”. E Luciano completa: “E nós estamos ao lado do futebol brasileiro, ao lado do Fluminense, para todo o Brasil”.

Gafes e atos falhos acontecem. Quanto mais absurdos, mais engraçados. Para infelicidade de quem participa de transmissões ao vivo, hoje em dia existe o You Tube, implacável no registro dos erros e infelicidades das figuras da televisão.

E é justamente desta matéria-prima – os erros e os absurdos vistos na tevê, preservados pela Internet – que vários programas, da própria tevê, se alimentam. No Brasil, a lista de atrações que recorre a este expediente é imensa, de A a Z. Não espanta que, menos de 24 horas depois de cometido, na noite de quinta-feira, 26, o erro de Luciano do Valle já era visto num desses programas, o “Furo MTV”, apresentado pelo ator Bento Ribeiro.

Ele lembrou que um outro programa, o “CQC”, da Band, também acolhe, semanalmente, vídeos engraçados, no quadro “Top Five”. Abusado, aproveitou para provocar seus rivais: “Como o ‘CQC’ é chapa-branca, não vai mostrar…”… E exibiu a gafe do narrador de futebol da Band. O desafio está lançado… Aguardemos o “CQC” de segunda-feira.

Autor: - Categoria(s): Internet, televisão Tags: , , , , , , ,
24/11/2009 - 22:02

Crianças na cozinha

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New Yorker Food Edition 2
“E é assim que se faz um sanduíche de pasta de amendoim”

A edição anual dedicada à gastronomia da “New Yorker” (com data de 23 de novembro) abre com este cartoon de Tom Cheney sobre a aventura de duas crianças na cozinha. Uma das atrações do número é a ótima reportagem de John Colapinto sobre o guia Michelin. Pela primeira vez na história, o mítico guia deixou um repórter entrevistar e acompanhar o trabalho de um de seus inspetores. O texto sugere que a decisão de abrir este segredo deve-se à dificuldade do Michelin, cinco anos depois de entrar nos Estados Unidos, de se firmar no mercado de guias gastronômicos. A leitura da reportagem, com perdão da obviedade, é de dar água na boca – não apenas pela descrição da aventura gastronômica, mas pelo trabalho jornalístico.

Autor: - Categoria(s): Cultura, Internet Tags:
11/11/2009 - 17:27

Huck, invasão de privacidade e a capa das revistas

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No domingo, 8 de novembro, um dia depois de festejar o aniversário de dois anos do filho caçula, Luciano Huck descobriu que algum convidado da festa colocou na Internet uma foto do evento. O apresentador da Globo foi então ao Twitter para protestar contra o autor do vazamento e convocar seus seguidores a descobrirem e delatarem o culpado: “Domingão se recuperando da festa do nosso caçula. A propósito alguém sabe quem foi o deselegante que postou aqui 1 foto das crianças + bolo”

Com quase 1,4 milhão de seguidores, o campeão de audiência do Twitter no Brasil não teve dificuldade em localizar o “deselegante” convidado que tornou pública a sua privacidade e de sua família. Quinze minutos depois da primeira mensagem, Huck informou: “Obrigado turma, com as dicas, já encontramos o ‘twitter hospedeiro’ das fotos. Fazer o que, né?”.

contigo huck Quem HuckTrês dias depois, na quarta-feira, chegaram às bancas duas revistas que trazem em suas capas imagens da festa do filho de Luciano Huck e Angélica. Tanto as 12 páginas da “Contigo” quanto as três da “Quem” são ilustradas com fotos de João Miguel Junior, da TV Globo.

O que se depreende do episódio é que Huck não ficou indignado de ver uma imagem de sua intimidade na Internet, mas apenas irritou-se porque a indiscrição do convidado “deselegante” acabou com o ineditismo que prometera às revistas. Em outras palavras, parece que o problema de Huck não é a invasão de privacidade, mas o de controlar para quem vai oferecer os “flagrantes” da sua intimidade.

Autor: - Categoria(s): Colunismo social, Crônica, Internet Tags: , , , ,
05/11/2009 - 16:06

Verbete de Danilo Gentili na Wikipédia é alvo de disputa e manipulação

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Na manhã desta quinta-feira, o humorista Danilo Gentili anotou no Twitter, onde é seguido por 438 mil pessoas: “Wikipedia diz q sou ‘ator’. Apaguei pois não sou. Reescreveram. Algum idiota por ai acha q sabe + da minha vida do q eu.”

Intrigado com o assunto, entrei imediatamente no verbete dedicado a Gentili. Não constava mais qualquer referência ao problema apontado pelo humorista, mas algo me chamou a atenção. Na última linha do perfil, estava escrito: “PS: todo preto tem mania de perseguição”.

Dado o histórico de Gentili – há quatro meses causou polêmica ao fazer um comentário de cunho racista no Twitter –, imaginei que o tal “PS” foi acrescentado a seu perfil apenas por provocação. Imediatamente, anotei no Twitter: “Verbete de @danilogentili na Wikipedia termina com um PS: ‘Todo preto tem mania de perseguição’. Pegadinha?”.

Seis minutos depois, voltei ao perfil de Gentili na enciclopédia online e o “PS” já havia sido removido. No entanto, vários internautas me mandaram cópias da página onde aparece a frase. Numa prova evidente de como os perfis na Wikipédia são alvo de disputa, @ALuizCosta verificou: “O verbete sobre Danilo Gentili teve 35 edições e contraedições nos últimos 2 dias”, enviando o link que mostra esta estranha movimentação.

O episódio em si não é tão importante, mas reforça o justo coro daqueles que enxergam a Wikipédia com cautela e ceticismo. Trata-se de uma ferramenta útil, mas que não deve ser usada como fonte única nem última de informação.

Autor: - Categoria(s): Blog, Cultura, Internet Tags: , , ,
21/10/2009 - 10:39

Eu sou normal, eu estou no Twitter

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No intervalo de três dias, participei de dois debates em São Paulo sobre o Twitter. No primeiro, na Livraria Cultura, o professor José Luis Goldfarb contou que tuitou durante a defesa de uma tese de doutorado, na USP. No segundo, no MIS, o publicitário Michel Lent falou do prazer que sente ao ser reconhecido na rua como o “Lent do Twitter”.

Enquanto debatíamos no MIS, o jornalista William Bonner, editor-chefe e apresentador do “Jornal Nacional”, escrevia: “Hoje é o aniversário do meu triozinho. Quem quer que eu transmita os parabéns por favor diga EU!”. Um pouco antes disso, o jogador Kaká, um dos melhores do mundo, pedia: “Queria lançar para vocês a CAMPANHA WALLPAPER. Preciso de um wallpaper legal e criativo para colocar aqui no twitter!!”

No debate promovido pela produtora de diversão digital Pix, o psicólogo André Camargo foi convocado à mesa para tentar explicar o fenômeno. Não conseguiu. Um repórter da MTV pediu a Lent que definisse o Twitter em 140 caracteres. Ele também não conseguiu.

Wagner Martins, o Mr. Manson, saiu-se melhor. Para ele, o Twitter é um “papo de boteco” – uma definição em 14 caracteres. Pessoalmente, acho que é mais que isso, mas também não me julgo capaz de explicar o fenômeno.

Em resposta a um estudante da UNB, que há duas semanas me pediu para definir o Twitter em 140 caracteres (ô perguntinha original), escrevi: “O Twitter me parece ser uma ótima ferramenta para trocar informações relevantes, ouvir piadas novas e saber da irrelevância da vida alheia”.

Tenho consciência que não é uma definição que dá conta da complexidade desta ferramenta. Ao contrário, relendo hoje, vejo que a minha frase é pobre e ignora diferentes efeitos que o Twitter começa a provocar.

Fui convidado a participar destes dois debates porque nos últimos meses escrevi alguns textos sobre o Twitter. Relatei a hilária tentativa de Marcos Mion e amigos de convencer um ator americano a gritar “fora Sarney” (Ashton Kutcher dá lição de política a brasileiros no Twitter), levantei uma discussão sobre as primeiras iniciativas de promover propaganda disfarçada por aqui (Publicidade velada no Twitter causa polêmica) e narrei o famoso incidente que ocorreu com a apresentadora Xuxa (A desastrada aventura de Xuxa pelo Twitter ).

Ah, e como acaba de me lembrar @juhsuedde (pelo Twitter, é claro), antes disso eu havia feito a experiência de passar 24 horas tentando me comunicar com o mundo exclusivamente por meio da nova ferramenta (Um dia no Twitter).

Nenhum deste textos me transformou num especialista no Twitter, mas confesso ter muito interesse pelo assunto. Depois de pouco mais de um ano postando (e me divertindo), tenho muito mais dúvidas do que certezas. Um fenômeno, porém, me parece claro. O Twitter produz, num primeiro momento, um deslumbramento. É impossível não se deixar encantar pela velocidade e proximidade da “relação” que se estabelece com os seus seguidores.

Com o tempo, o usuário vai percebendo os limites e problemas desta relação. Alguns, como a Xuxa, tropeçam; outros, parecem entender melhor. Para quem tem a vocação e/ou a alma da publicidade e da auto-promoção, observo que parece ser mais difícil temperar o deslumbramento. São pessoas que acreditam, como Biz Stone, criador da ferramenta, que “o Twitter não é um triunfo da tecnologia, mas um triunfo da humanidade”. Lamento por estes.

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19/10/2009 - 15:53

Menino no balão: um “viral” que deu errado

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O caso do menino que (não) sumiu no balão permanece na mídia mesmo depois dos 15 minutos de fama obtidos pelos envolvidos. A razão é a perseguição legal aos pais do garoto, que possivelmente serão presos e processados por fraude.

A proliferação de boatos e notícias falsas ganhou grande impulso na era da Internet – e mais ainda nestes tempos de Twitter, em que a informação circula quase na velocidade da luz.

Na confusão instalada nos dias de hoje, misturam-se diferentes tipos de fraudes. Há de tudo, para todos os gostos, desde vídeos publicitários disfarçados até “informações” plantadas com o objetivo de prejudicar políticos, artistas ou jornalistas.

O caso do menino no balão se enquadra na categoria das mentiras que, em tese, não fazem mal a ninguém e, ao final, podem até ser engraçadas. Para usar a linguagem do meio, foi um “viral”.

Nesta categoria, conseguir disseminar um vídeo ou uma informação falsa na rede tornou-se motivo de glória para seus autores – normalmente publicitários ou humoristas profissionais, que vivem disso e divertem a audiência com seus “virais” e piadas.

Segundo a polícia, a história do balão teria sido pensada com o objetivo de chamar a atenção para a família e promover um futuro “reality show”. A ser verdade esta versão, não é difícil imaginar onde Richard e Mayumi Heene tiveram a ideia. A velocidade com que a história se disseminou, transformando-os em questão de horas em celebridades mundiais, mostra que pensaram corretamente.

O problema no caso, e esta é a lição que outros inventores de notícia devem tirar da história, é que o “sumiço” do menino colocou a engrenagem do Estado (polícia, bombeiros etc) em ação. Deixou de ser apenas uma brincadeira com o objetivo de chamar a atenção para se transformar num trote, que causou prejuízos a terceiros.

Em resumo, ninguém pode impedir você de lutar desesperadamente pelos seus 15 minutos de fama, mas você pode ser preso se envolver as pessoas erradas na brincadeira.

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07/10/2009 - 19:21

Paulo Coelho chega ao topo no Twitter “clonando Confúcio”

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Sem apelar a Ashton Kutcher ou contar com a ajuda de qualquer campanha, o escritor Paulo Coelho emplacou nesta quarta-feira uma expressão de sua autoria – “Cloning Confucius” (“Clonando Confúcio”) – como um dos assuntos mais falados no Twitter (os chamados “Trending Topics”).

Como vem fazendo quase que diariamente já há dois meses, Coelho publicou em sua página, em inglês (às vezes, também escreve em português), uma frase curta, inspirada em um ditado popular. A frase desta quarta-feira dizia: “Quando você está certo, ninguém lembra. Quando você se engana, ninguém esquece”.

A frase agradou aos seus seguidores (hoje na casa dos 150 mil) e foi muito retuitada. Por volta das 17hs (horário do Brasil), o escritor anunciou, eufórico, no Twitter: “I created my CLONING CONFUCIUS two months ago, today it is in the Trending Topics! Thanks to all my followers!”

“Pílulas de sabedoria”, as frases de Paulo Coelho da série “Clonando Confúcio” versam sobre assuntos variados. Na terça-feira, por exemplo, escreveu: “Perdoe seus inimigos; é a coisa que mais os enlouquece.” Um dia antes mandou: “Esqueça o orador, e preste atenção no que é dito”. Ou, ainda, escreveu na sexta-feira: “Experiência é o pente que a vida nos dá quando já estamos carecas”.

O escritor afirma ter batizado a série com o nome de Confúcio por conta da dimensão política das reflexões do pensador chinês: “Confúcio era um personagem que estava mais comprometido com política do que qualquer outra coisa, e achei que seria bom usá-lo. No fundo todas as frases do ‘clone’ nada tem de espiritual”, disse ao blog.

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07/10/2009 - 11:46

A hipermnésia e o Facebook

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Apenas três ou quatro pessoas no mundo sofrem deste estranho e cruel transtorno da memória, a hipermnésia. Segundo o neurobiologista James L. McGaugh, que estudou o fenômeno, trata-se de uma síndrome que leva as pessoas a terem uma memória perfeita, ou seja, guardam involuntariamente todos os detalhes da sua vida. Nada se apaga, nada se esquece. Um tormento. Por sorte, as possibilidades de sofrer desta síndrome são irrisórias.

O problema, escreve a publicitária e romancista Emma Riverola, no diário “El País”, é que hoje em dia estamos sujeitos a ser lembrados involuntariamente de passagens de nossas vidas que estavam completamente esquecidas, e que não queríamos mais recordar, em ambientes compartilhados por milhões de pessoas.

A rede social é o local exemplar, na avaliação da autora, deste fenômeno. Este ataque repentino de memória ocorre, normalmente, pela mão de alguém tão inocente quanto um antigo colega de escola, a namorada da infância ou o colega do acampamento de 1981 que nos localizou no Facebook. Escreve Riverola:

“A vida é evolução. Todos nós temos o direito de mudar, de nos contradizer, de fazer quantas viagens ideológicas quisermos e de defender, em qualquer momento, o nosso modo de pensar e agir. A diferença é que essa evolução, até agora, era um périplo interior. Um trajeto que, às vezes, compartilhávamos com outras pessoas. Companheiros de aventuras que o acaso da travessia obrigava a nos separar em diferentes estações, em função do destino escolhido por cada um. Agora, Facebook, Twitter, Tuenti e outras redes sociais estão convertendo este desenvolvimento pessoal em um cruzeiro de massas”.

A íntegra do artigo de Emma Riverola, em espanhol, pode ser lida aqui . Ela não é contra as redes sociais, mas lembra que “a solidão também é uma fonte de riqueza em nossas vidas. Rende uma boa discussão, acredito.

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16/09/2009 - 20:20

Ela procura o pai do filho no You Tube. Será verdade?

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Ela apresenta-se como Karen e, com um bebê no colo, chamado August, dirige-se ao público, informando que é dinamarquesa e diz: “Estou fazendo esse vídeo porque estou tentando encontrar o pai de August”. E conta a história de como, meio bêbada, tropeçou em um estrangeiro nas ruas de Copenhague, começaram a conversar e acabaram a noite juntos.

De manhã, quando acordou, prossegue Karen, ela não encontrou o sujeito ao seu lado. Não se lembra do nome nem da nacionalidade dele. Não faz idéia alguma de quem seja. Por isso, pede a quem assiste o vídeo, caso tenha alguma pista, que a ajude.

Em questão de dias, o vídeo postado no You Tube e chamado “Danish mother seeking” foi visto por mais de um milhão de pessoas em 150 países. O link do vídeo apontava para um site, em que inúmeras fotos da loirinha com seu bebê eram exibidas. O caso explodiu, com direito a reportagens na mídia dinamarquesa e estrangeira.

Logo surgiram dúvidas se o vídeo contava uma história verdadeira ou era uma peça de marketing – o chamado marketing viral – financiado por uma marca de preservativos. Dois dias atrás, o diário “Politiken” informou que o vídeo era parte de uma campanha publicitária do Visit Denmark, o órgão oficial de turismo do país.

Segundo o presidente do órgão, a intenção era propor uma imagem positiva do país e “gerar um buzz”, um assunto, na mídia mundial sobre a Dinamarca. Não passou pela cabeça dele, disse, que o vídeo pudesse ofender pessoas mais sensíveis ao também sugerir que um dos encantos da Dinamarca é a possibilidade de encontrar lindas garotas para uma agradável noite de amor.

Ao perceber a mancada, o Visit Denmark retirou o vídeo do ar, mas inúmeras cópias podem ser encontradas no You Tube. Ficou mal para o órgão, mas a Dinamarca caiu na boca do povo – como eles sonhavam.

Na Internet blogueiros discutem as razões do fracasso deste viral. Não é o primeiro, nem será o último. O sonho de todo publicitário parece ser emplacar um viral na grande rede. Para quem não é do ramo, só resta permanecer alerta e reticente. Parodiando o célebre ditado futebolístico, não tem mais bobo na Internet.

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08/09/2009 - 12:18

Luciano Huck soletrou errado. E não gostou de ser corrigido

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Expostas como nunca no Twitter, as celebridades nacionais estão sofrendo na mão dos fãs que acompanham seus comentários com lupa e não perdoam seus erros. Depois de Xuxa dar show (ou “xou”, se preferirem) de falta de intimidade com a língua portuguesa, a vítima da vez é Luciano Huck. De Toronto, no Canadá, em pleno 7 de setembro, o apresentador não resistiu e mandou ver no Twitter:

“No Brasilian Day em Toronto, muita gente!!! Se fosse em SP, seria a Praça da República lotada!!! Brasucada morrendo de saudades de casa.”

A apresentadora Rosana Hermann foi uma das primeiras a notar o errinho (“brasilian” com “s” e não com “z”) e escreveu no Twitter: “O @huckluciano pode escrever ‘brasilian’ que ninguém briga  #TadinhaDaSasha”

Outros leitores também fizeram piada, sugerindo a Huck melhorar o seu inglês (“improve your english!!!”) e elogiando o novo estilo do apresentador (“BRASILIAN I like it the new style”). Também houve quem pedisse: “ou escreve em português ou em inglês”.

Teria sido um episódio de menor importância não fosse a surpreendente reação de Huck às críticas e ironias. Menos de uma hora depois de soletrar a palavra “brazilian” com erro, o apresentador escreveu, furioso:

“BraZilian Day porr…nenhuma! Vou continuar escrevendo BraSilian Day! Sou braSileiro! Melhor, vou começar a escrever o Dia do Brasil. Pronto.”

Um leitor, gaiato, percebeu o novo erro do apresentador e observou: “Melhor seria Dia do Brasileiro” (ou Dia Brasileiro). Já @eversonu2cover, observou: “hahahahaha… então escreve BRASILIAN DEI… não seja Xuxa, diga q se enganou e pronto”. E @chapeleiro foi direto ao ponto: “em breve teremos o @huckluciano ‘Vocês não merecem falar comigo, nem com minha Angélica!’”

Sem jogo de cintura e bom humor, as celebridades continuarão a sofrer no Twitter.

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02/09/2009 - 11:14

Twitter: uma boa piada por dia

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Não acompanho o Twitter em outros países, mas no Brasil noto uma tendência interessante: os melhores assuntos do dia sempre viram piada. Não que assuntos sérios não prosperem e rendam boas discussões, mas quanto maior o potencial humorístico do tema em pauta, mais ele gera comentários.

Talvez seja coincidência, mas o ranking de popularidade do Twitter mostra, entre os 100 perfis com mais seguidores, muita gente que ganha a vida fazendo humor na tevê, como o pessoal do CQC, do Pânico e do Casseta & Planeta. Também são muito populares os perfis de humoristas consagrados em outras mídias, como Millôr Fernandes (imprensa), KibeLoco (blog) e Pretinho Básico (rádio). E estão igualmente no top 100 do Twitter brasileiro perfis protegidos por pseudônimos, como Christian Pior e O Criador, que fazem piada de tudo.

Influenciados por esses humoristas, ou não, há toda uma turma no Twitter (impossível citar todos) que prefere perder o seguidor a perder a piada. Politicamente incorretos, não deixam pedra sobre pedra. Às vezes, tenho a sensação que os usuários disputam uma competição pela melhor piada. Nos últimos dias, quem anda pelo Twitter riu muito da Xuxa, do Belchior, da Vanuza, do Fluminense…  

Nem todo mundo gosta, é verdade. As piadas sobre Rubinho Barrichello, já reparei, fazem muito sucesso, mas sempre geram protestos. No dia em que escrevi uma gracinha sobre Belchior, em pouco mais de 15 minutos perdi seis seguidores, possivelmente ofendidos – ou irritados com a falta de graça do meu comentário.

Na terça-feira, 1º de setembro, o assunto que mais gerou piadas no Twitter foi a pane no Gmail. Problema grave para milhares de usuários do serviço, o e-mail do Google foi tema de muitas piadas – algumas ótimas, outras nem tanto. A melhor de todas, enviada por @danilocorci, era uma que dizia: “Google avisa que, como era versão beta, o gmail foi descontinuado” e deixava um link para ser clicado. Quem se arriscava topava com uma foto de Sergio Malandro e a legenda: “Hahahaha. Pegadinha do Malandro”. Também ri com a piada enviada pelo perfil da @revistamad: “Maldito gmail! Se fosse bom, não era de graça!” E com a piada de @ivanadriel, inspirada na frase que Xuxa tornou famosa: “google says: vocês não merecem falar com meu anjo”.

Se o Twitter, de fato, expressa uma espécie de sistema nervoso, capaz de medir o pulso dos interesses dos seus seguidores, tenho a impressão que essa predileção pelo humor seja mais do que falta do que fazer, como criticam algumas pessoas. Gostaria, realmente, de saber como é em outros países, mas arrisco dizer que essa mania de fazer piada de qualquer assunto seja um traço distintivo do Twitter brasileiro.

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29/08/2009 - 12:34

Xuxa tenta passar borracha no “show do Twitter”

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Para quem acompanha o permanente esforço feito por Xuxa no sentido de reescrever sua biografia e lapidar sua imagem, o fato mais significativo da confusão envolvendo sua passagem pelo Twitter não foi o palavrão que soltou, mas a borracha que passou em seguida, apagando duas anotações importantes feitas no calor da hora.

Ainda na noite de terça-feira, 25, depois de discutir com os fãs que a ofenderam, Xuxa tirou do ar a mensagem de Sasha, que deu início ao imbróglio. A filha da apresentadora, de 11 anos, havia cometido um erro banal de português, trocando o “c” pelo “s” ao escrever a palavra “cena: “Sou eu Sasha. Estou aqui filmando e vai ser um ótimo filme. Tenho que ir… Vou fazer uma sena com a cobra”.

Na esteira da repercussão do episódio, que tomou conta da Internet na quarta-feira, 26, Xuxa tomou duas atitudes. Em primeiro lugar, avisou, pela imprensa, que ia “dar um tempo” do Twitter. Mais importante – sem avisar ninguém, porém – apagou uma segunda mensagem que escreveu durante a briga com os fãs, justamente a observação mais agressiva, que dizia: “pra quem não sabe minha filha foi alfabetizada em inglês, vou pensar muito em colocar ela pra falar com vcs, ela não merece ouvir certas m…”

Quem abre agora a página de Xuxa no Twitter não conseguirá entender o que, de fato, aconteceu. Ali se encontra apenas um breve traço da confusão – a última mensagem que a apresentadora publicou: “fui vcs não merecem falar comigo nem com meu anjo”.

Outro sinal de que alguma se passou no Twitter de Xuxa é o número de pessoas que a seguem. Ao longo dos 23 dias que escreveu no serviço, a apresentadora atraiu 72 mil seguidores. Desde que abandonou os fãs, chateada, há quatro dias, outras 30 mil pessoas decidiram seguir o perfil por ora inativo.

Acho que a repercussão do episódio está ligada, portanto, menos ao prazer de ver a “derrapada” de uma celebridade, mas à possibilidade de acompanhar, em tempo real, uma rápida fissura em sua imagem pública. Uma imagem, como se sabe, construída à base de muita borracha e sabão, no esforço de higienização contra fatos e fotos que mostram outras facetas da rainha dos baixinhos.

Como em outros casos, o registro da confusão no Twitter ficará como uma lembrança difusa de que Xuxa tem alguma coisa para esconder, mas não sabemos bem o que é, nem por que ela faz isso.

Em tempo: O texto que publiquei na manhã de quarta-feira, 26, aqui no blog, A desastrada aventura de Xuxa pelo Twitter, alcançou uma repercussão inédita. Graças ao WordPress, que notifica quando algum post é linkado em outro blog, soube que há links dele em 32 blogs. Agradeço a todos. 

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26/08/2009 - 10:51

A desastrada aventura de Xuxa pelo Twitter

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Na segunda-feira, 3 de agosto, 23 dias atrás, Xuxa Meneghel começou a brincar no Twitter. Atraída pela nova mídia, mas sem traquejo, logo estava digitando suas mensagens em caixa alta, como esta, comentando convite recebido de Zeca Pagodinho: “ZECA CHAMOU PRA IR A XEREM. E ELE JA SABE EU NAO BEBO, NAO FUMO E NAO COMO CHURRASCO, MAS FICO COM AS CRIANÇAS. TIPO BABÁ.VOU AMAR XEREM.”

Os fãs digitalmente mais alfabetizados logo informaram a Xuxa que escrever em caixa alta equivale a gritar. Assim, depois de pouco mais de duas semanas no Twitter, a apresentadora foi obrigada a se explicar pela primeira vez: “EU NÃO ESTOU GRITANDO, NEM QUERO SER MAL EDUCADA, GALERA. SEMPRE QUE ESCREVO NO COMPUTADOR, ESCREVO ASSIM. É O MEU JEITINHO!”

Como muitas celebridades já perceberam, o Twitter permite um contato inédito com o fã. As mensagens alcançam o usuário, e são lidas, independentemente da sua disposição para respondê-las. Xuxa deu um primeiro sinal de que não estava acostumada com esse novo tipo de assédio na segunda-feira, 24. Em meio a outras tuitadas, desabafou: “PÔ PAREM DE CRITICAR”.

Nesse mesmo dia, mais uma vez, se viu obrigada a se explicar com os fãs, que já somam 72 mil seguidores: “OUTRA COISA , NÃO FIQUEM TRISTE POR EU NÃO RESPONDER TUDO EU FICO DOIDINHA , VOU APRENDER AOS POUCOS TÁ”. Desajeitada com a língua portuguesa, como pode-se notar, ela tentou se corrigir em seguida, mais uma vez tropeçando na gramática e na ortografia: “OPS , ESCREVI SEM LER SAIU ERROS DE PORTUGUES”.

Chateada com as críticas ao seu “jeitinho” de escrever, Xuxa passou a digitar as suas mensagens em caixa  baixa, como todos os demais usuários do serviço. Mas deixou claro que não gostou das críticas: “eu adoro esse jeitinho, mas falaram tanta coisa feia q tô eu aqui de igual prá igual”.

Em seu último dia no Twitter, na terça-feira, 25 de agosto, Xuxa avisou que estava tuitando do set de filmagens de “Xuxa e o Mistério de Feiurinha”. Informou que Sasha estava participando das filmagens e relatou que iria trabalhar até de madrugada. Depois contou que o filme tem Hebe Camargo no papel de sogra e Angélica como cunhada, além de Fafi Siqueira, Alexandra Richter e Bruna Marquezine no papel de bruxas.

O caldo entornou já de noite, depois de Xuxa avisar: “sasha filmou com um bode e agora vai filmar com uma cobra”. Na sequência, a filha da apresentadora escreveu: “Sou eu Sasha. Estou aqui filmando e vai ser um ótimo filme. Tenho que ir… Vou fazer uma sena com a cobra”.

Os fãs de Xuxa logo começaram a fazer observações sobre o erro de ortografia cometido pela menina de 11 anos (“sena” no lugar de “cena”). Magoada, a apresentadora reagiu com um palavrão: “pra quem não sabe minha filha foi alfabetizada em inglês, vou pensar muito em colocar ela pra falar com vcs, ela não merece ouvir certas m…”

Como as críticas e ironias não cessaram, Xuxa, muito irritada, encerrou seu dia no Twitter com um desabafo: “fui vcs não merecem falar comigo nem com meu anjo”. E, como observou Lu Lacerda, às 2h50 da manhã, eliminou a mensagem com erro da filha.

Naturalmente, o erro de Sasha e a reação de Xuxa ganharam as páginas com velocidade. Na manhã de quarta-feira, a palavra “Xuxa” estava entre as dez mais mencionadas por brasileiros no Twitter. E as mensagens que ela escreveu na noite anterior estavam entre as três mais reenviadas (retuitadas) por outros usuários.

Wagner Martins, o Mr. Manson, criador do célebre blog Cocadaboa, foi quem talvez resumiu melhor a nova situação: “Celebridades no Twitter tornaram possível um sonho de infância: xingar a TV. E ser ouvido. Obrigado Internets.” Xuxa, com certeza, não se esquecerá desta lição.

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21/08/2009 - 15:50

Desenhando um gráfico sobre publicidade no Twitter

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Não sou expert em mídias sociais, muito pelo contrário, sou um outsider da velha mídia recém-chegado a este mundo, mas fui capaz de entender que um dos maiores atrativos do Twitter é a troca de sugestões de leituras.

Por conta disso, acabei descobrindo que havia alguma coisa estranha no meio de algumas recomendações que estava recebendo. Resolvi investigar e o resultado da apuração foi publicado na quarta-feira, 19 de agosto, no Último Segundo, com o título Publicidade velada no Twitter causa polêmica.

A matéria teve enorme repercussão no próprio Twitter, provocando muitos comentários, elogios, sugestões e críticas. Alguns dos personagens citados reagiram ofendidos, sugerindo que não fui correto na apuração do texto e na abordagem. Fiquei com a impressão que muita gente não entendeu direito o ponto central que abordei. Vou tentar ser mais didático aqui.

Acompanhe meu raciocínio:

1. Ao recomendar um link aos seus seguidores, você está querendo partilhar alguma leitura, imagem, desenho ou vídeo que, do seu ponto de vista, merece ser apreciado por outras pessoas.

2. As pessoas que apreciarem a sua indicação podem reenviá-la para as suas próprias listas de seguidores, alimentando um ciclo de envio e reenvio sem fim, que é um dos fenômenos mais interessantes do Twitter.

3. Quanto mais legal for a recomendação que você faz, maior a chance de produzir esse ciclo e, em consequência, de ganhar novos seguidores.

4. Quanto maior o número de seguidores que você tem, maior a influência que você exerce na rede. Não é, portanto, um trabalho sem recompensa. Você pode até fazer tudo isso desinteressadamente, mas algo você vai ganhar em troca. Os especialistas falam em “prestígio” e “relevância” no esforço de definir o que você ganha no Twitter. 

5. Visualize o gráfico: quanto mais gente vê as suas recomendações, maior a chance de ela ser difundida. É uma curva que aponta para o céu.

6. Trata-se, portanto, de uma relação que se estabelece com base na confiança, não importa o grau de notoriedade e fama de quem faz a recomendação.

7. O seu seguidor te segue porque gosta das recomendações que você faz e, mais que isso, sente-se bem podendo enviar para os seus próprios seguidores as dicas que você dá.

8. Vamos imaginar agora o seguinte exemplo fictício: você recomenda a seus seguidores que vejam um vídeo de uma briga entre dois anões. É uma “treta” divertidíssima. Você adora o vídeo e acha que seus seguidores merecem se divertir tanto quanto você.

9. Só que, além de ser divertido, você também indicou este vídeo porque viu nele uma boa oportunidade de divulgar a palavra que marca a campanha publicitária de um determinado biscoito. Não por coincidência, a fabricante deste biscoito está te pagando para fazer recomendações como essa no Twitter.

10. Imagine que, talvez, entre os seus seguidores e os seguidores dos seguidores que receberão essa indicação e a farão circular pela rede, haja alguém que não saiba que você está recebendo dinheiro para fazer isso.

11. Quando este alguém, desinformado, descobrir que a pessoa que lhe recomendeu a “treta” de anões estava ganhando dinheiro para fazer isso, o que ela pensará? Você acha exagero imaginar que este leitor desinformado se sinta enganado?

Como disse, sou um recém-chegado neste novo mundo. No velho mundo, de onde venho, isso é crime de lesa confiança. Passar a impressão de que a recomendação da “treta” de anões enquadra-se na mesma categoria que todas as outras indicações que você faz, nesse mundo, chama-se publicidade velada, tentativa de disfarçar proposta de consumo no meio de informação.

Alguns participantes da campanha, bem-intencionados, avisaram em seus blogs que estariam ganhando dinheiro para indicar links no Twitter. Outros argumentaram que a campanha é tão transparente que o nome de todos está no site do fabricante de biscoito. Não quero magoar ninguém aqui, mas isso é a mesma coisa que colocar na sala um aviso de que é proibido fumar em todo o apartamento e fumar escondido no quarto.

A questão central é que credibilidade se constrói com transparência. Não que a velha mídia esteja livre da publicidade velada. Muito pelo contrário. Há, é lógico, muitos comunicadores que ficaram famosos e ricos misturando informação com publicidade, fazendo anúncio disfarçado, até jogando dinheiro para o público. Mas, e aqui eu encerro este texto, popularidade não deve ser confundida com credibilidade. Quem quiser vender biscoito no Twitter, fingindo que está passando links legais para seus leitores, fique à vontade, mas não espere ser respeitado.

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