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Arquivo da Categoria jornalismo

11/12/2009 - 11:58

A educação pelo leitor

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Depois de um ano e meio, estou deixando o iG, onde fui alfabetizado em matéria de Internet, em direção a um novo desafio profissional. Roubo de um dos mais famosos poemas de João Cabral de Mello, “A Educação pela Pedra”, o título deste texto com que pretendo me despedir dos leitores deste blog.

Porque, se João Cabral extraiu da pedra a dicção de sua poesia, posso afirmar que descobri, no contato diário com os leitores, uma dimensão do jornalismo que teimei muitos anos em ignorar.

Escrevi, até esta sexta-feira, 538 textos para o blog e colhi 29.919 comentários a respeito do que foi publicado aqui. Como repórter especial do iG, produzi mais de duas centenas de reportagens e críticas, no período, publicadas em páginas do Último Segundo, no Esporte e no Babado, com outros milhares de comentários.

Conheci os mais variados tipos de leitores. Alguns poucos, fiéis, passavam quase todo dia e deixavam algum sinal de sua presença. A maioria, eventual, aparecia em função dos variados temas que propus.

Conheci, e sou muito grato, a todos que vou simbolizar aqui na figura do “leitor-colaborador” – aquele que lê e, rapidamente, comunica um erro, lembra de algo que o autor esqueceu, sugere um link, recomenda algo que pode complementar o post.

Também quero agradecer muito ao “leitor-crítico” – todos aqueles que tiveram a paciência de apresentar idéias em contraste com as minhas, propor visões diferentes, questionar o meu ponto de vista, sugerir novos enfoques.

Aprendi muito, ainda, com o “leitor-tropa-de-choque”, que entrou neste blog para manifestar a sua revolta com as idéias do blogueiro e, mesmo num tom de voz alto, exaltado, me ajudou a entender como devo ter cuidado com o impacto das minhas palavras.

Sem demagogia, colhi lições até do “leitor-covarde”, a pior espécie que habita a Internet – aqueles sujeitos, protegidos pelo anonimato, especialistas em defender interesses escusos, ofender quem pensa diferente deles e alimentar o terror.

O curso sobre Internet que tive no período também contou com lições fundamentais dos meus generosos companheiros de trabalho, Caio Túlio Costa, Mario Vitor Santos, Alessandra Blanco, Mariana Castro, Gian Oddi e as dedicadas equipes do Último Segundo, iG Esporte e Babado. Desejo muito sucesso, a todos que permanecem, nesta nova fase do iG.

Como disse no início, creio que fui alfabetizado em matéria de Internet neste convívio diário, por um ano e meio, com os leitores. Sinto-me pronto para seguir adiante nesta mídia e convido, a quem se interessar, a acompanhar os próximos passos da jornada pelo meu Twitter.

Deixo-os na companhia de João Cabral. Obrigado.

A educação pela pedra

Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, freqüentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições da pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.

*
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse, não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.

Autor: - Categoria(s): Blog, Internet, jornalismo Tags: , , ,
02/12/2009 - 19:05

Carta em jornal mostra que “Casseta & Planeta” pega leve com Lula

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Uma frase muito repetida de Millôr Fernandes diz que só existe imprensa de oposição – “o resto é armazém de secos e molhados”. O mesmo pode-se dizer, e com muito mais ênfase ainda, a respeito do humor. Não existe humor a favor. O humor é, por natureza, do contra, de oposição.

Mesmo sabendo disso, creio que muita gente se espantou com a carta que Marcelo Madureira, um dos integrantes do grupo “Casseta & Planeta”, enviou à “Folha de S.Paulo” no sábado, 28 de novembro. A propósito de comentar o artigo que Cesar Benjamin publicou no jornal, Marcelo escreveu:

“Em tempos de unanimidades, bajulação, mentiras, censuras veladas e neoperonismos, o corajoso e sensível depoimento de César Benjamin só vem confirmar aquilo de que eu já desconfiava havia muito tempo: que o Brasil está sendo governado por um bando de cafajestes sem escrúpulos. E o que é pior: recebem indenizações pelas suas cafajestadas. Parabéns a César Benjamin e a esta Folha.”

Não sei se o jornal recebeu muitas cartas comentando a opinião de Marcelo, mas nesta quarta-feira, dia 2, saiu a mensagem de um leitor, Washington Luiz de Araújo, incomodado com o que leu na seção de cartas. Diz o texto:

“Até para fazer humorismo as pessoas precisam ser sérias, isentas. Mas há os que confundem personagem fictício com real. É o caso de Marcelo Madureira, do ‘Casseta e Planeta’. O ator não foi nada sério ao abordar o lamentável artigo de César Benjamin. Com que isenção vou assistir ao programa humorístico sabendo que um de seus produtores e atores traz na alma tanto veneno, acreditando numa coisa descabida sem aguardar pela constatação dos fatos?”

Pensando no “Casseta & Planeta” em retrospectiva, e nas piadas que ele faz com Lula, não acho que seja muito diferente da forma como o programa já tratou outros presidentes – lembro, sobretudo, de Fernando Henrique e Itamar Franco. Lendo a carta de Marcelo Madureira, posso imaginar que, dependendo dele, a visão que o programa apresenta de Lula é muito amena.

Autor: - Categoria(s): Brasil, jornalismo, televisão Tags:
01/12/2009 - 10:40

“CQC” morde a isca da MTV e explica Top 5 sem Luciano do Valle

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A gafe do narrador Luciano do Valle, que anunciou no microfone da Band estar transmitindo uma partida com exclusividade “aqui na Globo”, continua rendendo. Na quinta-feira, 26 de novembro, como contei aqui no blog, o programa “Furo MTV” desafiou o “CQC” a exibir o vídeo no famoso quadro Top 5. “Como o ‘CQC’ é chapa-branca, não vai mostrar…”, provocou o apresentador Bento Ribeiro, antes de exibir o vídeo na MTV.

E não é que o “CQC” mordeu a isca? O programa da Band, nesta segunda-feira, 30 de novembro, não mostrou o famoso vídeo, mas tratou abertamente do assunto e, de quebra, ainda fez piada com a MTV.

Em quinto lugar no Top 5, Marcelo Tas apresentou um trecho do programa “Podsex”, na qual as duas apresentadoras (“aquelas delicinhas da MTV”, explicou) relatam, com constrangimento, um caso de sexo anal ocorrido involuntariamente.

Na sequência, antes de apresentar o quarto vídeo, Tas fala: “Para compensar essa coisa chula, uma coisa muito refinada que surgiu aqui na Band. Aliás, a gente ia colocar o Luciano do Valle falando que chamou a Globo ao invés da Band, mas o Luciano do Valle ficou lá para trás porque veio ele, o nosso lorde, o lorde inglês desta casa, José Luis Datenão”. E segue um vídeo, sem graça nenhuma, na minha opinião, no qual o apresentador Datena reclama que uma entrevistada “não para de falar” e manda cortar a entrevista no meio.

Autor: - Categoria(s): jornalismo, televisão Tags: , , , , , ,
19/11/2009 - 13:20

Rivalidade entre Rio e SP no futebol está de volta

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O sempre sensato e elegante Lédio Carmona, comentarista do SporTV, escreveu em seu Twitter na quinta-feira: “O futebol, como um todo, está fora do tom. Discursos e atitudes raivosas por todos os lados. Me confesso assustado com tudo isso.”

Creio que Lédio referia-se, especificamente, à briga entre dois jogadores do Palmeiras, no intervalo da partida contra o Grêmio, mas também a uma série de outros episódios recentes. “Rivalidade e acirramento é uma coisa. Mas a sociedade do futebol está passando do ponto. Pensem nisso”, escreveu. E ainda: “A sociedade da bola é totalmente IN: Insensata, Intolerante, Invasiva, Insana, Insuportável…”

Todos nós, apaixonados por futebol, temos o hábito de exigir “profissionalismo” dos atores envolvidos neste mundo – jogadores, técnicos, dirigentes, árbitros e mesmo comentaristas. Por trás desta cobrança está a idéia de que todas essas figuras são remuneradas, logo, tem obrigações, deveres e compromissos.

Assim como exigimos conhecimento do médico que nos atende, educação do caixa no banco e pontualidade na entrega da loja, esperamos que o jogador do nosso time seja eficiente em campo, dentro da posição que é escalado, que o dirigente defenda o nosso clube da melhor forma possível, que o árbitro domine as regras do esporte e que o jornalista esportivo seja isento.

O problema todo é conciliar as nossas exigências com a paixão. Nisso, o esporte se diferencia de todas as outras atividades. Ninguém tolera um juiz ladrão, mas você já viu algum torcedor reclamar quando o próprio time é beneficiado por erro de arbitragem? Torcedor odeia cartola corrupto, mas se a ação dele, nos bastidores, ajudar o seu time, você é capaz até de votar no sujeito para deputado federal nas próximas eleições.

Para piorar, muitos dos atores envolvidos no mundo do futebol, apesar de profissionais, também não conseguem controlar sua paixão. Brigas entre jogadores do mesmo time, brigas entre dirigentes esportivos, acusações variadas e teorias da conspiração prosperam no momento em que o Brasileiro se aproxima do fim com um grau de competição nunca visto antes, tanto no alto quanto no fim da tabela.

Os ânimos de todos os envolvidos parecem mais exaltados do que nunca. E dentro dessa confusão toda, reaparece um elemento que andava adormecido – a rivalidade entre Rio e São Paulo. Muito por culpa do desempenho pífio dos times cariocas nos últimos anos, esse bairrismo andava sumido do teatro das paixões do futebol. Mas voltou com tudo nas últimas semanas, em função do bom momento do Flamengo. Infelizmente, prevejo ainda muita baixaria até o final do campeonato.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , ,
11/11/2009 - 13:01

Record briga ao vivo com a Globo por entrevista

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Uma repórter da Rede Record tentou invadir uma área reservada onde o secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia aguardava para dar uma entrevista à Rede Globo, na manhã desta quarta-feira, em Brasília.

A cena, muito incomum, foi ao ar no programa “Hoje em Dia”, da Record. Marcio Zimmermann havia se comprometido a falar com a emissora, ao vivo, depois que desse uma entrevista à Globo, que também seria exibida ao vivo.

O apresentador do programa, Celso Zucatelli, reclama que a Globo está “segurando” o secretário “propositalmente” e pede para a repórter Venina Nunes “insistir” na entrevista com Zimmermann. Constrangida, a repórter reconhece que “é falta de ética tentar atrapalhar o trabalho dos outros”, mas dirige-se mesmo assim à área onde a repórter da Globo prepara-se para entrevistar o secretário.

Ao tentar, então, fazer a sua entrevista, Venina Nunes é confrontada por uma repórter da Globo e pelo assessor de imprensa de Zimmermann. Este último afirma que a repórter da Record está invadindo a área da concorrente e que deve aguardar a sua vez.

Horas depois do incidente, a própria Record divulgou em seu portal o vídeo que mostra a briga.

Autor: - Categoria(s): jornalismo, televisão Tags: , , ,
09/11/2009 - 10:48

Repórter deve avisar ao entrevistado que ele está falando besteira?

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A entrevista do repórter Thiago Salata, do “Lance!”, com o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, “horas depois” de encerrada a partida contra o Fluminense, no domingo, levanta uma questão importante, que interessa de perto a qualquer jornalista: cabe a um repórter advertir o seu entrevistado que ele está falando o que não deve, mesmo sob o risco de perder a melhor parte da matéria?

Irritado com o erro grosseiro cometido por Carlos Eugenio Simon, que anulou um gol de Obina no primeiro tempo da partida, Belluzzo ofende o árbitro na entrevista e afirma que ele estava “na gaveta de alguém”, ou seja, foi comprado.

Em dois momentos, durante os 15 minutos em que conversou com Belluzzo, Salata adverte: “Vou publicar tudo que você está falando”. Antes, ainda havia chamado a atenção do dirigente: “Presidente, sinceramente, nunca o vi tão alterado”.

Entendo que Salata agiu corretamente. Entrevistou Belluzzo num momento em que o presidente do Palmeiras estava emocionalmente abalado, mas deu a ele diversas chances de repensar sobre as suas declarações. Na minha opinião, há algumas situações em que o entrevistado deveria ter a chance de voltar atrás em declarações, especialmente quanto podem resultar em danos para si próprio.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , ,
18/09/2009 - 14:09

A economia no mundo real

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Além do diploma de jornalismo, sou também formado em economia, como já escrevi aqui no blog, mas nunca, curiosamente, pratiquei jornalismo econômico.

Fiz matérias de economia, eventualmente, nos diferentes locais onde trabalhei, mas confesso que nunca tive gosto, realmente, pela coisa. Esta semana, curiosamente, fiz duas reportagens ligadas ao universo econômico. Em ambas, fui encarregado de tentar dar alguma cor, alguma vida, à realidade dos números.

No primeiro caso, um especial do Último Segundo sobre o aniversário de um ano da crise financeira global, parti pela Avenida Paulista procurando a crise. Em meio a diferentes histórias e visões sobre este período, tropecei numa mulher descalça, gritando diante de uma farmácia: “Vocês vão vender pra mim um Lexotan?”. Ao me ver com o bloco de anotações na mão, ela gritou: “Nem todo mundo aqui rouba carro”. Acho que a materia valeu por esta história.

No segundo caso, a divulgação dos dados da PNAD 2008, saí pelo bairro do Bom Retiro em busca de pessoas que reunissem as principais características do “brasileiro médio” que emerge da pesquisa. Encontrei, por acaso, a pernambucana Rizoan Vieira de Moura, vendedora numa loja no bairro, cuja história me comoveu. “Há dois anos não tinha nada, nada, nada. Nada mesmo. Nem lugar para dormir”, ela me disse.

Autor: - Categoria(s): Brasil, jornalismo Tags: , , ,
18/09/2009 - 11:14

“Os decepcionaldinhos”, Freud do Cariri e as crianças

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O grande Xico Sá, jornalista de múltiplos talentos, cunhou na “Folha” desta sexta-feira uma expressão genial para se referir aos torcedores que perseguem craques em momentos de crise. São os “decepcionaldinhos”, os “marcadores cricris”.

O próprio Xico faz uma autocrítica e conta que agiu assim, como um “decepcionaldinho”, em relação a Ronaldo, antes da última volta por cima do craque no Corinthians. “Ronaldo ensinou o que nem precisava”, reconhece.

O cronista protesta contra “gente que está sempre decretando o fim de carreira para uns, magoado com outros, dizendo que esperava mais de fulano etc… Não queria ser grosso, mas que tal cuidarem das suas próprias decepções, que são o que não nos falta pelo caminho?”, escreve, com precisão, o nosso Freud do Cariri.

Hoje, especialmente, Xico Sá reclama dos que pegam no pé de Ronaldinho Gaúcho. “O julgamento moral é implacável, e o nome da vez é de novo Ronaldinho, o grande Gaúcho. Especulam sobre a sua parada, haja bobagem, dizem que ele envergonha o Brasil em campos da Itália, qualé, cara pálida?”

Concordo com Xico. Devemos tomar sempre o cuidado de não projetar nos outros, amigos ou ídolos, as expectativas que temos em relação a nós mesmos. Evitar os julgamentos morais é fundamental.

Mas acho que há uma outra dimensão no caso Ronaldinho Gaúcho, que não é apenas a da decepção. Com seu futebol de lances imprevistos e geniais, e seu jeito engraçado de ser, Ronaldinho se tornou ídolo não apenas dos amantes do bom futebol, mas também das crianças. Vê-lo perdido em campo, sem brilho ou luz, provoca a mesma melancolia que assistir a um mágico aposentado em festa infantil.

Autor: - Categoria(s): Crônica, Esporte, jornalismo Tags: , , ,
11/09/2009 - 10:00

Revista “Trivela” deixa de circular

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Trivela ultima edicaoCom uma foto de Kaká na capa, convidando o leitor a conhecer a estratégia do Real Madrid para conquistar a sua décima Liga dos Campeões, a revista “Trivela” chega esta semana às bancas pela última vez. O editor Caio Maio informa no editorial que, por enquanto, a revista seguirá apenas com o seu site  na Internet, mas promete novidades para breve. “Daqui passamos a uma nova fase”, diz, sem revelar detalhes, mas sugerindo voltar às bancas em outro momento. “Até breve, na Trivela.com e nas bancas de todo o Brasil”, encerra o editorial.

“Trivela” surgiu em setembro de 2005 como um guia da Liga dos Campeões e no ano seguinte evoluiu para o formato atual. Projeto de três amigos, que se conheceram na faculdade de Jornalismo da USP, a revista tinha como foco principal o futebol internacional, em particular, o futebol europeu e suas estrelas globalizadas. Nos últimos tempos, no esforço de alargar a sua audiência, também abriu as suas páginas para o futebol disputado no Brasil.

Com um olhar ao mesmo tempo apaixonado e crítico, “Trivela” constituía um projeto original no mercado de publicações esportivas. É uma pena que não tenha conseguido se firmar no mercado. Para os fãs e fanáticos (a revista acompanha os campeonatos da Áustria, Suíça e Bélgica, entre outros), resta o site. E aguardar os próximos passos da editora.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags:
09/09/2009 - 17:01

O casamento “exclusivo” de Larissa Maciel na “Caras”

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Como em todas as áreas da imprensa, também no colunismo social e no jornalismo de celebridades gasta-se muita energia em busca da notícia exclusiva, do furo. Em eventos totalmente fechados para a mídia, sai-se melhor aquele veículo que consegue “roubar” uma foto e mostrar o que ninguém teve a oportunidade de ver. Também é comum, hoje em dia, determinados eventos serem inacessíveis para toda a mídia, com exceção de um único veículo, que ganha o direito de uma cobertura “exclusiva”.

Realizado no último domingo, em Porto Alegre, o casamento de Larissa Maciel, atriz que interpretou a cantora Maysa na minissérie da TV Globo, atraiu a atenção de toda a mídia especializada. Pelo que anunciou na capa da edição que circula a partir desta quarta-feira, a revista “Caras” teve direito a uma cobertura “exclusiva” do evento. Tudo indica, porém, que alguma coisa deu errado já que a revista “Contigo” conseguiu trazer na capa o mesmo casamento “exclusivo” da concorrente.

Autor: - Categoria(s): Colunismo social, jornalismo Tags: , , ,
03/09/2009 - 11:24

Um elogio ao mau humor do técnico Dunga

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Como muita gente, também não tenho a menor simpatia por Dunga, mas reconheço que ele está fazendo um bom trabalho, até o momento, à frente da seleção brasileira. E um dos seus mais notórios defeitos, o mau humor crônico, tem se revelado uma ferramenta interessante no esclarecimento de alguns problemas crônicos do ambiente que cerca a CBF e a seleção.

Dunga talvez seja o técnico da seleção com pior relacionamento com a mídia que já houve. Nos seus confrontos com jornalistas, acabou explicitando uma queixa que sempre foi notória, mas ninguém ousava fazer em público, sobre privilégios concedidos à Rede Globo.

Esta semana, o alvo do mau humor do técnico foi o seu próprio empregador, a CBF. Como se sabe, a entidade concedeu a empresas patrocinadoras da seleção o direito de montar dois camarotes no campo de treinamento da seleção, em Teresópolis. A iniciativa, inédita, resultou num estranho clima de festa, bem às vésperas de um jogo contra a Argentina.

Nesta quarta-feira, Dunga manifestou-se de forma dura contra a CBF, ainda que não tenha citado o nome da entidade. “Todo mundo cria um circo e nós vamos para dentro do picadeiro. E aí a gente tem de dar a resposta pelo circo que os outros criaram”.

Como bem observou Silvio Barsetti, no “Estadão” desta quinta-feira, o clima de festa em Teresópolis lembrou a preparação do Brasil pouco antes do início da Copa de 2006, em Weggis, na Suíça. A bagunça que ocorreu na ocasião costuma ser apontada como uma das causas do fracasso da seleção na Alemanha.

Com seu mau humor, Dunga colocou o dedo na ferida, mais uma vez.

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Mudando de assunto, mas ainda falando de seleção brasileira. Em meados de julho, foi lançado o livro “Brasil x Argentina – Histórias do maior clássico do futebol mundial (1908-2008)”. Trabalho exaustivo do jornalista Newton Cesar de Oliveira Santos, como escrevi no iG Esporte, o estudo mostra que em 50% dos jogos entre os dois países houve brigas. Também fiz uma entrevista com Santos, na qual ele defende que o jeito argentino de ofender os brasileiros, chamando-os de “macaquitos”, é mais chacota do que racismo. Recomendo a leitura.

Crédito da foto: Divulgação/Vipcomm

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , , ,
31/08/2009 - 11:15

Muricy ignorado, vaiado e aplaudido: os diferentes sons do Morumbi

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Cheguei ao Morumbi por volta das 15h de domingo. Às 15h30, me sentei na arquibancada, atrás de um dos gols, no setor onde ficam as torcidas organizadas Independente e Dragões da Real. Meu objetivo era observar como os torcedores mais fanáticos do São Paulo reagiriam à presença de Muricy Ramalho, o técnico que levou o clube a conquistar as três últimas edições do Brasileiro, no banco do arquirrival Palmeiras.

Alguns dias antes da partida, o meia Hermanes, um fã declarado de Muricy, havia orientado a torcida: “Se eu fosse torcedor, deixaria o que já passou. Agora, é nova história. O Muricy foi treinador aqui, mas não é mais. Nossa torcida tem que receber o Ricardo Gomes e os jogadores do São Paulo”, afirmou.

Fiquei no meu lugar até as 16h50. Ao longo de todo esse período não ouvi nenhuma menção a Muricy. Nem vaias nem aplausos. Escrevi no iG Esporte:

Na arquibancada, as principais torcidas organizadas do São Paulo optaram por receber em silêncio o técnico do Palmeiras. Nem a Independente nem a Dragões da Real se manifestaram em relação ao comandante da equipe que venceu os últimos três Brasileiros.

Como de hábito, antes do início da partida, as organizadas gritaram os nomes de todos os jogadores do São Paulo – com exceção de Richarlyson – e até do técnico Ricardo Gomes (um mirrado grito de “Ricardo! Ricardo! Ricardo!”).

No segundo tempo, me transferi para o lado oposto da arquibancada, onde ficam torcedores sem vínculo com as organizadas. Também ali, não ouvi nenhuma referência a Muricy, nem contra nem a favor. Deixei o setor aos 30 minutos do segundo tempo e assisti o final da partida no setor reservado à imprensa.

Mas um estádio de futebol é um lugar muito grande. E um repórter não dá conta de ouvir tudo que se passa ali. Com 41 mil espectadores pagantes neste domingo, o Morumbi também acolheu gente que gritou o nome de Muricy e gente que vaiou o técnico do Palmeiras. 
 
Não sei onde essas manifestações ocorreram, mas registro abaixo o que os jornais observaram a respeito do assunto nesta segunda-feira:

Folha de S.Paulo: “O técnico palmeirense foi recebido com vaias por parte da torcida, quando seu nome foi anunciado no placar eletrônico”.

O Estado de S.Paulo: “Os torcedores são-paulinos se dividiram nas arquibancadas. Enquanto alguns vaiaram na hora em que o nome do treinador foi anunciado, a maioria gritou ‘É Muricy’ logo depois”

O Globo: “Vaiado por uma parte da torcida são-paulina, aplaudido por outra”.

Agora: “Timidamente, parte da torcida são-paulina o homenageou com o coro de ‘é, Muricy’. Houve vaias também quando a torcida palmeirense gritou o seu nome.”

Jornal da Tarde: “Parte da torcida tricolor o vaiou timidamente, mas também houve alguns aplausos.”

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , , , ,
25/08/2009 - 12:36

“A Fazenda”: Uma reflexão sobre os sentidos da imitação

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Para alegria dos leitores que reclamaram dos meus textos sobre o “BBB9”, não pude dedicar a mesma atenção ao reality show “A Fazenda”, da Record. Assisti apenas alguns episódios e não cansei de me espantar com a semelhança, em inúmeros aspectos, com o reality global.

Não é novidade nenhuma que o projeto da Record leva em conta, numa mão, a grade da Globo – um fenômeno que transparece em inúmeros programas, tanto na área de entretenimento quanto de jornalismo. 

Assistindo ao duelo entre Dado Dolabella e Danni Carlos no último episódio de “A Fazenda” me dei conta, no entanto, de algo talvez óbvio, mas que vinha me passando despercebido: o sucesso da imitação de uma emissora pela outra só ocorre porque há uma cumplicidade de desejos entre a Record e o seu público – este último quer ver na sua tela uma imitação da emissora líder, com tudo que há de tosco nela. Convido os visitantes deste blog a lerem texto que escrevi a respeito, defendendo essa idéia, intitulado Público deseja que a Record imite a Globo, publicado na segunda-feira, 24, no Último Segundo.

Para quem, por acaso, tiver interesse em mais textos sobre o assunto, escrevi sobre “A Fazenda” em três outras ocasiões: na desastrada estréia, quando Dado e Britto Jr. discutiram publicamente por causa de um remédio e no dia em que descobri que o cachorro do programa era parte de uma ação de merchandising.

Autor: - Categoria(s): Cultura, jornalismo, televisão Tags: , , , , , , ,
25/08/2009 - 11:07

Dois bons livros para interessados em jornalismo

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O título deste texto ia ser “Dois bons livros para estudantes de jornalismo”, mas lembrei a tempo que não é mais necessário ter diploma para exercer a profissão – basta interesse. Por coincidência, os dois autores aqui citados são jornalistas profissionais, mas graduados em outras áreas.

Formada em Agronomia, Ana Estela de Sousa Pinto tinha 21 anos quando entrou na “Folha”. Ocupou, conta ela, 13 diferentes funções no jornal até se dedicar, a partir de 1997, ao programa de treinamento, destinado a aspirantes. “Jornalismo Diário – Reflexões, recomendações, dicas, exercícios” (Publifolha, 344 págs, R$ 49.90) resume, de forma didática, a experiência que acumulou na formação de cerca de 400 profissionais.

À primeira vista, parece um livro destinado a treinar (ou “adestrar”, diriam os mais críticos) os interessados em trabalhar na “Folha”, o que limitaria muito o seu alcance. Na prática, é de tal forma introdutório, didático e repleto de exemplos que a sua utilidade vai muito além. Um aperitivo ao tom do livro pode ser encontrado no blog da autora.

“Jornalismo Diário”, lançado no sábado 22, comprova a minha suspeita que o conhecimento técnico necessário à prática profissional pode ser adquirido em um curso de um ou dois anos, e não nos quatro anos que a faculdade de jornalismo propõe. O complemento a esta formação deveria ser obtido em qualquer curso superior, acredito.

A obra de Ana Estela, no caso, teria a função de livro-texto para este hipotético curso técnico, com sugestões de exercícios, demonstrações passo a passo e recomendações variadas, bem básicas, sobre todas as etapas do trabalho, da pauta ao texto final, passando por questões práticas, como o uso do bloco de anotações, a formação de agenda e até como agir se o gravador quebrar na hora agá.

Seria cômico se não fosse realmente necessário, mas o livro ensina inclusive a ler jornal. Pode surpreender imaginar um estudante de jornalismo que não goste de ler jornais, mas a minha experiência em faculdades mostra que Ana Estela está coberta de razão ao propor uma “ginástica para um leitor diário” – um programa que ensina o candidato a uma vaga numa redação a aprender a ler jornal em 30 dias.

Acho que caberia, numa segunda edição, alguma reflexão sobre como aproveitar e adaptar as lições apresentadas no livro ao jornalismo online. Também seria recomendável, na minha opinião, ampliar o leque de indicações de leitura, para além dos autores ligados à “Folha” (maioria) ou estrangeiros citados.

Formado em Direito, Humberto Werneck é autor de “O Pai dos Burros – Dicionário de lugares-comuns e frases feitas” (Arquipélago, 210 págs., R$ 29), que será lançado nesta terça-feira, 25. Fruto de uma obsessão do jornalista pela funcionalidade da linguagem, este dicionário deve ser mantido ao alcance da mão por todos os profissionais, iniciantes ou não, com ou sem diploma.

Para usar um clichê incluído no livro, Werneck é um profissional que dispensa apresentações. Bem-humorado, conta que há quase quatro décadas vem exercendo o papel de “gari da semântica”, anotando em pedaços de papel as frases feitas que cruzam a sua leitura.

Num breve texto de apresentação, Werneck abre mão de refletir mais profundamente sobre as razões que levam frases e expressões a se tornarem clichês, bem como evita discutir os problemas relacionados à qualidade do texto jornalístico, o que fará num futuro livro, mas aponta as boas razões que o levaram a publicar essa coleção de lugares-comuns:

A necessidade de que cada palavra, esse precário instrumento de comunicação, chegue o mais perto possível daquilo que se quer dizer. Se escrever vale a pena, deve ser para enunciar algo que se pretende novo – e me parece um contrassenso, sobretudo no jornalismo, tentar passar o novo com linguagem velha.

Lida em sequência, a coleção de lugares comuns provoca um efeito cômico, reforçado pelas divertidas ilustrações que compõem o livro. Vale a recomendação de Werneck, no sentido de que seu livro sirva como “uma incitação à reciclagem criativa de expressões que só se gastaram por terem sido, um dia, luminosos lugares-incomuns, a partir daí repetidos até a exaustão semântica”. O resultado, recorrendo mais uma vez ao dicionário, é de encher os olhos.

Autor: - Categoria(s): Cultura, jornalismo Tags: , , ,
21/08/2009 - 15:50

Desenhando um gráfico sobre publicidade no Twitter

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Não sou expert em mídias sociais, muito pelo contrário, sou um outsider da velha mídia recém-chegado a este mundo, mas fui capaz de entender que um dos maiores atrativos do Twitter é a troca de sugestões de leituras.

Por conta disso, acabei descobrindo que havia alguma coisa estranha no meio de algumas recomendações que estava recebendo. Resolvi investigar e o resultado da apuração foi publicado na quarta-feira, 19 de agosto, no Último Segundo, com o título Publicidade velada no Twitter causa polêmica.

A matéria teve enorme repercussão no próprio Twitter, provocando muitos comentários, elogios, sugestões e críticas. Alguns dos personagens citados reagiram ofendidos, sugerindo que não fui correto na apuração do texto e na abordagem. Fiquei com a impressão que muita gente não entendeu direito o ponto central que abordei. Vou tentar ser mais didático aqui.

Acompanhe meu raciocínio:

1. Ao recomendar um link aos seus seguidores, você está querendo partilhar alguma leitura, imagem, desenho ou vídeo que, do seu ponto de vista, merece ser apreciado por outras pessoas.

2. As pessoas que apreciarem a sua indicação podem reenviá-la para as suas próprias listas de seguidores, alimentando um ciclo de envio e reenvio sem fim, que é um dos fenômenos mais interessantes do Twitter.

3. Quanto mais legal for a recomendação que você faz, maior a chance de produzir esse ciclo e, em consequência, de ganhar novos seguidores.

4. Quanto maior o número de seguidores que você tem, maior a influência que você exerce na rede. Não é, portanto, um trabalho sem recompensa. Você pode até fazer tudo isso desinteressadamente, mas algo você vai ganhar em troca. Os especialistas falam em “prestígio” e “relevância” no esforço de definir o que você ganha no Twitter. 

5. Visualize o gráfico: quanto mais gente vê as suas recomendações, maior a chance de ela ser difundida. É uma curva que aponta para o céu.

6. Trata-se, portanto, de uma relação que se estabelece com base na confiança, não importa o grau de notoriedade e fama de quem faz a recomendação.

7. O seu seguidor te segue porque gosta das recomendações que você faz e, mais que isso, sente-se bem podendo enviar para os seus próprios seguidores as dicas que você dá.

8. Vamos imaginar agora o seguinte exemplo fictício: você recomenda a seus seguidores que vejam um vídeo de uma briga entre dois anões. É uma “treta” divertidíssima. Você adora o vídeo e acha que seus seguidores merecem se divertir tanto quanto você.

9. Só que, além de ser divertido, você também indicou este vídeo porque viu nele uma boa oportunidade de divulgar a palavra que marca a campanha publicitária de um determinado biscoito. Não por coincidência, a fabricante deste biscoito está te pagando para fazer recomendações como essa no Twitter.

10. Imagine que, talvez, entre os seus seguidores e os seguidores dos seguidores que receberão essa indicação e a farão circular pela rede, haja alguém que não saiba que você está recebendo dinheiro para fazer isso.

11. Quando este alguém, desinformado, descobrir que a pessoa que lhe recomendeu a “treta” de anões estava ganhando dinheiro para fazer isso, o que ela pensará? Você acha exagero imaginar que este leitor desinformado se sinta enganado?

Como disse, sou um recém-chegado neste novo mundo. No velho mundo, de onde venho, isso é crime de lesa confiança. Passar a impressão de que a recomendação da “treta” de anões enquadra-se na mesma categoria que todas as outras indicações que você faz, nesse mundo, chama-se publicidade velada, tentativa de disfarçar proposta de consumo no meio de informação.

Alguns participantes da campanha, bem-intencionados, avisaram em seus blogs que estariam ganhando dinheiro para indicar links no Twitter. Outros argumentaram que a campanha é tão transparente que o nome de todos está no site do fabricante de biscoito. Não quero magoar ninguém aqui, mas isso é a mesma coisa que colocar na sala um aviso de que é proibido fumar em todo o apartamento e fumar escondido no quarto.

A questão central é que credibilidade se constrói com transparência. Não que a velha mídia esteja livre da publicidade velada. Muito pelo contrário. Há, é lógico, muitos comunicadores que ficaram famosos e ricos misturando informação com publicidade, fazendo anúncio disfarçado, até jogando dinheiro para o público. Mas, e aqui eu encerro este texto, popularidade não deve ser confundida com credibilidade. Quem quiser vender biscoito no Twitter, fingindo que está passando links legais para seus leitores, fique à vontade, mas não espere ser respeitado.

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