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Arquivo da Categoria Memória

19/06/2009 - 09:10

Memórias de um torcedor bipolar

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Minhas primeiras lembranças de futebol datam de 1966. Tinha 5 anos. Escolhi meu time em algum momento entre 1967 e 1968 – anos em que o Botafogo reinou, conquistando o bicampeonato da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca (eram disputados separadamente). Só passei a ir ao estádio, levado por meu pai, em 1971 – quando fiz 10 anos. Não vi, portanto, meu time ser campeão ao longo de toda infância, adolescência e início da fase adulta. Uma tragédia que, para o bem e para o mal, ajudou a me moldar.

Só em 21 de junho de 1989, quando já tinha 28 anos, tive a chance de ver meu time ser campeão. No próximo domingo, comemoramos os 20 anos da conquista do Campeonato Carioca de 1989, que encerrou um inédito jejum de 21 anos sem título. A propósito da data, desenterro dois textos escritos sobre esta saga. O primeiro foi publicado em 1988, na “festa” pelas duas décadas de jejum, e o segundo saiu dois dias depois da vitória de 1989.

1. Apaixonado, mas desesperado

Em 1988, quando o Botafogo completou 20 anos sem títulos, escrevi na “Folha de S.Paulo” um texto bem-humorado, no qual fazia um paralelo do fracasso do time com os sonhos perdidos pela geração que viveu as agitações de Maio de 1968. No artigo, eu aproveitava para cutucar a própria “Folha”, que, em nome do didatismo, teimava em chamar o time de “Botafogo (RJ)” ou “Botafogo do Rio”, para não confundi-lo com cópias e similares. E dizia que as esperanças do torcedor estavam, infelizmente, depositadas nas mãos de um banqueiro do jogo do bicho. Acho que é um texto que reflete bem o ânimo de um torcedor apaixonado, mas desesperado. Reproduzo-o abaixo:

O “Botafogo do Rio” espera desde 1968
 
Não é apenas uma coincidência: no ano em que se comemoram os 20 anos de maio de 1968 – o apogeu e a queda das utopias concentradas numa só data –, o Botafogo cruza a segunda década sem conquistar um título. Em maio de 68, ainda se acreditava na invencibilidade e no talento individual dos jogadores botafoguenses, os que deram dois títulos – e viriam a dar, em 1970 – a possa da taça Jules Rimet ao Brasil. A utopia, hoje, é acreditar que um benfeitor egresso do jogo do bicho seja capaz de tirar o time da lama e dar o esperado título a uma torcida que não pára de crescer.

A efeméride passou em brancas nuvens aqui em São Paulo, Estado que teima em chamar o Glorioso de “Botafogo do Rio”, na ilusão de que o Botafogo possa ser confundido com o Botafogo de Ribeirão Preto. A maneira torta com que a bola tem rolado alimenta a confusão.

A mediocridade triunfou no futebol brasileiro pós-maio de 68, isto é, depois do último título do Botafogo (naturalmente que a vitória num vagabundo “Torneio Início” no final dos anos 70 não conta). O Botafogo corre o risco de ser lembrado no futuro pela comédia que embalou a sua decadência (lembra-se de Puruca?), quando grandes talentos surgidos nestas últimas duas décadas, como os goleiros Wendel e Zé Carlos, os laterais Marinho e Josimar, o meia Mendonça , o centroavante Nilson Dias, entre outros, apenas fracassaram na trágica missão de vencer.

 (Publicado na “Folha” em 12 de junho de 1988)

2. Pessimista, mas esperançoso

Um ano depois, voltei às páginas de Esportes da “Folha” para celebrar o fim do jejum. Acompanhei o campeonato à distância, morando em São Paulo. E, confesso, tive muito poucas alegrias com aquele time, que não venceu nenhum clássico até o jogo final, e cuja escalação naquele 21 de junho (foto) foi: Ricardo Cruz, Josimar, Wilson Gotardo, Mauro Galvão e Marquinhos. Vítor, Carlos Alberto Santos e Luisinho; Maurício, Paulinho Criciúma e Gustavo (Mazolinha). O texto que publiquei talvez seja injusto com um ou outro jogador daquela equipe, mas reflete o meu permanente pessimismo com o Botafogo, ao mesmo tempo que deixa transparecer a permanente esperança de dias melhores:
 
A saga da equipe “gauche”

A saga botafoguense terminou da forma mais “gauche” possível: um cruzamento da esquerda, saído do pé esquerdo de um jogador chamado Mazolinha, que caiu no pé direito de Mauricio, o novo anjo torto do time, antes de se dirigir com extrema cautela para o fundo da rede do Flamengo.

Dirão os mais apressados que foi uma campanha brilhante, magnífica, à base de muito esforço e dedicação. A definição é correta, mas esconde o principal: os heróis botafoguenses nunca demonstraram aquilo que no meio futebolístico é conhecido como “intimidade com a bola”. Eles chegaram ao título depois de 21 anos graças justamente a esta estranha conjunção de garra com falta de talento.

Pergunte ao Sobrenatural de Almeida, o mais tricolor dos personagens de Nelson Rodrigues. Ele certamente dirá que o resultado era previsível. O Botafogo precisou arrumar um dos piores times da sua história para ser campeão.

A lógica, como escrevi neste caderno há um ano, é a seguinte: o Botafogo encarnou nas últimas duas décadas, de forma radical, a situação do futebol brasileiro e, em última instância, do próprio país. Em 1989, o time finalmente chegou ao fundo do poço. O que, em outras palavras, significa dizer que o Botafogo está dando inicio – provavelmente – a um período de renascimento.

(Publicado na “Folha” em 23 de junho de 1989)

Autor: - Categoria(s): Esporte, Memória Tags: , , , , , ,
08/12/2008 - 16:29

25 anos de uma turma verdadeiramente iluminista

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Uma turma de colegas se reuniu neste sábado, no Rio, para festejar 25 anos de formados na Faculdade de Economia e Administração (FEA) da UFRJ. Isso é assunto deste blog porque, não por acaso, trata-se da minha turma. Foi uma festa muito simpática, que juntou quase três dezenas de economistas, muitos deles, como eu, que não se viam há muuuitos anos.

Entramos na faculdade num período especial. O país vivia o afrouxamento da ditadura, a UNE e os DCEs voltavam a funcionar de forma legalizada e a faculdade contava com a energia de um grande time de professores – Maria da Conceição Tavares e Carlos Lessa à frente – engajados num projeto educacional de alto nível.

Ao longo da nossa reunião de 25 anos, fui me dando conta da influência desse conjunto de fatores sobre a turma formada em 1983 – uma rara e elogiável vocação para o serviço público, no melhor sentido que essa expressão pode ter. Havia ali, entre nós, vários economistas que trabalham em instituições como BNDES, Eletrobrás, FMI, Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Dieese, ANP (Agência Nacional do Petróleo), Petrobras, governo do Espírito Santo, além de professores da UERJ e UFRJ. 

Mas não vou me alongar na descrição deste encontro. Publico abaixo, com a sua autorização, o relato de um de meus colegas, o economista Paulo Faveret, enviado na tarde desta segunda-feira a todos os que participaram da reunião:

Muito obrigado por palavras e gestos tão bonitos e generosos! A tarde foi muitíssimo agradável. Cumpriu exatamente o papel de dar espaço para as pessoas se reencontrarem, trocarem idéias, atualizarem as informações e, com sorte, até fofocarem um pouco.
 
O tempo da faculdade é sempre muito especial para todos. Fico com a ligeira impressão, e pode ser pretensão, mas há de ser pretensão modesta e gostosa, que esse tempo foi ainda mais especial para nós. Como em muitos outros casos, ali se forjaram amizades para toda a vida, amores, até casamentos, contatos profissionais cujo valor só cresce com os anos – bons frutos que evidenciam a solidez e a fertilidade da árvore de onde provêem.
 
O que torna nossa turma especial não é tampouco seu excepcional desempenho acadêmico e profissional. Se não foi a melhor, certamente está entre as melhores da FEA em todos os tempos, e, por que não dizer?, até mesmo do Brasil. O sucesso de vários integrantes não se mede apenas por dinheiro, posição, status, mas pelo respeito que merecem entre pares e não-economistas.
 
A verdadeira excepcionalidade de nossa turma parece residir sobretudo numa admirável conjugação de rigor acadêmico, paixão pelo conhecimento e dedicação ao interesse público. Uma turma verdadeiramente iluminista. Como alguém mencionou durante o almoço, raras vezes tantos de uma só turma seguiram dedicados a temas públicos, seja como parte de suas atividades acadêmicas, seja como integrantes de organizações com esse fim. Esse traço, se não é uma verdade estatisticamente comprovável, é sensível nas atitudes de todos, nas preocupações com o semelhante, no profundo respeito à divergência, na aceitação do debate como instrumento de aprimoramento das decisões coletivas e individuais.
 
Ao longo de minha vida pessoal e profissional, não têm sido poucas as oportunidades para exercer esses ensinamentos, tão enraizados em minha vivência graças aos anos intensos da faculdade. Embora o movimento estudantil já não fosse tão romântico e perigoso como o de alguns anos antes, o clima na FEA era excepcional. A qualidade das controvérsias, a forma franca e honesta como se fazia, tudo isso estava acima da média. E nada comprometia a amizade dos opostos, que sempre tomavam cerveja ao final de embates que pareciam raivosos, mas que, sabíamos todos, eram de idéias, não de pessoas.
 
Aqueles anos incutiram em muitos de nós um tipo raro de idealismo: sonhador, como deve ser, porém bem-informado, calçado em muito conhecimento, e sempre inspirado pelos exemplos práticos de mestres e colegas, com destaque para nossos convidados de honra. Predica e pratica. O terreno era fértil e a semente, boa. Por isso, é com felicidade que constato que a turma não sucumbiu nem ao ceticismo tão comum aos entrados em décadas, nem ao cinismo deslavado que campeia em nossos trópicos. Vinte e cinco anos depois, sinto que ainda guardamos aquela chama de colaborar com a construção de um mundo melhor. O couro é mais grosso do que antes, tomamos mais cuidados do que aos vinte anos, mas ainda há brilho no olhar.
 
Que Deus nos anime sempre a transmitir esse espírito para nossos filhos, familiares, amigos, alunos e colegas. Assim estaremos devolvendo ao menos parte do que recebemos durante aqueles anos iluminados.
 
Abraços e beijos a todos,
Paulo

Autor: - Categoria(s): Blog, Memória Tags: , , ,
20/11/2008 - 16:40

Casablancas: “Gisele nos jogou no lixo” e outras frases fortes

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John Casablancas, o criador da agência Elite, responsável por lançar Cindy Crawford e Gisele Bundchen, entre outras modelos, está publicando um livro de memórias. Com título irônico, “Vida Modelo” conta a trajetória atribulada de Casablancas num mundo de glamour, festas, drogas e muita intriga.

Casablancas fala abertamente deste universo em entrevista ao Ultimo Segundo, publicada nesta quinta-feira. Abaixo, reproduzo alguns trechos do livro que complementam a entrevista:

“O padrão da época (anos 70) era o tipo aristocrático, escandinavo, anglo-saxão, protestante, de cabelo loiro, sem peito, sem bunda, comprido, olhos azuis. Estilo Grace Kelly”.

“Editores de moda, por razões obscuras que eu nunca entendi, normalmente desenvolvem uma agressividade em relação a todas as agências de modelos… Nesse mundo egocêntrico, a revista de moda é o epicentro do egocentrismo… Os editores de moda são, muitas vezes, justamente acusados de serem insuportáveis.”

“Ali estava minha graduação: o aprendizado da traição. O universo das agências é incrivelmente competitivo, e a lealdade é um tesouro raro, que está sempre em falta, não porque as pessoas sejam naturalmente traiçoeiras, e sim por este ser um mundo dominado pelo ego”.

“Durante a minha carreira, ganhei e perdi uma multidão de top models. Graças a Deus, ganhei muito mais do que perdi. O único caso que me surpreendeu, pela sua frieza calculista e que, reconheço, nunca engoli, foi o de Gisele Bündchen. Todo o resto era só business. Eu entendia. Até porque, na hora em que eu estava pronto para a resposta, ataquei sem piedade, roubei direto. Aproveitei.”

“Eu trabalhava muito bem as colunas sociais, as matérias, sabia dar respostas provocantes, sinceras, atrevidas e que divertiam os jornalistas”.

“Uma coisa eu havia aprendido com o fracasso da Elysée 3 (sua primeira agência): se você não consegue vender algo por cinco francos, venda-o por dez.”

“Naquela época, não tinha jeito, a única maneira de uma agência nova ganhar aquele primeiro dólar era fazer caixa dois.”

“Seria impossível negar, com a cara séria, que a essência do nosso business é o sexo. Sexo vende. A imagem de homens e mulheres jovens, bonitos e sensuais, vende qualquer produto.”

“Sempre misturei negócios e prazer, e organizar festas era uma função que vinha para mim naturalmente… Entendi rapidamente a sinergia que existe entre a vida noturna e o que nós fazíamos”

“(Nas festas) criava-se espontaneamente essa sinergia em que os VIPs me traziam glamour e eu trazia a beleza das meninas. Era uma coisa informal, natural. Não tinha nada de cafetinagem. Não tinha: ‘Venha cá, menina, vou apresentá-la ao Robert De Niro para você transar com ele.’ Não era nada assim, nada vulgar ou barato.”

“O auge da Elite em Nova York foi também o auge das drogas. Todo mundo usava: modelos, fotógrafos, clientes, editores, mas também advogados, doutores e banqueiros. Era uma epidemias generalizada. Nos estúdios fotográficos era cocaína por todos os cantos.”

“O grande desafio (no Brasil) foi o de conter uma das características que eu acho mais atraentes na mulher daqui: a brasileira é uma namoradeira eterna. O amor é o centro da sua vida. No início eu vivia tendo esse problema de maneira aguda – ou as meninas saíam do país loucas para achar um cara rico, ou ficavam com saudades, entristeciam, invariavelmente engordavam e queria desistir.”

“Outro fator complicador no início da minha experiência com modelos daqui, nos anos 1990, foi um dos personagens mais temidos pelas agências internacionais da época: A Mãe da Modelo Brasileira”.

“Seguimos atentamente todo o seu (de Gisele) desenvolvimento – inclusive nos namoros, acompanhando de perto quando ela finalmente teve o seu primeiro caso, com um belo modelo brasileiro, Douglas Rasmussen”.

“Numa carreira na qual eu conhecera a traição em todas as suas formas, a de Gisele foi especialmente fria e egoísta (…) Ela nos jogou no lixo justamente no momento em que tínhamos conseguido levá-la ao auge, ao topo absoluto”.

“Foi um comportamento revoltante que até hoje me causa esta tremenda mágoa, que durará para sempre, a não ser que Gisele diga: ‘Desculpe, você merece pelo menos um obrigada’. Mas é claro que isso nunca vai acontecer, e eu continuarei sendo o único blasfemador no coro submisso dos deificadores de Gisele Bündchen

Autor: - Categoria(s): Memória Tags: , , ,
14/08/2008 - 12:20

O dia em que torci por Camarões

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Enviado pela “Época” para acompanhar a seleção brasileira de futebol nos Jogos Olímpicos de 2000, aterrissei em Sydney no dia em que a revista chegava às bancas, no Brasil, com uma notícia exclusiva, produzida pela equipe do Rio de Janeiro: a denúncia que Wanderley Luxemburgo, então técnico da equipe, era três anos mais velho do que apregoava – fato que o beneficiou quando jogador de futebol. Na linguagem dos boleiros, Luxemburgo era “gato”.

A seleção estava hospedada em um resort de luxo na região de Gold Coast, a 800 km de Sydney. O ambiente era péssimo. Além dos problemas de Luxemburgo, acossado por diferentes denúncias no Brasil (sua ex-secretária também o havia acusado de diversos crimes), o clima entre os jogadores e o técnico também não era bom. Na estréia, a seleção de Ronaldinho e Alex penou para vencer a Eslováquia por 2 a 1 no belíssimo estádio de críquete na cidade de Brisbane. Na segunda partida, a situação desandou: a seleção tomou de 3 a 1 da África do Sul, no mesmo estádio. Uma derrota histórica, ao final da qual Luxemburgo responsabilizou dois jogadores (o zagueiro Bilica e o lateral Baiano) pelo segundo gol africano. O terceiro jogo, magra e sonolenta vitória sobre o Japão por 1 a 0, habilitou a seleção a disputar as oitavas de final, contra Camarões.

Enquanto acompanhava a monótona rotina de treinos e jogos de baixa qualidade da seleção, além do mau humor permanente de Luxemburgo, acontecia, em Sydney, a mais espetacular olimpíada dos tempos modernos. Acompanhava o noticiário e pensava: “O que eu estou fazendo aqui, em Gold Coast?”

A partida contra Camarões foi inesquecível, por diversos motivos.

A seleção entrou em campo, em 23 de setembro de 2000, com Helton, Baiano, Fábio Bilica, Álvaro e Athirson; Fábio Aurélio, Marcos Paulo, Fabiano e Alex; Lucas e Ronaldinho. Lúcio, Roger e Geovanni também participaram da partida. O Brasil havia levado apenas jogadores com idade inferior a 23 anos, embora tivesse o direito, como hoje, de selecionar até três atletas mais velhos. Camarões, por exemplo, contava em seu elenco com o veterano Mboma, então com 29 anos, jogador do Parma, da Itália.

O estádio de críquete de Brisbane reuniu 37.321 espectadores, o maior público até então, para assistir a um show particular de Mboma. O atacante não fez uma jogada convencional nos 63 minutos em que permaneceu em campo. Além do gol, deu mais de um drible por baixo da perna de brasileiros, passou bolas de letra, usou a canela para iludir os zagueiros, fez o diabo (como Zidane, na partida contra o Brasil na Copa de 2006, em que deu até chapéu em Ronaldo).
 
O outro inimigo do Brasil no jogo foi a torcida. Encarados como os “underdogs”, os camaroneses contaram com forte apoio da maioria do público – o que só aumentou a partir dos 30 minutos do segundo tempo, quando Njitap foi expulso por fazer cera na cobrança de um lateral. A partir deste momento, os torcedores não apenas apoiavam Camarões como começaram a vaiar os jogadores do Brasil. Nos últimos 15 minutos do tempo normal, o juiz alemão Herbert Fandel expulsou ainda um segundo jogador africano, Nguimbat, e marcou uma falta a favor do Brasil, quase dentro da área, já nos acréscimos. Antes da cobrança da falta, numa confusão nunca bem explicada, Lucio acertou uma cabeçada em Roger, que só não degenerou em pancadaria dentro do campo devido à intervenção de Alex. Ronaldinho empatou a partida aos 48 minutos do segundo tempo, levando o jogo para a prorrogação.

Enquanto aguardavam o início do tempo extra, os nove jogadores de Camarões que restaram em campo fizeram um círculo em torno de Fandel e começaram a bater palmas para o juiz. Um gesto forte, carregado de ironia, que afetou a atuação de Fandel durante a prorrogação. Aos 8 minutos, Fabiano fez o gol que classificaria o Brasil, mas o juiz o anulou alegando um impedimento que não ocorreu. Incapaz de resolver um jogo de 11 contra 9 jogadores, o Brasil foi finalmente castigado, aos 8 minutos do segundo tempo, com um contra-ataque de Camarões, concluído para o gol por Mbami.

E aqui preciso confessar algo. No momento do gol de ouro de Camarões, que assisti ao lado do meu amigo José Geraldo Couto, levantei os braços, sorri e pensei: “Finalmente, vou para Sydney”. Ainda faltava uma semana para o fim dos Jogos Olímpicos. Mas é isso é outra história.

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