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Arquivo da Categoria São Paulo

29/11/2009 - 13:19

Como “reencenar” fatos reais em documentários?

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SP Sob Ataque iG 1A exibição neste domingo, às 20h, no Discovery Channel, de “São Paulo Sob Ataque” é um bom pretexto para discutir um aspecto da produção de documentários para a televisão que ainda causa incômodo a muitos espectadores. Refiro-me ao recurso da “reencenação” de episódios de história sobre os quais não há imagens reais disponíveis, mas que são fundamentais para a compreensão da trama.

A série da Globo “Por Toda a Minha Vida” faz muito uso deste recurso, assim como diferentes programas policiais exibidos na tevê fechada, tipo “Medical Detectives” e outros do gênero.

Documentários, de uma maneira geral, contam com muito menos recursos do que filmes de ficção. Por esse motivo, as cenas de reconstituição nestes programas são pobres e quase sempre passam a impressão de serem artificiais e mal encaixadas no ritmo da história que está sendo contada. Pior, muitas vezes quebram o ritmo, ao produzirem aquele efeito de estranhamento no espectador, que percebe estar assistindo a uma recriação tosca da história.

“São Paulo Sob Ataque”, como escrevi no Último Segundo, tem vários méritos, no seu esforço de compreensão dos ataques do PCC durante três dias, em maio de 2006 e a reação da polícia nos dias que se seguiram. Mas há uma clara quebra de ritmo sempre que o documentário, com narração melodramática, nos convida a “ver” alguma cena de violência recriada pela produção. Na minha visão, o filme não perderia nada sem essas cenas “recriadas”.

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26/10/2009 - 10:54

Filme explica a motivação dos pichadores

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Mostra SeloConhecido como Choque, o fotógrafo Adriano dedica-se a registrar o universo da pichação em São Paulo. É um dos maiores especialistas no assunto e, não por acaso, são seus os melhores depoimentos ao longo de “Pixo”, o documentário dos irmãos João Wainer e Roberto T. Oliveira, exibido pela primeira vez neste domingo, na Mostra de Cinema de São Paulo, com a presença de vários protagonistas do filme.

Choque explica que são três as motivações dos pichadores que escalam prédios e arriscam a vida para deixar suas assinaturas em locais de visibilidade na cidade: o prazer da aventura, o reconhecimento social e o protesto.

PixoO primeiro ponto iguala pichação a esporte radical – a aventura de fazer algo proibido, escalar um prédio pelo lado de fora, como documenta “Pixo”, aterrorizante para quem olha do chão, seria equivalente, em termos de adrenalina liberada, a saltar de asa delta do alto de um morro, ou surfar uma onde gigantesca.

Em segundo lugar, quanto mais difícil o lugar pichado – o último andar de um prédio no centro de São Paulo, um trem em movimento ou a parede da Bienal de São Paulo –, maior o reconhecimento e valor do pichador entre os seus pares. Como mostra claramente “Pixo”, eles formam uma comunidade nada invisível, que se reúne em locais conhecidos para troca de experiências e informações.

Por último, a questão mais importante: a pichação é uma forma de expressão dessa comunidade, formada basicamente por jovens de baixa renda da periferia de São Paulo. Colocar o seu nome de guerra, a sua marca, nos muros do centro da cidade, é a maneira de dizer que existem. Para nós, eles apenas sujam a cidade; para eles, a pichação é a forma de se fazer ouvir.

Mal vistos e isolados, os pichadores paulistanos conseguiram atrair ainda mais antipatia para a causa em 2008, ao atacarem, em três momentos diferentes, a galeria Choque Cultural, o prédio da Bienal e o Centro Universitário Belas Artes. Nas três ocasiões, grupos de pichadores invadiram os espaços e aplicaram tinta sobre trabalhos alheios e danificaram o ambiente.

Indefensáveis, porque afetaram realizações artísticas alheias, além de violarem a legislação, tais ataques são mal explicados por “Pixo”. O ataque à galeria Choque Cultural, por exemplo, explicita uma questão que aparece em diferentes momentos do documentário, mas nunca é esclarecida – a rivalidade entre pichadores e grafiteiros.

Reconhecido socialmente como uma forma de arte, o grafite tem alguma semelhança com a pichação. Grafiteiros são, em sua maioria, pessoas de origem social mais humilde, da periferia, que escolheram pintar em espaços públicos. O que era uma violação legal – desenhar num muro – passou, com o tempo, a ser entendido como uma forma de arte, e muitos grafiteiros hoje são reconhecidos como artistas talentosos.

Diferentes grafiteiros – brasileiros e estrangeiros – hoje expõem seus desenhos em galerias de arte e museus. Os irmãos Gustavo e Otavio Pandolfo, OsGemeos, são apenas os mais conhecidos brasileiros num time que tem vários representantes. Alvo dos ataques dos pichadores, a galeria Choque Cultural, não por acaso, é um espaço que exibe trabalhos de grafiteiros.

Diferentemente do trabalho dos “rivais”, as expressões dos pichadores não são reconhecidas como forma de arte – o que pode ajudar a explicar os ataques de 2008 e também as referências irônicas feitas ao longo de “Pixo” à turma do grafite. O filme, porém, evita afrontar abertamente esta questão.

O documentário de Wainer e Oliveira dá vida aos pichadores, humaniza-os, expõe as suas motivações. Apenas por isso, já é um filme de referência para qualquer discussão mais aprofundada que se pretenda sobre o assunto. “Pixo” também evita qualquer julgamento moral sobre os seus personagens – outra qualidade, na minha opinião, já que não precisamos ir ao cinema para ouvir uma condenação aos pichadores.

Ainda há três sessões programadas de “Pixo. Sábado (31), às 20h50, na Matilha Cultural; terça-feira (3/11), às 18h40, no Unibanco Artplex; e quarta-feira (4), àsd 21h15, no Cine Bombril. Mais informações, no site da Mostra.

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15/09/2009 - 17:33

‘Salve Geral’ dá recado forte sobre crise da segurança

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Salve Geral 1Pelo assunto que escolheu e pelo ponto de vista que adotou, “Salve Geral”, de Sergio Rezende, está destinado a se tornar o lançamento cinematográfico brasileiro mais polêmico do ano. O filme conta uma história ficcional ambientada em maio de 2006, em São Paulo, nos dias em que ocorreram os ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) a postos policiais em diferentes pontos da cidade.

Salve Geral 3O título do filme refere-se à ordem (o “salve”) espalhada a partir dos presídios, e para fora dele, no sentido de atacar o Estado. Ao longo de três dias, entre sábado e segunda-feira, os ataques causaram a morte de 46 agentes de segurança, além de terem provocado pânico entre a população. A ação foi orquestrada dentro dos presídios, pela liderança do PCC, em resposta à transferência de quase 800 presos para um presídio de segurança máxima.

O filme gira em torno de Lucia, professora de piano, classe média empobrecida, vivida por Andrea Beltrão, cujo filho, Rafa (Lee Thalor), envolve-se em um crime e é preso. Na tentativa de ajudar Rafa, Lucia conhece Ruiva (Denise Weinberg), advogada dos líderes do PCC.

A partir daí, “Salve Geral” convida o espectador a uma viagem por um mundo terrível, sem meios tons, protagonizado por criminosos cruéis e policiais sem escrúpulos. Violência de lado a lado, corrupção, miséria, despudor moral: não há mocinhos neste filme, talvez o mais ousado de Sergio Rezende (“Homem da Capa Preta”, “Lamarca”, “Zuzu”, “Mauá”).

“Salve Geral” será possivelmente acusado de “humanizar” criminosos, de manifestar pena de presidiários ou tomar partido do crime. Não acho que esta seja a mensagem do filme, que estreia no próximo dia 2 de outubro. Com orçamento de U$ 9 milhões, e apoios da Globo Filmes e da Sony Pictures, o longa-metragem de Sergio Rezende fala de um mundo desgovernado, violento, sem ética.

“O filme aborda a situação de perda de controle, na vida como um todo. Ninguém tem o controle de nada. O Estado não tem o controle da situação, assim como as pessoas também não. A vida é um cavalo em disparada”, disse  Rezende a Jorge Antonio Barros, um respeitado jornalista especializado em segurança pública. É esse, exatamente, o recado que “Salve Geral” tenta dar.

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14/08/2009 - 15:32

Esforço antipirataria não impede venda de “Bruno” a R$ 5

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O combate à pirataria digital tem se revelado uma luta inglória. Como relatei no blog, os grandes estúdios de Hollywood estão se desdobrando no esforço de evitar que os seus filmes sejam pirateados – o que ocorre, muitas vezes, antes mesmo do lançamento.

Uma das medidas antipirataria – talvez a mais antipática delas – seja a vigilância sobre os jornalistas que assistem filmes em sessões privadas, semanas ou meses antes da estréia oficial. Nas sessões para imprensa de “Harry Potter” e “Bruno”, em São Paulo, o controle contou com a ajuda de detectores de metais e seguranças dentro da sala, visando impedir que algum jornalista filmasse, com câmeras ou celulares, os filmes na tela.

O crítico Anthony Lane, da “New Yorker”, revelou na edição de 20 de julho da revista, que antes de assistir “Bruno” foi obrigado a assinar um documento em que se comprometia “a não blogar, twittar ou colocar no Facebook pensamentos sobre o filme antes de 6 de julho de 2009” (quatro dias antes da data da estréia nos EUA).

Nesta sexta-feira, 14 de agosto, dia da estréia de “Bruno” no Brasil, camelôs já vendem, em plena Avenida Paulista, cópias piratas do filme por R$ 5. Levando três DVDs, sai por R$ 12. Pechinchando, o camelô vende três por R$ 10. Entre as opções, além do mais recente filme de Sacha Baron Cohen, ele oferece o recém-lançado “Era do Gelo 3”, bem como “Inimigos Públicos”. Pelo preço de um também é possível comprar, num único DVD, os dois filmes da franquia “Se Eu Fosse Você”. “Acabando o um, começa o dois”, explica o vendedor.

Em tempo: Escrevi sobre “Bruno” e os filmes da era do cinema mudo nesta sexta-feira no Último Segundo.

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28/05/2009 - 16:46

Sinais da selva em SP: sirene de polícia em carro particular

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Presenciei a cena duas vezes, somente esta semana, ambas nos Jardins, região nobre de São Paulo. Na primeira, estava dentro do carro, num congestionamento e ouvi a sirene – de polícia. Olhei pelo retrovisor e não vi nada. A sirene voltou a tocar. Tentei encostar o carro, para facilitar a passagem, no que fui imitado pelo carro que estava atrás de mim. O barulho da sirene sumiu – e vi passar um desses carrões altos, SUV.

Na outra cena, eu caminhava quando ouvi o barulho de uma sirene de polícia. Olhei para a rua e vi apenas dois carros. No da frente, um senhor dirigia devagar, procurando ler o nome da rua na placa da esquina. Atrás dele, um garotão, a bordo de um jipão, acionava a sirene – vi quando ele tirava a mão esquerda de algum lugar embaixo do volante.

Trata-se, não preciso dizer, de infração ao Código de Trânsito, do tipo “média”, e pode render multa e apreensão do veículo. Também não preciso dizer que esse disposito é vendido livremente, tanto na Internet quanto em lojas de acessórios no centro de São Paulo. Sai por cerca de R$ 200 – e imita sirenes variadas, ruídos de animais e pode também emitir frases “engraçadinhas”, com ofensas a outros motoristas ou pedestres. É, para mim, um desses lamentáveis sinais que a vida na cidade também é selvagem.

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26/05/2009 - 13:17

“Lei antifumo dissemina a doença do autoritarismo”

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Jornalista e professor de jornalismo, Marco Antonio Araujo abriu, três anos atrás, o Barão da Itararé, um bar na esquina das ruas Peixoto Gomide e Itararé, em São Paulo. O nome do bar presta homenagem ao jornalista Aparício Torelly (1895-1971), criador do personagem Barão de Itararé, famoso pelo jornalismo político temperado com humor e ironia. Um dos motes do Barão, que inspira o dono do bar, era: “Viva cada dia como se fosse o último; um dia você acerta”.

Atendendo a um pedido deste blogueiro, seu amigo de longa data, Araujo enviou um texto sobre a lei antifumo, aprovada pelo governo de São Paulo. Enquanto aguarda alguma liminar que suste a entrada em vigor da lei, critica o que, a seu ver, mostra o autoritarismo da nova legislação.

Marco Antonio Araujo

A lei antifumo a ser implementada no Estado de São Paulo combate um vício terrível, mas dissemina uma doença ainda mais grave, a do autoritarismo. E precisa ser combatida. Assim como a lei seca, já desmoralizada pelos seus excessos, a campanha segregacionista contra os fumantes serve para tornar nossa sociedade mais conservadora, careta e depressiva.

A diferença é que a guerra contra o tabaco terá fiscais mais eficientes que o poder público (e suas blitze tão espetaculares quanto efêmeras). O não-fumante poderá agora exercer sua notória intolerância sob o respaldo de normas higienistas que desconsideram conquistas seculares da democracia e seu direito das minorias.

A questão é muito simples. O cigarro é uma substância legal e seu usuário não pode ser submetido a constrangimento ou tratamento discriminatório, não pode ser jogado numa calçada, ao relento, exposto a uma condição humilhante. Nenhuma regra pode exterminar o direito do convívio social a qualquer que seja o grupo, a origem ou a preferência.

Não se vê mais viciados que se atrevam a acender cigarros em hospitais, filas de banco, supermercados ou elevadores lotados. Nesse ponto, houve uma ação civilizatória, justa e irreversível, que retirou os fumantes dos devidos lugares. Afinal, são ambientes públicos em que não se escolhe estar. Nesses locais poderia ser permitido até que dependentes químicos de nicotina fossem açoitados ou empalados. Ninguém reclamaria.

Só que essa lógica não se aplica a um bar, um restaurante, uma casa noturna. Vamos a esses lugares, e os escolhemos entre milhares de opções, à procura de diversão, convívio, relaxamento. Muitos restaurantes e pizzarias optaram por proibir o uso de cigarros em suas dependências e se deram muito bem. Mas por que um empresário não pode pagar seus impostos e abrir um pub ou uma choperia em que o fumo seja tolerado? Entra quem quer. Um não-fumante simplesmente não é obrigado a entrar em uma boate em que o cigarro seja aceito. Ele que freqüente outro cabaré.

As estatísticas mais alarmistas dizem que apenas 25% da população é fumante. Por que essa maioria arrebatadora de 75% até hoje não conseguiu expulsar o fumo e a bebida de ambientes festivos e de descontração? Porque Baco é um deus mais conhecido que Apolo, embora menos poderoso. Mesmo as pessoas completamente saudáveis gostam de freqüentar ambientes criados por aqueles que cantam, dançam, brindam e aspiram à raça humana. Evoé.

Mas, na falta de um inimigo comum, já que comunistas e fascistas encontram-se soterrados pela história, nada melhor que oferecer em holocausto os rebeldes subversivos que insistem em dar baforadas alegres e suicidas. Depois que forem extirpados, que venham os obesos, os poetas e os devassos.

As autoridades são muito cínicas quando alegam ser esta uma questão inadiável de saúde pública. Não é razoável ignorar que sejam alarmantemente nocivos a fumaça e os gases cancerígenos emitidos pelos milhões de veículos que circulam em nossas ruas. Estes não mereciam uma ação mais urgente dos nossos governantes? Como automóveis não são seres humanos, fica mais difícil combatê-los. Só pode ser isso.

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05/04/2009 - 11:51

Rua Augusta: um hospício onde tudo é permitido

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Já escrevi no blog sobre a curiosa preferência dos correspondentes internacionais pelo Rio de Janeiro – dos 108 sócios efetivos da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE), 103 residem na cidade. O jornalista Seth Kugel é uma das exceções nesta rede. Colaborador do “New York Times”, fixou-se em São Paulo, cidade que tem procurado descobrir além da superfície.

Na edição deste domingo, no caderno “Travel” (viagem), Kugel escreve sobre a revitalização de todo a região em torno do que ele chama de “lado ruim” da Rua Augusta – o trecho da rua que desce, da Avenida Paulista, em direção ao centro da cidade. Não chega a ser um assunto original, mas o seu olhar sobre o pedaço é muito bom. 

A região, como se sabe, foi por muito tempo uma zona de prostituição, com casas noturnas voltadas ao negócio e mulheres ganhando a vida na rua. Nos últimos anos, ele escreve, também virou um bairro de casas noturnas para o público GLS, um ponto de encontros de adolescentes, e até mesmo um local onde você vê senhoras passeando com seus cachorros. “É um lugar muito interessante para passar uma noite: um hospício onde tudo é permitido”, define, com bom humor.

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23/03/2009 - 15:18

Radiohead: leitores descrevem show de horrores

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Escrevi hoje de manhã um comentário sobre a falta de estrutura e a desorganização do show do Radiohead. Deixei claro que gostei do ótimo show, mas mesmo assim temia que fosse ouvir desaforos dos fãs da banda. Que nada!!! A caixa de comentários do blog lotou com depoimentos de leitores descrevendo um show de horrores ainda pior do que eu vi. Fiz uma atualização no post, às 11h30, chamando a atenção para problemas que eu não tinha percebido, mas resolvi escrever um novo texto, agora à tarde, para dar mais destaque à voz dos leitores.

Um dos maiores dramas, que não enfrentei, porque fui e voltei de táxi, foi vivido por aqueles que deixaram o carro no estacionamento oficial. Há relatos de pessoas que, duas horas depois do fim do show, ainda não tinham conseguido sair do local. Como Ana M., que definiu a sua experiência como uma “bad trip”:

Ninguém lembrou de comentar que na 1h30 de espera não havia nenhuma alma penada para organizar o trânsito dentro do estacionamento? (se tinha, eu não vi) Ficamos todo o tempo sem saber o que estava acontecendo num terreno praticamente baldio com trechos escuros e escorregadios. Certamente essa “bad trip” vai fazer muita gente pensar muitas vezes antes de ir a um show num lugar isolado como a chácara. Santa desorganização!

O depoimento de Victor Ramos também dá a dimensão do horror. Ele optou por um estacionamento “não oficial” e se deu tão mal quanto:

Show dos extremos: extrema qualidade musical, extrema ridicularização e humilhação dos que foram agraciados com a boa música. A saída foi um dos piores momentos que já vivenciei numa multidão: 30 mil pessoas afuniladas, ao mesmo tempo, numa única e pequena saída!!! Por que não abriram as saídas de emergência no fim do show? Pra dar risada daquele monte de formiga se espremendo e passando mal? Tive que pagar 50 reais num estacionamento com chão de barro/lama pra não ter que ficar preso 1h30 no “estacionamento oficial”. Um falta de respeito que só se vê no Brasil.

Mais de um leitor falou de carros arrombados e furtados nas imediações da Chácara do Jockey. Thiago Pellegrini escreveu:

Passei mais de uma hora e meia para ir do Eldorado até o show e perdi o Los Hermanos. Total falta de apoio dos organizadores e da CET. E ainda teve muitas pessoas no estacionamento em que parei que tiveram seus carros arrombados pelos flanelinhas. É duro, mas 200 paus vale pelo show, que foi ótimo, mas o preço da desordem é muito maior.

Ricardo descreveu situação semelhante:

Acho que você teve sorte de não ir de carro. Mas tem uma coisa que precisa ser apurada corretamente. Cerca de 50 carros foram arrombados no estacionamento do show. Levaram de estepes a gasolina. Nem precisa falar que quebraram vidros e tal. A polícia foi chamada, inclusive, mas pouco fez e o roubo continuou noite adentro.

A saída, para quem foi de táxi e ficou até o último bis, foi igualmente complicada. Conta Eduardo Nasi, que também reclama da péssima qualidade do serviço de bar do evento:

De táxi também não foi fácil. Na saída, levamos duas horas e meia para conseguir um. E a “praça de alimentação”. Depois de pagar oito reais por um XIS e esperar por mais de meia hora, minha namorada recebeu um CACHORRO-QUENTE. Porque o XIS, vejam só, tinha acabado.A pizza, outra opção, estava com a massa crua e era montada porcamente.

Daniela aponta um outro problema de logística, não pensado pela organização:

Não havia banheiros químicos do lado de fora do lugar, quem se aventurou a ir em um banheiro teve que recorrer aos postos de gasolina que ficavam perto, no fim do show apenas UMA saída para 30 mil pessoas, um absurdo!!

Nara Alves relata que sofreu um desmaio e foi acudida pelos amigos. Não viu nenhuma equipe de socorro por perto:

Antes do início do show do Radiohead eu tentei chegar mais perto do palco. Não consegui ficar mais de 20 minutos porque estava tão abafado que eu desmaiei no meio da multidão. Apaguei (e não estava bêbada e tinha almoçado super bem!) pela primeira vez na vida. A sorte é que caí em cima do meu amigo, que me segurou. As pessoas em volta deram algum espaço para jogarem água no meu pulso e darem uns tapas no meu rosto. Fiquei um minuto desacordada, sem socorro médico, contando só com a galera em volta. Depois, acordei e fui curtir o show lá de trás… Adorei! Radiohead é demais! Mas fica o registro sobre a falta de atendimento por parte da organização…
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Por fim, uma moradora da região onde ocorreu o show, também se manifestou sobre o caos e o barulho nas imediações. Eis o que escreveu Rosa:

Pena tanto sofrimento para ver um show. Moro perto do local, nosso bairro é bastante populoso e não sei como eles obtém licença para esses tipos de evento num lugar como este, tivemos que ficar ouvindo música altíssima o dia inteiro, terminou perto de meia noite e os apitos de pessoas que tentavam ajudar na saída do evento só terminaram perto de duas horas da madrugada. Depois de tudo isso saber que pessoas gastaram tanto para poder ver seus grupos de música e não ficarem felizes é muito triste

O blog, evidentemente, está aberto às explicações dos produtores do show e das autoridades municipais (Contru, CET) e estaduais (polícia) que poderiam acrescentar algo sobre esse caos, que manchou um dos grandes eventos musicais ocorridos em São Paulo nos últimos tempos.

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15/03/2009 - 17:52

Leituras dominicais

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“As academias, por exemplo, por mais que tenham mil atividades, não são voltadas para as crianças. E no clube você pode largar as crianças, sabendo que ali as pessoas têm o mesmo nível. Não é a mesma coisa que soltar no shopping. Ali no Eldorado, por exemplo, tem um ponto de ônibus bem do lado, então mistura, né?”

(Maria Botelho de Souza, que trabalha no mercado financeiro, explicando por que não hesitou em pagar R$ 20 mil por um título do Clube Pinheiros, segundo reportagem em “O Estado de S. Paulo”, de 15 de março de 2009)

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04/02/2009 - 14:17

Escola de samba gay cria polêmica com a Gaviões da Fiel

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Estive, no último domingo, na quadra da Arco-Íris, primeira escola de samba gay de São Paulo. Há projetos semelhantes em outras cidades, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, mas a escola paulista parece ser a mais estruturada e articulada. A começar pelo fato de que, apenas um ano depois da sua criação, já conseguiu assegurar uma vaga no Grupo de Acesso da União das Escolas de Samba Paulistanas.

Na reportagem, publicada no site especial do iG dedicado ao Carnaval, o publicitário Eduardo Correa (foto), criador da escola, afirma que a Arco-Íris só existe por causa do preconceito contra gays nas escolas de samba tradicionais. “Vou levar dez membros da minha comunidade a uma escola de samba. Qualquer uma. Se eles forem aceitos na bateria, a Arco-Íris não tem razão de existir”, desafia.

Correa relata que um diretor da escola foi expulso, junto com amigos, de um ensaio da Gaviões da Fiel “porque estavam dançando de forma afeminada”. Eduardo Ferreira, falando em nome da diretoria da Gaviões, nega a expulsão, mas diz: “A torcida não está acostumada com essa coisa de GLS (gays, lésbicas e simpatizantes)”. Pano rápido.

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26/01/2009 - 10:14

Chiquinha, grafite, bolo virtual, fotografia e cartazes em SP

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Em meio a um Pelé, um Ronaldinho Gaúcho, um Chacrinha e um Silvio Santos, quem seria aquela menina feinha, de óculos e um dente preto?  Tive que perguntar para a própria. “Você está imitando quem?” Ela me olhou meio brava, como que não acreditando na minha ignorância, e disse: “A Chiquinha, né? A Chiquinha do Chaves”. Quase pedi desculpas pela pergunta. “Certo”, eu disse.

Toda essa turma de imitadores e sósias compareceu, domingo de manhã, à festa pelos 455 anos da cidade de São Paulo, no Bixiga. A atração principal seria um bolo gigante, de 455 metros, mas os patrocinadores desistiram de ajudar – e o bolo não foi feito. Em seu lugar, Walter Taverna, o organizador da festa, convidou grafiteiros da cidade a pintarem um “bolo virtual” de 455 metros no asfalto da rua Rui Barbosa. Como relatei em reportagem no Último Segundo, foi uma festa divertida, em que não faltaram estrelas – a começar por Sandrinha Sargentelli, que comandou o show.

Mas não foi a única atração do aniversário de São Paulo. No Centro Cultural São Paulo, como escrevi no sábado, foi inaugurada uma exposição de fotos primorosas de Aurélio Becherini, considerado o primeiro repórter fotográfico da imprensa paulista.

No domingo de manhã, no Centro Universitário Maria Antônia, 20 artistas gráficos apresentaram suas respostas ao desafio de criarem cartazes sobre São Paulo, com o tema “(In)sustentabilidade urbana”.  Como sempre ocorre em mostras coletivas, os resultados são irregulares. Destaco aqui alguns dos trabalhos que me chamaram mais a atenção. Da esquerda para a direita, os cartazes de Rodrigo Sommer, Vinicius Marson e Paulo Moretto:

               

Alguém poderia perguntar: há motivos para comemorar o aniversário de uma cidade com tantos problemas quanto São Paulo? A festa no Bixiga e essas duas exposições mostram que sim, na minha opinião. 

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23/01/2009 - 09:54

Ronaldo já é nome de prato em restaurante paulista

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Principal contratação do futebol brasileiro em 2009, o Fenômeno ainda não vestiu a camisa do Corinthians, nem se sabe com certeza quando isso vai acontecer. Os inimigos o chamam de “Ronalducho”, ou “Fofucho”, por conta dos nítidos quilos em excesso que carrega. Além de um forte programa de treinamentos, Ronaldo segue uma rígida dieta em seu esforço de entrar em forma.

Não deve, por esse motivo, passar perto do restaurante Esquina Grill, de Fuad Sallum, em Santa Cecília. Há poucas semanas, Fuad criou um novo prato em homenagem ao jogador, a calórica “Picanha a La Ronaldo”, servida com mandioca crocante e agrião. O número de referência do prato, para controle dos garçons, é nove, o número da camisa do craque, e o preço da porção é R$ 29,99.

Fuad é presidente da Associação dos Moradores e Comerciantes de Higienópolis e pensou na homenagem quando ouviu dizer que Ronaldo ia se instalar no bairro – o que ainda não aconteceu. 

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17/01/2009 - 11:46

Uma “bicicleta fantasma” por mais humanidade no trânsito

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Eles parecem loucos, mas são, de certa forma, heróis. São ativistas do ciclismo, em São Paulo – uma cidade cuja política de transporte sempre privilegiou os carros. Promovem passeios, fazem campanhas de conscientização, pintam bicicletas no asfalto, em grandes avenidas, a sinalizar que ônibus e carros devem dividir espaço com as bicicletas.

Encontrei-os pela primeira vez em setembro do ano passado, no Dia Mundial sem Carro. O protesto que promoveram não reuniu tantos ciclistas quanto esperavam, mas chamou a atenção pelo bom humor e a criatividade.

Menos de quatro meses depois, voltei a encontrá-los, no mesmo local, uma área que eles chamam de “Praça do Ciclista”, na confluência da avenida Paulista com a rua da Consolação. O bom humor havia dado lugar ao luto pela morte de Márcia Regina de Andrade Prado, ciclista do grupo, atropelada e morta por um ônibus no último dia 14, por volta de meio-dia, na avenida Paulista.

O protesto que organizaram, na noite de sexta-feira, 16, foi emocionante. Eram cerca de 300 amigos e colegas de Márcia. Saíram no ponto de sempre e rumaram em direção ao local do acidente, entre a rua Pamplona e a alameda Campinas. Em silêncio, levando as bikes nas mãos, ocuparam duas faixas da Paulista. Carregavam rosas brancas, distribuídas a quem parava para olhar o protesto.

No meio da marcha, começou a chover forte, como escrevi no Último Segundo, mas o protesto prosseguiu impávido. No ponto da avenida em que Márcia foi atropelada, os ciclistas instalaram uma bicicleta pintada de branco, uma “bicicleta fantasma”, para servir como marco da luta por mais humanidade no trânsito. Um símbolo forte – espero que eficaz.

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23/12/2008 - 13:35

O repórter tropeça na tecnologia

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Antes, eu tinha uma câmera fotográfica básica, que fazia fotos básicas. Agora, ganhei uma câmera moderna, cheia de recursos, que não apenas fotografa como também faz vídeos e fotos incríveis. Só falta eu aprender a usar a máquina.

Na segunda-feira à noite, saí para fazer uma reportagem sobre as atrações de Natal em São Paulo. Fiz várias fotos dos diferentes programas que enfrentei, a saber: a lama em volta do lago Ibirapuera, onde ocorria um show de luzes; a gigantesca árvore de Natal do parque apagada por causa do temporal; a enorme fila para entrar em um presépio na avenida Paulista às 22h30; e a quantidade de gente disparando o flash de suas câmeras fotográficas.

O problema é que, em vez de fazer fotos, acionei o dispositivo que faz vídeos. Não saiu uma coisa nem outra. Moral da história: a reportagem está publicada sem as minhas fotos, mas com imagens de arquivos. Espero, ainda assim, que esteja divertida.

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22/12/2008 - 08:48

É Natal nos Jardins: até o Yorkshire faz compras!

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Domingo de compras nos Jardins, em São Paulo. Na alameda Lorena, a mulher passeia com o seu Yorkshire em meio ao movimento. Sem coleira, o cachorrinho sai correndo e entra numa loja. Sem graça, a mulher tenta explicar o que houve para o sujeito que assiste a cena sentado num banco, na calçada:

– Não sei o que ele tem. Ele sente alguma coisa quando passa em algumas lojas, e aí ele tem que entrar.

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