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Arquivo da Categoria televisão

09/12/2009 - 10:16

“Cinquentinha” opta pelo riso fácil da caricatura

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cinquentinhaAguinaldo Silva é um dos mais bem-sucedidos autores da Rede Globo. Fã de “Tom & Jerry”, ele entende que o bom vilão, na tevê, deve ser sempre um canastrão. Como Tom. “Ele esmaga aquele ratinho mil vez por dia, prepara as armadilhas mais ardilosas, mas sempre leva a pior, e todo mundo morre de rir”, diz o autor em seu depoimento ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”.

“Cinquentinha”, a série em oito capítulos que estreou nesta terça-feira, não tem um vilão com essas características, mas quatro: são as três viúvas de Daniel (José Wilker), Lara (Susana Vieira), Mariana (Marília Gabriela) e Rejane (Betty Lago), além de Leonor (Maria Padilha), todas inimigas entre si.

Com direção-geral de Wolf Maia, parceiro de Aguinaldo Silva em outras aventuras, “Cinquentinha” adota o tom da caricatura, do humor sem sutileza, disposto a fazer o público rir de qualquer maneira. Tudo é exagerado, avacalhado, chapado – quase um programa estrelado por Didi Mocó.

Todos os bons temas sugeridos por Aguinaldo Silva se diluem, em meio ao clima adotado para contar a história. A atriz em decadência é uma piada ambulante, na interpretação exagerada (e sem jeito) de Susana Vieira. O mesmo vale para o conflito, tratado de forma grotesca, da avó Rejane (Betty Lago) com a neta, que está namorando um homem negro, morador da favela.

Mesmo uma ousadia de Aguinaldo Silva se perdeu, na estreia, soterrada pelo clima de avacalhação geral. A fotógrafa Mariana, cinquentona que só namora garotos de 18 anos, encontra na balada uma colega dos tempos em que ambas eram estagiárias no jornal. Leila (Ângela Vieira) acaba levando Mariana para casa (e para a cama), mas a noitada termina, de manhã, em forma de galhofa, com a personagem de Marília Gabriela fugindo da casa da amiga com as roupas nas mãos.

Aguinaldo Silva defende a idéia que o autor de televisão deve escrever para agradar ao público. “Você está fazendo novela para quê? Para conseguir audiência e agradar o telespectador. É para fazer sucesso, não é por outra razão. Então, é um absurdo se colocar contra o que o espectador quer”. Pano rápido.

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02/12/2009 - 21:26

Em guerra com a Record, Globo homenageia Lombardi

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Pela importância que adquiriu no imaginário do brasileiro nos últimos 40 anos, o locutor Luiz Lombardi Neto merece todas as homenagens, inclusive o destaque que ganhou na edição do “Jornal Nacional” na noite de quarta-feira. Além de ter sido mencionada entre as principais notícias do dia, a morte de Lombardi foi objeto de uma reportagem generosa do principal noticiário da Globo, com direito, até, a uma imagem de Silvio Santos.

Não custa lembrar que, até recentemente, o SBT de Silvio Santos era o principal concorrente da Globo e orgulhava-se de ocupar a vice-liderança. Era um rival guerrilheiro, mas pouco ameaçador, e suas eventuais vitórias no Ibope, como ocorreu com “Casa dos Artistas”, eram vistas com um misto de espanto e desprezo.

O quadro mudou nos últimos anos, com a ascensão da Record, culminando com a perda, pelo SBT, da vice-liderança. Como se sabe, diferentemente da emissora de Silvio Santos, a rede da Igreja Universal do Reino de Deus não se orgulha nem se satisfaz com o segundo lugar. Quer alcançar a liderança da Globo – e essa disputa entre as duas emissoras tem provocado lances ferozes, que não cabe aqui, neste momento, comentar.

O fato é que não apenas o SBT lamenta ter perdido a vice-liderança para a Record, como também a Globo. Enxergo na cobertura simpática da morte de Lombardi mais um lance deste quadro – uma sinalização da emissora da família Marinho à concorrência.

Em junho de 2008, Daniela Beyruti, herdeira e sucessora de Silvio Santos, deu uma raríssima entrevista, publicada na revista “Poder”. Ao longo da conversa, conduzida por mim e pela jornalista Simone Galib, Daniela falou com muito carinho da Globo, como pode-se ler no trecho a seguir:

No ano passado (2007), fiz um estudo da grade da Globo. Aprendi a ter um respeito e uma admiração muito particular. É tão bem programado com o hábito do brasileiro. É muito legal. Eles têm uma programação direcionada. A gente era a segunda opção. Quando você perde isso, você se pergunta: “Onde eu me perdi? O que aconteceu?” Só quando você perde, você se depara com esta questão.

Enfim, melhor para os espectadores do “Jornal Nacional” que Lombardi tenha merecido uma reportagem à altura da sua importância. Só tenho dúvidas se essa situação teria ocorrido em outro momento.

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02/12/2009 - 19:05

Carta em jornal mostra que “Casseta & Planeta” pega leve com Lula

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Uma frase muito repetida de Millôr Fernandes diz que só existe imprensa de oposição – “o resto é armazém de secos e molhados”. O mesmo pode-se dizer, e com muito mais ênfase ainda, a respeito do humor. Não existe humor a favor. O humor é, por natureza, do contra, de oposição.

Mesmo sabendo disso, creio que muita gente se espantou com a carta que Marcelo Madureira, um dos integrantes do grupo “Casseta & Planeta”, enviou à “Folha de S.Paulo” no sábado, 28 de novembro. A propósito de comentar o artigo que Cesar Benjamin publicou no jornal, Marcelo escreveu:

“Em tempos de unanimidades, bajulação, mentiras, censuras veladas e neoperonismos, o corajoso e sensível depoimento de César Benjamin só vem confirmar aquilo de que eu já desconfiava havia muito tempo: que o Brasil está sendo governado por um bando de cafajestes sem escrúpulos. E o que é pior: recebem indenizações pelas suas cafajestadas. Parabéns a César Benjamin e a esta Folha.”

Não sei se o jornal recebeu muitas cartas comentando a opinião de Marcelo, mas nesta quarta-feira, dia 2, saiu a mensagem de um leitor, Washington Luiz de Araújo, incomodado com o que leu na seção de cartas. Diz o texto:

“Até para fazer humorismo as pessoas precisam ser sérias, isentas. Mas há os que confundem personagem fictício com real. É o caso de Marcelo Madureira, do ‘Casseta e Planeta’. O ator não foi nada sério ao abordar o lamentável artigo de César Benjamin. Com que isenção vou assistir ao programa humorístico sabendo que um de seus produtores e atores traz na alma tanto veneno, acreditando numa coisa descabida sem aguardar pela constatação dos fatos?”

Pensando no “Casseta & Planeta” em retrospectiva, e nas piadas que ele faz com Lula, não acho que seja muito diferente da forma como o programa já tratou outros presidentes – lembro, sobretudo, de Fernando Henrique e Itamar Franco. Lendo a carta de Marcelo Madureira, posso imaginar que, dependendo dele, a visão que o programa apresenta de Lula é muito amena.

Autor: - Categoria(s): Brasil, jornalismo, televisão Tags:
01/12/2009 - 10:40

“CQC” morde a isca da MTV e explica Top 5 sem Luciano do Valle

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A gafe do narrador Luciano do Valle, que anunciou no microfone da Band estar transmitindo uma partida com exclusividade “aqui na Globo”, continua rendendo. Na quinta-feira, 26 de novembro, como contei aqui no blog, o programa “Furo MTV” desafiou o “CQC” a exibir o vídeo no famoso quadro Top 5. “Como o ‘CQC’ é chapa-branca, não vai mostrar…”, provocou o apresentador Bento Ribeiro, antes de exibir o vídeo na MTV.

E não é que o “CQC” mordeu a isca? O programa da Band, nesta segunda-feira, 30 de novembro, não mostrou o famoso vídeo, mas tratou abertamente do assunto e, de quebra, ainda fez piada com a MTV.

Em quinto lugar no Top 5, Marcelo Tas apresentou um trecho do programa “Podsex”, na qual as duas apresentadoras (“aquelas delicinhas da MTV”, explicou) relatam, com constrangimento, um caso de sexo anal ocorrido involuntariamente.

Na sequência, antes de apresentar o quarto vídeo, Tas fala: “Para compensar essa coisa chula, uma coisa muito refinada que surgiu aqui na Band. Aliás, a gente ia colocar o Luciano do Valle falando que chamou a Globo ao invés da Band, mas o Luciano do Valle ficou lá para trás porque veio ele, o nosso lorde, o lorde inglês desta casa, José Luis Datenão”. E segue um vídeo, sem graça nenhuma, na minha opinião, no qual o apresentador Datena reclama que uma entrevistada “não para de falar” e manda cortar a entrevista no meio.

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29/11/2009 - 13:19

Como “reencenar” fatos reais em documentários?

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SP Sob Ataque iG 1A exibição neste domingo, às 20h, no Discovery Channel, de “São Paulo Sob Ataque” é um bom pretexto para discutir um aspecto da produção de documentários para a televisão que ainda causa incômodo a muitos espectadores. Refiro-me ao recurso da “reencenação” de episódios de história sobre os quais não há imagens reais disponíveis, mas que são fundamentais para a compreensão da trama.

A série da Globo “Por Toda a Minha Vida” faz muito uso deste recurso, assim como diferentes programas policiais exibidos na tevê fechada, tipo “Medical Detectives” e outros do gênero.

Documentários, de uma maneira geral, contam com muito menos recursos do que filmes de ficção. Por esse motivo, as cenas de reconstituição nestes programas são pobres e quase sempre passam a impressão de serem artificiais e mal encaixadas no ritmo da história que está sendo contada. Pior, muitas vezes quebram o ritmo, ao produzirem aquele efeito de estranhamento no espectador, que percebe estar assistindo a uma recriação tosca da história.

“São Paulo Sob Ataque”, como escrevi no Último Segundo, tem vários méritos, no seu esforço de compreensão dos ataques do PCC durante três dias, em maio de 2006 e a reação da polícia nos dias que se seguiram. Mas há uma clara quebra de ritmo sempre que o documentário, com narração melodramática, nos convida a “ver” alguma cena de violência recriada pela produção. Na minha visão, o filme não perderia nada sem essas cenas “recriadas”.

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26/11/2009 - 23:06

MTV desafia “CQC” a exibir erro de Luciano do Valle

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Quarta-feira, 22h50. Início do segundo tempo entre LDU e Fluminense. Com a palavra, Luciano do Valle: “Começa o segundo tempo, para você, desta final. Primeira partida da final da Copa Sul-Americana, que você acompanha com exclusividade aqui na Globo… Aqui na Bandeirantes, né? Que a Globo não está fazendo pra São Paulo, é bom que se saiba. Então, a Bandeirantes faz com exclusividade pra São Paulo”. E Neto tenta ajudar: “É com a gente aqui, pelo amor de Deus”. E Luciano completa: “E nós estamos ao lado do futebol brasileiro, ao lado do Fluminense, para todo o Brasil”.

Gafes e atos falhos acontecem. Quanto mais absurdos, mais engraçados. Para infelicidade de quem participa de transmissões ao vivo, hoje em dia existe o You Tube, implacável no registro dos erros e infelicidades das figuras da televisão.

E é justamente desta matéria-prima – os erros e os absurdos vistos na tevê, preservados pela Internet – que vários programas, da própria tevê, se alimentam. No Brasil, a lista de atrações que recorre a este expediente é imensa, de A a Z. Não espanta que, menos de 24 horas depois de cometido, na noite de quinta-feira, 26, o erro de Luciano do Valle já era visto num desses programas, o “Furo MTV”, apresentado pelo ator Bento Ribeiro.

Ele lembrou que um outro programa, o “CQC”, da Band, também acolhe, semanalmente, vídeos engraçados, no quadro “Top Five”. Abusado, aproveitou para provocar seus rivais: “Como o ‘CQC’ é chapa-branca, não vai mostrar…”… E exibiu a gafe do narrador de futebol da Band. O desafio está lançado… Aguardemos o “CQC” de segunda-feira.

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23/11/2009 - 16:13

Problema crônico em reality: falta de transparência

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Fazenda Sheila e Bombom“Votações encerradas”, anunciou Britto Jr. diante de Sheila Mello, Ana Paula Oliveira e Mateus Rocha, os três peões no paredão da primeira semana. Menos de um minuto depois, o apresentador comunicou: “Sheila Mello, você está salva!”. O mundo se curva diante da Record por esta que foi, até onde eu sei, a apuração mais rápida da história das eleições no mundo. Nem o BBB, com seus critérios pouco claros, chegou perto. A ex-loira do Tchan respondeu à altura: “Obrigado, Brasil. Oi, galinhas. Estou de volta”.

Começa assim o texto “Como no BBB, falta transparência na apuração”, que publiquei nesta segunda-feira no blog do iG dedicado ao programa A Fazenda 2. Aproveito para comentar também o histórico momento em que Adriana Bombom e Sheila Mello compararam seus bumbuns na tevê.

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23/11/2009 - 02:21

Luciano Huck acusa programa do Gugu de plágio e é chamado de “babaca” e “covarde” pelo diretor do rival

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O Twitter foi palco neste domingo de uma discussão acalorada entre Luciano Huck, apresentador da Globo, e Homero Salles, diretor do programa de Gugu Liberato na Record. A briga terminou por chamar a atenção para um problema crônico da televisão brasileira: o mau hábito de copiar programas alheios ou repetir fórmulas prontas.

Huck indignou-se ao ver o apresentador da Record exibir na noite deste domingo um quadro semelhante ao “Lata Velha”, que ajuda donos de carros velhos a reformarem seus veículos, apresentado no programa da Globo desde 2006.

“Agora o Gugu quer ‘se inspirar’ também no Lata Velha!!! Hahahaha…ô falta de imaginação!!!! Tem gente que acha que povo é burro, né não?”, escreveu Huck, por volta das 21h15, aos seus 1,4 milhão de seguidores – o maior número no Twitter brasileiro. E logo acrescentou, com ironia: “Faça o bem, para receber o bem. Vou acreditar que 80% do Programa do Gugu é uma ‘homenagem’ ao Caldeirão. Obrigado, nobre colega.”

Com apenas 1,5 mil seguidores no Twitter quando começou a discussão, Homero Salles aproveitou a deixa para desferir uma série de ataques a Huck. Por uma hora e meia, ao longo de mais de 20 mensagens sobre o assunto, o diretor da Record não negou ter copiado o programa do rival, apenas argumentou que o apresentador da Globo não tinha autoridade para falar de cópias.

“@huckluciano , deixa de ser babaca…você dirige um TAXI que o Gugu dirigia e pensa que pode falar dos outros?”, começou Salles, lembrando que Huck apresentou um quadro na Globo muito semelhante a um que Gugu mantinha no SBT.

Irônico, Salles lembrou que o quadro “Lata Velha” é baseado num formato estrangeiro, sugerindo que não está copiando a atração do “Caldeirão do Huck”, mas de programas da tevê americana: “amiguinho…TODOS nós assistimos os programas de reforma de carros americanos…nem vc nem nós inventamos isso”

Ainda com sarcasmo, Salles afirmou que Huck utiliza em seu programa vários quadros “importados” de produtores estrangeiros. “ô nobre colega…até três anos atrás vc perdia pro Raul Gil, a Globo teve de gastar uma nota preta comprando formatos…”, escreveu Salles. O diretor da Record citou os quadros “Barco do Amor” e “Acorrentados” como exemplos de atrações “importadas”. E, logo, no Twitter, vários leitores que assistiam a discussão lembraram de outros quadros exibidos no programa de Huck que seriam “inspirados” em atrações estrangeiras, como “Soletrando” e “Lar Doce Lar”.

“Nunca tive vergonha de adaptar bons quadros …mas tem de ser homem e assumir”, escreveu o diretor do programa do Gugu. Chamado de “covarde” por fazer suas críticas quando o programa do concorrente ainda estava no ar, Huck apagou do Twiiter, ainda na noite de domingo, os dois comentários que publicou. Um pouco antes de eliminá-los, dirigindo-se a colegas que se impressionaram com o tom da discussão, Huck escreveu que suas críticas foram apenas “um dasabafinho”, mas que não tinha a intenção de polemizar com Salles.

Atribui-se a Abelardo Barbosa (1917-1988) a célebre frase: “Em televisão, nada se cria, tudo se copia”. É um exagero, evidentemente – e o próprio Chacrinha, original em vários aspectos, está aí para desmentir a si próprio. Mas a briga feia entre Luciano Huck e Homero Salles diz muito do nível da televisão brasileira atual.

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20/11/2009 - 13:10

Especial sobre Cazuza “reabilita” Ney Matogrosso

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O programa sobre Cazuza (1959-1990) exibido pela Globo nesta quinta-feira, dentro da série “Por Toda a Minha Vida”, fez justiça, finalmente, ao cantor Ney Matogrosso, vetado e suprimido do filme “Cazuza, O Tempo Não Para” (2004), uma produção da Globo Filmes, dirigida por Sandra Werneck e Walter Carvalho.

Ney aparece de várias formas no especial. Ele fala sobre o relacionamento amoroso de três meses que teve com Cazuza, dá um depoimento sobre a obra do músico (elege “O Tempo Não Para”, “Blues da Piedade” e “Brasil” como suas obras-primas) e faz parte da encenação de um episódio fundamental na trajetória do Barão Vermelho: a sua decisão de gravar a canção “Pro Dia Nascer Feliz”, que deu visibilidade, no início dos anos 80, à jovem banda de rock.

Apenas por isso, o especial sobre Cazuza já mereceria todos os elogios. Mas o programa, com direção de Gustavo Fernandez, roteiro de George Moura e Teresa Frota e colaboração de Fernanda Scalzo, vai além.

Com ótimos depoimentos, inclusive do colega de escola Pedro Bial, do parceiro Roberto Frejat e do pai João Araujo, que raramente fala sobre Cazuza, o programa apresenta histórias pouco conhecidas ou inéditas sobre a breve vida do músico.

Bial descreve o dia em que os dois, crianças, foram recebidos por Vinicius de Moraes na banheira de sua casa e convidados a beber um uísque. Com muita sinceridade, Frejat relata a briga que teve com Cazuza e como reagiu à decisão do cantor de deixar o Barão Vermelho: “Fiquei puto”, diz. João Araujo aparece numa encenação aos tapas com o filho adolescente e, em outro trecho, emociona-se ao falar do legado de Cazuza.

Lucinha Araujo, mãe de Cazuza e co-autora do livro “Só as Mães São Felizes”, que serviu de fonte para o filme “O Tempo Não Para”, também é ouvida no especial, mas seu papel na história parece ter sido redimensionado.

O especial apresenta os vários Cazuzas que a sua geração conheceu: o compositor genial, o boêmio inconveniente, o hedonista irresponsável, o rebelde indomável, o artista corajoso, o exagerado em tudo. Entende-se claramente, ao final do programa, porque ele faz tanta falta.

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19/11/2009 - 16:06

A alegria de ouvir bobagens na “Fazenda”

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Para quem freqüenta este blog e, ao mesmo tempo, aprecia os textos do autor sobre televisão, informo que meus comentários sobre “A Fazenda” serão publicados às segundas e quintas no blog específico que o iG mantém sobre o programa. No texto desta quinta-feira, eu falo da alegria de ouvir bobagens no reality.

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16/11/2009 - 01:26

“A Fazenda”: mais enxuta, sem reza e sem comercial

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Na essência, “A Fazenda” continua o mesmo: subcelebridades de terceiro e quarto escalão em busca de um lugar ao sol, Britto Jr. tentando ser Pedro Bial e a Record falando da Record. Mas, em relação ao programa que estreou há cinco meses e meio, a segunda edição do reality show começou com alguns melhoramentos.

Em primeiro lugar, no lugar das duas horas e quarenta minutos da primeira estreia, desta vez foram apenas 120 minutos. Sem enrolação, direto ao ponto, os candidatos foram brevemente apresentados, não tiveram a chance de falar muita besteira e ainda foram submetidos a uma prova divertida.

Outro progresso foi visto no final. Na primeira estreia, os candidatos tomaram uma taça de espumante e, em círculo, comandados por Babi, fizeram uma prece. “Senhor, que a gente aprenda a ser um ser humano melhor”, começou a moça, antes de pedir: “Jesus, que todos nós tenhamos um salto em nossas carreiras”. Desta vez, repetiu-se a oferta de bebida, mas, na hora em que os participantes começaram a formar um círculo, o programa saiu do ar sem que pudéssemos ouvir qualquer oração.

É claro que houve espaço para inúmeras piadas involuntárias. A melhor de todas, sem dúvida, a frase de Sheila Melo, apresentada por Britto como “uma das loiras mais conhecidas do Brasil”, que disse: “Não precisa ser verdadeiro… Me tratando bem já tá bom.” Eis uma reflexão que vale como mantra para a vida.

MC Leozinho, como se estivesse no palco do Gugu ou do Faustão, agradeceu: “Estou muito feliz pelo convite”. Mauricio Manieri observou: “Não sou muito de me expor”. E Karina Bacchi nos informou: “Me arrependi muito de ter posado nua”.

Quase todos os participantes mereceram um “bem-vindo” do apresentador, mas Cacau Melo, depois de participações inexpressivas em novelas e programas da Globo, mereceu algo mais: “Bem-vinda à Record”, saudou Britto.

Mais uma vez, a emissora subverteu a lógica capitalista que rege o negócio da comunicação no Brasil, segundo a qual a publicidade financia a produção. O programa entrou no ar imediatamente depois do Gugu, sem intervalos comerciais, por volta das 22h20, e só foi interrompido às 23h45, depois de uma hora e vinte e cinco minutos.

Houve, então, um intervalo comercial de seis minutos, seguido de um segundo bloco do programa que durou oito minutos, um segundo intervalo de cinco minutos e, finalmente, um terceiro bloco do reality de quinze minutos. Resumindo, ao longo de duas horas, houve onze minutos de comerciais, alocados em dois blocos na última meia hora da atração.

Com essa estratégia, “A Fazenda” espera vencer a guerra da audiência nas noites de domingo.

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11/11/2009 - 13:01

Record briga ao vivo com a Globo por entrevista

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Uma repórter da Rede Record tentou invadir uma área reservada onde o secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia aguardava para dar uma entrevista à Rede Globo, na manhã desta quarta-feira, em Brasília.

A cena, muito incomum, foi ao ar no programa “Hoje em Dia”, da Record. Marcio Zimmermann havia se comprometido a falar com a emissora, ao vivo, depois que desse uma entrevista à Globo, que também seria exibida ao vivo.

O apresentador do programa, Celso Zucatelli, reclama que a Globo está “segurando” o secretário “propositalmente” e pede para a repórter Venina Nunes “insistir” na entrevista com Zimmermann. Constrangida, a repórter reconhece que “é falta de ética tentar atrapalhar o trabalho dos outros”, mas dirige-se mesmo assim à área onde a repórter da Globo prepara-se para entrevistar o secretário.

Ao tentar, então, fazer a sua entrevista, Venina Nunes é confrontada por uma repórter da Globo e pelo assessor de imprensa de Zimmermann. Este último afirma que a repórter da Record está invadindo a área da concorrente e que deve aguardar a sua vez.

Horas depois do incidente, a própria Record divulgou em seu portal o vídeo que mostra a briga.

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01/11/2009 - 19:42

Muricy tem razão de reclamar do horário da partida

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Foi preciso esperar o sol surgir forte no domingo para as reclamações sobre o horário dos jogos aparecerem. Muricy foi o primeiro a chiar, encerrado Palmeiras e Corinthians, ainda no gramado. Lembrando que estamos em horário de verão, o técnico sublinhou que o jogo começou, de fato, às 15hs, sob sol de mais de 30º.

Ouvido pela rádio CBN, falou do “poder econômico”, que impôs este horário, sendo imediatamente replicado pelo comentarista da emissora, que observou: Muricy deveria reclamar com os dirigentes de Palmeiras e Corinthians, que acertaram a partida no oeste do Estado de São Paulo.

Muricy, de fato, deveria ter reclamado antes. A escolha do local do clássico deu-se no dia 22 de setembro – e o horário do jogo estava marcado há uma semana, pelo menos. A questão central, no entanto, e que parece ter escapado ao comentarista da CBN, é que o horário dos jogos é definido pela Globo, detentora dos direitos de transmissão do campeonato, com o aval da CBF, responsável pela organização e gerência do evento.

Em período de horário de verão, todas as partidas marcadas para as 16hs deveriam, automaticamente, ser transferidas para as 17hs. Muito simples.

Sou velho o suficiente para lembrar que as partidas de futebol no Rio de Janeiro, aos domingos, começavam às 17hs – antes disso, era desumano, por causa do calor.

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29/10/2009 - 16:01

Histórias de uma “videocracia” chamada Itália

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Mostra SeloUm documentário que explica a Itália de Berlusconi ou, ainda, um filme que mostra como o império de mídia do empresário ajudou a idiotizar o país e a entronizá-lo no poder. Essas parecem ser as ambições de “Videocracia”, de Erik Gandini, que tem exibição nesta quinta-feira na Mostra. Ao menos, o filme tem sido apresentado dessa forma, o que é um pouco demais para ele.

“Videocracia” trata de três temas que o brasileiro conhece bem: o mundo da televisão de baixas calorias, o circo de subcelebridades que gravita em torno desse universo e o sonho maluco, compartilhado por milhões de pessoas, de ficar famoso a qualquer preço.

videocracia cartaz 3Silvio Berlusconi é o quarto elemento desta história – e, felizmente, personagem igual a esse não há por aqui. Crooner em cruzeiros marítimos na juventude, empresário de sucesso na vida adulta, ergueu um império de comunicação, hoje formado por três emissoras de televisão, revistas, jornais, editora de livros etc. Também é dono do Milan, um dos principais times da Itália.

Ao aventurar-se na política, na década de 90, Berlusconi criou o próprio partido e chegou ao cargo de primeiro-ministro da Itália por três vezes, entre 1994 e 1995, entre 2001 e 2006 e, agora, desde 2008. No posto mais alto do governo, Berlusconi controla, além das suas emissoras privadas, os três canais públicos (o sistema RAI), o que faz dele “dono” de 90% dos meios de comunicação do país.

“Videocracia” apresenta três personagens fascinantes e descreve as suas aventuras nesta Itália de Berlusconi. O primeiro é um mecânico chamado Riccardo, cujo único sonho na vida é ser famoso. Suas armas para isso são o físico, que cultua em rigorosas sessões de musculação, e a voz, que usa para imitar cantores pop. Riccardo acha que tem chances de explodir na televisão italiana como uma rara mistura de Van Damme com Ricky Martin.

videocracia 2A câmera de Erik Gandini acompanha o patético Riccardo em seu esforço de conseguir aparecer num programa qualquer de auditório. Além da natural falta de talento, seu objetivo é também comprometido pela preferência que esses programas dão a mulheres bonitas, que se dispõem a mostrar o corpo e rebolar no palco.

O segundo personagem de “Videocracia” é Lele Mora. Ex-cabeleireiro, é hoje empresário e agente de artistas e celebridades de segunda categoria. Fã confesso de Mussolini, é amigo de Berlusconi. Lele Mora já foi condenado mais de uma vez por fraude fiscal, mas exibe um sorriso de orelha a orelha no filme.

O empresário é filmado em sua mansão na Sardenha, cercado de atores e ex-participantes do Big Brother italiano, quase todos sem camisa, Ali ele explica como a sua intuição o ajuda a descobrir o talento escondido de figuras anônimas e como faz para transformá-las em celebridades.

O terceiro, e último, personagem do filme chama-se Fabrizio Corona. Empresário, é dono de uma agência de fotógrafos, especializada em obter flagrantes indiscretos de celebridades. “Vídeocracia” explica que antes de vender suas fotos para as revistas de fofocas, Corona prefere oferecê-las para os personagens fotografados. Ou seja, a vítima dos paparazzi tem a chance de pagar pelas imagens, de maneira que elas nunca sejam exibidas.

Parece chantagem e extorsão, e a Justiça italiano já entendeu, em mais de uma ocasião, que é isso mesmo. Corona responde a diversos processos e já passou uma temporada de 80 dias na cadeia. Personagem tão repugnante quanto fascinante, fala de si e do seu trabalho com enorme orgulho. É amigo de Lele Mora, também.

Berlusconi e suas emissoras de tevê compõem uma espécie de pano de fundo para este mundo cão e cafona. Difícil saber se a Itália teria chegado ao ponto em que chegou hoje se o empresário tivesse se mantido fora da política. Mas é evidente que esse duplo papel que Berlusconi exerce ajuda a passar a impressão de que o país virou um grande programa de auditório. Ao menos é isso que “Videocracia” nos faz pensar.

Em tempo: Gandini é italiano, mas vive na Suécia. Um dos co-produtores do filme é a Zentropa, que vem a ser a produtora do dinamarquês Lars Von Trier.

“Vídeocracia” tem mais duas sessões: nesta quinta-feira, às 22h40, no Espaço Unibanco Pompéia, e domingo (1/1), às 16h20, na Cinemateca. Mais informações no site da Mostra.

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28/10/2009 - 11:59

Proposta de mudar horário de jogos noturnos virou pó

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Menos de duas semanas depois de Ricardo Teixeira ter levantado o assunto, parece enterrada a discussão sobre a mudança no horário noturno dos jogos da Série A do Brasileiro. Para quem não se lembra, o presidente da CBF observou que o horário das 21h50, escolhido pela Rede Globo, está longe de ser o ideal para o torcedor. “Como presidente da CBF, não posso ficar preocupado com o índice da televisão. Eu tenho que ficar preocupado também com o torcedor. Não adianta fazer jogo com o campo vazio”, disse Teixeira.

A declaração do presidente da CBF foi vista como uma reação à proposta da Globo, encaminhada dias antes aos clubes, de alterar o sistema de disputa do Brasileiro. A emissora, detentora dos direitos de transmissão do campeonato, sonha em reintroduzir o mata-mata na fase final, em lugar da classificação ser definida pela soma de pontos.

Segundo a coluna “Radar”, na “Veja”, Globo e CBF selaram um acordo de paz há uma semana: a emissora desiste de propor a volta do mata-mata e a confederação deixa de reclamar do horário dos jogos depois da novela.

Além do acordo, também há um argumento supostamente objetivo contra a mudança do horário noturno. Segundo a “Folha” desta quarta-feira, os jogos noturnos, às quartas, apresentam média de público no estádio (20,1 mil pagantes) superior à média geral do campeonato (16,5 mil). E segundo a Globo, as partidas exibidas depois da novela têm audiência superior (cinco pontos, em média) às exibidas aos domingos, às 16h.

Esses números, creio, são fáceis de explicar. Apenas 25 jogos, de um total de 310, foram realizados às 21h50. Os jogos programados para este horário envolvem sempre times muito populares – em São Paulo, quase sempre o Corinthians. Isso puxa para cima tanto a presença de público no estádio quanto o índice de audiência.

Em resumo, a boa notícia é que parece não haver riscos, no futuro próximo, de alteração do sistema de pontos corridos. A má notícia é que seguiremos com jogos neste horário esdrúxulo.

Autor: - Categoria(s): Esporte, televisão Tags: , , , , ,
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