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Arquivo da Categoria televisão

17/10/2009 - 12:16

CBF quer mesmo mudar horário dos jogos noturnos?

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É preciso ler com cautela a notícia de que Ricardo Teixeira pretende alterar o horário dos jogos noturnos da Série A do Brasileiro, às quartas-feiras. Em entrevista a três jornais (“Globo”, “Folha” e “Estadão”), o presidente da CBF reconheceu o óbvio, ou seja, que as partidas noturnas, programadas de acordo com a grade da Rede Globo, terminam muito tarde, o que afugenta o público dos estádios.

À medida em que, nos últimos anos, a chamda “novela das 8” foi mudando de horário e virando “novela das 9”, o horário das partidas de quarta-feira foi sendo empurrado para mais tarde. Atualmente, as partidas começam às 21h50, e terminam por volta da meia-noite.

O horário das partidas é determinado em contrato entre a Rede Globo, que detém os direitos de transmissão, e os clubes, sob as bençãos da CBF. Um dos argumentos da emissora para exibir as partidas depois da novela é que esse horário seria de interesse dos patrocinadores dos clubes, interessados na exposição de suas marcas num momento em que a televisão tem altos níveis de audiência.

É a esse argumento que Ricardo Teixeira se refere na entrevista, ao dizer: “Como presidente da CBF, não posso ficar preocupado com o índice da televisão. Eu tenho que ficar preocupado também com o torcedor. Não adianta fazer jogo com o campo vazio”.

Cabe lembrar que Teixeira é presidente da CBF há 20 anos e, até onde me recordo, é a primeira vez que se manifesta publicamente de forma crítica sobre o horário noturno das partidas da Série A.

Também é preciso lembrar que esta declaração ocorre ao final de uma semana em que a Rede Globo apresentou uma proposta aos clubes para mudar o sistema de disputa do Brasileiro, reintroduzindo o “mata-mata” na fase final, em lugar da classificação ser decidida por pontos corridos. Teixeira, como se sabe, é contra essa mudança. Daí a sua declaração: “Querem discutir esse assunto, vamos discutir tudo”.

Em resumo, gostaria de acreditar que o presidente da CBF está interessado em discutir, de fato, o estranho horário das partidas noturnas de futebol no Brasil. Mas temo que, com suas declarações, ele esteja apenas demarcando território no campo de batalha.

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06/09/2009 - 16:58

Galvão Bueno não vai a Rosário e equipe da Band tripudia

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“Nós estamos aqui”, sublinhou Neto, o comentarista da Band, logo no início da transmissão de Argentina e Brasil, na noite de sábado. “A pressão aqui é muito forte”, repetiu mais de uma vez o narrador Luciano do Valle. “Esses dias todos que estamos aqui, deu pra sentir a pressão”, confirmou Neto. “Aqui dentro, o gol do Brasil deveria valer por dois”, disse Luciano após narrar o gol de Luisão, que abriu o placar. E ainda disse, depois do gol de Luis Fabiano: “O peso desses dois gols finalmente silencia a torcida argentina aqui em Rosário”.

Quem viu a partida pela Band deve ter estranhado a insistência do narrador e do comentarista em realçarem o fato de estarem em Rosário, local da partida. Dada a importância do encontro, seria surpreendente se não estivessem “aqui”.

Mas depois de ouvir o terceiro “aqui” em menos de cinco minutos, resolvi sintonizar na Globo. Qual não foi a surpresa ao me dar conta que Galvão Bueno e Falcão não estavam no estádio, em Rosário, mas transmitindo a partida em um estúdio fechado, em outro lugar. Se havia alguma dúvida, no intervalo da partida isso ficou claro – Galvão e Falcão apareceram à frente de uma parede com o logotipo da Globo, e não tendo uma imagem do estádio ao fundo, como é normal quando estão no local.

Pela internet, em alguns blogs, corre a versão que o principal narrador da Globo não viajou a Rosário por medo da gripe suína. Este blog apurou uma história parecida. O departamento médico da Globo determina uma quarentena de sete dias a qualquer funcionário que viaja para a Argentina neste momento. Se narrasse a partida em Rosário, Galvão não poderia atuar na partida de quarta-feira, contra o Chile, em Salvador. Em função desta quarentena recomendada pela emissora, os repórteres que a Globo enviou para Rosário estão de folga até o final da semana que vem.

O fato é que a equipe da Band reinou sozinha na tevê aberta. E se divertiu. Neto, soltinho como sempre, foi quem mais falou a palavra “aqui”, a sublinhar que estava testemunhando, de fato, o encontro. Também riu muito do técnico da Argentina: “Fala a verdade, nunca vi um cara comer tanta unha como o Maradona”. Tripudiou do zagueiro rival: “Esse Sebá jogar na seleção argentina é a baba na baba”. E fez piada com Verón, apelidado na Argentina de La Bruja: “Verón está mais pra velho do que pra bruxa”, disparou Neto.

A presença no estádio não ajudou muito Luciano do Valle a identificar os jogadores em campo. Sua narração vibrante é repleta de expressões como “cruzamento perigoso!”, “bateu!”, “tirou!”, “corte bem feito”, sem que o espectador ouça o nome dos autores das jogadas.

Outra marca das transmissões da Band são os recados que a equipe envia ao longo do jogo. Entre um lance e outro de perigo, Luciano do Valle mandava um abraço para o prefeito de Foz do Iguaçu e pedia votos para a cidade ser eleita uma das sete maravilhas da natureza. Já Oscar Roberto Godói, comentarista de arbitragem, mandou um abraço “para o pessoal da Itaipava” depois de criticar um cartão amarelo “perfeitamente desnecessário de ser mostrado”.

O que importa, enfim, como disse Neto, é que o Brasil aplicou “um chocolate” na Argentina. E fomos todos dormir mais felizes na noite de sábado.

Em tempo (atualizado às 11h30 de 7 de setembro): Vários leitores estranharam o uso que fiz da palavra “quarentena” associado a um período de isolamento de sete dias, e não a 40 dias. Recorro ao dicionário “Houaiss” para explicar.  Quando se refere a “infectologia”, a palavra “quarentena” significa: “conjunto de restrições e/ou isolamento, por períodos de tempo variáveis, impostos a indivíduos ou cargas procedentes de países em que ocorrem epidemias de doenças contagiosas” (o grifo é meu).

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26/08/2009 - 10:51

A desastrada aventura de Xuxa pelo Twitter

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Na segunda-feira, 3 de agosto, 23 dias atrás, Xuxa Meneghel começou a brincar no Twitter. Atraída pela nova mídia, mas sem traquejo, logo estava digitando suas mensagens em caixa alta, como esta, comentando convite recebido de Zeca Pagodinho: “ZECA CHAMOU PRA IR A XEREM. E ELE JA SABE EU NAO BEBO, NAO FUMO E NAO COMO CHURRASCO, MAS FICO COM AS CRIANÇAS. TIPO BABÁ.VOU AMAR XEREM.”

Os fãs digitalmente mais alfabetizados logo informaram a Xuxa que escrever em caixa alta equivale a gritar. Assim, depois de pouco mais de duas semanas no Twitter, a apresentadora foi obrigada a se explicar pela primeira vez: “EU NÃO ESTOU GRITANDO, NEM QUERO SER MAL EDUCADA, GALERA. SEMPRE QUE ESCREVO NO COMPUTADOR, ESCREVO ASSIM. É O MEU JEITINHO!”

Como muitas celebridades já perceberam, o Twitter permite um contato inédito com o fã. As mensagens alcançam o usuário, e são lidas, independentemente da sua disposição para respondê-las. Xuxa deu um primeiro sinal de que não estava acostumada com esse novo tipo de assédio na segunda-feira, 24. Em meio a outras tuitadas, desabafou: “PÔ PAREM DE CRITICAR”.

Nesse mesmo dia, mais uma vez, se viu obrigada a se explicar com os fãs, que já somam 72 mil seguidores: “OUTRA COISA , NÃO FIQUEM TRISTE POR EU NÃO RESPONDER TUDO EU FICO DOIDINHA , VOU APRENDER AOS POUCOS TÁ”. Desajeitada com a língua portuguesa, como pode-se notar, ela tentou se corrigir em seguida, mais uma vez tropeçando na gramática e na ortografia: “OPS , ESCREVI SEM LER SAIU ERROS DE PORTUGUES”.

Chateada com as críticas ao seu “jeitinho” de escrever, Xuxa passou a digitar as suas mensagens em caixa  baixa, como todos os demais usuários do serviço. Mas deixou claro que não gostou das críticas: “eu adoro esse jeitinho, mas falaram tanta coisa feia q tô eu aqui de igual prá igual”.

Em seu último dia no Twitter, na terça-feira, 25 de agosto, Xuxa avisou que estava tuitando do set de filmagens de “Xuxa e o Mistério de Feiurinha”. Informou que Sasha estava participando das filmagens e relatou que iria trabalhar até de madrugada. Depois contou que o filme tem Hebe Camargo no papel de sogra e Angélica como cunhada, além de Fafi Siqueira, Alexandra Richter e Bruna Marquezine no papel de bruxas.

O caldo entornou já de noite, depois de Xuxa avisar: “sasha filmou com um bode e agora vai filmar com uma cobra”. Na sequência, a filha da apresentadora escreveu: “Sou eu Sasha. Estou aqui filmando e vai ser um ótimo filme. Tenho que ir… Vou fazer uma sena com a cobra”.

Os fãs de Xuxa logo começaram a fazer observações sobre o erro de ortografia cometido pela menina de 11 anos (“sena” no lugar de “cena”). Magoada, a apresentadora reagiu com um palavrão: “pra quem não sabe minha filha foi alfabetizada em inglês, vou pensar muito em colocar ela pra falar com vcs, ela não merece ouvir certas m…”

Como as críticas e ironias não cessaram, Xuxa, muito irritada, encerrou seu dia no Twitter com um desabafo: “fui vcs não merecem falar comigo nem com meu anjo”. E, como observou Lu Lacerda, às 2h50 da manhã, eliminou a mensagem com erro da filha.

Naturalmente, o erro de Sasha e a reação de Xuxa ganharam as páginas com velocidade. Na manhã de quarta-feira, a palavra “Xuxa” estava entre as dez mais mencionadas por brasileiros no Twitter. E as mensagens que ela escreveu na noite anterior estavam entre as três mais reenviadas (retuitadas) por outros usuários.

Wagner Martins, o Mr. Manson, criador do célebre blog Cocadaboa, foi quem talvez resumiu melhor a nova situação: “Celebridades no Twitter tornaram possível um sonho de infância: xingar a TV. E ser ouvido. Obrigado Internets.” Xuxa, com certeza, não se esquecerá desta lição.

Autor: - Categoria(s): Blog, Internet, televisão Tags: , , , ,
25/08/2009 - 12:36

“A Fazenda”: Uma reflexão sobre os sentidos da imitação

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Para alegria dos leitores que reclamaram dos meus textos sobre o “BBB9”, não pude dedicar a mesma atenção ao reality show “A Fazenda”, da Record. Assisti apenas alguns episódios e não cansei de me espantar com a semelhança, em inúmeros aspectos, com o reality global.

Não é novidade nenhuma que o projeto da Record leva em conta, numa mão, a grade da Globo – um fenômeno que transparece em inúmeros programas, tanto na área de entretenimento quanto de jornalismo. 

Assistindo ao duelo entre Dado Dolabella e Danni Carlos no último episódio de “A Fazenda” me dei conta, no entanto, de algo talvez óbvio, mas que vinha me passando despercebido: o sucesso da imitação de uma emissora pela outra só ocorre porque há uma cumplicidade de desejos entre a Record e o seu público – este último quer ver na sua tela uma imitação da emissora líder, com tudo que há de tosco nela. Convido os visitantes deste blog a lerem texto que escrevi a respeito, defendendo essa idéia, intitulado Público deseja que a Record imite a Globo, publicado na segunda-feira, 24, no Último Segundo.

Para quem, por acaso, tiver interesse em mais textos sobre o assunto, escrevi sobre “A Fazenda” em três outras ocasiões: na desastrada estréia, quando Dado e Britto Jr. discutiram publicamente por causa de um remédio e no dia em que descobri que o cachorro do programa era parte de uma ação de merchandising.

Autor: - Categoria(s): Cultura, jornalismo, televisão Tags: , , , , , , ,
10/08/2009 - 11:04

Briga de mulheres: de “Seinfeld” a “Caminho das Índias”

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No último episódio da oitava temporada de “Seinfeld”, intitulado “The Summer of George”, Elaine e dois colegas de escritório fazem fofoca sobre Sam, uma moça desengonçada que trabalha na mesma empresa. Um deles diz que os braços de Sam, ao andar, balançam como “salames”. O outro o corrige e diz: “Ela anda como um orangotango”. Elaine comenta: “Melhor chamar o zoológico”. O primeiro colega faz um som, imitando um gato: “Grrrr…”. “O quê?”, pergunta Elaine. “Ssssss”, responde o outro colega. E o primeiro acrescenta: “Felina…”

Indignada por ficar com a fama, Elaine comenta a cena ocorrida no escritório com Jerry Seinfeld, que apenas observa e grunhe: “Grrrrr…” Não vou entrar em detalhes sobre os desdobramentos do episódio – genial como sempre e que inclui uma participação especialíssima da atriz Raquel Welch, no papel de uma prima donna decadente chamada Raquel Welch.

O fato é que, a certa altura, Elaine pergunta a Jerry porque os homens gostam tanto de ver brigas entre mulheres. Ou “catfight”, como diz Kramer. A resposta do humorista é puro Seinfeld: “Os homens acham que quando duas mulheres estão se agarrando e arranhando existe uma possibilidade, sabe-se lá como, de elas se beijarem”.

Dois episódios na última semana me fizeram voltar a Seinfeld. O primeiro ocorreu no lançamento da “Playboy” que traz a ex-BBB Priscila na capa. Quem não acompanhou o programa deve ter estranhado que Priscila vetou a entrada de Ana, colega de confinamento, na festa da revista, num bar, no Rio. “Grrrrr”, diria Seinfeld. Priscila foi alvo de várias intrigas durante o BBB9, protagonizadas por Maíra, Josy, Naiá e Ana. E mostrou que, passados quatro meses do encerramento do programa, não esqueceu de nada. “Sssss….”

A outra briga foi mais pesada. Deu-se no horário nobre da Globo, na novela “Caminho das Índias”. Depois de descobrir que seu marido havia presenteado uma amiga sua, Yvone (Letícia Sabatella), com jóias caríssimas, a perua Melissa (Christiane Torloni) parte para o ataque. Na sala de massagens do clube, Melissa tira o chapéu antes de dar uma surra em Yvone com uma violência que não se via desde que Maria Clara (Malu Mader) trancou o banheiro e acabou com Laura (Claudia Abreu) na novela “Celebridade” (2003).

A discussão sobre qual briga foi melhor, digo, mais bem encenada, já corre solta na Internet. Pelas participantes envolvidas, gostei mais da briga na novela de Gilberto Braga, mas reconheço que a cena exibida na novela de Gloria Perez não é uma pancadaria de se jogar fora. “Catfight”…

Autor: - Categoria(s): Colunismo social, televisão Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
05/08/2009 - 09:51

Comprei a “Playboy” só para ler o poema do Bial

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Foi, por muito tempo, uma piada, mas dizia muito sobre a qualidade do conteúdo da edição brasileira da “Playboy”: “comprei a revista só para ler a entrevista do mês”. E não apenas a longa entrevista, normalmente resultado de várias sessões com o entrevistado, mas também as reportagens e textos de ficção, toda edição de “Playboy” oferecia, para além dos ensaios fotográficos, muita coisa para ler.

Depois de muitos anos sem comprar, fui às bancas atrás da edição especial de aniversário, que comemora 34 anos da revista. Na capa, acompanhada apenas de um ponto de exclamação ao lado de seu nome, um sapato de salto alto e notas de dólares presas a uma liga, Priscila olha para o leitor com uma cara entre safada e surpresa.

Levei um susto, lendo o editorial, ao descobrir que hoje a revista destina-se a um leitor de “mãos viris”. Mas segui em frente. Lá dentro, em quase 30 páginas, Priscila Pires exibe as suas qualidades num ensaio que se propõe a simular uma fantasia, intitulado “Princesa devassa”, mas que mostra a sul-mato-grossense exatamente como os espectadores do BBB9 a viram, apenas sem nenhuma roupa.

A cereja do bolo, diferentemente do anunciado, não é o piercing na região mais íntima, mas o “poema” que Pedro Bial se propôs a escrever sobre a moça. Intitulado “Para minha princesa”, a obra em 22 versos termina assim: “Eu sou súdito da Princesa Priscila! / Súdito da Princesa Priscila, e isso não é para quem pode. / É só para quem quer”.

A entrevista do mês, com a atriz Christiane Torloni, ocupa oito páginas, mas não se compara, em interesse e diversão, às 20 perguntas dedicadas a Joel Santana, no finzinho da revista. Além de desancar Dunga, o técnico da seleção da África do Sul fala com a sinceridade habitual sobre vários assuntos – o seu inglês precário, os críticos, a sua experiência fracassada no Corinthians e diz o que pensa de jogadores que não gostam de treinar: “O cara tem que escolher se quer ser jogador de futebol ou pagodeiro.” Vale a pena.

Autor: - Categoria(s): jornalismo, televisão Tags: , , ,
30/07/2009 - 12:12

Chico Anysio x “Casseta & Planeta” x “CQC”: fios de uma polêmica

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A recente discussão pública entre Danilo Gentili e Rafinha Bastos, do CQC, com Helio de la Peña, do “Casseta & Planeta” chama a atenção para um fato raro, mas não inédito: discussões sérias entre pessoas especializadas em fazer o público rir.

A última grande polêmica entre humoristas brasileiros tem origem no final dos anos 80, do século passado, quando a turma do “Casseta & Planeta” começou a atuar na Rede Globo. Depois de participarem como redatores do “TV Pirata”, os humoristas fizeram uma primeira tentativa de programa próprio com “Dóris para Maiores”, que não deu muito certo, e em 1992 começaram o humorístico que até hoje é exibido na emissora.

Em resposta ao impacto inicial do programa, muito bem recebido por público e crítica, Chico Anysio fez críticas pesadas à turma do “Casseta & Planeta”. Para o veterano humorista, Bussunda & Cia faziam um tipo de humor elitista, “só para a zona Sul” do Rio, em contraposição ao seu humor, de caráter popular.

O sucesso de Ibope do programa dos Cassetas mostra que a crítica de Chico Anysio era injusta. O veterano humorista, inclusive, fez uma participação especial no programa dos rivais em 2002, mas até hoje os trata com ironia e afirma que só fazem sucesso porque estão na Globo.

Em dezembro de 2008, à revista “Rolling Stone”, Chico, “encostado” pela emissora desde 2001, disse: “Preciso me desabituar a ver TV aberta, não gosto de humor na TV aberta. Na Globo, o que tem é o ‘Zorra Total’, que é um projeto meu, e o ‘Casseta e Planeta’. O programa deles não mudou muito, mudou?”

Em maio deste ano, extensa reportagem de Patrícia Kogut em “O Globo” procurou mostrar que a turma do “Casseta & Planeta” havia, finalmente, superado o luto pela traumática morte de Bussunda, ocorrida em plena Copa do Mundo de 2006, e dado início a uma nova fase. Um dos depoimentos colhidos pela repórter é de Marcelo Tas.

O capitão do “CQC” é apresentado como contemporâneo dos “cassetas”, mas de “outra turma”. Reproduzo o trecho da reportagem que cita Tas e as suas observações sobre os humoristas:

– Quando o “Casseta” estourou no horário nobre da Globo, me senti vitorioso como parte daquela geração. Eles concluíram a subida da montanha e cravaram a bandeirinha lá no topo. Nós temos histórias separadas, embora o Ernesto Varella (personagem de Tas na TV nos anos 80) tenha feito aparições no “Dóris para maiores”. Enquanto eles criavam o “Casseta” numa sala, eu trabalhava ao lado, no “Programa legal”, da Regina Casé e do Luiz Fernando (Guimarães). O Guel (Arraes) era o comandante dos dois times – lembra Tas.

Ele se diz amigo dos “cassetas”, embora já tenham sido apontados como rivais, e cita ainda uma identificação de geração. Mas acha que seu caminho é diferente:
 
– Eles misturam ficção com vida real, usam fantasias e maquiagem, têm personagens. Nós, no “CQC”, fazemos um humor de outra natureza, mais documental, vamos na realidade. Os jovens humoristas do “CQC” são herdeiros de Varella.

Sem querer chegar a uma conclusão, deixo apenas duas observações. É possível pensar que as duas polêmicas expressam choques de geração e visões diferentes sobre humor na televisão. Nada muito grave, mas surpreendente, porque não temos o hábito de ver humoristas discutindo publicamente, como pessoas normais, sem humor.

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24/07/2009 - 14:33

Socorro! O BBB9 volta a assombrar

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Vou fazer uma confissão pessoal: ando atormentado por um pesadelo – o de que o “BBB9” ainda não acabou. Na tarde desta última quinta-feira, vi gritar na Internet uma notícia impressionante: “Naiá negocia posar nua na Playboy”.  Algumas horas depois, no afã de acalmar os fãs mais agitados, a revista divulgou um comunicado à imprensa: “A Playboy, ao contrário do que vem sendo noticiado, não está em negociação com a BBB Naiá.”

Mas o tormento continua. Na tarde desta sexta-feira, chegou a seguinte notícia na minha caixa postal: “Josy grava no Midas Studios”.  Abro o e-mail e lá está a boa nova: a ex-BBB está gravando um disco. A “música de trabalho”, ou seja, aquela que vai encher os nossos ouvidos, tem o criativo nome de “Fall in Love Again”. E mais: informa a sua assessoria que, “apesar de muito tempo confinada na casa do programa, a cantora não pode demonstrar alguns de seus talentos, como o de tocar piano muito bem”.

A semana já havia começado com uma bomba: Francine rompeu o namoro com Max, disse que faltava “pegada” ao rapaz e chegou à conclusão que foi usada pelo colega de confinamento durante o programa. Com gravidade, Francine denunciou: “Ele é um produto. As caretas são sempre as mesmas e isso não é à toa. Enquanto o produto vender, para que mudar?”.

O campeão do BBB respondeu: “Pra quem disse que nunca me machucaria ou me denegriria, taí. Lamento tudo isso. Dizer que eu usei para me promover? Eu ganhei o BBB mais difícil de todos, com conduta, respeito e ética!”

O que Flavio anda pensando disso tudo? Ainda não comentou a separação, mas no último fim-de-semana foi fotografado junto com Max numa festa no Morro da Urca, no Rio de Janeiro. Vamos aguardar o seu pronunciamento…

E Ana Carolina? A loirinha está envolvida no lançamento de uma revista masculina, a “Vip”, que a estampa na capa, protegendo os seios com os braços, e a legenda: “A estrela que nasceu no Big Brother 9”. Convidada a comentar a separação de Max e Francine, seus rivais no programa, ela disse: “Nunca acreditei, nunca vi amor entre eles. Eu via uma amizade, sem carinho de homem e mulher”.

Descobri que Ana Carolina está tão atrapalhada com sua carreira que não tem tempo de deixar São Paulo para visitar o pai, preso em Santa Catarina, acusado de participar de uma quadrilha que explora caça-níqueis. “Ele é inocente e está com a consciência tranquila, assim como eu”, disse ela.

A partir da semana que vem, e até o início de agosto, todos esses personagens vão ceder espaço à Priscila, cuja capa na próxima edição da “Playboy” já está sendo divulgada. A grande atração, parece, é uma foto do piercing que ela conserva em local inacessível aos simples mortais. Vai bombar, como se diz.

Para o pesadelo se completar só falta Mirla e Norberto aparecerem para assombrar. Bate na madeira.

Autor: - Categoria(s): Crônica, televisão Tags: , , , , , , , , ,
13/07/2009 - 14:27

Nem o cachorro é de verdade na “Fazenda”

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Passei uns dias sem assistir “A Fazenda” e, ao regressar neste domingo, fiquei espantado. Não acontece nada neste programa. Ninguém briga com ninguém. Ninguém namora ninguém. Ninguém fala nada engraçado. Ninguém conspira contra ninguém… Que reality é esse?

De mais picante até agora, se entendi direito, é esse – como podemos chamar isso? –  “chove, não molha” entre Mirella e Carlinhos. Mas o ex-namorado da Sabrina Satto avisou em rede nacional que conhece Latino, o marido da Mirella, e jamais “faria isso” em público. Ou seja, a lengalenga vai continuar.

Só para se ter idéia do marasmo, veja as últimas notícias do programa, direto do blog  que a turma do Babado está fazendo:

1. “Tomara que ele vá logo embora”, diz Mirella com raiva de Carlinhos. Comentário do blog: “É claro que todos sabem que a loira só falou isso na hora da raiva… Mirella ficou com raivinha”; 2. “Jonathan é encrenqueiro”, alfineta Mirella; 3. Jonathan pede desculpas para Samambaia; 4. Dani Carlos fica três dias sem tomar banho; 5. Luciele briga com Fabiana por causa das roupas de Samambaia; 6. Sem paciência, Pedro dá bronca em Luciele; 7. Samambaia confessa que já traiu o ex-namorado Gustavo; 8. Luciele questiona a amizade de Fabiana; 9. Cai na Internet vídeo de Jonathan fazendo “telefonema” para Latino; 10. Danni Carlos diz que conversa com Deus desde criança.

Quanta animação!!!

E cadê o Dado Dolabella? Neste domingo, vi o ex-bad boy em três situações apenas: abraçando os colegas que voltaram do paredão, fazendo carinho num cachorro e sorrindo para todos os lados. Pelo visto, a Record voltou a fornecer o medicamento que combinou com o ator.

Ah! O cachorro. Outra novidade para mim. Tem um golden retriever dentro da casa. O bicho, bonito e carinhoso, dá trela para todo mundo e anda com uma bandana amarrada em volta do pescoço. Num primeiro momento, li apenas o seu nome, Max, e pensei: eis, enfim, um momento de bom humor e ironia da “Fazenda” – batizar o cão com o nome do vencedor do último BBB, da rival Globo.

Ainda pensei: ótima idéia, substituir o Theo Becker pelo Max. A animação vai continuar, imaginei. Melhor que isso, só se o cachorro se chamasse Priscila. Ou, melhor ainda, como sugeriu uma amiga, só se o Theo e o Max pudessem dividir o mesmo teto na casa.
 
Mas comecei a estranhar depois de ouvir Britto Jr. tecer loas ao bicho: “Não existe a menor dúvida que o cão é o melhor amigo do homem”, disse. Hum… Prestei mais atenção e me dei conta do óbvio: Max é o nome de uma linha de produtos para cães. Está lá por força de uma ação de merchandising. E mais, li no site do fabricante: o cachorro vai ficar em “A Fazenda” até o final do programa.

Em resumo, não acontece nada na “Fazenda” e, quando acontece, não é de verdade.

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08/07/2009 - 09:24

No futebol, só a audiência importa, lamenta Tostão

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O ex-jogador Tostão se tornou uma referência no jornalismo esportivo pela rara combinação de conhecimento sobre o que fala, inteligência, independência, lucidez e equilíbrio. É um dos meus ídolos na área. O seu livro de memórias, “Tostão – Lembranças, Opiniões, Reflexões sobre Futebol”, é uma pequena jóia, indispensável a quem sonha seguir carreira no jornalismo esportivo.

Por tudo isso, chega a surpreender o tom de Tostão na sua coluna desta quarta-feira na “Folha de S.Paulo”. A contundência começa pelo título – “Quem manda é o mercado” – e prossegue desde a primeira linha. Reproduzo os três primeiros parágrafos:

Cruzeiro e Estudiantes fazem hoje o primeiro jogo decisivo. A Taça Libertadores da América é o título mais importante e mais desejado pelos clubes brasileiros e argentinos.

Mesmo assim, a CBF, para atender aos interesses da Globo, adiou o jogo entre Corinthians e Fluminense para o mesmo dia e horário da partida da Libertadores. Para a Globo, o jogo pelo Brasileiro dá mais audiência no Rio e em São Paulo.

Estou curioso para saber qual das duas partidas será transmitida para outros Estados, fora Minas, Rio e São Paulo. Com certeza, será a que a Globo acha que vai dar mais audiência. Quem manda é o mercado.

É, de fato, uma situação tão absurda que dispensa outros comentários da minha parte.

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06/07/2009 - 16:19

Marcelo Tas e Luciano Huck trocam farpas pelo Twitter

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O apresentador Luciano Huck, da Rede Globo, superou seu colega Marcelo Tas, da Band, e já é o terceiro perfil mais popular do Twitter no Brasil, atrás apenas de Mano Menezes e do programa “Fantástico”. A notável escalada de Huck, hoje seguido por 148 mil pessoas, se deu por meio de um artifício: o apresentador ofereceu brindes (telefones de última geração e aparelhos de tevê) aos seus seguidores.
 
Huck escreveu no início da tarde desta segunda-feira: “Hoje vamos bater os 150.000!! Tem gente morrendo de ciúme da nossa turma daqui. Vamos com tudo!!!”. Em seguida, observou: “Um monte de gente me criticou. Achei que seria mais bacana distribuir para a turma, do que vender patrocínio do meu twitter e só eu ganhar.”

Em resposta a este texto, Marcelo Tas foi irônico em seu Twitter: “Distribua também o patrocínio do Caldeirão!” Seguido por 135 mil pessoas, Tas caiu para a quinta posição no ranking brasileiro, atrás também de seu colega de CQC Rafinha Bastos, que tem 137 mil seguidores.

Falei agora há pouco, por volta das 15hs, com Tas. “Não tenho nada contra distribuição de brindes. A Internet é livre. Cada um faz o que quer”, disse. “Só acho que isso é a aplicação do modelo da televisão do século passado. Aquela coisa de ‘quem quer bacalhau?’, ‘quem quer dinheiro’. Se tem quem ache isso legal, não é um problema meu”.

Para quem não sabe, Tas está comparando a prática de Huck, que oferece, como diz, “mimos” aos internautas, com os apresentadores Chacrinha, que atirava bacalhau para o público, e Silvio Santos, famoso por jogar dinheiro para a platéia do seu auditório. “Com a Internet, a gente passou para outra fase do relacionamento com o leitor, espectador”, acredita Tas.

Questionei o apresentador, ao final da conversa, se as suas críticas a Huck não seriam vistas como ressentimento ou ciúmes por ter perdido o posto de twitteiro mais popular do país. Eis o que respondeu:  “Previ que ele ia me passar na semana em que ele entrou no Twitter. Não é surpresa. Agora, posso garantir que não tenho seguidores falsos ou que criam um perfil para participar de um concurso e nunca mais me seguem”.

Atualizado às 21h51: No início da noite, o humorista Helio de la Peña, do Casseta&Planeta, escreveu: “sobre a polêmica @huckluciano x @marcelotas: opinião é que nem bunda. é por isso que não dou a minha.” Em resposta ao humorista, Huck minimizou o conflito, dizendo não ver nenhuma polêmica no caso, e fez piadas sobre a aparência de Tas (é careca) e a sua própria: “Que polêmica? Só se for sobre dicas de shampoo ou plástica de nariz.”

Autor: - Categoria(s): Internet, televisão Tags: , , ,
28/06/2009 - 11:09

Rubinho Barrichello é alvo de piada até no Twitter

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Rubens Barrichello é um personagem fascinante, para o bem e para o mal. É alvo permanente de críticas e, sobretudo, de piadas por conta de seu desempenho algo errático, para não dizer frustrante, nas pistas. De um modo geral, o piloto reage com fleuma às ironias – o que conta muitos pontos a seu favor.

Rubinho estreou no Twitter na última terça-feira, 23 de junho, alguns dias depois de Nelsinho Piquet. No dia seguinte, passei 17 horas conectado na nova rede social com o objetivo de escrever uma reportagem para o Último Segundo, Um dia no Twitter, publicada neste domingo.

Fiquei impressionado com a quantidade de piadas dedicadas a Rubinho e seu perfil no Twitter. Cheguei a pensar em propor à turma do Casseta & Planeta a realização de um concurso de piadas sobre o piloto. Helio de la Peña, autor de um dos gracejos sobre o assunto, poderia organizar. Ou então Felipe Andreoli, do CQC, autor de outra piada. Reproduzo abaixo algumas que rolaram na rede na última quarta-feira e uma, a última, que li na sexta-feira:

@julianoromao: É impressão minha ou depois q o @rubarrichello entrou no Twitter….o Twitter ficou mais lento?!?!?! Hahaha

@pedrotourinho: Em ultimo lugar não fico mais, @rubarrichello no twitter!

@andreolifelipe: Parece: impossível, mas sim dá pra ficar atrás do Rubinho…é só segui-lo no twitter. Agora vai…(@rubarrichello).

@jaymefreitas: O Barrichello gosta do twitter porque pelo menos aqui alguém o segue

@renatacarolina: Meu computador está mais lento que o Barrichello na F1 ;(

 @bernardoleitao: Rubens Barrichello se rende ao Twitter http://migre.me/2M8O Bem que eu notei o twitter esta mais lento

@rafaMONDINI: E olha que não é muito difícil seguir o Barrichello ein! Difícil é conseguir não ficar na frente dele! Hahahahaha

@nettaum86: Barrichello é o “segundo” piloto brasileiro a ter twitter… que sina hein.. eu tento segui-lo.. mas eu sempre o ultrapasso!.. =P

@RicaPerrone: Rubinho Barrichello – O segundo brasileiro na F-1 a ter um Twitter. É impressionante… hahahahahaha

@lapena: rubinho tá no twitter.(@rubarrichello).ele só segue uma pessoa. acho que é o piloto inglês jenson button

@Cardoso: Fora Sarney, Fora Gilmar, Fora reitora da USP… se sair todo mundo, o Rubinho chega em primeiro?

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25/06/2009 - 09:49

‘A Fazenda’ ensina ao ‘BBB’: roupa suja se lava em público

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Três semanas depois de estrear, “A Fazenda” já escreveu seu nome na história da televisão brasileira, com lugar de destaque no capítulo sobre o que de pior, involuntariamente, já foi produzido em estúdios nacionais.

A discussão entre Dado Dolabella e Britto Jr., quarta-feira à noite, ao vivo, é desses momentos que renovam a esperança do espectador numa espécie de lei de Murphy da televisão, a saber: qualquer programa ruim sempre pode piorar – para alegria de quem se diverte com atrações capengas, mal feitas e mal dirigidas.

O chamado “trash” televisivo é um gênero que exige falta de recursos, falta de traquejo e falta de humor. O resultado dessa rara combinação é o humor involuntário, a graça inesperada, a diversão nas franjas.

Para quem não viu, já há cópias da cena no You Tube. Começa pela indicação de Dado para o paredão pelo ator Jonathan Haagensen. Indicação merecida, já que, de manhã, Dado havia chicoteado as costas de Miro Moreira, confundindo-o com a vaca que deveria colocar no curral. Dado, no vídeo, não reclama da indicação. Entende e aceita. Mas protesta contra a direção do programa.

Dado conta que havia combinado receber o remédio que toma contra insônia, mas fora informado, na véspera, que não receberia a dose combinada. Deixa implícito que o seu comportamento foi influenciado pela falta do tarja preta e de uma noite sem dormir. Britto Jr., com aquele seu admirável jogo de cintura, começa a discutir com Dado, acusa-o de dizer uma “meia verdade” e defende a direção, argumentando que o ator deveria fazer o seu pedido no confessionário (aqui chamado de “câmera do desabafo”), e não pelos cômodos da casa.

São cinco minutos históricos, que deveriam ensinar muita coisa à Globo. Aprendendo enquanto faz, a Record, depois de tanto copiar, finalmente inovou em matéria de reality show: roupa suja se lava em público. Acabou o confessionário! Boninho, que já deu muita bronca em candidato do BBB (lembra-se da Mirla?), deve estar se perguntando como superar esse “golpe”. Com “A Fazenda”, os “desabafos” são agora um direito do público. Parabéns.

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22/06/2009 - 10:19

Se Edir Macedo fosse Silvio Santos…

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É muito tênue a linha que separa um programa “trash”, divertido de tão ruim, de uma atração que causa mal estar e provoca o efeito inverso, deprimindo o espectador. Três semanas depois de sua estreia, “A Fazenda” segue caminhando nesta corda bamba, oscilando entre lampejos de fantasia pop e momentos de puro baixo astral. 

Theo Becker foi, até domingo, o tufão de alegria que moveu “A Fazenda”. Infelizmente, descobrimos, jogou dopado, como se diz no futebol. Estava sob efeitos da sibutramina, uma conhecida droga para emagrecer – mais utilizada por mulheres, que ficam à beira de um ataque de nervos, mas também receitada a homens.

“Andressa!”, gritou o ator, em diferentes momentos, na noite de domingo. Cheguei a ficar em dúvida se estava se referindo à ex-namorada, que avisou não ter interesse em reatar o romance, ou à égua, que batizou durante o programa. No final, ao lançar as suas últimas palavras, compreendi: “Andressa, eu te amo. Eu vou lutar por você até o ultimo dia da minha vida”. Muito pragmática, Andressa deu a deixa: “Theo não vai ter tempo de vir atrás de mim, a imprensa vai assediar muito ele”.

Becker fez um balanço muito positivo de sua participação no programa. Ajudou, por exemplo, a acabar com a imagem que a sua “gente” é gay. Britto Jr., coitado, não entendeu. “De quem você está falando? Dos artistas?”. Theo Becker é de Pelotas, Britto. Manja?

A edição mostrou, na sequência, as muitas brigas e confusões que Becker arrumou na fazenda. Também exibiu o ator, ao violão, cantando uma música de Renato Russo. Enquanto Pedro, filho de Leonardo, destruía de forma desafinada a letra, a câmera permanecia focada em Becker, dedilhando o violão e sugerindo que ele fosse o responsável por aquele desastre. Que injustiça!!!

Como escrevi há três semanas, “A Fazenda” tem tudo para se tornar um clássico do “trash” televisivo brasileiro.  O mix de subcelebridades e gente estranha escolhida foi perfeito. O problema é como acomodar esse povo no formato que a Record está impondo ao programa.

A mis em scène do paredão da “Fazenda” é uma das coisas mais tristes que já vi na televisão brasileira. Britto Jr.,com todo respeito, mais parece um pastor do que um apresentador, inquirindo os candidatos à porta do Purgatório. Os três “emparedados” sentados sobre malas vintage, como se estivessem numa estação de trem de filme americano da década de 50, não combinam com o ambiente ao redor. Os pais dos candidatos, em pé, assistindo aquilo tudo, a iluminação, a música, o excesso de evocações a Deus, as intervenções de Britto (“Espero que vocês dois sejam homens de verdade”, disse para Theo e Miro), enfim, tudo aquilo dá uma tristeza…

Mas, voltando ao que “A Fazenda” tem de melhor, lanço aqui uma campanha: “Volta Theo Becker!”. Silvio Santos, tenho certeza, não hesitaria em arrumar um jeito de mandar o regulamento às favas e reenviar o ator ao programa, como fez com o lendário Alexandre Frota na “Casa dos Artistas”. Será que a Record encara uma dessas?

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15/06/2009 - 13:17

Faltou dizer sobre Brasil 4 x 3 Egito: resultado injusto

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Apesar da torcida e do patriotismo de sempre, Galvão Bueno conseguiu se dar conta, aos 35 minutos do segundo tempo, que o resultado (3 a 3) se explicava não apenas por conta da atuação do Brasil: “Joga melhor o Egito”, admitiu.

Tudo mudou aos 45 minutos do segundo tempo. Num lance em que a bola pareceu ter saído (e a tevê não exibiu replay), Daniel Alves partiu para a área e foi derrubado. Na sequência, o pênalti, que o juiz não viu, mas foi levado a assinalar – sabe-se lá por quem. 4 a 3.

Como de hábito, quando o Brasil tem dificuldades em campo, a “culpa” é sempre de alguém. Galvão criticou Alexandre Pato e Gilberto Silva. E a falta de “atitude” da seleção. Arnaldo Cesar Coelho achou de bom tom acrescentar: “Não podemos justificar o resultado pela arbitragem”.

Falcão, é bom que se diga, em mais de um momento deixou de lado o seu jeito “chuchu” de comentar futebol, e observou: o Egito jogava bem, entrou com “outra postura” no segundo tempo, passou a atuar com três atacantes e mudou a formar de marcar a seleção brasileira.

Uma análise séria deveria incluir as palavras de Milton Leite, no SporTV: “uma atuação horrorosa do Brasil”, ou de Paulo Cesar Vasconcelos, na mesma emissora: “a pior atuação do Brasil no ano”.

Uma análise isenta deveria concluir com as seguintes palavras: “resultado injusto”.

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