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23/11/2009 - 02:21

Luciano Huck acusa programa do Gugu de plágio e é chamado de “babaca” e “covarde” pelo diretor do rival

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O Twitter foi palco neste domingo de uma discussão acalorada entre Luciano Huck, apresentador da Globo, e Homero Salles, diretor do programa de Gugu Liberato na Record. A briga terminou por chamar a atenção para um problema crônico da televisão brasileira: o mau hábito de copiar programas alheios ou repetir fórmulas prontas.

Huck indignou-se ao ver o apresentador da Record exibir na noite deste domingo um quadro semelhante ao “Lata Velha”, que ajuda donos de carros velhos a reformarem seus veículos, apresentado no programa da Globo desde 2006.

“Agora o Gugu quer ‘se inspirar’ também no Lata Velha!!! Hahahaha…ô falta de imaginação!!!! Tem gente que acha que povo é burro, né não?”, escreveu Huck, por volta das 21h15, aos seus 1,4 milhão de seguidores – o maior número no Twitter brasileiro. E logo acrescentou, com ironia: “Faça o bem, para receber o bem. Vou acreditar que 80% do Programa do Gugu é uma ‘homenagem’ ao Caldeirão. Obrigado, nobre colega.”

Com apenas 1,5 mil seguidores no Twitter quando começou a discussão, Homero Salles aproveitou a deixa para desferir uma série de ataques a Huck. Por uma hora e meia, ao longo de mais de 20 mensagens sobre o assunto, o diretor da Record não negou ter copiado o programa do rival, apenas argumentou que o apresentador da Globo não tinha autoridade para falar de cópias.

“@huckluciano , deixa de ser babaca…você dirige um TAXI que o Gugu dirigia e pensa que pode falar dos outros?”, começou Salles, lembrando que Huck apresentou um quadro na Globo muito semelhante a um que Gugu mantinha no SBT.

Irônico, Salles lembrou que o quadro “Lata Velha” é baseado num formato estrangeiro, sugerindo que não está copiando a atração do “Caldeirão do Huck”, mas de programas da tevê americana: “amiguinho…TODOS nós assistimos os programas de reforma de carros americanos…nem vc nem nós inventamos isso”

Ainda com sarcasmo, Salles afirmou que Huck utiliza em seu programa vários quadros “importados” de produtores estrangeiros. “ô nobre colega…até três anos atrás vc perdia pro Raul Gil, a Globo teve de gastar uma nota preta comprando formatos…”, escreveu Salles. O diretor da Record citou os quadros “Barco do Amor” e “Acorrentados” como exemplos de atrações “importadas”. E, logo, no Twitter, vários leitores que assistiam a discussão lembraram de outros quadros exibidos no programa de Huck que seriam “inspirados” em atrações estrangeiras, como “Soletrando” e “Lar Doce Lar”.

“Nunca tive vergonha de adaptar bons quadros …mas tem de ser homem e assumir”, escreveu o diretor do programa do Gugu. Chamado de “covarde” por fazer suas críticas quando o programa do concorrente ainda estava no ar, Huck apagou do Twiiter, ainda na noite de domingo, os dois comentários que publicou. Um pouco antes de eliminá-los, dirigindo-se a colegas que se impressionaram com o tom da discussão, Huck escreveu que suas críticas foram apenas “um dasabafinho”, mas que não tinha a intenção de polemizar com Salles.

Atribui-se a Abelardo Barbosa (1917-1988) a célebre frase: “Em televisão, nada se cria, tudo se copia”. É um exagero, evidentemente – e o próprio Chacrinha, original em vários aspectos, está aí para desmentir a si próprio. Mas a briga feia entre Luciano Huck e Homero Salles diz muito do nível da televisão brasileira atual.

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20/11/2009 - 13:10

Especial sobre Cazuza “reabilita” Ney Matogrosso

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O programa sobre Cazuza (1959-1990) exibido pela Globo nesta quinta-feira, dentro da série “Por Toda a Minha Vida”, fez justiça, finalmente, ao cantor Ney Matogrosso, vetado e suprimido do filme “Cazuza, O Tempo Não Para” (2004), uma produção da Globo Filmes, dirigida por Sandra Werneck e Walter Carvalho.

Ney aparece de várias formas no especial. Ele fala sobre o relacionamento amoroso de três meses que teve com Cazuza, dá um depoimento sobre a obra do músico (elege “O Tempo Não Para”, “Blues da Piedade” e “Brasil” como suas obras-primas) e faz parte da encenação de um episódio fundamental na trajetória do Barão Vermelho: a sua decisão de gravar a canção “Pro Dia Nascer Feliz”, que deu visibilidade, no início dos anos 80, à jovem banda de rock.

Apenas por isso, o especial sobre Cazuza já mereceria todos os elogios. Mas o programa, com direção de Gustavo Fernandez, roteiro de George Moura e Teresa Frota e colaboração de Fernanda Scalzo, vai além.

Com ótimos depoimentos, inclusive do colega de escola Pedro Bial, do parceiro Roberto Frejat e do pai João Araujo, que raramente fala sobre Cazuza, o programa apresenta histórias pouco conhecidas ou inéditas sobre a breve vida do músico.

Bial descreve o dia em que os dois, crianças, foram recebidos por Vinicius de Moraes na banheira de sua casa e convidados a beber um uísque. Com muita sinceridade, Frejat relata a briga que teve com Cazuza e como reagiu à decisão do cantor de deixar o Barão Vermelho: “Fiquei puto”, diz. João Araujo aparece numa encenação aos tapas com o filho adolescente e, em outro trecho, emociona-se ao falar do legado de Cazuza.

Lucinha Araujo, mãe de Cazuza e co-autora do livro “Só as Mães São Felizes”, que serviu de fonte para o filme “O Tempo Não Para”, também é ouvida no especial, mas seu papel na história parece ter sido redimensionado.

O especial apresenta os vários Cazuzas que a sua geração conheceu: o compositor genial, o boêmio inconveniente, o hedonista irresponsável, o rebelde indomável, o artista corajoso, o exagerado em tudo. Entende-se claramente, ao final do programa, porque ele faz tanta falta.

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19/11/2009 - 16:06

A alegria de ouvir bobagens na “Fazenda”

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Para quem freqüenta este blog e, ao mesmo tempo, aprecia os textos do autor sobre televisão, informo que meus comentários sobre “A Fazenda” serão publicados às segundas e quintas no blog específico que o iG mantém sobre o programa. No texto desta quinta-feira, eu falo da alegria de ouvir bobagens no reality.

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19/11/2009 - 13:20

Rivalidade entre Rio e SP no futebol está de volta

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O sempre sensato e elegante Lédio Carmona, comentarista do SporTV, escreveu em seu Twitter na quinta-feira: “O futebol, como um todo, está fora do tom. Discursos e atitudes raivosas por todos os lados. Me confesso assustado com tudo isso.”

Creio que Lédio referia-se, especificamente, à briga entre dois jogadores do Palmeiras, no intervalo da partida contra o Grêmio, mas também a uma série de outros episódios recentes. “Rivalidade e acirramento é uma coisa. Mas a sociedade do futebol está passando do ponto. Pensem nisso”, escreveu. E ainda: “A sociedade da bola é totalmente IN: Insensata, Intolerante, Invasiva, Insana, Insuportável…”

Todos nós, apaixonados por futebol, temos o hábito de exigir “profissionalismo” dos atores envolvidos neste mundo – jogadores, técnicos, dirigentes, árbitros e mesmo comentaristas. Por trás desta cobrança está a idéia de que todas essas figuras são remuneradas, logo, tem obrigações, deveres e compromissos.

Assim como exigimos conhecimento do médico que nos atende, educação do caixa no banco e pontualidade na entrega da loja, esperamos que o jogador do nosso time seja eficiente em campo, dentro da posição que é escalado, que o dirigente defenda o nosso clube da melhor forma possível, que o árbitro domine as regras do esporte e que o jornalista esportivo seja isento.

O problema todo é conciliar as nossas exigências com a paixão. Nisso, o esporte se diferencia de todas as outras atividades. Ninguém tolera um juiz ladrão, mas você já viu algum torcedor reclamar quando o próprio time é beneficiado por erro de arbitragem? Torcedor odeia cartola corrupto, mas se a ação dele, nos bastidores, ajudar o seu time, você é capaz até de votar no sujeito para deputado federal nas próximas eleições.

Para piorar, muitos dos atores envolvidos no mundo do futebol, apesar de profissionais, também não conseguem controlar sua paixão. Brigas entre jogadores do mesmo time, brigas entre dirigentes esportivos, acusações variadas e teorias da conspiração prosperam no momento em que o Brasileiro se aproxima do fim com um grau de competição nunca visto antes, tanto no alto quanto no fim da tabela.

Os ânimos de todos os envolvidos parecem mais exaltados do que nunca. E dentro dessa confusão toda, reaparece um elemento que andava adormecido – a rivalidade entre Rio e São Paulo. Muito por culpa do desempenho pífio dos times cariocas nos últimos anos, esse bairrismo andava sumido do teatro das paixões do futebol. Mas voltou com tudo nas últimas semanas, em função do bom momento do Flamengo. Infelizmente, prevejo ainda muita baixaria até o final do campeonato.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , ,
18/11/2009 - 11:59

Memórias de Neschling deixam dúvidas no ar

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neschlingDez meses depois de consumada em praça pública, a demissão do maestro John Neschling do comando da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo permanece como uma história ainda em aberto, a ser contada em todos os seus detalhes.

Os mais recentes capítulos desta novela foram escritos agora em novembro. Na quarta-feira 11, soube-se que Neschling venceu a ação trabalhista que moveu contra a Osesp, na qual cobrava direitos trabalhistas pelos 12 anos em que esteve à frente da orquestra como diretor artístico e regente titular, além de uma indenização por danos morais pela maneira como foi demitido. O juiz Ronald Luís de Oliveira determinou que a Osesp pague R$ 4,3 milhões a Neschling.

Por coincidência, na mesma semana desta vitória, chegava às livrarias “Música Mundana” (Rocco, 192 págs., R$ 29,50), o aguardado livro que Neschling prometeu escrever depois da demissão. Trata-se de um esboço de autobiografia, permeado com reflexões sobre a paixão do maestro pela música, mas muito pouca informação para quem esperava novidades sobre a sua saída da Osesp.

Numa passagem tocante, Neschling descreve como seus pais, imigrantes judeus europeus refugiados no Rio de Janeiro, o criaram segundo os ritos da religião católica, com direito a primeira comunhão, por medo que algum dia a perseguição aos judeus voltasse a ocorrer. Generoso, o maestro intitula este capítulo como “Eu teria feito o mesmo”.

Outro episódio curioso, que ajuda a compor o perfil do maestro, deu-se em 1979. Convidado a substituir Eleazar de Carvalho na classe de regência no curso de inverno do Festival de Campos de Jordão, Neschling acabou criando uma orquestra de alunos, logo transformada em Orquestra Juvenil do Estado de São Paulo.

Estávamos no governo Maluf, conta, e logo a orquestra começou a ser convocada para participar de eventos públicos, com a presença do governador. Certa vez, Neschling teria que levar os alunos ao Parque da Água Branca, para tocar diante da primeira-dama do Estado. Exigiu um caminhão fechado, para transporte dos instrumentos (que pertenciam aos próprios músicos) e um palco coberto, para o caso de chuva. Não foi atendido em nenhum dos dois pedidos.

Insisti para que se providenciasse uma cobertura para o palco. Nada. Esbaforida, uma assessora da primeira-dama voltou minutos depois. “Dona Silvia manda perguntar se esse concerto vai começar logo ou se o senhor vai continuar bancando a estrela”. Minha resposta mal-educada foi fatal para meu futuro paulista.

O episódio guarda muita semelhança com um fato que marcou a gestão de Neschling à frente da Osesp, 25 anos depois, mas não é narrado em “Música Mundana”. José Serra era prefeito de São Paulo, em novembro de 2005, quando a orquestra foi convidada a participar da primeira Virada Cultural. O maestro cancelou a apresentação da Osesp sob o argumento que não havia condições técnicas de uma boa exibição.

Neschling fala brevemente de outro grave desentendimento, ocorrido em 2007, quando Serra já era governador de São Paulo. Numa gravação realizada secretamente por músicos da orquestra, e divulgada no You Tube, Neschling chama-o de “um menino mimado”.

No livro, Neschling nem cita o nome de Serra. Escreve: “Havia desabafado e falado da pressão que vinha sofrendo do governo, reconhecendo no governador grandes capacidades administrativas, mas ressaltando seu caráter autoritário”.

O livro também não trata de outros episódios polêmicos que envolveram Neschling, como as suspeitas de fraude em um concurso de piano que promoveu e o seu desentendimento com Roberto Minczuk, então maestro assistente da orquestra.

“Música Mundana” é igualmente é econômico ao descrever o episódio que resultou na sua demissão, na sequência de uma entrevista que deu ao “Estado de S.Paulo” em dezembro de 2008, criticando o Conselho de Administração da orquestra, presidido por Fernando Henrique Cardoso. Neschling deixa no ar a sugestão que foi ingênuo, por não entender os sinais de que sua gestão não estava mais agradando ao conselho, e que teria sido traído, ao saber que sua sucessão foi tratada em reunião da qual não participou.

O maestro deixa escapar apenas uma ponta de mágoa, ao relatar que, depois da sua demissão, nunca mais voltou à Sala São Paulo. “Não pude nem ao menos despedir-me dos músicos e dos colegas”.

Se evita se aprofundar sobre esse rumoroso episódio, Neschling é generoso ao fazer uma reconstituição detalhada sobre como, em 1996, foi convidado a dirigir a Osesp e, então, em sequência, como convenceu o secretário de Cultura Marcos Mendonça a investir na modernização da orquestra e como Mario Covas comprou a idéia de investir R$ 44 milhões na transformação da antiga estação Julio Prestes na moderna Sala São Paulo.

“Assumi uma orquestra em decomposição”, escreve, antes de detalhar o processo de profissionalização que promoveu, ao longo do qual exigiu mais dedicação e qualidade dos músicos contratados. Num famoso episódio, que Neschling descreve, sete membros da orquestra questionaram a autoridade do maestro assistente e foram demitidos. “Introduzir uma nova cultura de trabalho na orquestra premiou-me com a fama de autoritário”, anota.

“Música Mundana” é, portanto, uma espécie de registro das qualidades que Neschling enxerga em si próprio, mas muito pouco esclarecedor a respeito dos problemas e defeitos que seus adversários vêem nele. É, enfim, um livro insuficiente para entender o conflito que levou à sua demissão e os meandros de uma orquestra financiada com recursos públicos. Aguardemos os novos capítulos da história.

Em tempo: em 30 de janeiro de 2009, publiquei no Último Segundo uma reportagem detalhada sobre o caso. Para quem não acompanhou os acontecimentos na ocasião, o texto pode ajudar a entender o contexto.

Autor: - Categoria(s): Cultura, Política Tags: , , , , , , , ,
16/11/2009 - 01:26

“A Fazenda”: mais enxuta, sem reza e sem comercial

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Na essência, “A Fazenda” continua o mesmo: subcelebridades de terceiro e quarto escalão em busca de um lugar ao sol, Britto Jr. tentando ser Pedro Bial e a Record falando da Record. Mas, em relação ao programa que estreou há cinco meses e meio, a segunda edição do reality show começou com alguns melhoramentos.

Em primeiro lugar, no lugar das duas horas e quarenta minutos da primeira estreia, desta vez foram apenas 120 minutos. Sem enrolação, direto ao ponto, os candidatos foram brevemente apresentados, não tiveram a chance de falar muita besteira e ainda foram submetidos a uma prova divertida.

Outro progresso foi visto no final. Na primeira estreia, os candidatos tomaram uma taça de espumante e, em círculo, comandados por Babi, fizeram uma prece. “Senhor, que a gente aprenda a ser um ser humano melhor”, começou a moça, antes de pedir: “Jesus, que todos nós tenhamos um salto em nossas carreiras”. Desta vez, repetiu-se a oferta de bebida, mas, na hora em que os participantes começaram a formar um círculo, o programa saiu do ar sem que pudéssemos ouvir qualquer oração.

É claro que houve espaço para inúmeras piadas involuntárias. A melhor de todas, sem dúvida, a frase de Sheila Melo, apresentada por Britto como “uma das loiras mais conhecidas do Brasil”, que disse: “Não precisa ser verdadeiro… Me tratando bem já tá bom.” Eis uma reflexão que vale como mantra para a vida.

MC Leozinho, como se estivesse no palco do Gugu ou do Faustão, agradeceu: “Estou muito feliz pelo convite”. Mauricio Manieri observou: “Não sou muito de me expor”. E Karina Bacchi nos informou: “Me arrependi muito de ter posado nua”.

Quase todos os participantes mereceram um “bem-vindo” do apresentador, mas Cacau Melo, depois de participações inexpressivas em novelas e programas da Globo, mereceu algo mais: “Bem-vinda à Record”, saudou Britto.

Mais uma vez, a emissora subverteu a lógica capitalista que rege o negócio da comunicação no Brasil, segundo a qual a publicidade financia a produção. O programa entrou no ar imediatamente depois do Gugu, sem intervalos comerciais, por volta das 22h20, e só foi interrompido às 23h45, depois de uma hora e vinte e cinco minutos.

Houve, então, um intervalo comercial de seis minutos, seguido de um segundo bloco do programa que durou oito minutos, um segundo intervalo de cinco minutos e, finalmente, um terceiro bloco do reality de quinze minutos. Resumindo, ao longo de duas horas, houve onze minutos de comerciais, alocados em dois blocos na última meia hora da atração.

Com essa estratégia, “A Fazenda” espera vencer a guerra da audiência nas noites de domingo.

Autor: - Categoria(s): televisão Tags: , , , , , , , ,
13/11/2009 - 13:43

Uma alternativa a “2012”, o sensível “No Meu Lugar”

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No Meu Lugar Cena blogSei que a competição é difícil, mas imagino que nem todo mundo que planeja ir ao cinema neste final de semana sonha em ver “2012”. Para o público que busca uma alternativa ao arrasa-quarteirão da semana, minha sugestão é “No Meu Lugar”.

Trata-se do filme de estréia de Eduardo Valente, crítico de cinema, editor do site Cinética e curador de mostras e festivais. Valente já havia dirigido, com sucesso, três curtas-metragens (“Um Sol Alaranjado”, “Castanho” e “O Monstro”, todos disponíveis no portal Curtas) e agora, com apoio da VideoFilmes, de Walter Salles, conseguiu produzir “No Meu Lugar”.

O filme foi exibido em Cannes, em maio deste ano, e começa esta semana a procurar espaço no circuito comercial brasileiro. Trata-se, na minha opinião, de uma bem-sucedida tentativa de olhar para o problema da segurança no Rio de Janeiro fugindo dos conhecidos clichês. É um filme sensível, cuja ação se passa em três tempos diferentes e que exige do espectador mais do que uma contemplação distraída.

“Não tem uma bengala dizendo: agora você tem que sentir isso”, disse Valente ao Último Segundo. Para quem se interessar, recomendo a leitura da entrevista que fiz com o cineasta (Filme propõe olhar “desarmado” sobre a violência no Rio ), na qual ele deixa claro a sua visão de cinema e o que pretendeu com “No Meu Lugar”.

Autor: - Categoria(s): Cultura Tags:
11/11/2009 - 17:27

Huck, invasão de privacidade e a capa das revistas

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No domingo, 8 de novembro, um dia depois de festejar o aniversário de dois anos do filho caçula, Luciano Huck descobriu que algum convidado da festa colocou na Internet uma foto do evento. O apresentador da Globo foi então ao Twitter para protestar contra o autor do vazamento e convocar seus seguidores a descobrirem e delatarem o culpado: “Domingão se recuperando da festa do nosso caçula. A propósito alguém sabe quem foi o deselegante que postou aqui 1 foto das crianças + bolo”

Com quase 1,4 milhão de seguidores, o campeão de audiência do Twitter no Brasil não teve dificuldade em localizar o “deselegante” convidado que tornou pública a sua privacidade e de sua família. Quinze minutos depois da primeira mensagem, Huck informou: “Obrigado turma, com as dicas, já encontramos o ‘twitter hospedeiro’ das fotos. Fazer o que, né?”.

contigo huck Quem HuckTrês dias depois, na quarta-feira, chegaram às bancas duas revistas que trazem em suas capas imagens da festa do filho de Luciano Huck e Angélica. Tanto as 12 páginas da “Contigo” quanto as três da “Quem” são ilustradas com fotos de João Miguel Junior, da TV Globo.

O que se depreende do episódio é que Huck não ficou indignado de ver uma imagem de sua intimidade na Internet, mas apenas irritou-se porque a indiscrição do convidado “deselegante” acabou com o ineditismo que prometera às revistas. Em outras palavras, parece que o problema de Huck não é a invasão de privacidade, mas o de controlar para quem vai oferecer os “flagrantes” da sua intimidade.

Autor: - Categoria(s): Colunismo social, Crônica, Internet Tags: , , , ,
11/11/2009 - 13:01

Record briga ao vivo com a Globo por entrevista

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Uma repórter da Rede Record tentou invadir uma área reservada onde o secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia aguardava para dar uma entrevista à Rede Globo, na manhã desta quarta-feira, em Brasília.

A cena, muito incomum, foi ao ar no programa “Hoje em Dia”, da Record. Marcio Zimmermann havia se comprometido a falar com a emissora, ao vivo, depois que desse uma entrevista à Globo, que também seria exibida ao vivo.

O apresentador do programa, Celso Zucatelli, reclama que a Globo está “segurando” o secretário “propositalmente” e pede para a repórter Venina Nunes “insistir” na entrevista com Zimmermann. Constrangida, a repórter reconhece que “é falta de ética tentar atrapalhar o trabalho dos outros”, mas dirige-se mesmo assim à área onde a repórter da Globo prepara-se para entrevistar o secretário.

Ao tentar, então, fazer a sua entrevista, Venina Nunes é confrontada por uma repórter da Globo e pelo assessor de imprensa de Zimmermann. Este último afirma que a repórter da Record está invadindo a área da concorrente e que deve aguardar a sua vez.

Horas depois do incidente, a própria Record divulgou em seu portal o vídeo que mostra a briga.

Autor: - Categoria(s): jornalismo, televisão Tags: , , ,
09/11/2009 - 10:48

Repórter deve avisar ao entrevistado que ele está falando besteira?

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A entrevista do repórter Thiago Salata, do “Lance!”, com o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, “horas depois” de encerrada a partida contra o Fluminense, no domingo, levanta uma questão importante, que interessa de perto a qualquer jornalista: cabe a um repórter advertir o seu entrevistado que ele está falando o que não deve, mesmo sob o risco de perder a melhor parte da matéria?

Irritado com o erro grosseiro cometido por Carlos Eugenio Simon, que anulou um gol de Obina no primeiro tempo da partida, Belluzzo ofende o árbitro na entrevista e afirma que ele estava “na gaveta de alguém”, ou seja, foi comprado.

Em dois momentos, durante os 15 minutos em que conversou com Belluzzo, Salata adverte: “Vou publicar tudo que você está falando”. Antes, ainda havia chamado a atenção do dirigente: “Presidente, sinceramente, nunca o vi tão alterado”.

Entendo que Salata agiu corretamente. Entrevistou Belluzzo num momento em que o presidente do Palmeiras estava emocionalmente abalado, mas deu a ele diversas chances de repensar sobre as suas declarações. Na minha opinião, há algumas situações em que o entrevistado deveria ter a chance de voltar atrás em declarações, especialmente quanto podem resultar em danos para si próprio.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , ,
08/11/2009 - 19:25

“Ahmadinejad, o Rio te beija”

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Rio, 35 graus. Domingo de praia lotada – e policiamento reforçado na orla entre Ipanema e Leblon. A cada 500 metros, na pista interditada para veículos, há um carro do 23º Batalhão, com dois PMs dentro. No posto da PM no Arpoador, seis policiais vestidos com roupa de guerra seguram fuzis e encaram a multidão que se aperta naquele cantinho de areia.

Segundo o comandante do 23º BPM, a tropa na praia é parte de uma operação que vai durar todo o verão. Inclui 10 carros e 60 soldados. Nas duas ruas que ligam Copacabana a Ipanema, policiais fazem blitz, parando carros e ônibus. Uma briga seguida de uma série de furtos no Arpoador causou pânico no sábado. “Foi um princípio de tumulto”, segundo a PM.

Não é a praia que o carioca está acostumado a ver. Também espanta no calçadão a poluição visual provocada por dois acontecimentos que não dizem respeito ao domingo de sol: as eleições para a presidência do Flamengo e para a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio. Candidatos espalham outdoors móveis por toda a orla. Um dos candidatos à OAB promove uma caminhada, atrapalhando o exercício de quem corre ou anda. Um dos candidatos ao comando do Flamengo distribui panfletos, ajudando a sujar a calçada.

Mas nem tudo está perdido. De bom humor, vascaínos circulam pela praia exibindo a camisa do time que na véspera assegurou a volta à primeira divisão do Brasileiro. No céu, um daqueles pequenos aviões que carregam faixas com publicidade, intriga os banhistas com a mensagem que exibe: “Ahmadinejad, o Rio te beija”.

A faixa é ilustrada nas duas pontas com as cores do arco-íris, símbolo do movimento gay. Trata-se de um protesto bem-humorado contra a visita do presidente do Irã, que deve chegar a Brasília no próximo dia 23, para um encontro com o presidente Lula. Em 2007, Ahmadinejad declarou não existirem gays no Irã.

Atualizado às 10h10 de 9 de novembro: Segundo “O Globo” desta segunda-feira, não se sabe quem é o autor da faixa vista na orla no domingo. O representante de uma entidade gay afirmou não ter entendido se a faixa é uma provocação ao presidente do Irã ou ao próprio movimento de defesa dos homossexuais. E um representante da comunidade judaica especulou que a faixa pode ter sido encomendada por simpatizantes de Ahmadinejad em resposta às manifestações contra a visita do presidente do Irã ao Brasil. A empresa responsável pela propaganda afirmou não ter autorização para revelar quem é o seu cliente.

Autor: - Categoria(s): Brasil, Crônica Tags: , , , , ,
06/11/2009 - 11:38

Prêmios e crítico sublinham prestígio da Mostra

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Mostra SeloNem a chuva, que prejudicou a cerimônia de entrega dos prêmios, afetou o ótimo humor de Leon Cakoff. Em conversa com o blog, o criador da Mostra de Cinema de São Paulo festejou o final da 33ª edição com duas boas notícias. A primeira, o fato de os dois filmes premiados pelo júri, “Voluntária Sexual”, do sul-coreano Kyong-duk Cho, e “Os Dispensáveis”, do alemão Andreas Arnstedt, terem estreado mundialmente na Mostra – um sinal do grande prestígio do evento.

Cakoff também ficou muito feliz com um artigo escrito pelo crítico Jean-Michel Frodon, integrante do júri da 33ª edição. Em texto publicado em seu blog na véspera da cerimônia de encerramento, Frodon falou do seu encanto pelo festival organizado por Leon Cakoff e Renata Almeida. E foi além.

Segundo Frodon, assim como foi uma voz de resistência ao regime militar, ao ser criada em 1977, a Mostra de Cinema de São Paulo hoje é vista por cineastas em todo o mundo como um espaço alternativo aos grandes estúdios de Hollywood e à Rede Globo – “os poderes que se pretendem hegemônicos no imaginário deste imenso país”.

Fazendo a ressalva que não está comparando a ditadura militar com as potências da mídia, Frodon observa: “Isso não exclui observar como, em situações diferentes, respostas variadas, mas motivadas pelo mesmo espírito, são possíveis e necessárias”.

Ex-diretor da mítica revista “Cahiers du Cinema”, Frodon lembra que, ao introduzir o voto popular na Mostra de Cinema durante o regime militar, “Cakoff reinventou algo que não existia mais em lugar algum no país: um espaço democrático”. Hoje, lembra ele, o desafio de um festival – e dos críticos de cinema – é outro:

“O papel (dos festivais e dos críticos) não é mais o de tornar acessível o que é raro ou inacessível, mas trabalhar no sentido de abrir os espíritos a outras formas, outros ritmos, outras histórias que os espectadores saturados de mensagens promocionais seguramente não vão procurar por conta própria, mesmo que estas obras estejam à distância de um clique.”

Para Frodon, a Mostra de São Paulo tem um papel fundamental “e mais necessário do que nunca” de preparar o terreno “para o reencontro entre o público e os filmes”.

Em sua passagem por São Paulo, o crítico causou polêmica ao afirmar, em entrevista à “Folha”, que o cinema brasileiro, de uma maneira geral, sucumbiu ao modelo comercial dominante. “É um cinema sem maior brilho. Vi alguns documentários interessantes, mas o cinema brasileiro não é tão bom quanto poderia ser, ou o quanto imaginamos que seria”, disse Frodon.

Autor: - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
05/11/2009 - 16:06

Verbete de Danilo Gentili na Wikipédia é alvo de disputa e manipulação

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Na manhã desta quinta-feira, o humorista Danilo Gentili anotou no Twitter, onde é seguido por 438 mil pessoas: “Wikipedia diz q sou ‘ator’. Apaguei pois não sou. Reescreveram. Algum idiota por ai acha q sabe + da minha vida do q eu.”

Intrigado com o assunto, entrei imediatamente no verbete dedicado a Gentili. Não constava mais qualquer referência ao problema apontado pelo humorista, mas algo me chamou a atenção. Na última linha do perfil, estava escrito: “PS: todo preto tem mania de perseguição”.

Dado o histórico de Gentili – há quatro meses causou polêmica ao fazer um comentário de cunho racista no Twitter –, imaginei que o tal “PS” foi acrescentado a seu perfil apenas por provocação. Imediatamente, anotei no Twitter: “Verbete de @danilogentili na Wikipedia termina com um PS: ‘Todo preto tem mania de perseguição’. Pegadinha?”.

Seis minutos depois, voltei ao perfil de Gentili na enciclopédia online e o “PS” já havia sido removido. No entanto, vários internautas me mandaram cópias da página onde aparece a frase. Numa prova evidente de como os perfis na Wikipédia são alvo de disputa, @ALuizCosta verificou: “O verbete sobre Danilo Gentili teve 35 edições e contraedições nos últimos 2 dias”, enviando o link que mostra esta estranha movimentação.

O episódio em si não é tão importante, mas reforça o justo coro daqueles que enxergam a Wikipédia com cautela e ceticismo. Trata-se de uma ferramenta útil, mas que não deve ser usada como fonte única nem última de informação.

Autor: - Categoria(s): Blog, Cultura, Internet Tags: , , ,
05/11/2009 - 15:43

Apenas três decepções

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Mostra SeloA Mostra está chegando ao fim e é hora de começar a fazer alguns balanços. O primeiro que farei aqui trata das poucas decepções que tive. Dos quase 30 filmes que assisti, apenas três não me agradaram. Aviso logo que entramos aqui num terreno de alta subjetividade já que a decepção está sempre relacionada a uma expectativa prévia, construída com base em fatos objetivos, mas também, e sobretudo, em idealizações.

woodstockAconteceu em Woodstock”, de Ang Lee, encabeça a minha lista. O filme é baseado nas memórias de Eliot Tiber, o jovem empreendedor responsável por levar o lendário concerto de Woodstock, em 1969, para a pequena cidade de Bethel, onde sua família mantinha um hotel decadente.

Ang Lee vislumbrou nas memórias de Tiber uma oportunidade de recontar uma história muito conhecida – a celebração hippie de Woodstock – pela ótica de um jovem tímido, dominado pela mãe, que vive aqueles dias como a oportunidade de renascer. É um tema que aparece em outros filmes de Ang Lee (“Banquete de Casamento”, “Comer, Beber, Viver” e “O Segredo de Brokeback Mountain”), mas sem a mesma força.

A história de Eliot Tiber claramente não tem impacto suficiente para segurar “Aconteceu em Woodstock” e o filme acaba resultando leve, superficial, com clima de Sessão da Tarde.

Soul KitchenSoul Kitchen” apresenta como maior credencial o fato de ser dirigido pelo cineasta alemão de origem turca Fatih Akin, figura conhecida na Mostra por “Contra a Parede”, “Do Outro Lado” e “The Sound of Istambul”.

À diferença dos filmes anteriores, “Soul Kitchen” é uma comédia rasgada. Ou melhor, esforça-se em nos fazer rir com as aventuras do atrapalhado Zinos, um dono de restaurante que faz tudo errado – no trabalho, com a namorada, com os amigos e com o irmão. Apesar de alguns bons achados, Akin opta pela caricatura e o escracho, a meu ver, as formas mais fáceis de provocar risos.

cabeça a premioCabeça a Prêmio” assinala a estreia do excelente ator Marco Ricca como diretor de cinema. O filme se baseia num thriller de Marçal Aquino, publicado em 2003. Conta as histórias cruzadas de diferentes personagens numa área do “faroeste” brasileiro – um piloto de avião, um fazendeiro traficante, sua filha e dois matadores profissionais.

Construído com habilidade e talento, o livro de Aquino se lê de um fôlego. Lembro que escrevi na ocasião que “Cabeça a Prêmio” parecia pronto para ser levado às telas. O filme de Ricca, no entanto, desidrata esta pulsão do romance, optando por um olhar mais reflexivo, em busca, talvez, da “verdade” por trás daqueles estranhos personagens.

O elenco escalado está à altura da ambição. Ótimos atores, como o argentino Daniel Hendler (no papel do piloto), Fulvio Stefanini (como o chefe mafioso), Otavio Muller (seu irmão), Eduardo Moscovis e Cassio Gabus Mendes (como matadores) encaram o desafio de dar vida ao faroeste caboclo descrito por Aquino. O resultado, porém, é irregular. O que “Cabeça a Prêmio”, o filme, perde em ritmo não compensa em “densidade”, apesar desta constelação em cena. Ricca mostra que tem boa mão para dirigir, mas talvez tenha sido ambicioso demais na estreia.

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03/11/2009 - 12:07

Salve! Dois filmes brasileiros muito acima da média

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Mostra SeloA indústria cinematográfica nacional comemora 2009 como o ano em que o mercado dará um salto próximo a 20%. Devemos este crescimento às comédias (comédias?) “Se Eu Fosse Você 2”, “O Divã”, “A Mulher Invisível” e “Os Normais”, que arrebentaram nas bilheterias.

Não foi um ano, porém, de emoções fortes para quem aprecia cinema de qualidade. Cada vez mais formatado de acordo com as exigências do mercado, o cinema brasileiro tem surpreendido pouco o público mais exigente.

Integrante do júri da 33ª Mostra de Cinema de São Paulo, o crítico francês Jean-Michel Frodon expressou esta decepção com uma frase de impacto: “É um cinema sem maior brilho. Vi alguns documentários interessantes, mas o cinema brasileiro não é tão bom quanto poderia ser, ou o quanto imaginamos que seria”.

A declaração de Frodon, em entrevista à “Folha”, causou um certo mal-estar, por dois motivos: 1) partiu de um estrangeiro, e não de um brasileiro; 2) e é possível que ele não conheça tão bem a produção nacional para fazer um julgamento deste quilate. Na minha opinião, o ex-diretor da revista “Cahiers du Cinema” pode ter cometido injustiças, mas acertou o tiro no alvo.

É evidente que há exceções, e a própria Mostra de São Paulo está aí para ajudar Frodon a matizar as suas críticas. Dois filmes, em particular, merecem ser vistos com atenção por quem espera mais do que comédias com jeitão de novela das 7 no cinema.

os famosos e os duendes“Os Famosos e os Duendes da Morte” é o primeiro longa-metragem de Esmir Filho. O cineasta tem 27 anos e ficou muito famoso ao dirigir “Tapa na Pantera”, um pequeno filme com a atriz Maria Alice Vergueiro no papel de garota-propaganda das qualidades da canabis.

Ganhador do principal prêmio no Festival do Rio, há menos de um mês, “Os Famosos e os Duendes da Morte” se passa numa cidadezinha de colonização alemã, no interior do Rio Grande do Sul, e descreve o sofrido rito de passagem de um adolescente inquieto e angustiado. Neste “cu do mundo”, como diz um dos protagonistas, não há nada para fazer, mas o menino encontra, pelo MSN e pela Web, canais de comunicação e expressão.

Fotografia, roteiro, direção de atores, tudo contribui para que o espectador embarque na viagem do protagonista de “Os Famosos e os Duendes da Morte”, no ritmo dele. Com sensibilidade, Esmir Filho realizou um filme intimista, poético, misterioso, na contracorrente dos filmes sobre adolescentes, que os tratam ou como espertinhos demais ou retardados.

Com distribuição já assegurada, o filme deve chegar ao mercado em 2010. Nesta terça-feira, há uma última sessão programada na Mostra, às 19h40, no Espaço Unibanco Pompéia. Mais informações no site da Mostra.

viajo porque precisoO outro ótimo filme brasileiro exibido na Mostra é “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”. Neste caso, a surpresa é menor porque os seus diretores, Marcelo Gomes e Karin Ainouz, já vem mostrando, há alguns anos, trabalho de qualidade e inventividade. Gomes é diretor de “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005) e Ainouz já fez “Madame Satã” (2002) e “O Céu de Suely” (2006).

Neste novo filme, com título atraente, um geólogo percorre o sertão do Ceará e de Pernambuco fazendo pesquisa para uma futura obra de transposição de águas. No ritmo da paisagem árida que encontra, do olhar das famílias miseráveis que perderão suas casas e do sorriso desdentado das prostitutas que vivem à beira da estrada, o geólogo vai narrando as suas impressões e, aos poucos, as suas dores.

Com trilha sonora que reúne o melhor da música popular brega brasileira, fotografia magnífica e uma estrutura narrativa surpreendente, “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” confirma, mais uma vez, que a nova geração de cineastas do Nordeste (da qual faz parte, também, Sergio Machado, diretor de “Cidade Baixa”) encontrou o seu lugar no cinema brasileiro atual – bem longe da mesmice e da obviedade.

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