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08/04/2009 - 00:53

BBB9 – Afinal, quem manipulou quem?

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Já está no ar, no site especial do BBB, o meu comentário sobre o último programa. É este texto aqui:

Em seu último recado, Pedro Bial evocou Baruch Spinoza (1632-1677), para quem “a liberdade consiste em conhecer os cordéis que nos manipulam”, para explicar a vitória de Max, o Alemão do BBB9, sobre Priscila. “Ainda há gente que não entendeu”, disse o apresentador, “que quem manipula o programa são vocês, com a nobre co-autoria do público”.

Recado dado, Bial comunicou que a vitória ocorreu por meros 24 décimos – cerca de 105 mil votos num universo de 44 milhões (o único número divulgado na noite). “Max, o cara do BBB9”, começou Bial, à maneira de Obama sobre Lula. “E Pri é a cara do BBB9”, completou.

A primeira cena do último programa reapresentou imagens pedidas por espectadores, num tributo ao que o formato do BBB tem de melhor: a sua capacidade de provocar interação. Mas, claramente, conhecendo o número total de votos, o espectador demonstrou menos vontade de escolher quem deveria ganhar R$ 1 milhão do que votar entre Max e Ana no último Paredão do programa (quase 59 milhões de votos). Para se pensar…
 
Antes, houve o momento de gala de Mr. Edição: a apresentação do perfil de cada um dos finalistas, exibindo o que fizeram de melhor. Se entendi direito, Mr. Edição resumiu Francine a uma menina maluca, Max a um cara cuja palavra que mais pronuncia é “eu” e Priscila a uma mulher de múltiplos talentos – “a gostosa do BBB”, mas sábia (“Amor não mata, a fraqueza mata”), capaz de se transformar no programa (“Vou sair outra pessoa daqui”) e, ainda, fazer um balanço sobre a nona edição (“Esse BBB quebrou vários tabus, eu sou a prova disso”).

A julgar por este resumo, o resultado final não foi justo. Mas foi um resumo justo?

Todo de preto, em dia da festa, Bial parecia emocionado. “Entenderam, agora?”, perguntou aos três finalistas, ao final da apresentação do perfil de cada um, sugerindo: “Viu como vocês nos emocionaram aqui fora?”

O melhor momento do último dia foi o clipe de humor, um manual de recomendações para evitar o Paredão. Foi a chance de rever o pior de cada um – Ana matando formigas com sabão em pó; Naiá fofocando; o trio “mosca morta” formado por Mirla, Alexandre e Michelle fazendo nada; Emanuel, o mala sem alça; e André, o xucro sincero.

Naiá e Ana, a vovó e a netinha, “uma relação inédita” em Big Brothers no mundo todo, segundo Bial, apareceram mais no último programa do que os próprios finalistas. Estou maluco, ou está pintando um quadro para as duas no “Fantástico”? “Que par de doidas adoráveis”, apregoou o apresentador.

Enquanto aguardava o início do programa, tive a oportunidade de ouvir Christiane Torloni cantar um mantra na penúltima cena de “Caminho das Índias”. Ao fim e ao cabo, é inevitável constatar que não posso reclamar de ter sido obrigado a acompanhar Max, Priscila, Fran & cia. por 83 dias.

Autor: - Categoria(s): televisão Tags: , , , , , , , , ,
25/03/2009 - 11:05

BBB9 – Como no estádio, cada espectador vê um jogo diferente

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Dia seguinte de paredão é sempre parecido. Dentro da casa, aquela ressaca. Aqui fora, os torcedores saem da toca para manifestar as suas preferências, comemorar e reclamar. Já estou me acostumando.

Na caixa de e-mails, às quartas-feiras, começam a pipocar mensagens de leitores que acompanham o programa pelo “pay per view”, 24 horas por dia, com “denúncias” variadas sobre o que os personagens fazem dentro da casa, mas a edição do programa não mostra. Também são comuns as mensagens me alertando para o fato de que a direção do programa está “conspirando” a favor deste ou contra aquele candidato. Recebo, ainda, “denúncias” sobre “fatos escandalosos” que os pais, parentes e amigos dos confinados fazem fora da casa para ajudar os “brothers”.

Outro termômetro é a caixa de comentários das críticas que escrevo. Nesta terça-feira, escrevi sobre a piada que o programa fez com Ana, exibindo um monstrinho de desenho animado correndo atrás da loirinha, que se diz “perseguida” pelos outros candidatos. O texto foi publicado por volta da uma da manhã desta quarta. Ao religar o computador, às 9h30, já havia 200 comentários – muitos me agradecendo por ter “desmascarado a farsa” que é Ana, outros felizes por eu ter “denunciado” o que a edição do programa e Bial fizeram com a candidata.

Um pouco como no jornalismo esportivo, acho, não importa o que você escreve quando está mexendo com os sentimentos de torcedores apaixonados. Cada um lê como quer e aproveita a oportunidade para mandar a sua mensagem – ou o seu petardo.

Em tempo: O meu texto, Bial faz piada com a “perseguida” e expõe “Lado Ana” ao ridículo, está publicado, como sempre, no site especial do iG dedicado ao programa.

Autor: - Categoria(s): televisão Tags: , , , , , ,
16/03/2009 - 10:34

BBB9 – Em defesa de Boninho, o estressado

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Como disse o Bial no programa de domingo, estão todos “destroçados pelo estresse”.  Já estamos há mais de dois meses confinados nesta casa e começamos a perder a paciência. Quando falo “nós” estou me referindo a todo mundo: ao público, à produção e aos candidatos – estamos todos confinados, certo?

A bronca que alguém da produção (quem será?) deu em Ana na noite de sábado deixa claro que, talvez, já tenha passado da hora de terminar com esta edição. Preste atenção no vídeo  que expõe a bronca. Ninguém na casa dá sinais de espanto com o que ouve. 

“Dona Ana Carolina, esse aviso é pra senhora e pra dona Naiá: esse alicate não está esterilizado, a dona Naiá é diabética, se essa merda inflamar, eu vou arrancar o seu braço. Então para de brincar com o alicate”.

Os ânimos estão exaltados. Sei que vou levar pedradas, mas se eu estivesse no lugar de quem acompanha esses coitados 24 horas por dia, há 61 dias, teria explodido muito antes. E acho que teria explodido, também, com a Ana. Outro dia ouvi a loirinha reclamar com a Josi que Max não lavou a louça direito. “Se vai fazer alguma coisa faz direito”, protestou Ana. “Lava você, menina”, eu teria respondido, mal educado.

Ao tentar provocar uma intriga entre Francine e Max, Ana elogiou um ex da “amiga”: “Pela carta, ele (um certo Dejota) gosta muito de ti. E demonstrava gostar de ti mesmo quanto tu não era nada”, disse Ana para Fran. Do jeito que estou mal-humorado, eu seria capaz de responder: “Vai cuidar da sua vida, minha filha!”

Por essas e outras, até entendo a irritação da Voz que ameaçou arrancar o braço de Ana se “essa merda” (o dedo de Naiá) inflamar. Já imaginou o problema? Arrumar um podólogo, um médico, atendimento especial… Enfim, se já está difícil a Naiá deixar a casa, caso o seu dedo inflamasse ela iria morar no Projac até o fim do ano – e o estresse do Boninho iria parar na lua!

PS. Escrevi no domingo à noite, no site especial do iG, sobre um momento muito divertido do programa. Depois de ouvir Bial interrogar os confinados sobre vários acontecimentos ocorridos ao longo do dia na casa, Naiá se disse surpresa com o nível de conhecimento do apresentador e desabafou, aparentemente sem saber que ainda estava no ar: “O que o Bial faz de tarde? Com esse salário dele… Vai trabalhar, Bial”. A íntegra do texto pode ser lida aqui.

Autor: - Categoria(s): televisão Tags: , , , , , , ,
11/03/2009 - 09:27

BBB9 – Leitores denunciam: crítico torce por Priscila

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Conhecidos escrevem para lamentar que eu agora escreva sobre o BBB aqui no blog. Amigos lamentam a minha ausência em programas noturnos (“hoje é dia de paredão”, sou obrigado a dizer). Leitores enviam e-mails, a qualquer hora do dia, com alertas sobre cenas exibidas no programa, pedindo para eu “denunciar a perseguição” sofrida por alguns candidatos. Espectadores do programa, de passagem por aqui, tripudiam de mim – todo dia alguém observa, com ironia, e não sem razão, que eu deveria ir para o paredão.

Há quase dois meses dedicado à tarefa de acompanhar o programa e escrever críticas para o site especial do iG, sou obrigado a dizer que a minha rotina foi totalmente alterada. Pior, percebi que, querendo ou não, fui incorporado (abduzido?) por esta espécie de família maluca, formada por espectadores apaixonados, cada um com seu candidato (time) do coração e toda sorte de ressentimento em relação aos candidatos (times) adversários.

Na noite de terça-feira, escrevi um texto (As ações de Priscila sobem mais; as de Ana e Naná sofrem queda) com comentários sobre a edição do programa que culminou na eliminação de Maíra. Observei que, na minha opinião, o programa aproveitou para, mais uma vez, mostrar uma imagem positiva de Priscila. E, pela primeira vez, ressaltar aspectos negativos na relação de Ana e Naiá. Escrevi primeiro:

Passaram-se três dias, mas finalmente o programa exibiu um pedaço da cena em que Maíra, Josy e Ana riem da “dançarina” Priscila e insinuam que ela é uma moça de mil utilidades. (…) Mr. Edição mostrou outros quatro ótimos momentos de Priscila (que nunca mais foi chamada de Princesa). Primeiro, bem-humorada, se benzendo antes de atender ao Big Fone. Depois, ironizando Francine, por fazer “tempestade em copo d´água” (gostaria de saber se Fran, a professora, entende o sentido da expressão). Num terceiro momento, riu da futilidade de Maíra e Ana (a loirinha disse: “Eu tenho tesão por promoção”). E, por fim, ao ser homenageada por Bial no discurso que antecedeu a eliminação de Maíra – Priscila ensinou a Milena que é preciso saber rir de si mesma, uma qualidade de pessoas superiores.

Sobre Ana e Naiá, anotei:

Ana e Naiá passaram por um “VT investigativo” destinado a ajudar a esclarecer um dos episódios mal explicados do BBB9 – a eliminação de Ralf, uma semana atrás. O vídeo deixou no ar a sugestão de que Ana e Naiá formaram um time – apesar da vovó ter pedido, no início do confinamento, que a netinha fosse indicada para o Paredão, porque não aguentava mais a moça. Outra sugestão oferecida por Mr. Edição: como sabe o efeito que isso causaria junto ao público, Naiá programou o choro durante o Paredão de Ana com Ralf. Um diálogo histórico, do ponto de vista do BBB, foi exibido neste “VT investigativo”. Naiá está no banheiro. Ana quer entrar. Ana diz: “Quero fazer xixi.” Naiá responde: “Ah, azar o seu, estou fazendo coco”. Ana: “Então faz coco rápido”.

Por conta desses dois parágrafos fui acusado por dezenas de leitores de estar fazendo campanha por Priscila. É, então, a hora de fazer uma revelação: apesar de todo o meu envolvimento com o BBB, asseguro aos leitores que não torço por time nenhum neste campeonato. Ainda não. E, se começar a torcer, prometo logo revelar a minha preferência.

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10/03/2009 - 18:39

BBB9 – Placar da eliminação de Ralf intriga os próprios candidatos

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Uma semana depois, o mistério sobre o que ocorreu no dia da eliminação de Ralf intriga não apenas o público, mas os próprios participantes do programa. Na noite desta segunda-feira, Flavio e Naiá discutiram a respeito. Disse Flavio:

“Você chorou, falou que não vive sem Ana aqui dentro. Foram três milhões e meio de votos em um bloco. Você fez campanha ao vivo, chorou para o Brasil inteiro. Se eu estivesse lá fora, do jeito que eu respeito a minha avó, tinha me comovido e votado para o Ralf sair na hora. Evitaria o sofrimento dessa senhora”.

Fiquei intrigado com essa informação. De onde Flavio tirou que o choro de Naiá transferiu 3,5 milhões de votos para Ana? Vamos recordar. Na abertura do programa, Bial falou para os candidatos que a disputa estava apertada e que a eleição já havia superado 30 milhões de votos. No bloco seguinte, quando Naiá chorou, Bial falou em 32 milhões e, ao concluir a votação, falou em mais de 35 milhões. Ralf foi eliminado da casa com 64% dos votos.

Flavio concluiu que todos os votos entre o segundo e terceiro blocos foram para Ana – até ele votaria na moça, se visse uma senhora chorando ao vivo, em rede nacional. Será que foi isso mesmo que aconteceu?

Perguntei à assessoria de imprensa da Rede Globo se Flavio tinha alguma informação a respeito da votação. A resposta foi negativa. O que Flavio falou foi apenas a opinião dele, fui informado. Permanece, assim, sem explicação o que aconteceu naquela noite, há uma semana.

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04/03/2009 - 15:30

BBB9 – Globo deve explicação sobre placar da eliminação

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Dessa vez não foram apenas os mais variados sites que erraram o resultado final da votação que levou à eliminação de Ralf do BBB. O apresentador Pedro Bial também errou feio. Bial abriu o programa informando que a disputa estava apertadíssima – seria o paredão mais disputado desta edição do programa. Ao falar com os participantes, ainda no primeiro bloco, contou a mesma história. No segundo bloco, Bial disse mais uma vez que a “batalha” estava apertada e que o número de votos se aproximava de 36 milhões. A enquete do iG corroborava esse clima, apontando a permanência de Ana por uma mínima margem – 52% a 48%. 

O resultado final, tal como anunciado pela Globo, indicou total ausência de disputa entre Ana e Ralf. O candidato foi eliminado com 64% dos votos – um massacre. O que será que aconteceu? Entre o último aviso de Bial sobre a disputa acirrada e o resultado final, houve uma cena forte, provocada pelo apresentador. Ele perguntou a Naiá como via a possibilidade de Ana sair do programa. Naiá desandou a chorar, forte, e falar do seu sentimento de perda, como mãe, que já viu cinco filhos saírem de casa – uma delas, inclusive, disse, mora fora do país. Bial esticou a conversa (e o choro de Naiá) dizendo que filhos são como flechas,  crescem e partem. Naiá chorou ainda mais e lamentou a perda que seria a saída de Ana.

O que houve? A mudança radical no placar da eleição deve-se a esta cena? Ocorreu em questão de minutos? Em nome da transparência e da credibilidade do programa, seria interessante o público ser informado. Do contrário, restará a suspeita (não a primeira, diga-se) de que os resultados do BBB são manipulados.

Em tempo: mencionei este problema da votação na crítica que escrevi sobre o programa de ontem, mas foquei o texto em outros aspectos da edição, em particular a perda de prestígio de Max e Francine e a súbita alta na cotação de Prisicila.

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12/02/2009 - 09:33

BBB9 – A leitora pega o crítico no contrapé e o deixa mudo

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A pedido da Alessandra Blanco, uma das minhas editoras no iG, estou vivendo, há um mês, a experiência inédita de assistir cotidianamente o Big Brother Brasil. Minhas críticas são publicadas normalmente aos domingos, depois que o programa define quais candidatos irão para o paredão, e às terças, após a eliminação de um deles.

Confesso que tem sido uma experiência altamente desafiadora, já que a qualidade do programa é inversamente proporcional à audiência. Tenho me esforçado, buscando chamar a atenção para alguns problemas recorrentes, como, por exemplo, a falta de assunto dos candidatos, o baixo nível dos temas tratados e a forma como a Globo conduz o programa.

Nesta última semana, produzi dois textos. No primeiro, “Boninho, faça alguma coisa para animar esse jogo!”, escrevo sobre o tédio em que se encontra o programa, expresso claramente na falta de calor e emoção nos rostos e nos gestos dos quatro casais formados na casa. “Tudo parece tão sério e profissional”, observei, que o programa está dando sono. No segundo, “O vilão Ton, o chuchu Mirla e os heróis de Bial”, falo do meu espanto depois da eliminação de Newton com 21 milhões de votos e dos meros 1,5 milhão recebidos por Mirla, uma candidata que, em um mês, falou pouco mais de cinco frases completas. Ainda neste texto, aponto a dificuldade de ser irônico num ambiente como este, pouco dado a sutilezas.

Estava razoavelmente satisfeito com meu esforço até ler o comentário da leitora que assina Sandra. Escreveu ela: “Suas críticas sempre são motivos de reflexão, mas, falando sério, refletir sobre o BBB não é lá grande coisa!”. Sandra me pegou no contrapé e me deixou mudo. Por alguns momentos, cheguei a achar que ela me deu um xeque-mate e cogitei, até, desistir da empreitada. Pensando desde quarta-feira em dizer algo para a leitora, porém, mudei de idéia e elaborei isso aqui:

Sandra, acho que você tem razão, em parte. Talvez o BBB não mereça o esforço de uma reflexão mais séria – talvez eu esteja, realmente, chovendo no molhado, como se diz. Ao mesmo tempo, me pergunto se não é possível tentar (atenção, estou dizendo “tentar”, o que não quer dizer “conseguir”) produzir algum tipo de reflexão num ambiente em que predominam apenas os elogios e os xingamentos. Além do mais, acho que programas desse tipo nos ensinam a entender melhor a nossa cultura e a indústria do entretenimento.

Será que eu convenci a Sandra?

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