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11/12/2009 - 11:58

A educação pelo leitor

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Depois de um ano e meio, estou deixando o iG, onde fui alfabetizado em matéria de Internet, em direção a um novo desafio profissional. Roubo de um dos mais famosos poemas de João Cabral de Mello, “A Educação pela Pedra”, o título deste texto com que pretendo me despedir dos leitores deste blog.

Porque, se João Cabral extraiu da pedra a dicção de sua poesia, posso afirmar que descobri, no contato diário com os leitores, uma dimensão do jornalismo que teimei muitos anos em ignorar.

Escrevi, até esta sexta-feira, 538 textos para o blog e colhi 29.919 comentários a respeito do que foi publicado aqui. Como repórter especial do iG, produzi mais de duas centenas de reportagens e críticas, no período, publicadas em páginas do Último Segundo, no Esporte e no Babado, com outros milhares de comentários.

Conheci os mais variados tipos de leitores. Alguns poucos, fiéis, passavam quase todo dia e deixavam algum sinal de sua presença. A maioria, eventual, aparecia em função dos variados temas que propus.

Conheci, e sou muito grato, a todos que vou simbolizar aqui na figura do “leitor-colaborador” – aquele que lê e, rapidamente, comunica um erro, lembra de algo que o autor esqueceu, sugere um link, recomenda algo que pode complementar o post.

Também quero agradecer muito ao “leitor-crítico” – todos aqueles que tiveram a paciência de apresentar idéias em contraste com as minhas, propor visões diferentes, questionar o meu ponto de vista, sugerir novos enfoques.

Aprendi muito, ainda, com o “leitor-tropa-de-choque”, que entrou neste blog para manifestar a sua revolta com as idéias do blogueiro e, mesmo num tom de voz alto, exaltado, me ajudou a entender como devo ter cuidado com o impacto das minhas palavras.

Sem demagogia, colhi lições até do “leitor-covarde”, a pior espécie que habita a Internet – aqueles sujeitos, protegidos pelo anonimato, especialistas em defender interesses escusos, ofender quem pensa diferente deles e alimentar o terror.

O curso sobre Internet que tive no período também contou com lições fundamentais dos meus generosos companheiros de trabalho, Caio Túlio Costa, Mario Vitor Santos, Alessandra Blanco, Mariana Castro, Gian Oddi e as dedicadas equipes do Último Segundo, iG Esporte e Babado. Desejo muito sucesso, a todos que permanecem, nesta nova fase do iG.

Como disse no início, creio que fui alfabetizado em matéria de Internet neste convívio diário, por um ano e meio, com os leitores. Sinto-me pronto para seguir adiante nesta mídia e convido, a quem se interessar, a acompanhar os próximos passos da jornada pelo meu Twitter.

Deixo-os na companhia de João Cabral. Obrigado.

A educação pela pedra

Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, freqüentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições da pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.

*
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse, não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.

Autor: - Categoria(s): Blog, Internet, jornalismo Tags: , , ,
19/11/2009 - 16:06

A alegria de ouvir bobagens na “Fazenda”

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Para quem freqüenta este blog e, ao mesmo tempo, aprecia os textos do autor sobre televisão, informo que meus comentários sobre “A Fazenda” serão publicados às segundas e quintas no blog específico que o iG mantém sobre o programa. No texto desta quinta-feira, eu falo da alegria de ouvir bobagens no reality.

Autor: - Categoria(s): Blog, televisão Tags: , ,
11/08/2009 - 16:35

Um ano em números

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Nunca escrevi tanto como jornalista quanto neste primeiro ano de atividades na Internet. Foram 140 textos publicados no Último Segundo – uma série de reportagens sobre adoção, uma série sobre a Cracolândia e a visita ao ex-jogador Nilton Santos estão entre as matérias mais emocionantes que fiz no período. A de maior repercussão foi uma entrevista com Pedro Bial, durante o BBB9, no qual o apresentador fez uma série de revelações e inconfidências sobre o programa.

Mariana Castro, editora do Último Segundo, tem sido minha guia neste mundo da Internet. Devo a ela, e a seus jovens pupilos, muitas lições neste período. Todo jornalista sabe que notícia não tem hora para acontecer; na nova mídia, aprendi, notícia não tem hora para ser publicada.

No blog, nestes 365 dias, publiquei 446 posts. São quase 900 mil caracteres – 332 páginas no arquivo Word onde escrevo a primeira versão de cada texto. Publico abaixo links dos 20 posts mais comentados neste primeiro ano de atividade. Eles dão uma pista dos interesses dos leitores e da popularidade de certos assuntos na internet.

1. BBB9 – Globo se recusa a esclarecer dúvida sobre votação (31/03/2009) – 2.185 comentários

2. BBB9 – Globo deve explicação sobre placar da eliminação (04/03/2009)  – 1.760 comentários

3. Galvão: “O Brasil é Vettel desde criancinha”. Hã?! (02/11/2008)  – 1.606 comentários

4. Suspeitas de “acerto” pró e contra o Corinthians em 2007 (20/12/2008) – 576 comentários

5. Mentiras de Mano Menezes incomodam a imprensa (18/05/2009)  – 570 comentários

6. “Lei antifumo dissemina a doença do autoritarismo” (26/05/2009)  – 493 comentários

7. Fifa proíbe propaganda religiosa e adverte o Brasil (11/07/2009)  – 455 comentários

8. Fervor religioso nos gramados causa constrangimento (02/07/2009 – 10:49)  – 445 comentários

9. Madonna cai e a música continua igual, Será playback? (16/12/2008) – 392 comentários

10. Publicidade deforma Ronaldo (15/04/2009)  – 357 comentários

11. BBB9 – O fantasma da teoria da conspiração (05/03/2009) – 355 comentários

12. Gretchen, Caroline, Thamy, Sula: a saga da família Miranda (23/09/2008) – 317 comentários

13. Por que gostamos tanto de Ronaldo? (05/03/2009) – 307 comentários

14. Como convenci minha filha a desistir dos Jonas Brothers (23/05/2009) – 293 comentários

15. Sobre torcida, patriotismo e comentário dos leitores (03/11/2008)  – 292 comentários

16. No futebol, só a audiência importa, lamenta Tostão (08/07/2009)  – 283 comentários

17. BBB9 – Em defesa de Boninho, o estressado (16/03/2009)  – 279 comentários

18. Nem tudo é espontâneo: “CQC” também ensaia piadas (14/10/2008)  – 274 comentários

19. “A Fazenda” ensina ao “BBB”: roupa suja se lava em público (25/06/2009) – 265 comentários

20. BBB9 – Duas dúvidas: Boninho acredita em enquetes? Por que a aula de sexo anal sumiu? (02/04/2009)  – 265 comentários

Autor: - Categoria(s): Blog, Internet Tags: , , ,
06/08/2009 - 12:27

O fracasso anunciado do Museu da Imagem e do Som

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Em nova fase, a “Ilustrada” da “Folha” tem brindado os leitores com bons exemplos de jornalismo cultural desvinculado da agenda da indústria e de assessorias de imprensa. A capa do caderno desta quinta-feira, com título inspirado (“Som, imagem e silêncio”) e boa reportagem de Silas Marti, descreve o fracasso do Museu da Imagem e do Som, reinaugurado com fanfarra há um ano, de atrair público para as suas exposições e atividades.

Com orçamento anual de R$ 7,2 milhões, o MIS recebe uma média mensal de 3.600 visitantes, ou 120 pessoas por dia. A Pinacoteca do Estado, com orçamento de R$ 10,5 milhões, recebe cerca de 50 mil visitas por mês. A reportagem informa que tanto a diretora do MIS, Daniela Bousso, quanto o secretário da Cultura de São Paulo, João Sayad, reconhecem que a frequência ao museu está “bem abaixo do desejável”.

Ao ler a reportagem me lembrei que este blog estreou, há um ano, com um texto sobre a reinauguração do museu. Resolvi, então, relê-lo. Acho que há ali, no meu post, uma pista para as dificuldades de público que o MIS tem enfrentado. O texto, intitulado O governador vai ao museu, contava o seguinte, em dois parágrafos:

Concluída a reforma que o deixou fechado por oito meses, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo foi reinaugurado com a proposta de ser “um museu para a arte do século XXI”. Não sei bem o que é isso, mas ele está mais bonito. O governador José Serra, que visitou o MIS no sábado, também achou. Em companhia do secretário de Cultura, João Sayad, e da diretora do museu, Daniela Bousso, Serra conheceu todos os ambientes, incluindo o moderno laboratório, para artistas desenvolverem seus trabalhos in loco, um novo auditório, para shows, e várias exposições.

Um pequeno problema ocorreu diante de “Espelho”, obra dos artistas Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti. Serra parou, se aproximou, olhou, andou de lado, andou pra trás, voltou – e não entendeu. Cochichou algo para Daniela Bousso, que tentou explicar. A diretora começou a falar, gaguejou e pediu ajuda a uma assistente. “Chama a Rejane”, suplicou Daniela. Até que a autora da obra chegou e esclareceu que “Espelho” é um espelho acrescido de um dispositivo que o altera à medida que as pessoas se aproximam ou afastam dele, provocando distorções na percepção que temos de nós mesmos. Entendeu, Serra?

Em tempo: Foram 440 posts neste primeiro ano de vida do blog. Aprendi muita coisa sobre este novo ofício – blogueiro e jornalista na Internet –, mas ainda estou engatinhando. Agradeço ao iG, pelo espaço generoso que tem me dado, e à colaboração dos milhares de leitores que passaram por aqui até hoje, em particular aqueles que têm feito críticas ao trabalho, e peço que continuem me orientando.

Autor: - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: , , , , , ,
06/07/2009 - 13:18

Você sabe que está faltando assunto quando…

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1. Roger Federer é o assunto da capa dos cadernos de esportes da Folha, Globo e Estadão.

2. A manchete do Google News é “Visita de Obama à Rússia resultará em negócios de US1,5 bi”.

3. A notícia mais divertida sobre “A Fazenda” é: Jonathan dá tapinha no bumbum de Luciele e toma bronca dela.

4. O link mais clicado no Twitter é para um vídeo terrivelmente sem graça postado pelo site de humor Kibe Loco.

5. Blogueiros e twitteiros, inclusive eu, ainda falam da Flip, encerrada no domingo.

6. Doze dias depois da morte de Michael Jackson, ainda se especula sobre o enterro do seu corpo.

7. Você olha pela janela e vê que o tempo está bom em São Paulo e o trânsito flui sem problemas.

8. No Senado, parece, ninguém ainda chegou para trabalhar – ou fazer revelações.

9. A crise em Honduras… é em Honduras.

10. O autor escreve uma bobagem dessas no seu blog.

Autor: - Categoria(s): Blog, jornalismo Tags:
14/06/2009 - 12:08

Boninho, Luciano Huck e Serra: conversas no Twitter

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A notícia apareceu na madrugada de sábado (13) e atravessou o dia: Boninho desistiu do Twitter. O diretor da Globo publicou no seu miniblog uma mensagem de despedida, depois de duas semanas de muito barulho. “A morte anunciada! Não tenho paciência, mas bom humor. Em 15 dias me diverti muito, mas minha verdadeira ética e profissionalismo dizem não. By”.

Nesses 15 dias em que se divertiu muito, Boninho riu abertamente da estreia do reality “A Fazenda”, na Record, anunciou que Grazi Massafera entrou para a “lista negra” do “Vídeo Show” e polemizou com Britto Jr, que o acusou de ser antiético por criticar a concorrência, afirmando: “Não sou jornalista, não preciso ter ética!”. Escrevi na quinta-feira, 11, um texto, Boninho, o Twitter e a falta de ética, sobre o assunto, no qual observei:

É difícil acreditar que uma pessoa com alguma instrução fale isto a sério – logo, tendo a acreditar que Boninho está brincando, reforçando o personagem que criou. “O Boninho é engraçado porque ele faz questão de manter a fama de mau”, disse Pedro Bial ao Último Segundo, em março. Ou seja, ao defender que não precisa ter ética, Boninho está apenas fazendo uma brincadeira de mau gosto, o que ajuda a explicar muita coisa que assistimos na tevê.

No mesmo dia, o texto foi respondido pelo diretor no próprio miniblog de forma enigmática. “Mauricio, brincadeira nunca foi defesa, e fazer TV não é! Fake ou real, no twitter nada se cria, mas se transforma“.

O “twittercídio” de Boninho, como está sendo chamado, causou grande comoção entre os seus 8.500 seguidores. Centenas de usuários do Twitter enviaram mensagens a ele, pedindo que reconsidere a decisão. Um blogueiro, Paulo Ferraz, “ator, videomaker, escritor, consultor em redes sociais e web marketing”, chegou a me responsabilizar  pela opção de Boninho, o que me deixou muito honrado, mas infelizmente não é verdade.

O colunista Daniel Castro, da “Folha”, publicou em seu Twitter: “A pedidos: Boninho confirma “twittercídio”! Não aguentou  o assédio e a pentelhação. Alguns foram agressivos com ele!” Recém-chegado ao miniblog, o apresentador Luciano Huck também lamentou: “não se vá, Boninho!!! Agora que eu cheguei!!! Poxa”.

Aproveitei a pesquisa para deixar Boninho de lado e conhecer o Twitter de Huck. Descobri que o apresentador foi passar o final de semana em Campos de Jordão com o governador José Serra. “Nesta noite em Campos do Jordão, temperatura em baixa, twitter em alta. José Serra ao meu lado xereta o que estou escrevendo! Tô bombando!!!”

Pensei: deve ser brincadeira. Corri então para o Twitter do governador. “O @huckluciano contou no twitter dele e eu confirmo (fazer o quê?): estamos em Campos do Jordão e, no momento, xereto o que ele escreve”, anotou Serra. Huck retribuiu: “Já viram o twitter dele? @joseserra_. Pegou o vírus. Também trata-se de uma excelente ferramenta para se debater ideias!!!”

Volta Boninho! Você vai fazer falta aqui.

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03/06/2009 - 19:36

Paulo Coelho: “Como brasileiro, tenho direito a uma explicação”

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Diante das reações dos leitores ao post publicado na manhã de quarta-feira, Paulo Coelho cobra explicações da Air France, o escritor enviou um texto ao blog no meio da tarde. Coelho critica o título do meu post (“é de inteira responsabilidade do Mauricio”) e esclarece dúvidas sobre os comentários que colocou no Twitter. Segue abaixo a íntegra do comentário do escritor:

Muito bem, vamos lá:

a] “Paulo Coelho cobra explicações da AF” é de inteira responsabilidade do Maurício. Se eu fosse cobrar alguma coisa da AF, não seria utilizando o Twitter. Hoje mesmo uma agência de notícias francesa me procurou, e eu expliquei que não se trata absolutamente disso.

b] Há dois anos, durante a Copa do Mundo, eu estava no lobby de um hotel na Alemanha conversando com dois pilotos. Eles levantaram o tema: muitas vezes evita-se contornar as CBs (nuvens com tempestades dentro) para economizar combustível. Acredita-se que o avião resista. Normalmente resiste.

c] Não estou absolutamente afirmando que a AF utiliza esta prática. O que me surpreende é que várias notícias, como na Folha hoje, mostram que os pilotos não seguiram a rota programada com antecedência.

d] Sim, viajo muito, muitíssimo de avião. E por causa disso, procuro saber tudo a respeito. Considero a viagem aérea como segura, e acho que as cias. são responsáveis.

e] Como cidadão brasileiro, quero uma explicação para o que aconteceu. Tenho esse direito, como qualquer um. Essa caixa preta dificilmente será encontrada (eu diria que as possibilidades são nulas), mas existem outras maneiras de se apurar. Por que o avião não seguiu a rota indicada no plano de vôo? Essa é a pergunta-chave.

f] Neste momento existem centenas, talvez milhares de aviões no ar. Um Airbus moderno, novo, sem qualquer falha mecânica antes de decolar do Galeão, que simplesmente desintegra-se no ar coloca muitos pontos de interrogação na cabeça de todos.

g] A primeira coisa que pedi no Twitter foram orações para as famílias. Acho que isso é o mais importante, e continuo achando.

h] Por outro lado, comecei a notar que se falava tudo na imprensa, inclusive em atentado(!!!), mas ninguém se perguntava por que os circuitos elétricos deixaram de funcionar.

i] O Airbus em questão tem quatro circuitos elétricos alternativos. E se todos falharem, ainda assim o piloto pode manobrá-lo manualmente.

j] Toda a segurança aeronáutica vem, infelizmente, do aprendizado através de acidentes. E no caso deste vôo, como as chances da caixa preta ser encontrada são praticamente nulas, alguém precisa vir a público e dizer o que se supõe ter acontecido. Será uma suposição? Sim. Mas especialistas podem ter uma suposição muito aproximada. Não acredito de maneira nenhuma em atentado, raio, coisas do tipo.

h] Isso dito, continuo – junto com as pessoas que usam o Twitter, pedindo para que se amplie a corrente de orações.

Obrigado
Paulo Coelho
P.S. – Quanto aos outros comentários (insultos) não faz muita diferença. Mas eu sugeria que gastassem a energia cobrando uma cobertura melhor do caso.

Atualizado às 20h13 pelo autor do blog: Ao final da quarta-feira, desanimado, Paulo Coelho voltou ao Twitter para lamentar: “Explicações patéticas para o AF 447. Ninguém apura porque o piloto não seguiu a rota indicada. Apenas publicam isso, e ponto final. Patético”. E, por fim, jogou a toalha: “Não adianta twittar sobre o AF 447. Espero que cedo ou tarde algum jornalista consiga a verdade. Agora vou apenas rezar pelas vítimas. RIP”

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21/05/2009 - 08:33

O blogueiro deveria corrigir o português dos leitores?

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Final de 2007, se não me engano. A ESPN Brasil exibia o “Bate-bola – segunda edição”. O apresentador João Carlos Albuquerque informou que Kaká havia acabado de ser premiado com a Bola de Ouro, o tradicional prêmio concedido pela revista “France Football” ao melhor jogador do ano. O programa então mostrou uma entrevista gravada com o jogador, ao longo da qual Kaká falou da alegria de ter sido escolhido e informou: “Esse prêmio vai para a minha sala de TROFÉIS”.

A entrevista prosseguiu por mais alguns instantes até que a transmissão voltou para o estúdio. Albuquerque tomou a palavra e falou (cito de cabeça): “Esse é um programa assistido por muitos jovens. Então, temos também uma função educativa. O plural de palavras terminadas em ‘éu’ é sempre ‘éus’. Chapéus, troféus, réus e assim por diante”.

Sem citar Kaká e o seu atentado gramatical, Albuquerque deu uma lição magnífica, ao vivo – mostrando que um bom jornalista precisa ter cultura e jogo de cintura, além de consciência sobre o seu papel num país com tantas deficiências quanto o Brasil.

Nesta quarta-feira, mais uma vez, me lembrei dessa história. A Rede Globo havia começado a transmissão de Fluminense e Corinthians e o narrador Cleber Machado descrevia o clima festivo no Maracanã – lotado para a partida. A câmera deteve-se então numa menina, vestida com as cores do Fluminense, que exibia um cartaz com uma declaração de amor a Ronaldo. A última frase dizia: “Torço muito por você, MAIS não hoje”.

O que fazer? Situação complicada, reconheço. Devo dizer que também não corrijo os erros de português que, eventualmente, aparecem em comentários aqui no blog. Deveria? Penso muito neste assunto, mas ainda não cheguei a uma conclusão.

Autor: - Categoria(s): Blog, televisão Tags: , , , , , ,
19/05/2009 - 09:02

Blogueiro de um lado, torcedor do outro. Ainda bem

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Relatei nesta segunda-feira dois episódios recentes nos quais o técnico do Corinthians deu uma informação a jornalistas e, em seguida, agiu de forma diferente ao que disse. O texto, Mentiras de Mano Menezes incomodam a imprensa, mereceu o comentário de 556 internautas. A grande maioria, em torno de 95%, odiou o que escrevi – nunca, neste blog, um texto meu alcançou tamanha reprovação. Tento resumir a seguir os principais argumentos dos meus críticos:

1. O número maior de comentários diz respeito à pertinência do texto. Um grande contingente de leitores classificou o que escrevi como “ridículo”, mera “falta de assunto” ou tentativa de arrebanhar “audiência” para o blog.

2. Um segundo número considerável de leitores defendeu a tese que Mano Menezes fez “o que é melhor para o Corinthians”. O técnico não deve satisfação aos jornalistas, apenas ao time, escreveram.

3. Uma terceira crítica recorrente ao meu texto é que “todos os treinadores mentem”; o que Mano fez é algo comum no meio. Na visão desses internautas, eu deveria criticar também Muricy, Luxemburgo e tantos outros colegas de Mano.

4. Além das críticas a mim, à minha incompetência e ignorância, um certo número de leitores aproveitou para criticar os jornalistas, de maneira geral. “Jornalistas mentem” muito mais que Mano, escreveram vários.

5. Mano não mentiu, mas “despistou” a imprensa, usou de uma “estratégia” para surpreender os adversários, argumentaram muitos leitores.

6. Por fim, uma minoria viu no meu texto uma tentativa de “conturbar o ambiente” do Corinthians e “desestabilizar” o técnico Mano Menezes.

Se houve tanto repúdio e tantas interpretações diferentes ao que escrevi, pode ser que eu tenha sido pouco claro no meu texto. Falha minha. Suspeito que tenha causado um certo choque o uso da palavra “mentira” no post. Se eu tivesse dito que Mano Menezes tem usado um “artifício” que causa incômodo, ou uma “estratégia” para “despistar” os adversários, talvez tivesse causado menos repulsa.

O que diz o “Houaiss” sobre o verbo “mentir”? 1. “Dizer, afirmar ser verdadeiro (aquilo que se sabe falso); dar informação falsa (a alguém) a fim de induzir ao erro”; 2.  “não corresponder a (aquilo que se espera); falhar, faltar, errar”. 3.  “causar ilusão a; dissimular a verdade; enganar, iludir.”

E o que diz o dicionário sobre o substantivo “mentira”? 1. “ato ou efeito de mentir; engano, falsidade, fraude”; 2. “hábito de mentir”; 3. “afirmação contrária à verdade a fim de induzir a erro”; 4. “qualquer coisa feita na intenção de enganar ou de transmitir falsa impressão”.

Entre Mano Menezes e a reclamação de alguns jornalistas, como escrevi no post, é fácil imaginar de que lado ficaram – e ficarão sempre – os corintianos. A “nação”, como escreveu um leitor, coloca o time em primeiro lugar. E também em segundo e em terceiro. Tudo bem. Entendo.

O que Mano fez ao informar que o time não ia jogar com três zagueiros contra o Inter e, em seguida, escalar três zagueiros contra a equipe gaúcha? O que Mano fez ao insistir com os jornalistas que o Corinthians atuaria com o time reserva contra o Botafogo e escalar os titulares?

Pode ser uma questão de semântica, apenas. Sei lá. O fato é que não estou do mesmo lado do balcão que o torcedor. É assim que deve ser.

Escrevi para manifestar a minha surpresa com a pouca importância que uma fonte deu às suas próprias palavras. Ingenuidade? 

Não mudei a opinião de nenhum corintiano – o que, aliás, não era minha intenção – nem mudei de opinião sobre a atitude do técnico do time. Como diria João Saldanha, um dos meus gurus, vida que segue.

Autor: - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , , , , ,
11/05/2009 - 17:50

Um blog para falar de um livro

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Para não atormentar o leitor com notícias sobre o lançamento do meu livro, “História do Lance! – Projeto e prática do jornalismo esportivo”, criei um blog dedicado exclusivamente ao assunto. Fica no iG, neste endereço aqui. O post mais recente reproduz, na íntegra, o texto que o cineasta Ugo Giorgetti, colunista de “O Estado de S.Paulo”, dedicou ao livro no último domingo.

Autor: - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: ,
21/04/2009 - 13:07

Noriega e Kupfer: polêmica no blog sobre os maiores técnicos do futebol brasileiro

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Palco de alguns debates acalorados, este blog vem tentando, por meio das provocações lançadas aqui, discutir algumas idéias e fugir do lugar comum. Na semana que passou, este espaço encontrou uma finalidade ainda mais nobre – acolheu uma polêmica entre dois jornalistas qualificados, sobre um tema que rende muito bate-boca em mesa de bar, mas pouco debate sério: futebol.

Tudo começou com uma resenha que escrevi no iG Esporte sobre “Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro”, de Maurício Noriega. No livro, o comentarista do SporTV apresenta e defende a sua seleção, formada por Oswaldo Brandão, Bela Gutman, Vicente Feola, Lula, Zagallo, Minelli, Ênio Andrade, Telê Santana, Luxemburgo, Felipão e Muricy.

Noriega definiu o ano de 1958 como marco inicial do que ele chama de “futebol brasileiro moderno e maior de idade”. Também adotou como critério na escolha dos onze “o número de conquistas, o impacto no futebol de sua época, as inovações criadas”.

Como muitos outros leitores, o jornalista José Paulo Kupfer, chefe de redação do Departamento de Jornalismo da TV Gazeta e colega de blog aqui no iG, não gostou da lista de Noriega e postou um comentário crítico, mas também ácido, no meu blog. Segundo Kupfer, Noriega “dá a impressão que viu pouco futebol e leu muito menos sobre o assunto”.

Além de Elba de Pádua Lima, o Tim, muito citado pelos leitores como uma ausência notável no livro, Kupfer também lamentou a não inclusão de Zezé Moreira, Gentil Cardoso e Flavio Costa. Criticou, ainda, o critério temporal adotado: “Passar uma linha antes de 1958 é mais do que arbitrário. O futebol brasileiro não começou ali. Por óbvio, chegou ao cume ali. Como chegou lá?”, perguntou. Por esse motivo, Kupfer chegou a escrever que a lista de Noriega presta um “desserviço” aos jovens que possam se interessar pela história do futebol brasileiro.

Noriega entrou no blog para responder a estas críticas. Observou que, ao longo de sua carreira leu muito sobre futebol e também teve a oportunidade de aprender in loco, assistindo “treinos do Brandão, do Telê, do Luxemburgo no Bragantino, do Felipão no Grêmio, o Muricy treinando o Expressinho”, entre outras experiências acumuladas.

Noriega observou ainda que não pretendeu fazer um livro de história do futebol, mas “um livro de opinião baseado em pesquisa e, aí sim, em muita entrevista com gente que jogou com e ou foi comandada pelos 11 perfilados”

Naturalmente, o jornalista ofendeu-se com a crítica que o livro presta “um desserviço”: “Goste-se ou não do livro é um direito, agora chamar de desserviço é outra história.” E ironizou: “Desde que com respeito e argumento, aceito toda crítica. Pode achar a lista fraca, ruim, um lixo. Mas talvez seja aquele velho ranço, ele de novo. Essa molecada pensa que é quem? No meu tempo é que era bom, que o futebol era bem jogado, hoje é tudo um lixo, uma porcaria. Bom era fulano, esses de hoje não jogam nada, os técnicos não sabem nada.”

Kupfer voltou ao blog, primeiro, para se desculpar com Noriega pelas duas críticas mais pesadas que fez ao autor de “Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro”. Elegante, observou: “O Mauricio Noriega tem razão de ficar magoado com o meu comentário. (…) Assim, por seu intermédio, peço desculpas. E espero que ele entenda que o pedido é público e sincero.”

Depois de limpar a área, e fazer alguns esclarecimentos sobre a maneira como enxerga o jornalismo esportivo, Kupfer, porém, voltou ao debate sobre o livro. “A lista do Noriega é muito paulista e muito focada em técnicos em atuação no momento”, escreveu. “Pensando bem, talvez o que esteja pegando não seja a lista, mas o título dela. ‘Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro’ é uma coisa. ‘Os 11 maiores técnicos que passaram pelo futebol paulista nos últimos anos, com algumas exceções de outros tempos’ é outra”, ironizou.

Num outro comentário, Kupfer aproveita para relembrar os seus tempos de jornalista esportivo, na equipe comandada por João Máximo no “Correio da Manhã”, no final da década de 60, ao lado de outros jovens talentos, como José Trajano, Fernando Calazans e Marcio Guedes. Também se recorda de seus tempos em “O Globo”, onde conviveu com Nelson Rodrigues, “que ocupava uma mesa vizinha à minha, e de quem bebia as histórias e as frases maravilhosas, com o bônus de celebrar as vitórias e chorar as derrotas do nosso Fluminense.”

Noriega voltou, então, ao blog para um último comentário. Também pediu desculpas a Kupfer pelos exageros que cometeu em sua resposta e para o fato de ter chamado o seu oponente de “economista”. Sem entrar no mérito das críticas de Kupfer, Noriega apenas falou do seu respeito pelos jornalistas da geração passada. “Como sou filho de um grande jornalista da geração do Orlando Duarte, Luiz Noriega, que com o Orlando comandou uma equipe fantástica na TV Cultura, jamais desrespeitaria alguém do passado, porque eles pavimentaram o caminho que hoje eu trilho, e o fizeram de maneira brilhante”.

Quem quiser ler a polêmica na íntegra, basta acessar o post onde o debate foi travado e ir à área de comentários .

Autor: - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , , ,
20/03/2009 - 15:39

O blogueiro vai ao Pacaembu e leva o Twitter

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Muito antes de o Twitter ganhar a capa do “Link” do “Estadão” e também a da revista “Época”, este blogueiro já estava, como se diz por aí, twittando – seja enviando informações sobre as atualizações do blog, seja avisando os leitores sobre novas reportagens publicadas no Último Segundo.

Neste domingo, vou fazer a minha primeira cobertura em tempo real, via Twitter. Direto do Pacaembu, vou transmitir as minhas impressões sobre Corinthians e Santos em pílulas de até 140 caracteres.

Se você quiser entrar no Twitter, acesse o site e, se quiser me seguir, adicione o meu endereço, ou clique ali, no atalho, colocado na barra lateral direita do blog. 

Autor: - Categoria(s): Blog Tags: , ,
13/03/2009 - 08:19

A arte de detonar um blogueiro

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Sou ainda um bebê de sete meses em termos de internet – esta invenção que está saindo da adolescência e entrando no mundo adulto. Não sei quase nada, mas acho que estou aprendendo muito. As críticas dos leitores têm sido uma das mais importantes fontes de aprendizado – e diversão – na manufatura deste blog.

Mesmo anônimo, o leitor que entra neste espaço – sabendo quem eu sou em detalhes (veja o perfil ao lado) – e opta por me criticar pesado, merece todo o meu respeito. Não me importa que a sua crítica não tenha nada de “construtiva”, ao contrário,  seja “destrutiva” mesmo, destinada apenas a esculhambar o autor deste blog. Com exceção das ofensas pesadas, das injúrias e difamações, a mim e a pessoas citadas, não excluo comentários no blog.

É óbvio que prefiro as críticas construtivas, os incentivos e os elogios verdadeiros. Quem não prefere? Mas, realmente, aprendo e me divirto neste exercício de ouvir desaforos. Publico, a seguir, uma breve seleção de comentários acima da medalhinha que recebi nas últimas semanas, só para dar uma idéia do que está em jogo nesta tarefa.

Ao relatar a paixão da Fiel por Ronaldo e transcrever as opiniões de um corintiano doente durante a partida entre Corinthians e São Caetano, tive que ouvir de Matusquela: “Parceiro, Sua matéria é Ridicula, Lastimável e Lamentável. Jornalista? Formado na FAPONE?”

Não posso reproduzir algumas coisas que tenho ouvido desde que comecei a assistir e escrever sobre o Big Brother Brasil. Ganhei muitos amigos e admiradores no período, a quem agradeço pelas dicas que tenho recebido, mas também tenho lido cada uma. O que me espanta mais são os comentários criticando ou elogiando coisas que eu nunca disse.

Ao escrever, por exemplo, sobre os leitores que me acusam de torcer por Priscila, acabei gerando mais confusão ainda. Camila escreveu: “Eu concordo plenamente com você, Mauricio. Acho a Ana um porre mimado e a Naiá muito falsa e ainda usa a Ana pra fazer o jogo dela e a bobona, nem percebe.” Nunca escrevi isso! Da mesma forma que nunca escrevi algo parecido com o que agradou ao leitor chamado Boninho – ele entendeu o oposto de Camila: “Realmente vc tem razão, a Priscila é muito superior a qualquer um participante que está confinado na casa e merece vencer a competição”.

Outro dia me meti a comentar a situação do atacante Amauri, da Juventus, cotado para ser convocado a jogar pela seleção italiana, mas boicotado por vários jogadores da Azzurra: Um leitor, que assina apenas Eu, foi definitivo: “Perda de tempo comentar tal assunto”.

Alguns dias antes, havia escrito sobre o meu espanto ao ver Alexandre Pato falar de si mesmo na terceira pessoa, em entrevista a Galvão Bueno. O fã-clube do craque do Milan me fuzilou. Escreveu João: “Prezado Stycer, já vi você em melhor forma.”

Esse negócio de blog vicia. Estava no Rio, de folga, no dia do desfile das campeãs, no Sambódromo. Não precisava escrever nada, mas não resisti. Caí na besteira de comentar sobre o excesso de loiras famosas no desfile da Grande Rio. Para quê? O leitor Carlos não perdoou e acabou comigo: “Para quem estava de olho (na avenida) e viu seis escolas, o comentário é um tanto quanto pobre.”

Um dia antes, me diverti no Leblon com o bloco Mulheres de Chico, dedicado exclusivamente ao repertório do grande Chico Buarque. Para quê? Foi uma pancadaria. Ricardo mandou: “Para ter um blog desse era melhor não escrever nada”. Luis Henrique foi além: “É esse o tipo de matéria que “repórter especial” faz? Deve ter sido contratado na cota dos deficientes.”. Alan pegou na veia: “Tinha que ser botafoguense”.

Você nunca sabe de onde virá o bombardeio. Comentei, feliz, que havia sido confirmada a participação de Arnold Schwarzenegger no próximo filme de Sylvester Stallone. Um comentário rápido, despretensioso, observando que será um encontro histórico num momento de baixa da carreira de Stallone. Andre mandou a seguinte pergunta: “Maurício, vc é gay?”. ANDRESON, em caixa ala, ou seja, gritando, detonou: “MAURÍCIO, FILME DE AÇÃO TEM QUE TER MUITA ADRENALINA, E NÃO MUITO CÉREBRO, JÁ QUE NÃO É PRODUTO DE MEDITAÇÃO. VC PARECE VIADO COM ESSE SEU PAPO.”

Para encerrar, porque já estou me alongando demais, e certamente vou ouvir poucas e boas, reproduzo o irônico comentário de Darlan depois de ler, aqui no blog, que Rodrigo Santoro ganhou entre R$ 80 mil e R$ 150 mil para mostrar a sua cara num camarote no Carnaval carioca: “MINHA VIDA MUDOU COMPLETAMENTE AO SABER DESSE FATO!!!”

Vou dizer algo que pode soar como demagogia, mas juro que não é: minha vida mudou completamente desde que comecei a escrever e publicar na internet.

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02/03/2009 - 17:34

A cultura vista sob a ótica de “Babel”

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A boa notícia do dia é a estreia do blog Babel, assinado por Ana Paula Sousa. Ela começa a jornada entrevistando Rita Cadilac, que se declara chocada com a baixaria que vê hoje na televisão. “No outro dia me falaram de não sei quem que passa o cartão magnético na bunda da outra. Eu posso ter sido chamada de tudo que é nome, mas isso eu não faria”, diz a chacrete-símbolo da Buzina do Chacrinha.

Trabalhei com Ana Paula por seis anos na CartaCapital. Ela entrou na revista como repórter de cultura e depois foi promovida ao cargo de editora. A sua produção como jornalista cultural nos últimos anos é uma das mais consistentes e profundas que conheço. Desejo muito boa sorte a ela em seu blog. 

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17/02/2009 - 16:21

Diálogo com um leitor sobre comentários no blog

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Estou fazendo esse blog há pouco mais de seis meses. Tenho por hábito não responder diretamente aos leitores. Acho que eles têm o direito de manifestar a opinião deles livremente, sem qualquer tipo de contestação minha. Evito, por isso, entrar na área de comentários – esse é o espaço deles, o fórum deles.

Em alguns poucos casos, porém, respondo dentro da área de comentários. Normalmente isso ocorre quando um conhecido meu envia um recado ou quando um leitor me chama a atenção para um erro que cometi, ou apresenta alguma dúvida que merece um esclarecimento.

Em 24 de janeiro, escrevi no blog sobre a canção “Mr. do Pandeiro”, versão de “Mr. Tambourine Man”, de Bob Dylan, gravada por Zé Ramalho. O post, “Mr. do Pandeiro”: Zé Ramalho reiventa Bob Dylan, provocou pouco mais de duas dezenas de comentários – tanto de gente que, como eu, gostou da versão, quanto de quem a odiou. Como o escritor Bráulio Tavares, responsável pela adaptação da música, também se manifestou a respeito, cinco dias depois escrevi um segundo post sobre o assunto, Autor da versão comenta polêmica sobre “Mr. do Pandeiro”, que rendeu outra dezena de comentários.

Entre os comentaristas dos dois posts, um se destacou. Assinando seus comentários como Beto, ele manifestou contrariedade com a adaptação de Zé Ramalho. Informou que era grande fã de Bob Dylan e, em vários comentários, tentou argumentar e convencer os demais comentaristas sobre a impropriedade da adaptação. Na sua visão, se entendi corretamente, Bob Dylan é único, inimitável e inadaptável. Cheguei a citar um dos argumentos de Beto no meu segundo post, o que provocou outros comentários dele.

Hoje, passados 24 dias do segundo post, Beto voltou a entrar no blog para tratar do assunto. Fez um comentário muito interessante, que acabou por merecer uma resposta minha, na área de comentários. Mas como o post sobre Zé Ramalho nem está mais na página principal do blog, decidi reproduzir abaixo o que Beto escreveu e a resposta que postei para ele.

Olá, Maurício, boa tarde.
Eu não sabia que esse negócio de blog existia, pois não tenho computador e nem mesmo gosto, acho. Mas é assim mesmo? Quer dizer, você lança a notícia, o pessoal entra, opina e depois nunca mais volta? Esquisito, não? E quem ficou com a razão nesse caso específico? Ou não é pra se ter razão? Estranho isso, essa avalanche de informações que, praticamente, as pessoas são obrigadas a acompanhar, ou quase. No meu caso, não. Seja lá como for, eu gostaria de dizer algo mais sobre o assunto. Li uma entrevista na internet com o sr. Zé Ramalho, se não me engano para O Globo. Ele se dizia magoado com a crítica, inclusive em relação ao último disco. Ele disse que sempre foi assim, que “os cães ladram, mas a caravana passa”. Não sei, não. Não se trata, aqui, de ofensas pessoais, mas o criticado sempre acaba levando para o lado pessoal.Muito difícil não ser assim. Nos meus comentários, não o ofendi como pessoa, e nem ofendi. Mas não sou jornalista, não tenho autoridade nenhuma, ninguém vai reparar no que eu escrevi, é muito diferente. Aliás, domingo eu também li que o compositor Luiz Tatit, em parceria com um outro, escreveu um livro no qual analisa canções, 6 ao todo. São analisados Caetano, Chico e Gilberto Gil, além de Tom Jobim. Vale a pena ler a reportagem do Caderno 2 do Estadão. Nessa reportagem o Tatit diz que nem o Bob Dylan conseguiu analisar a realidade como o Caetano, o Chico e o Gil. Ele também cita John Lennon, que também, na opinião dele, não conseguiu. Discordo do Tatit em gênero, número e grau. Bob Dylan é, em comparação com o trio brasileiro, o compositor mais versátil e plurarista. Maurício, não volto mais aqui, e um grande abraço.

Resposta do Mauricio:
Caro Beto,
Acabo de ver a mensagem que vc postou hoje. Queria, em primeiro lugar, te agradecer pelo interesse e pelos ótimos comentários sobre o assunto que vc colocou. Depois, gostaria de esclarecer que minha proposta, neste blog, é de promover discussões sobre temas que considero importantes. Muitas vezes dou a minha opinião, outras vezes nem isso, apenas apresento o assunto. De qualquer forma, não pretendo ter a palavra final sobre nenhum assunto. Neste caso do Zé Ramalho, ocorreu um debate muito saudável de idéias. Visões diferentes e divergentes sobre um mesmo assunto. Vc disse que não visita muito blogs. Pois é. Nem toda discussão em blog ocorre dessa forma educada e interessante, como foi no caso do meu post sobre o Zé Ramalho. Não acho que alguém tenha que ter a razão. Mais de uma pessoa pode ter a razão – e com opiniões muito diversas. Isso é saudável e democrático. Por isso tudo, escrevo para dizer que vc é muito bem-vindo e que ficarei feliz de te ver em outras discussões aqui no blog. Não cumpra a promessa de não voltar mais aqui.
muito obrigado
um abraço
Mauricio

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