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07/12/2009 - 10:32

Torcida mantém Botafogo na primeira divisão

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botafogo torcidaApesar da vocação deste time para disputar a Série B, o Botafogo encontrou, quase que por milagre, o caminho para permanecer na primeira divisão. Como há muito tempo não se via, a torcida fez a diferença nos últimos dois jogos disputados no Engenhão, contra o São Paulo e o Palmeiras.

Os rivais adoram brincar que a torcida do Botafogo cabe numa Kombi. Como a auto-estima do botafoguense não é lá essas coisas, estamos sempre precisando provar que temos uma torcida de verdade, apaixonada e dedicada, capaz de lotar qualquer estádio.

O Engenhão, nesse sentido, veio bem a calhar. Ele parece perfeito para as dimensões atuais do Botafogo. Um estádio moderno, com capacidade para 44 mil torcedores, capaz de produzir aquele efeito que os jogadores sentem em campo.

Depois de levar 26 mil pessoas ao Engenhão contra o São Paulo, o Botafogo, desesperado, atraiu 38 mil torcedores neste último domingo, contra o Palmeiras. É verdade que a diretoria reduziu o preço dos ingressos, mas na situação em que o time estava, precisando vencer um dos líderes do campeonato para se salvar, esse número mostra que a torcida deu prova de coragem, dedicação e amor pelo time.

Botafogo gloriosoCuriosamente, essa reta final do Brasileiro, triste para o Botafogo, lutando contra o rebaixamento, coincide com o lançamento de uma nova fornada de livros sobre o time. São quatro títulos que, ao iluminar as glórias e lembrar os heróis que já vestiram a camisa alvinegra, ajudam a explicar a paixão de seus torcedores.

Três desses livros integram a coleção “Paixão Entre Linhas”, da editora Leitura, dedicada aos doze principais times do Brasil. Os volumes vem acondicionados em uma caixa com as cores da bandeira do time. O livro principal, “Botafogo: o Glorioso!”, é de autoria de um dos mais famosos jornalistas botafoguenses, o apaixonado Roberto Porto, autor de outro livro essencial para o torcedor alvinegro, “Botafogo, 101 Anos de Histórias”.

Neste “O Glorioso!”, Porto relembra histórias saborosas, desde os primórdios, detendo-se, naturalmente, nos períodos mais gloriosos (décadas de 50 e 60) e chegando até 1995, ano da conquista do Brasileiro pelo Botafogo. Como todos os títulos desta coleção, o do Botafogo é acompanhado por um livro infantil, “Uma Estrela Solitária que Conduz”, de Eduardo Ávila, e um pequeno volume com dados históricos sobre o time.

Botafogo 10 maisO outro lançamento é “Os Dez Mais do Botafogo”, do jornalista Paulo Marcelo Sampaio. O livro integra uma coleção da Maquinária Editores, que já lançou livros semelhantes sobre outros times.

Como nos demais volumes, a seleção dos “dez mais” é feita a partir das indicações de dez torcedores ilustres. O que diferencia o livro dedicado ao alvinegro é a qualidade dos dez nomes escolhidos: Heleno de Freitas, Nilton Santos, Garrincha, Didi, Zagallo, Manga, Gerson, Jairzinho, Paulo Cezar e Túlio.

Não preciso dizer nada sobre esses dez jogadores que brilharam com a camisa do Botafogo. É em nome deles, e de muitos outros que não couberam no livro de Paulo Marcelo Sampaio, que os torcedores foram ao Engenhão neste domingo empurrar o time. Que o Botafogo volte, em 2010, a honrar a sua tradição. A sua torcida merece.

No iG Esporte há uma enquete para saber, entre os dez mais do Botafogo, qual é o preferido do leitor.

Crédito da foto da torcida, domingo, 6 de dezembro, no Engenhão: Gazeta Press

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12/06/2009 - 13:31

Uma campanha para ajudar Marinho Chagas

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A empresa que fornece material esportivo ao ABC, de Natal, começa a vender neste sábado, 13, uma camisa especial, destinada a arrecadar fundos para auxiliar o ex-jogador Marinho Chagas, de 57 anos.

Um dos maiores jogadores da história do Rio Grande do Norte, Marinho iniciou a sua carreira no pequeno Riachuelo, depois atuou pelo ABC – hoje na Série B do Brasileiro –, transferiu-se em 1970 para o Náutico (PE) e, dois anos depois, chegou ao Botafogo, onde se consagrou. Lateral esquerdo arrojado, dono de um chute muito forte, foi titular da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1974, disputada Alemanha. Também atuou no Fluminense, no Cosmos (EUA) e no São Paulo.

Uma reportagem muito triste, exibida no programa “Esporte Espetacular”, no domingo (7), mostrou Marinho no hospital, de avental verde, falando de alcoolismo. Internado já há três semanas com problemas respiratórios e complicações relacionadas à hepatite C, ele agora é alvo desta campanha beneficente, promovida pela ERK.

A camisa custa R$ 20 e a arrecadação destina-se a ajudar nos custos do tratamento de saúde a que o ex-jogador está se submetendo. A camisa mostra na frente uma imagem de Marinho com a camisa da seleção brasileira e o seguinte texto: “O verdadeiro craque não desiste nunca. Luta sempre. Um gol pela vida”. Atrás, o número 6, usado por ele nos times que passou, e a mensagem: “Eu torço por você!”.

Marinho ficou muito marcado, sobretudo em São Paulo, pela briga que teve com o goleiro Leão, nos vestiários, após a derrota do Brasil para a Polônia, no jogo que decidiu o terceiro lugar na Copa de 74. O goleiro responsabilizou um dos avanços do lateral na partida pelo gol sofrido pela seleção.

Lembrar de Marinho por causa deste episódio diminui muito o seu tamanho real. Foi um jogador tão importante que, com frequência, ao montar listas com o melhor time da história do Botafogo, muita gente opta por colocar Nilton Santos como zagueiro (onde atuou no final da carreira) para acomodar também Marinho.

Em tempo: A camisa será vendida, em Natal, na loja do ABC. Interessados de outros lugares devem enviar um e-mail para eurekanatal@yahoo.com.br, informando o endereço completo, para que a ERK possa calcular o valor do frete, via Sedex, e passar os dados bancários para depósito.

Em tempo 2: Endosso aqui a sugestão do jornalista Eduardo Zobaran, enviada para o meu Twitter: por que o Botafogo não lança uma camisa especial em homenagem a Marinho?

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05/05/2009 - 20:07

Botafoguense se desespera sempre, mas não desiste nunca

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Não pretendia escrever sobre o desempenho do Botafogo nas finais do Carioca, mas duas manifestações de botafoguenses, que só tive a oportunidade de ler na noite desta terça-feira, me obrigam a ocupar o espaço deste blog para tratar do meu time.

Na coluna “Gente Boa”, assinada por Joaquim Ferreira dos Santos, em “O Globo”, leio que Carlos Leal, dono da editora Francisco Alves, desistiu de editar um livro de arte sobre o Botafogo. Ele ia fazer 27 livros – agora só vai fazer 26. Fala Leal: “Dizem que tem coisas que só acontecem ao Botafogo. A covardia e a incompetência nunca estiveram entre essas coisas. Esse time e essas diretorias não merecem um livro de arte. Como falar do passado sem falar do presente? Ser tri-vice é demais.”

Na coluna “Painel do Leitor”, na “Folha de S.Paulo”, leio a carta de Fernando Cezar: “Joguei a toalha. Chutei o balde. Peguei o meu boné e fui embora. Chega de ir aos jogos do Botafogo. Agora faço parte da maior torcida do Brasil, a Sofá-fogo. Só vou assistir às partidas do alvinegro com amigos botafoguenses, também desiludidos, todos sentadinhos em um confortável sofá. Perder uma classificação nos pênaltis na Copa do Brasil, em pleno Engenhão, para o Americano, não foi o suficiente para que o nosso Botafogo aprendesse. Logo em seguida deixa de conquistar um título estadual, também nas penalidades máximas (…). Assim não dá! Para mim chega. Só volto a frequentar estádios depois que o Botafogo for campeão.”

Sou obrigado a confessar a minha perplexidade com os dois desabafos. Minha língua coça de vontade de dizer: não são botafoguenses de verdade.

O botafoguense se desespera, sim, com o time, mas a história o ensinou a ser um cético, não se iludir. O botafoguense sabe, sempre, que as chances de ganhar são infinitamente menores que as de perder.

O botafoguense sonhava com uma goleada sobre o Americano no Engenhão, mas tinha certeza, no íntimo, que aquela era mais uma das tragédias anunciadas na história do time.

O botafoguense tinha esperanças, em sua relação de amor e ódio com Cuca, que o pé frio na história fosse o técnico. Mas, a maior concentração de torcedores supersticiosos do planeta, no fundo, desconfiava que, talvez, quem sabe, o supersticioso Cuca seria a pessoa ideal para seguir à frente da equipe.

Quando, na Tribuna da Imprensa do Pacaembu, soube que o primeiro tempo da final terminara com derrota de 2 a 0, juro que vi o filme. Sabia que o Botafogo empataria a partida e perderia o título nos pênaltis. Por força do hábito, penso sempre o pior, quando imagino o que pode acontecer com o Botafogo em campo.

Fiquei triste, tristíssimo, mal-humorado na noite de domingo. Dormi mal, não quis ler o jornal na segunda-feira, mas ontem mesmo, na internet, já procurava saber sobre a lista de reforços que Ney Franco apresentou à diretoria. Do que li, nada me deu muitas esperanças. Como sempre, estou pronto para continuar a sofrer.

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27/03/2009 - 15:35

E se Rogério tivesse ido à Copa de 70?

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Nas minhas lembranças futebolísticas da infância, o primeiro dos muitos dramas que me recordo diz respeito a Rogério. O ponta-direita integrou uma linha de frente dos sonhos, certamente responsável por toda uma geração escolher o Botafogo como time do coração. Era formada (na ordem em que aparecem na foto) por Rogério, Gerson, Roberto, Jairzinho e Paulo Cesar. Com esses cinco, o Botafogo foi bi-bi, ou seja, bi-campeão da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca, que eram disputados separadamente, em 1967 e 1968.

Em 1970, o camisa 8 (Gerson) já estava no São Paulo, mas os camisas 7 (Rogério), 9 (Roberto), 10 (Jairzinho) e 11 (Paulo Cesar) continuavam no Botafogo e eram presença constante nas convocações da seleção brasileira. Um pouco antes da Copa, porém, Rogério se machucou. Eu tinha 9 anos, recém-completados, mas me lembro bem de acompanhar a dramática novela sobre a capacidade, ou não, do ponta se recuperar a tempo de ir para o México.

Não deu, mas Rogério era tão próximo do grupo, que foi levado à Copa na condição de “espião” de Zagallo. Acompanhou vários jogos e transmitiu informações importantes sobre o desempenho dos adversários do Brasil ao técnico da seleção.

Com Rogério cortado, Zagallo fixou Jairzinho na ponta-direita. E, bem, o resto vocês já sabem. O camisa 10 do Botafogo transformou-se no Furacão da Copa, marcando gols em todos os seis jogos do torneio.

Sempre me perguntei: e se Rogério tivesse ido à Copa de 70? Esta semana tive uma oportunidade de ouro para fazer esta pergunta a quem entende do assunto. Convidado do programa “Loucos por Futebol”, exibido quinzenalmente na ESPN Brasil, tive a chance de conversar sobre este assunto com Marcelo Duarte, Paulo Vinicius Coelho e Celso Unzelte.

Um dos temas do programa foi justamente uma reportagem com Rogério – onde anda o ex-jogador? Ele é hoje pastor de uma igreja messiânica em São Paulo e guarda, com o maior carinho, as planilhas que preencheu com observações sobre os adversários do Brasil na Copa.

Perguntei a PVC, meu colega na primeira redação do “Lance!”, o que ele achava: e se Rogério tivesse ido à Copa? Paulo Vinicius me chamou a atenção para o fato de que, no primeiro semestre de 1970, a seleção brasileira disputou cinco amistosos – em três, Jairzinho foi escalado na ponta-direita e Rogério ocupou a posição em dois. Ou seja, Zagallo já tinha em mente esta opção tática – colocar o camisa 10 do Botafogo com a 7. Afinal, Jair jogava muito, mas a camisa 10 da seleção tinha dono, né?

Em tempo: o Loucos por Futebol será exibido na ESPN Brasil à 0h30 deste domingo. Vi no quadro de programação que estão previstas algumas reprises: segunda-feira, dia 30, às 9h e às 16h, terça, 31, às 20h, e quinta, 2 de abril, às 20h45.

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02/03/2009 - 15:34

Em defesa de Cuca

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Apesar da alegria, não escrevi nada aqui sobre a conquista da Taça Guanabara – prefiro deixar para depois, quando o Botafogo conquistar o Campeonato Carioca. Também não comentei sobre o fato de o time assegurar presença pela quarta vez seguida na final do Estadual – um feito importante, para qualquer time. Mas sou obrigado a entrar em campo com a camisa alvinegra aqui no blog para discordar da brincadeira feita com Cuca, domingo no Maracanã.

Uma das melhores lembranças que tenho de assistir a partidas de futebol no Maracanã, desde o início da década de 70, é do clima de gozação entre as torcidas dos grandes times. Nos bons tempos, em que não se matava no estádio, a saída dos jogos no Maracanã era pela mesma rampa – o que provocava, inevitavelmente, o encontro de torcidas adversárias, sempre gritando provocações umas para as outras, com bom humor e picardia.

Entendo a piada com Cuca, chamado de “vice” por 70 mil torcedores neste domingo, dentro desse espírito de provocação e bom humor. Mas não deixa de ser, na sua graça, uma demonstração de ingratidão com um dos bons treinadores que passaram pelo Botafogo nos últimos anos.

A equipe do primeiro turno do Brasileiro de 2007, treinada por Cuca, foi uma das mais interessantes armadas pelo Botafogo em muito tempo. A débâcle, iniciada na derrota para o São Paulo no Maracanã, num jogo em que o volante Túlio, descontrolado, pisou o atacante Leandro, acabou ofuscando uma equipe que tinha condições de marcar época. Não deu certo, mas não se pode culpar Cuca.

As derrotas nas finais dos Estaduais de 2007 e 2008, igualmente, ou o fracasso na Copa do Brasil, diante do Figueirense, devem ser creditados em outras contas também – jogadores “amarelões”, juízes de quinta categoria, uma bandeirinha da pior espécie e, não menos importante, o talento dos adversários. 

Cuca tem sua parcela de culpa, é evidente, mas ajudou muito a transformar o Botafogo,com todos os seus problemas e limitações, numa equipe novamente respeitável. 

 

Crédito da foto: Gazeta Press

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22/02/2009 - 19:33

Futebol com pipoca: programa-família no Carnaval

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Futebol em domingo de Carnaval? Difícil acreditar, mas isso existe. A bola rolou no Rio Grande do Sul (Inter x Ulbra e Veranópolis x Santa Cruz), em Santa Catarina (Figueirense x Atlético) e no Paraná (Atlético-PR x Paraná). Bem, e em São Paulo – onde Santos e Botafogo se enfrentaram nesta tarde. O jogo deveria ter ocorrido em Santos, mas lá tem Carnaval, como seria de se esperar, e a PM informou que não teria condições de assegurar o policiamento da Vila Belmiro.

Domingo de sol. Mais de 20 mil pessoas foram ao Pacaembu. Assisti ao jogo no setor 21, o mesmo local onde ficam os que aderem ao programa Torcedor Família. Ao preço de um bilhete de arquibancada (R$ 20), você pode levar uma acompanhante e até três crianças de 5 a 12 anos, de graça.

Clima de festa no setor 21. Muitas crianças – algumas de chupeta na boca, outras chorando, a maioria naquela alegria de quem vai com pai ao estádio ver o time do coração.  Pipoca correndo solta na arquibancada. Churros também. Mães, avôs, um pai com a criança na cadeira de rodas, casais de namorados – uma diversão. Um bêbado, figura que não pode faltar em jogo de futebol, dormia antes do início da partida.

Quando a bola rolou, a diversão prosseguiu – mesmo com o Santos jogando uma bolinha muito pequena. A mulher ao meu lado enumerava (“O 3 é ruim, o 6 é ruim…”), enquanto o marido traduzia, explicando quem é quem na equipe. Um menino urrava pedindo batatas fritas para o pai. Ele até que tentou assistir a partida, mas não resistiu e saiu para atender o pedido do filho – acabou deixando de ver a única chance do Santos no primeiro tempo.

A primeira alegria da torcida ocorreu no intervalo, ao ser anunciada a substituição de Bolanos, que não jogou nada, por Molina. Outra alegria quando Fabão achou um gol de falta, quase do meio de campo, no segundo tempo. E a terceira alegria quando Everton Luiz, do Botafogo, foi expulso. E só!

O Santos jogava tão mal e com tanta lentidão, que o sujeito atrás de mim gritou: “Tá muito devagar. Os caras pularam Carnaval ontem. Só pode ser isso”. Futebol, definitvamente, não combina com domingo de Carnaval.

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11/02/2009 - 15:34

A rara emoção de encontrar um ídolo

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Uma viagem de trabalho ao Rio de Janeiro mais os problemas técnicos enfrentados pelo iG me impediram de atualizar este blog nos últimos dias. Acabei não fazendo nenhum comentário sobre uma reportagem muito emocionante que tive a chance de realizar no final da semana passada.

Desde que eu soube que uma grife carioca preparava o lançamento de uma camisa em homenagem a Nilton Santos vinha tentando encontrá-lo para escrever algo a respeito. Viajei para o Rio no sábado, 7 de fevereiro, ainda sem saber se seria autorizado a visitá-lo na clínica onde está internado desde janeiro de 2007.

Ao chegar no Rio, telefonei mais uma vez para dona Célia, esposa de Nilton, que falou: “Se você quiser, pode vir agora. Ele está recebendo a visita de dois jogadores”. Corri para a clínica, na zona sul do Rio. Já adorei a placa colocada à porta do quarto de Nilton: “Seja bem vindo. Não fale mal do Botafogo”. Lá dentro, Adalberto, ex-goleiro do time campeão em 1957, e Cacá, lateral direito do time campeão em 1961, contavam histórias e se divertiam.

Nilton só teve um clube em sua carreira, o Botafogo, onde atuou de 1948 a 1964. Ficou famoso por assinar contratos de trabalho em branco – um sinal de sua identificação com o clube, mas também reflexo da falta de profissionalismo no período, o que prejudicou não apenas o jogador, mas inúmeros colegas seus.

O Botafogo arca com as despesas da clínica – um compromisso do ex-presidente Bebeto de Freitas, mantido pelo atual presidente, Mauricio Assumpção. Nilton sofre do Mal de Alzheimer. Durante o período da minha visita, fez vários comentários, mostrando que estava acompanhando as conversas. A primeira coisa que disse, ao ouvir de mim que sou botafoguense, foi: “Soube escolher”.

O repórter deve evitar escrever na primeira pessoa em textos informativos, mas não consegui, nesta reportagem, deixar de expor a minha honra e emoção por estar entrevistando um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro. O relato da minha visita foi publicado no Último Segundo no sábado à tarde, um dia antes da apresentação oficial da camisa em homenagem a Nilton. A pedido dos organizadores, que queriam aguardar a festa de lançamento domingo, no Engenhão, não publiquei a foto de Nilton vestindo a camisa, o que faço agora, no blog (acima). Trata-se de uma imitação do modelo usado pelo Botafogo em 1962, com o escudo e o número 6, às costas, bordados. A camisa custa R$ 99 –  e 20% da receita com as vendas será revertida para Nilton.

Em tempo: agradeço de público a Cesar Oliveira, criador do site Livros de Futebol, e a Malu Cabral, que mantém um blog sobre o Botafogo, pela ajuda.

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06/12/2008 - 06:49

Troféu sinceridade – II

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“Se dependesse de mim, entrava com o time juvenil contra o Palmeiras. Eu não gosto do Flamengo e todo mundo sabe disso. Não quero ajudar a equipe deles a classificá-los para Libertadores. Para mim, seria ideal que ambos terminassem com a vaga na Sul-Americana. O time deles não merece”.

Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente do Botafogo, no “Lance!”, sobre o jogo do seu time contra o Palmeiras, neste domingo, pela última rodada do Brasileiro.

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04/12/2008 - 15:09

Por que jamais haverá outro artilheiro como Quarentinha?

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Ao final de “Quarentinha, o artilheiro que não sorria”, Rafael Casé faz uma afirmação aparentemente temerária, mas facilmente compreensível: “Quarentinha é, e sempre será, o maior artilheiro do Botafogo de todos os tempos”.

Que jogador, nos dias de hoje, atuará 10 anos pelo mesmo clube, assinando contratos em branco, aceitando ser maltratado, quando não humilhado, por dirigentes amadores?
 
Waldir Cardoso Lebrego (1933-1996) foi um típico craque das décadas de 50 e 60 do futebol brasileiro. O pai, nascido em Barbados, no Caribe, veio para Belém ainda criança. Conhecido como Quarenta, Luiz Lebrego foi jogador do Paysandu. Teve oito filhos. El Tigre, como Quarenta também era conhecido, marcou 208 gols com a camisa do Paysandu, tornando-se o terceiro maior artilheiro da história do clube. Depois que largou o futebol, foi ser marceneiro.

Tal como o pai, Quarentinha começou no Paysandu, em 1952, depois foi para o Vitória, da Bahia, em 1953, até chegar ao Botafogo, em 1954. Dois anos depois, como punição por atuações decepcionantes, foi emprestado ao Bonsucesso, onde ficou um ano. Voltou ao Botafogo em 1957, então comandado por João Saldanha, para ser campeão carioca, num time que tinha Nilton Santos, Didi e Garrincha.

Craque, dono de uma canhota muito potente, Quarentinha possuía, porém, uma característica que muito o atrapalhou: era introvertido, melancólico. “Seu jeito introvertido e o hábito de não festejar os gols marcados, por mais belos que fossem, fizeram com que muita gente o rotulasse como indolente”, escreve Casé.

Jogou pela seleção brasileira entre 1959 e 1961, mas problemas nos joelhos (meniscos, como se dizia) o tiraram da Copa de 1962. Nunca mais foi o mesmo. Jogou três temporadas na Colômbia (1965-67) e encerrou a carreira em 1970, aos 37 anos, no futebol catarinense.

Segundo o levantamento de Casé, foram 447 partidas e 313 gols no Botafogo. Além de ser o maior artilheiro, é o quarto jogador com mais partidas disputadas pelo time, atrás de Nilton Santos (723), Garrincha (612) e Valtencir (453). Ao longo de toda a carreira, fez 488 gols. Quatro vezes, jogando pelo Botafogo, fez quatro gols numa mesma partida. Pela seleção, foram 17 gols.

O relato de seu encontro com o filho Jorge, que o viu carregando sacos de batatas nas costas no Porto de Itajaí, é comovente. Nem neste momento, conta Jorge, Quarentinha demonstrou emoção.

De volta ao Rio e à família, Quarentinha, como muitos outros jogadores da sua época, enfrentou as dificuldades de ter sido craque numa fase em que os atletas tinham pouca informação e não se preparavam para a vida depois do futebol. Ainda assim, segundo o depoimento de sua mulher, Olga, não vivia na miséria. “Tínhamos dois imóveis e um dinheiro para viver dignamente”, diz ela. É Olga quem também afirma: “O Botafogo sempre foi muito ingrato com seus craques”.

PS: O lançamento da biografia de Quarentinha marca a estréia de uma nova editora especializada em livros de futebol. Conto essa história aqui, no Último Segundo.  

PS 2: Aos botafoguenses que estejam visitando o blog pela primeira vez, convido-os a ler dois outros textos que escrevi sobre o clube, aqui e aqui.

Autor: - Categoria(s): Cultura, Esporte Tags: , , ,
29/11/2008 - 14:17

Bebeto de Freitas conduziu Botafogo no deserto, mas ficou no meio do caminho

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Com a eleição de Maurício Assumpção para um mandato de três anos, a começar em 2 de janeiro de 2009, anuncia-se o fim a gestão de Bebeto de Freitas à frente do Botafogo. Trato deste assunto no blog por ter lido muito pouca coisa a respeito nos jornais editados em São Paulo, onde moro, e julgar que é um tema com alguma relevância para quem se interessa por futebol.

Bebeto conquistou a presidência no final de 2002, ano em que o Botafogo foi despachado para a Série B do Brasileiro. Afundado em dívidas e má gestão, a queda do time para a segunda divisão não chegou a surpreender. Ao contrário, o time esteve para cair várias vezes, antes de consumar o ato naquele ano ( a situação, diga-se, lembra a do Vasco em 2008, com Roberto Dinamite recém-eleito presidente).

Bebeto assumiu, portanto, num momento decisivo. Se o Botafogo não retornasse à Série A no seu primeiro ano de mandato, acredito, poderia ser o início do fim. Um time que já vinha ladeira abaixo, e ainda por cima com receitas diminutas, dificilmente agüentaria o tranco de permanecer dois anos na Segundona.

A campanha em 2003 não foi das mais brilhantes (11 vitórias, oito empates e quatro derrotas na primeira fase), mas o suficiente para o Botafogo terminar o campeonato em segundo lugar, atrás do Palmeiras. Eu diria que esta foi a conquista mais importante de Bebeto à frente do Botafogo.

Por sua trajetória e carreira, Bebeto trouxe para o futebol a imagem de um sujeito honrado, limpo, sem relações com a velha guarda da cartolagem. É verdade que, ao longo dos seis anos como presidente do Botafogo, nem sempre agiu como esperavam os que lutam pela modernização da estrutura arcaica do futebol (apoiou a Timemania, por exemplo), mas quase sempre esteve do lado certo.

Não conseguiu, porém, reerguer o Botafogo. Em termos de conquistas, a maior foi o título do Estadual em 2006 – pouco para seis anos como presidente. Do ponto de vista da gestão, ao que parece, não foi capaz de sanear as finanças do clube e deixa um legado pouco promissor para os que o sucedem.

Como quase todos os dirigentes de futebol, Bebeto assumiu muitas vezes posições que um torcedor adotaria (invadiu gramados, xingou juízes, ameaçou tirar o time de competições etc). Por um lado, chega a ser comovente o desespero do presidente do seu clube; por outro, assusta ver que nem ele é capaz de manter a serenidade em momentos decisivos.

Como torcedor, olhando meu time à distância, eu diria que Bebeto ajudou a reerguer a auto-estima de um clube combalido, conseguiu montar alguns times competitivos, que chegaram a dar algumas alegrias à torcida, mas fraquejaram em momentos decisivos. Bebeto comandou o Botafogo numa travessia pelo deserto – mas, infelizmente, não chegou a destino seguro.

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13/11/2008 - 10:26

O Botafogo é uma ópera!

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Tenho evitado escrever sobre futebol e, especialmente, sobre o Botafogo neste blog. Não bastasse o iG contar com um time altamente qualificado de jornalistas e comentaristas esportivos, meu time vinha, até aqui, cumprindo um roteiro absolutamente previsível no Campeonato Brasileiro, motivo pelo qual não sentia a menor necessidade de falar sobre ele.

Mas eis que em uma semana a vocação dramática, operística, do Botafogo ressurge em cena. Primeiro, o zagueiro André Luis arranca o cartão amarelo do juiz e o adverte, no meio do gramado, num gesto tragicômico. Em seguida, o técnico Ney Franco informa que não se pensa em punir o jogador com uma multa já que os salários do time estão três meses atrasados – como descontar parte de um salário que não está sendo pago?

Dias depois, em campo contra o Flamengo, o reserva Eduardo jogou apenas dois minutos antes de ser expulso por um golpe violento em Sambueza. O Botafogo, enfim, lidera uma estatística no campeonato: o cartão vermelho do jovem Eduardo foi o décimo do time no Brasileiro. Dez cartões vermelhos e 100 amarelos: esse é o saldo, até o momento, do time.

Carlos Alberto, com dois vermelhos, o mesmo número de Andre Luis, é o jogador mais indisciplinado do campeonato. Não é mais. Decidiu abandonar o Botafogo nesta quarta-feira, por conta dos salários atrasados. Mais um gesto dramático – seguido por outro, tipicamente Botafogo: a direção do clube emitiu uma nota apoiando a decisão do jogador.

Para completar o enredo, o presidente Bebeto de Freitas dá uma entrevista à rádio Globo e declara, mais do que dramático, quase suicida: “Não vejo luz no fim do túnel.” O argumento do dirigente é que a crise financeira enxugou o crédito nos bancos e, mesmo com receitas de 2009 a oferecer, nenhum banqueiro parece mais acreditar no Fogão.

O que dizer disso tudo? Ainda este mês devem ocorrer eleições no Botafogo. Está na cara que o clube vive um momento especialmente crítico e precisa de sangue novo – gente com vontade de enfrentar esta crise de forma criativa e menos dramática. Ao menos, espero que exista gente assim. Não gostaria de assistir o final desta ópera!

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30/09/2008 - 17:23

Montenegro diz não à presidência do Botafogo, mas cogita um dia dirigir a CBF

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Ricardo Kotscho é craque, mestre de várias gerações, mas sou obrigado a dizer que, nesta entrevista com Carlos Augusto Montenegro, ele ficou prestando atenção ao que o presidente do Ibope falou sobre Lula, Serra, Kassab, Marta e eleições pelo Brasil afora, mas deixou escapar as duas notícias mais importantes do almoço.

Atenção, nação alvinegra: apesar das muitas especulações a respeito, Montenegro garante que, definitivamente, não será candidato à presidência do Botafogo no final do ano. O cartola que deu ao clube o seu único título, até hoje, de Brasileiro (1995), prefere continuar como está, interferindo e dando palpites à sombra do poder, mas sem ter que assinar o seu nome em documentos e se envolver diretamente em outros pepinos administrativos.

Quem sonha em vê-lo de volta ao mundo da política do futebol pode, porém, anotar uma data na agenda: 2014. É quando Ricardo Teixeira promete deixar o comando da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), após a realização da Copa do Mundo no Brasil. Eis uma função que Montenegro vê com muito bons olhos.

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