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19/11/2009 - 13:20

Rivalidade entre Rio e SP no futebol está de volta

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O sempre sensato e elegante Lédio Carmona, comentarista do SporTV, escreveu em seu Twitter na quinta-feira: “O futebol, como um todo, está fora do tom. Discursos e atitudes raivosas por todos os lados. Me confesso assustado com tudo isso.”

Creio que Lédio referia-se, especificamente, à briga entre dois jogadores do Palmeiras, no intervalo da partida contra o Grêmio, mas também a uma série de outros episódios recentes. “Rivalidade e acirramento é uma coisa. Mas a sociedade do futebol está passando do ponto. Pensem nisso”, escreveu. E ainda: “A sociedade da bola é totalmente IN: Insensata, Intolerante, Invasiva, Insana, Insuportável…”

Todos nós, apaixonados por futebol, temos o hábito de exigir “profissionalismo” dos atores envolvidos neste mundo – jogadores, técnicos, dirigentes, árbitros e mesmo comentaristas. Por trás desta cobrança está a idéia de que todas essas figuras são remuneradas, logo, tem obrigações, deveres e compromissos.

Assim como exigimos conhecimento do médico que nos atende, educação do caixa no banco e pontualidade na entrega da loja, esperamos que o jogador do nosso time seja eficiente em campo, dentro da posição que é escalado, que o dirigente defenda o nosso clube da melhor forma possível, que o árbitro domine as regras do esporte e que o jornalista esportivo seja isento.

O problema todo é conciliar as nossas exigências com a paixão. Nisso, o esporte se diferencia de todas as outras atividades. Ninguém tolera um juiz ladrão, mas você já viu algum torcedor reclamar quando o próprio time é beneficiado por erro de arbitragem? Torcedor odeia cartola corrupto, mas se a ação dele, nos bastidores, ajudar o seu time, você é capaz até de votar no sujeito para deputado federal nas próximas eleições.

Para piorar, muitos dos atores envolvidos no mundo do futebol, apesar de profissionais, também não conseguem controlar sua paixão. Brigas entre jogadores do mesmo time, brigas entre dirigentes esportivos, acusações variadas e teorias da conspiração prosperam no momento em que o Brasileiro se aproxima do fim com um grau de competição nunca visto antes, tanto no alto quanto no fim da tabela.

Os ânimos de todos os envolvidos parecem mais exaltados do que nunca. E dentro dessa confusão toda, reaparece um elemento que andava adormecido – a rivalidade entre Rio e São Paulo. Muito por culpa do desempenho pífio dos times cariocas nos últimos anos, esse bairrismo andava sumido do teatro das paixões do futebol. Mas voltou com tudo nas últimas semanas, em função do bom momento do Flamengo. Infelizmente, prevejo ainda muita baixaria até o final do campeonato.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , ,
20/01/2009 - 16:08

Time pequeno não sobrevive sem ajuda pública?

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Desconheço a existência de algum outro time de futebol que, como o Grêmio Recreativo Barueri, tenha avançado da sexta para a primeira divisão em cinco anos. Em 2002, o Barueri disputou a Série B-3 do Campeonato Paulista, foi promovido para a B-2 e não parou mais, até conquistar um lugar na Série A-1 em 2006. Neste ano, também disputou a Série C do Brasileiro, sendo logo promovido para a Série B. Em 2008, finalmente, conseguiu a vaga para a Série A. Ou seja, se não erro a conta, em sete anos o time conquistou sete acessos.

Façanha desse tamanho não ocorreu num passe de mágica. O Barueri nasceu como um clube municipal e, até meados de 2007, recebia oficialmente recursos da Prefeitura da cidade. Chegou a pagar salários dos jogadores com recursos oficiais, admitiu o presidente do clube, Walter Sanches. Hoje em dia, garante, o futebol profissional não recebe mais ajuda municipal.

As coisas, porém, não tão simples, como constatei ao visitar o Centro de Treinamento do Barueri, na semana passada. Como relato na reportagem, o CT pertence à Prefeitura, que o cedeu ao clube. No estacionamento, há uma vaga de carro reservada para o prefeito ao lado da vaga do presidente. Um ônibus da Prefeitura, usado para transporte de atletas, estava estacionado no CT no dia da minha visita.

Enfim, o time que estréia no Paulista nesta quinta-feira contra o Corinthians ainda tem um longo caminho a percorrer. Em campo, luta para mostrar que a sua ascensão não é fogo de palha. Nos bastidores, precisa assegurar um modelo de gestão e desenvolvimento capaz de manter o clube em condições de disputar futebol em alto nível sem a ajuda do poder público. “Não existe time pequeno que possa sobreviver sem ajuda oficial”, diz Sanches. Será?

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
07/12/2008 - 18:42

Em Marte, na hora da decisão do campeonato

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Enquanto São Paulo e Goiás disputavam a partida mais importante do campeonato, a Globo e a Bandeirantes exibiam, no Rio de Janeiro, o jogo entre Vasco e Vitória, que confirmou o ticket da equipe carioca rumo à Série B do Brasileiro.

Desconfio que a lógica da audiência explique isso – devia haver, no Rio, muito mais gente interessada em conhecer o destino do Vasco no campeonato do que saber quem seria o campeão do torneio. Além dos próprios vascaínos, imagino, torcedores dos outros times do Rio também estariam de olho nessa partida, para secar ou para torcer pelo rival carioca.

Qualquer que seja a razão para esta transmissão, fiquei com a sensação de que estava em Marte, ou em uma cidade do interior, na tarde deste domingo, no Rio. Enquanto o campeonato era decidido em Brasília e em Porto Alegre, as emissoras da cidade mostravam um jogo que iria resolver se um time carioca permaneceria, ou não, na Série A.

Autor: - Categoria(s): televisão Tags: , , , , ,
30/11/2008 - 20:12

Crônica de uma jornada tricolor (carioca) no Morumbi

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Como anunciei de manhã, assisti o jogo São Paulo e Fluminense na arquibancada do Morumbi enquanto postava alguns comentários no Blog da Redação da editoria de Esportes do iG. Abaixo, os posts que enviei do estádio, que entraram ao longo da tarde no blog, levemente revisados.

Vitória do Fluminense
Nelson Rodrigues falava que “se os fatos provam o contrário do que eu dizia, pior para os fatos”. O placar no Morumbi (1 a 1) mais o silêncio da torcida são-paulina ao final do jogo provam: o Fluminense ganhou esta partida.

Impaciência no ar
À espera de um gol que lhe dará o titulo, aos 35 do segundo tempo, a torcida são-paulina se irrita com a cera do Fluminense e, desde a saída de Dagoberto, só lhe resta vaiar o juiz.

Incentivo ao próprio time, muito pouco.

O Morumbi acorda
Na cabine de imprensa, um jornalista havia reclamado: a torcida do São Paulo parece platéia de teatro, excessivamente bem comportada. Depois do gol de empate, aos 12 minutos do segundo tempo, não dá mais pra dizer isso. O Morumbi voltou a aplaudir até lateral conquistado.

Silêncio ensurdecedor
Foram dez segundos daquilo que um cronista esportivo das antigas chamaria de silêncio ensurdecedor.
Após o gol do Fluminense, aos 4 do segundo tempo, o Morumbi se calou de um jeito assustador. Mas logo recomeçaram os gritos de incentivo. “Ó tricolor, ó tricolor…”

Primeiras vaias

Aos 46 do primeiro tempo, depois do enésimo erro, Dagoberto causou os primeiros protestos  da torcida sao-paulina. “Fora Dagoberto”, gritaram alguns torcedores na arquibancada.

Quanto tá o jogo do Grêmio?
O sistema de som do Morumbi não está informando o resultado dos demais jogos da rodada. Nem o placar eletrônico do estádio. Para saber sobre o resultado de Grêmio e Ipatinga, os torcedores recorrem ao velho radinho de pilha ou ao moderno celular. O sujeito ao meu lado, aqui no setor amarelo da arquibancada, acaba de ligar pra casa e me informou. Às 16h35 o Grêmio vencia por 3 a 1.

Sexo e futebol

Na véspera do Dia Mundial de Combate à Aids, a Prefeitura de São Paulo montou um esquema para distribuir 80 mil camisinhas no Morumbi. Preocupados exclusivamente com o jogo, muitos torcedores não estavam nem aí para as camisinhas.

Silêncio barulhento
Nelson Rodrigues, um dos mais ilustres torcedores do Fluminense, dizia que no Maracanã vaia-se até minuto de silêncio. No Morumbi não se vaia, mas o minuto de silêncio neste domingo, em homenagem ao ex-presidente do São Paulo Marcelo Portugal Gouvêia, foi comemorado aos gritos de “Vamos, São Paulo, vamos São Paulo, vamos ser campeão”.

O Fluminense no Morumbi
Expectativa no cantinho reservado ao Fluminense no estádio. Cícero Bezerra, dono de uma escolinha de futebol no Tucuruvi, em São Paulo, trouxe 14 crianças de 5 a 10 anos, todos vestidos com o uniforme do Flu. “Não sei se vão deixar a gente entrar em campo. Tenho todas autorizações. Vamos ver”, diz, ansioso, a meia hora do início da partida.

Entre os 100 torcedores do Flu, só gente que mora em São Paulo. Ninguém sabia, às 16h30, se chegariam os reforços do Rio de Janeiro. “Acho que dá pra ganhar”, diz Nelson Gennari, do nucleo paulistano da Young Flu.

A resposta da torcida são paulina é curta e grossa: “Ão ão ão, segunda divisão!!!”.

Em tempo: as crianças de Cícero Barbosa conseguiram entrar e ficaram com o time desde as escadas do vestiário até o gramado.

O São Paulo chega ao estádio
A polícia montada tenta abrir um corredor na entrada do Morumbi. São 15h40. Um camburão e duas motos se aproximam. Atrás, um ônibus. É o time do São Paulo chegando ao estádio. Na rua é como se tivesse sido um gol. Fogos, gritos de campeão e delírio.

O Fluminense chegou antes. Sob vaias.

A trilha do hexa

São 14h34 e dos alto-falantes do Morumbi o som que sai, em altissimo volume, é “Rehab”, o sucesso de Amy Winehouse sobre uma junkie que se recusa a se tratar. Fala sério!

Fora do Morumbi, o São Paulo já é hexa
Faltam três horas para começar a partida, mas no entorno do Morumbi o São Paulo já é hexacampeão brasileiro. Camisas com a inscrição 6-3-3 são vendidas por R$ 25. O “6”, não precisa dizer, são os títulos brasileiros, um deles ainda não conquistado. Três são as Libertadores e os Mundiais vencidos pelo Tricolor.
Faixas com a frase “São Paulo hexacampeão” custam R$ 5.

Para os supersticiosos, isso é sinal de mau agouro. Bate na madeira.

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
30/11/2008 - 10:06

São Paulo e Fluminense no Blog da Redação de Esportes

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Bem, amigos, fãs do esporte, neste domingo, a partir das 14h, a equipe que comanda este blog estará no Morumbi, acompanhando a partida entre São Paulo e Fluminense. O jogo, em caso de vitória são-paulina (ou de um tropeço do Grêmio diante do Ipatinga), pode dar ao São Paulo o seu sexto título nacional. Para não encher o saco de quem não se interessa pelo assunto, vou postar diretamente no Blog da Redação, o simpático e democrático blog da editoria de Esportes do iG. Até lá.

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
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