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23/11/2009 - 16:13

Problema crônico em reality: falta de transparência

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Fazenda Sheila e Bombom“Votações encerradas”, anunciou Britto Jr. diante de Sheila Mello, Ana Paula Oliveira e Mateus Rocha, os três peões no paredão da primeira semana. Menos de um minuto depois, o apresentador comunicou: “Sheila Mello, você está salva!”. O mundo se curva diante da Record por esta que foi, até onde eu sei, a apuração mais rápida da história das eleições no mundo. Nem o BBB, com seus critérios pouco claros, chegou perto. A ex-loira do Tchan respondeu à altura: “Obrigado, Brasil. Oi, galinhas. Estou de volta”.

Começa assim o texto “Como no BBB, falta transparência na apuração”, que publiquei nesta segunda-feira no blog do iG dedicado ao programa A Fazenda 2. Aproveito para comentar também o histórico momento em que Adriana Bombom e Sheila Mello compararam seus bumbuns na tevê.

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16/11/2009 - 01:26

“A Fazenda”: mais enxuta, sem reza e sem comercial

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Na essência, “A Fazenda” continua o mesmo: subcelebridades de terceiro e quarto escalão em busca de um lugar ao sol, Britto Jr. tentando ser Pedro Bial e a Record falando da Record. Mas, em relação ao programa que estreou há cinco meses e meio, a segunda edição do reality show começou com alguns melhoramentos.

Em primeiro lugar, no lugar das duas horas e quarenta minutos da primeira estreia, desta vez foram apenas 120 minutos. Sem enrolação, direto ao ponto, os candidatos foram brevemente apresentados, não tiveram a chance de falar muita besteira e ainda foram submetidos a uma prova divertida.

Outro progresso foi visto no final. Na primeira estreia, os candidatos tomaram uma taça de espumante e, em círculo, comandados por Babi, fizeram uma prece. “Senhor, que a gente aprenda a ser um ser humano melhor”, começou a moça, antes de pedir: “Jesus, que todos nós tenhamos um salto em nossas carreiras”. Desta vez, repetiu-se a oferta de bebida, mas, na hora em que os participantes começaram a formar um círculo, o programa saiu do ar sem que pudéssemos ouvir qualquer oração.

É claro que houve espaço para inúmeras piadas involuntárias. A melhor de todas, sem dúvida, a frase de Sheila Melo, apresentada por Britto como “uma das loiras mais conhecidas do Brasil”, que disse: “Não precisa ser verdadeiro… Me tratando bem já tá bom.” Eis uma reflexão que vale como mantra para a vida.

MC Leozinho, como se estivesse no palco do Gugu ou do Faustão, agradeceu: “Estou muito feliz pelo convite”. Mauricio Manieri observou: “Não sou muito de me expor”. E Karina Bacchi nos informou: “Me arrependi muito de ter posado nua”.

Quase todos os participantes mereceram um “bem-vindo” do apresentador, mas Cacau Melo, depois de participações inexpressivas em novelas e programas da Globo, mereceu algo mais: “Bem-vinda à Record”, saudou Britto.

Mais uma vez, a emissora subverteu a lógica capitalista que rege o negócio da comunicação no Brasil, segundo a qual a publicidade financia a produção. O programa entrou no ar imediatamente depois do Gugu, sem intervalos comerciais, por volta das 22h20, e só foi interrompido às 23h45, depois de uma hora e vinte e cinco minutos.

Houve, então, um intervalo comercial de seis minutos, seguido de um segundo bloco do programa que durou oito minutos, um segundo intervalo de cinco minutos e, finalmente, um terceiro bloco do reality de quinze minutos. Resumindo, ao longo de duas horas, houve onze minutos de comerciais, alocados em dois blocos na última meia hora da atração.

Com essa estratégia, “A Fazenda” espera vencer a guerra da audiência nas noites de domingo.

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13/07/2009 - 14:27

Nem o cachorro é de verdade na “Fazenda”

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Passei uns dias sem assistir “A Fazenda” e, ao regressar neste domingo, fiquei espantado. Não acontece nada neste programa. Ninguém briga com ninguém. Ninguém namora ninguém. Ninguém fala nada engraçado. Ninguém conspira contra ninguém… Que reality é esse?

De mais picante até agora, se entendi direito, é esse – como podemos chamar isso? –  “chove, não molha” entre Mirella e Carlinhos. Mas o ex-namorado da Sabrina Satto avisou em rede nacional que conhece Latino, o marido da Mirella, e jamais “faria isso” em público. Ou seja, a lengalenga vai continuar.

Só para se ter idéia do marasmo, veja as últimas notícias do programa, direto do blog  que a turma do Babado está fazendo:

1. “Tomara que ele vá logo embora”, diz Mirella com raiva de Carlinhos. Comentário do blog: “É claro que todos sabem que a loira só falou isso na hora da raiva… Mirella ficou com raivinha”; 2. “Jonathan é encrenqueiro”, alfineta Mirella; 3. Jonathan pede desculpas para Samambaia; 4. Dani Carlos fica três dias sem tomar banho; 5. Luciele briga com Fabiana por causa das roupas de Samambaia; 6. Sem paciência, Pedro dá bronca em Luciele; 7. Samambaia confessa que já traiu o ex-namorado Gustavo; 8. Luciele questiona a amizade de Fabiana; 9. Cai na Internet vídeo de Jonathan fazendo “telefonema” para Latino; 10. Danni Carlos diz que conversa com Deus desde criança.

Quanta animação!!!

E cadê o Dado Dolabella? Neste domingo, vi o ex-bad boy em três situações apenas: abraçando os colegas que voltaram do paredão, fazendo carinho num cachorro e sorrindo para todos os lados. Pelo visto, a Record voltou a fornecer o medicamento que combinou com o ator.

Ah! O cachorro. Outra novidade para mim. Tem um golden retriever dentro da casa. O bicho, bonito e carinhoso, dá trela para todo mundo e anda com uma bandana amarrada em volta do pescoço. Num primeiro momento, li apenas o seu nome, Max, e pensei: eis, enfim, um momento de bom humor e ironia da “Fazenda” – batizar o cão com o nome do vencedor do último BBB, da rival Globo.

Ainda pensei: ótima idéia, substituir o Theo Becker pelo Max. A animação vai continuar, imaginei. Melhor que isso, só se o cachorro se chamasse Priscila. Ou, melhor ainda, como sugeriu uma amiga, só se o Theo e o Max pudessem dividir o mesmo teto na casa.
 
Mas comecei a estranhar depois de ouvir Britto Jr. tecer loas ao bicho: “Não existe a menor dúvida que o cão é o melhor amigo do homem”, disse. Hum… Prestei mais atenção e me dei conta do óbvio: Max é o nome de uma linha de produtos para cães. Está lá por força de uma ação de merchandising. E mais, li no site do fabricante: o cachorro vai ficar em “A Fazenda” até o final do programa.

Em resumo, não acontece nada na “Fazenda” e, quando acontece, não é de verdade.

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25/06/2009 - 09:49

‘A Fazenda’ ensina ao ‘BBB’: roupa suja se lava em público

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Três semanas depois de estrear, “A Fazenda” já escreveu seu nome na história da televisão brasileira, com lugar de destaque no capítulo sobre o que de pior, involuntariamente, já foi produzido em estúdios nacionais.

A discussão entre Dado Dolabella e Britto Jr., quarta-feira à noite, ao vivo, é desses momentos que renovam a esperança do espectador numa espécie de lei de Murphy da televisão, a saber: qualquer programa ruim sempre pode piorar – para alegria de quem se diverte com atrações capengas, mal feitas e mal dirigidas.

O chamado “trash” televisivo é um gênero que exige falta de recursos, falta de traquejo e falta de humor. O resultado dessa rara combinação é o humor involuntário, a graça inesperada, a diversão nas franjas.

Para quem não viu, já há cópias da cena no You Tube. Começa pela indicação de Dado para o paredão pelo ator Jonathan Haagensen. Indicação merecida, já que, de manhã, Dado havia chicoteado as costas de Miro Moreira, confundindo-o com a vaca que deveria colocar no curral. Dado, no vídeo, não reclama da indicação. Entende e aceita. Mas protesta contra a direção do programa.

Dado conta que havia combinado receber o remédio que toma contra insônia, mas fora informado, na véspera, que não receberia a dose combinada. Deixa implícito que o seu comportamento foi influenciado pela falta do tarja preta e de uma noite sem dormir. Britto Jr., com aquele seu admirável jogo de cintura, começa a discutir com Dado, acusa-o de dizer uma “meia verdade” e defende a direção, argumentando que o ator deveria fazer o seu pedido no confessionário (aqui chamado de “câmera do desabafo”), e não pelos cômodos da casa.

São cinco minutos históricos, que deveriam ensinar muita coisa à Globo. Aprendendo enquanto faz, a Record, depois de tanto copiar, finalmente inovou em matéria de reality show: roupa suja se lava em público. Acabou o confessionário! Boninho, que já deu muita bronca em candidato do BBB (lembra-se da Mirla?), deve estar se perguntando como superar esse “golpe”. Com “A Fazenda”, os “desabafos” são agora um direito do público. Parabéns.

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14/06/2009 - 12:08

Boninho, Luciano Huck e Serra: conversas no Twitter

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A notícia apareceu na madrugada de sábado (13) e atravessou o dia: Boninho desistiu do Twitter. O diretor da Globo publicou no seu miniblog uma mensagem de despedida, depois de duas semanas de muito barulho. “A morte anunciada! Não tenho paciência, mas bom humor. Em 15 dias me diverti muito, mas minha verdadeira ética e profissionalismo dizem não. By”.

Nesses 15 dias em que se divertiu muito, Boninho riu abertamente da estreia do reality “A Fazenda”, na Record, anunciou que Grazi Massafera entrou para a “lista negra” do “Vídeo Show” e polemizou com Britto Jr, que o acusou de ser antiético por criticar a concorrência, afirmando: “Não sou jornalista, não preciso ter ética!”. Escrevi na quinta-feira, 11, um texto, Boninho, o Twitter e a falta de ética, sobre o assunto, no qual observei:

É difícil acreditar que uma pessoa com alguma instrução fale isto a sério – logo, tendo a acreditar que Boninho está brincando, reforçando o personagem que criou. “O Boninho é engraçado porque ele faz questão de manter a fama de mau”, disse Pedro Bial ao Último Segundo, em março. Ou seja, ao defender que não precisa ter ética, Boninho está apenas fazendo uma brincadeira de mau gosto, o que ajuda a explicar muita coisa que assistimos na tevê.

No mesmo dia, o texto foi respondido pelo diretor no próprio miniblog de forma enigmática. “Mauricio, brincadeira nunca foi defesa, e fazer TV não é! Fake ou real, no twitter nada se cria, mas se transforma“.

O “twittercídio” de Boninho, como está sendo chamado, causou grande comoção entre os seus 8.500 seguidores. Centenas de usuários do Twitter enviaram mensagens a ele, pedindo que reconsidere a decisão. Um blogueiro, Paulo Ferraz, “ator, videomaker, escritor, consultor em redes sociais e web marketing”, chegou a me responsabilizar  pela opção de Boninho, o que me deixou muito honrado, mas infelizmente não é verdade.

O colunista Daniel Castro, da “Folha”, publicou em seu Twitter: “A pedidos: Boninho confirma “twittercídio”! Não aguentou  o assédio e a pentelhação. Alguns foram agressivos com ele!” Recém-chegado ao miniblog, o apresentador Luciano Huck também lamentou: “não se vá, Boninho!!! Agora que eu cheguei!!! Poxa”.

Aproveitei a pesquisa para deixar Boninho de lado e conhecer o Twitter de Huck. Descobri que o apresentador foi passar o final de semana em Campos de Jordão com o governador José Serra. “Nesta noite em Campos do Jordão, temperatura em baixa, twitter em alta. José Serra ao meu lado xereta o que estou escrevendo! Tô bombando!!!”

Pensei: deve ser brincadeira. Corri então para o Twitter do governador. “O @huckluciano contou no twitter dele e eu confirmo (fazer o quê?): estamos em Campos do Jordão e, no momento, xereto o que ele escreve”, anotou Serra. Huck retribuiu: “Já viram o twitter dele? @joseserra_. Pegou o vírus. Também trata-se de uma excelente ferramenta para se debater ideias!!!”

Volta Boninho! Você vai fazer falta aqui.

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01/06/2009 - 09:26

“A Fazenda” começa com oração a Deus por “salto na carreira” das subcelebridades

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O que de pior o espectador poderia esperar de “A Fazenda” – o reality show da Record – aconteceu na noite de estreia, neste domingo. Meio “Casa dos Artistas”, com suas “celebridades” de terceiro e quarto escalão, meio “Big Brother”, com seu líder (“o fazendeiro da semana”) e o paredão semanal (“a roça”), o programa começou lento, sem graça e, surpreendentemente, carola.

Britto Jr, coitado, amarrado a um roteiro monótono, só sabia perguntar se os participantes estavam emocionados de ouvir frases de apoio, gravadas, de parentes e amigos.  É da escola de jornalismo que provoca o entrevistado até ele chorar, enquanto a câmera aproxima-se do olho da vítima, em busca de uma lágrima, e depois dispara algum comentário do tipo: “Está emocionada, não? Dificil não se emocionar…”

Tive, neste domingo, a oportunidade de ser apresentado a algumas “celebridades” que, por ignorância, desconhecia existir: Fabio Arruda, “consultor de etiqueta”; Luciele di Camargo, namorada do jogador Denilson; Barbara Koboldt, jornalista de celebridades; Mirella Santos, “a senhora Latino”; Miro Moreira, “modelo internacional”; Carlinhos da Silva, “o Mendigo do Pânico”; e Pedro, “da dupla Pedro e Tiago”.

Já tinha ouvido falar de alguns outros, mas não conhecia a cara, ou não reconheci, depois de algumas mudanças: a apresentadora Babi “eu falo muito” Xavier;  a atriz Franciely Freduzesky (“ser rotulada como a mulher gostosa… quem não gosta?”); o ator Theo Becker (“já foi protagonista de uma novela”); Danielle Souza (“para quem não sabe, essa é a nossa Mulher Samambaia”); e a cantora e atriz Danni Carlos (“rock´n roll na fazenda”).

Conhecer mesmo, eu posso dizer que conheço dois participantes: Jonathan Haagensen, um dos melhores atores do filme “Cidade de Deus”, e Dado Dolabella, um dos melhores atores de todas as revistas e sites de celebridades do País.

Depois de duas horas e quarenta minutos apresentando essa gente toda, Britto Jr. avisou: “Este é um momento histórico para mim, para a Record e para a televisão brasileira”. Realmente, não entendi – e gostaria de saber – por que esse é um momento tão histórico. “A Fazenda” tem tudo para se tornar um clássico do “trash” televisivo brasileiro – mas daí a ser “histórico” vai uma grande diferença…

A não ser que Britto Jr. já soubesse o que iria acontecer em seguida: os 14 participantes entraram na fazenda, tomaram um gole de espumante rosé e, comandados por Babi, reuniram-se para uma oração. Sim. O reality show da Record começou com uma prece coletiva. Primeiro, Babi pediu: “Senhor, que a gente aprenda a ser um ser humano melhor”. Depois, foi mais objetiva: “Jesus, que todos nós tenhamos um salto em nossas carreiras”. Ouviram-se alguns “amém”.

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