Publicidade

Publicidade

21/05/2009 - 08:33

O blogueiro deveria corrigir o português dos leitores?

Compartilhe: Twitter

Final de 2007, se não me engano. A ESPN Brasil exibia o “Bate-bola – segunda edição”. O apresentador João Carlos Albuquerque informou que Kaká havia acabado de ser premiado com a Bola de Ouro, o tradicional prêmio concedido pela revista “France Football” ao melhor jogador do ano. O programa então mostrou uma entrevista gravada com o jogador, ao longo da qual Kaká falou da alegria de ter sido escolhido e informou: “Esse prêmio vai para a minha sala de TROFÉIS”.

A entrevista prosseguiu por mais alguns instantes até que a transmissão voltou para o estúdio. Albuquerque tomou a palavra e falou (cito de cabeça): “Esse é um programa assistido por muitos jovens. Então, temos também uma função educativa. O plural de palavras terminadas em ‘éu’ é sempre ‘éus’. Chapéus, troféus, réus e assim por diante”.

Sem citar Kaká e o seu atentado gramatical, Albuquerque deu uma lição magnífica, ao vivo – mostrando que um bom jornalista precisa ter cultura e jogo de cintura, além de consciência sobre o seu papel num país com tantas deficiências quanto o Brasil.

Nesta quarta-feira, mais uma vez, me lembrei dessa história. A Rede Globo havia começado a transmissão de Fluminense e Corinthians e o narrador Cleber Machado descrevia o clima festivo no Maracanã – lotado para a partida. A câmera deteve-se então numa menina, vestida com as cores do Fluminense, que exibia um cartaz com uma declaração de amor a Ronaldo. A última frase dizia: “Torço muito por você, MAIS não hoje”.

O que fazer? Situação complicada, reconheço. Devo dizer que também não corrijo os erros de português que, eventualmente, aparecem em comentários aqui no blog. Deveria? Penso muito neste assunto, mas ainda não cheguei a uma conclusão.

Autor: - Categoria(s): Blog, televisão Tags: , , , , , ,
11/12/2008 - 14:20

Correspondentes internacionais preferem o Rio de Janeiro

Compartilhe: Twitter

 No programa “Arena Sportv”, nesta quinta-feira, Cleber Machado perguntou ao ítalo-brasileiro Claudio Carsughi sobre a repercussão internacional da contratação de Ronaldo pelo Corinthians. Cleber achou curioso os jornais italianos, como mostrou o iG, darem mais destaque ao fato de Ronaldo não ter ido para o Flamengo do que para a notícia de que jogará no Corinthians.

Tranquilão, como sempre, e sem demonstrar ironia, Carsughi explicou: “É que tanto o correspondente da ‘Gazzetta dello Sport’ quanto do ‘Corriere della Sera’ moram no Rio”. É possível, sugeriu Carsughi, que esse fato tenha influenciado a forma pela qual os jornalistas italianos compreenderam a notícia do negócio.

Fiquei com uma pulga atrás da orelha e fui ao site da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE). Informa-se ali que há cerca de 200 profissionais de rádio, jornal e televisão atuando no Brasil. Na relação de sócios efetivos, encontrei os nomes de 108 correspondentes. Destes, 103 moram no Rio de Janeiro, três estão estabelecidos em São Paulo, um reside em Niterói e não consta o endereço de um deles. Impressionante.

PS. Depois de publicada esta nota, consegui contato com Paula Gobbi, ex-presidente da ACIE. Aqui, ela comenta a preferência dos correspondentes pelo Rio de Janeiro. 

Autor: - Categoria(s): jornalismo Tags: , , , , ,
16/10/2008 - 00:44

A importância de chamar as coisas pelo nome

Compartilhe: Twitter

Outro dia comentei aqui sobre a dificuldade em que Cleber Machado se meteu ao ter que narrar um jogo do Corinthians ao mesmo tempo em que três dos quatros principais times da Série A disputavam partidas do campeonato. Na noite desta quarta-feira, dia de Brasil e Colômbia no Maracanã, Cleber deu um banho na transmissão da Globo. Sóbrio, logo aos 20 minutos do primeiro tempo, teve a coragem de dizer: “A Colômbia está mandando no jogo. Parece até que a partida é em Bogotá, não no Rio de Janeiro”.

No SporTV, a diversão coube a Muller. O ex-atacante estava inspirado. Aos 9 minutos do segundo tempo, depois de Elano errar uma jogada pela enésima vez, ele se soltou: “Será que eu vou ter que ir lá bater a falta? Eu e o Júnior?” No final do jogo, sobrou para Gilberto Silva: “ Esperava o que do Gilberto Silva? É um jogador limitado”.

Já Cleber, na Globo, ousou criticar até Robinho – uma espécie de Pelé para certa crônica esportiva. “(Se) está num dia em que o drible não está saindo, deveria mudar o repertório”.

Irritado, Junior, no SporTV, fez coro: “A seleção brasileira jogou assim: chutão para cima”.

Até Falcão, o mais vaselina de todos os comentaristas, foi sincero esta noite: “O grande Kaká está fazendo falta, porque hoje não está tão grande assim”. No fim do jogo, também disse: “O Brasil não teve competência para ganhar”.

Seria bom se fosse sempre assim, não apenas quando a seleção joga como o Olaria.

Autor: - Categoria(s): televisão Tags: , , , , , , ,
04/10/2008 - 18:10

Gol de quem?

Compartilhe: Twitter

A Globo exibiu sábado à tarde, em São Paulo, o jogo entre Corinthians e Marília, válido pela Série B, enquanto São Paulo, Palmeiras e Grêmio, três dos mais sérios candidatos ao título da Série A, jogavam no mesmo horário, contra Ipatinga, Atlético e Botafogo. A lógica da audiência, como se sabe, motivou a decisão da emissora: jogo do Corinthians dá mais ibope que qualquer outro, não importa se na primeira ou segunda divisão.

Muito bem… Segundo tempo. O Corinthians vencia o Marília por 1 a 0, sem o menor ânimo de fazer mais nada.  O ótimo Cleber Machado, obrigado a narrar essa partida chatíssima, preferia dar informações sobre os jogos da Série A, mostrar os gols que estavam acontecendo e fazer projeções sobre a classificação do campeonato mais nobre. Com um olho no gato e outro no peixe, como se diz, tentava narrar uma partida desinteressante, enquanto – corretamente – se preocupava com outras três, muito mais importantes. Até que o Marília empatou o jogo com o Corinthians. E Cleber, estupefato, não fazia idéia de quem tinha marcado o gol. Longos segundos de hesitação… Gol de quem? E o narrador:

– Gol do Altair, me parece.

Autor: - Categoria(s): jornalismo Tags: , ,
Voltar ao topo