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16/08/2009 - 19:02

Ronaldo na tribuna explica vazio na arquibancada

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Os 19.773 torcedores que pagaram ingresso para assistir Corinthians 2 x 0 Atlético-MG representam praticamente a metade da capacidade do Pacaembu. Não é um público desprezível, mas muito inferior ao potencial da equipe paulistana de levar gente ao estádio.

As razões para os enormes vazios nas arquibancadas são conhecidas. O Corinthians não vencia havia cinco jogos. Desfez-se, para fazer caixa, de três dos seus principais jogadores e Ronaldo, ídolo maior, está no estaleiro. A presença do craque na tribuna, neste domingo, teve a aparência de um aviso, como que a lembrar a nação corintiana que pelo menos o Fenômeno não foi embora.

Cercado por seis seguranças do Corinthians, Ronaldo assistiu boa parte da partida na última fila da tribuna. Não se levantou em momento algum, nem no intervalo. Os fãs não tiveram acesso ao ídolo – puderam apenas fotografá-lo à distância (como eu, que fiz a foto acima com o celular).

Os corintianos saíram, naturalmente, alegres com o fim do jejum. Mas foi um jogo muito fraco, com muitas faltas e erros de passe, dos dois lados. Quem comprou ingresso para ver Diego Tardelli, único jogador de Seleção Brasileira em campo, está a essa hora pedindo o dinheiro de volta. Fez uma jogada aos 2 minutos do primeiro tempo e nada mais.

Do lado do Corinthians, só vi o esforço de Jorge Henrique em criar algo. Curiosamente, o primeiro gol da equipe, marcado por Dentinho, saiu minutos depois que o cérebro da equipe, Edu, deixou o campo contundido. E o segundo gol foi obra de Boquita, um dos poucos jogadores que vi a torcida vaiar este ano.

O único setor do Pacaembu praticamente lotado era o anel onde fica a Gaviões da Fiel e a Camisa 12. Como de hábito, gritaram e cantaram do início ao fim. E ainda puderam comemorar o fim do jejum com o grito de guerra que, desde a volta à Série A, tornou-se uma marca registrada: “O Curingão voltou!”

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
12/08/2009 - 14:06

Ronaldo joga para a torcida

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Jornalistas que ainda não perderam o juízo enfrentam diariamente um dilema: onde termina a privacidade de uma figura pública? Quando a intimidade de políticos, artistas, jogadores de futebol ou celebridades se torna notícia? Qual é a nossa obrigação ao descobrir segredos da esfera íntima de personagens que são notícia?

São questões tão delicadas quanto fundamentais no exercício profissional. E muito antigas. O critério mais usado na definição do que é ou não notícia nesses casos é o chamado “interesse público”.

Sei que não é fácil definir o que é “interesse público”. Ao ouvir o jogador Ronaldo sugerir que a cirurgia de lipoaspiração que realizou é um problema particular, eu concordo com ele, mas pergunto: não tem interesse público?

Ronaldo não apenas é uma figura pública, como raramente demonstra preocupação em preservar a sua vida privada. O jogador exibe os seus filhos em revistas, aparece em eventos públicos variados, é garoto-propaganda de uma série de produtos e, desde que chegou ao Corinthians, tem falado com certa franqueza sobre inúmeros temas espinhosos.

É até discutível se uma lipoaspiração terá o efeito de afetar o desempenho atlético do jogador, mas o simples fato de alterar a sua aparência já torna a cirurgia de Ronaldo um fato de inquestionável interesse público.

Por isso, ao dizer que é um assunto particular, acho que Ronaldo está jogando para a torcida e tentando deixar os jornalistas numa saia justa. Entre a imprensa e o craque, a apaixonada nação corintiana não precisa pensar duas vezes antes de dizer com quem está.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , ,
21/07/2009 - 16:01

Cristian: o choro comovente de um jogador sem opção

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Assisti agora há pouco trechos da entrevista de Cristian e Andre Santos, na qual se despedem da torcida corintiana com juras de amor e  a promessa de voltar, em algum momento, ao clube.

O depoimento de Cristian é realmente impressionante. Chorando muito, o volante deu a entender que soube, há poucos dias, pelo presidente do Corinthians que iria ser transferido para o futebol turco. E que aceitou a transferência porque muitas pessoas dependem dele.

Ouvindo-o, parece que o “passe” ainda é a moeda vigente futebol e que, como uma marionete, o jogador não tem controle nenhum sobre o seu destino. Como se sabe, antes da Lei Pelé, de 1998, que acabou com o passe, os jogadores tinham pouca ou nenhuma autonomia em relação aos clubes e eram negociados ao bel prazer dos cartolas.

Hoje, em tese, o jogador é livre para atuar onde quiser. Assina contratos com prazo de validade, com previsão de multa em caso de rompimento, e muda de clube de acordo com as leis de oferta e procura do mercado.

De um modo geral, os jogadores entregam sua carreira na mão do empresário, responsável por negociar o seu contrato com o clube e articular a sua transferência, normalmente para ganhar mais, mediante novos contratos e pagamento da multa rescisória.

A transferência de Cristian seguiu esse rito. O Fenerbahçe, da Turquia, vai pagar, estima-se, 7 milhões de euros para contar com o jogador, valor a ser partilhado entre os três clubes (Corinthians, Flamengo e Atlético-PR) que dividiam os seus direitos. O valor do contrato de Cristian com a equipe turca não foi divulgado, mas é tão alto na comparação com o seu atual que, segundo a “Folha” desta terça-feira, o jogador chorou ao ser informado da cifra pelo presidente do Corinthians.

Em resumo, embora a lei do passe não exista há mais de dez anos, Cristian parece estar trocando de clube obrigado. De um lado, está o Corinthians, interessado em embolsar uma bolada. E de outro, ainda que contra a sua vontade, o jogador é pressionado pela possibilidade de melhorar a sua situação socioeconômica.

O choro de Cristian é o choro verdadeiro, comovente, de um jogador sem opção.

Crédito da foto: Gazeta Press

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , ,
08/07/2009 - 09:24

No futebol, só a audiência importa, lamenta Tostão

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O ex-jogador Tostão se tornou uma referência no jornalismo esportivo pela rara combinação de conhecimento sobre o que fala, inteligência, independência, lucidez e equilíbrio. É um dos meus ídolos na área. O seu livro de memórias, “Tostão – Lembranças, Opiniões, Reflexões sobre Futebol”, é uma pequena jóia, indispensável a quem sonha seguir carreira no jornalismo esportivo.

Por tudo isso, chega a surpreender o tom de Tostão na sua coluna desta quarta-feira na “Folha de S.Paulo”. A contundência começa pelo título – “Quem manda é o mercado” – e prossegue desde a primeira linha. Reproduzo os três primeiros parágrafos:

Cruzeiro e Estudiantes fazem hoje o primeiro jogo decisivo. A Taça Libertadores da América é o título mais importante e mais desejado pelos clubes brasileiros e argentinos.

Mesmo assim, a CBF, para atender aos interesses da Globo, adiou o jogo entre Corinthians e Fluminense para o mesmo dia e horário da partida da Libertadores. Para a Globo, o jogo pelo Brasileiro dá mais audiência no Rio e em São Paulo.

Estou curioso para saber qual das duas partidas será transmitida para outros Estados, fora Minas, Rio e São Paulo. Com certeza, será a que a Globo acha que vai dar mais audiência. Quem manda é o mercado.

É, de fato, uma situação tão absurda que dispensa outros comentários da minha parte.

Autor: - Categoria(s): Esporte, televisão Tags: , , , ,
10/06/2009 - 08:31

Globo, SBT e Ronaldo: cenas de novela mexicana

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O patrocínio do grupo Silvio Santos ao Corinthians está produzindo uma série de eventos anedóticos, típicos de um dramalhão mexicano, bem ao gosto da programação do SBT. O surpreendente neste caso é que um dos protagonistas dessa história vem a ser a Rede Globo, famosa pela qualidade “antimexicana” de suas novelas.

Há alguns dias, Silvio Santos fez um discurso engraçadíssimo, chamando Ronaldo de “farsante” por se recusar a gravar um comercial para o SBT. No ar, aparentemente de improviso, o dono da emissora ofereceu R$ 50 milhões para o craque protagonizar a publicidade. Está no You Tube – e é inacreditável.

A Globo, como se sabe, é detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Para a emissora, causa constrangimento exibir a marca de um patrocinador – o Baú da Felicidade – cujo proprietário é dono de um canal concorrente. Propaganda grátis e ainda mais de um rival? É duro…

A emissora nega estar promovendo qualquer tipo de boicote ao logotipo do Baú em suas transmissões esportivas, mas não é o que parece. Como mostrou o jornalista Ricardo Feltrin, uma entrevista com Ronaldo, feita pela Globo no último domingo (7), passa a nítida impressão que os câmeras estão orientados a não mostrar de jeito nenhum a marca de Silvio Santos. Como fazer isso se o Baú é visto quase na gola da camisa do Corinthians? Simples: enquadrando apenas o rosto de Ronaldo, entre o queixo e a testa. 

Em 1994, a Globo produziu um enquadramento semelhante na transmissão de dois amistosos da seleção brasileira às vésperas da Copa do Mundo. Patrocinada então pela Kaiser, a emissora se recusou a mostrar placas de publicidade da Brahma espalhadas pelo estádio onde ocorreu a transmissão de partidas contra Canadá e Honduras. No esforço de não exibir a marca rival, os câmeras da Globo deixaram de mostrar a bola, jogadores cobrando lateral e lances próximos à linha de fundo. Foi um papelão que entrou para a história da televisão brasileira.

Outros veículos já tomaram atitudes radicais como essa no afã de protegerem os seus interesses comerciais. Relato no livro “História do Lance!”, recém-publicado (desculpe a propaganda), que em meados de 2000 o diário esportivo manipulou imagens para não exibir a marca de Pepsi-Cola estampada na camisa do Corinthians. Escrevo no livro:

Insatisfeito com a não inclusão do Lance! na lista de veículos que receberiam anúncios de uma campanha publicitária da Pepsi-Cola, o diário passou a manipular, no computador, as fotografias que mostravam a camisa do Corinthians, de maneira a eliminar das páginas do jornal a marca do refrigerante, que então patrocinava a equipe. Depois que o caso tornou-se público, a manipulação das imagens foi interrompida.

Todas essas histórias – e há muitas outras semelhantes – expõem a defesa atabalhoada de interesses comerciais sob ameaça em meio a conflitos pesados entre empresas. Os protagonistas destes dramalhões parecem apenas se esquecer de cuidar dos interesses dos seus espectadores e leitores.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , , , , , , ,
19/05/2009 - 09:02

Blogueiro de um lado, torcedor do outro. Ainda bem

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Relatei nesta segunda-feira dois episódios recentes nos quais o técnico do Corinthians deu uma informação a jornalistas e, em seguida, agiu de forma diferente ao que disse. O texto, Mentiras de Mano Menezes incomodam a imprensa, mereceu o comentário de 556 internautas. A grande maioria, em torno de 95%, odiou o que escrevi – nunca, neste blog, um texto meu alcançou tamanha reprovação. Tento resumir a seguir os principais argumentos dos meus críticos:

1. O número maior de comentários diz respeito à pertinência do texto. Um grande contingente de leitores classificou o que escrevi como “ridículo”, mera “falta de assunto” ou tentativa de arrebanhar “audiência” para o blog.

2. Um segundo número considerável de leitores defendeu a tese que Mano Menezes fez “o que é melhor para o Corinthians”. O técnico não deve satisfação aos jornalistas, apenas ao time, escreveram.

3. Uma terceira crítica recorrente ao meu texto é que “todos os treinadores mentem”; o que Mano fez é algo comum no meio. Na visão desses internautas, eu deveria criticar também Muricy, Luxemburgo e tantos outros colegas de Mano.

4. Além das críticas a mim, à minha incompetência e ignorância, um certo número de leitores aproveitou para criticar os jornalistas, de maneira geral. “Jornalistas mentem” muito mais que Mano, escreveram vários.

5. Mano não mentiu, mas “despistou” a imprensa, usou de uma “estratégia” para surpreender os adversários, argumentaram muitos leitores.

6. Por fim, uma minoria viu no meu texto uma tentativa de “conturbar o ambiente” do Corinthians e “desestabilizar” o técnico Mano Menezes.

Se houve tanto repúdio e tantas interpretações diferentes ao que escrevi, pode ser que eu tenha sido pouco claro no meu texto. Falha minha. Suspeito que tenha causado um certo choque o uso da palavra “mentira” no post. Se eu tivesse dito que Mano Menezes tem usado um “artifício” que causa incômodo, ou uma “estratégia” para “despistar” os adversários, talvez tivesse causado menos repulsa.

O que diz o “Houaiss” sobre o verbo “mentir”? 1. “Dizer, afirmar ser verdadeiro (aquilo que se sabe falso); dar informação falsa (a alguém) a fim de induzir ao erro”; 2.  “não corresponder a (aquilo que se espera); falhar, faltar, errar”. 3.  “causar ilusão a; dissimular a verdade; enganar, iludir.”

E o que diz o dicionário sobre o substantivo “mentira”? 1. “ato ou efeito de mentir; engano, falsidade, fraude”; 2. “hábito de mentir”; 3. “afirmação contrária à verdade a fim de induzir a erro”; 4. “qualquer coisa feita na intenção de enganar ou de transmitir falsa impressão”.

Entre Mano Menezes e a reclamação de alguns jornalistas, como escrevi no post, é fácil imaginar de que lado ficaram – e ficarão sempre – os corintianos. A “nação”, como escreveu um leitor, coloca o time em primeiro lugar. E também em segundo e em terceiro. Tudo bem. Entendo.

O que Mano fez ao informar que o time não ia jogar com três zagueiros contra o Inter e, em seguida, escalar três zagueiros contra a equipe gaúcha? O que Mano fez ao insistir com os jornalistas que o Corinthians atuaria com o time reserva contra o Botafogo e escalar os titulares?

Pode ser uma questão de semântica, apenas. Sei lá. O fato é que não estou do mesmo lado do balcão que o torcedor. É assim que deve ser.

Escrevi para manifestar a minha surpresa com a pouca importância que uma fonte deu às suas próprias palavras. Ingenuidade? 

Não mudei a opinião de nenhum corintiano – o que, aliás, não era minha intenção – nem mudei de opinião sobre a atitude do técnico do time. Como diria João Saldanha, um dos meus gurus, vida que segue.

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18/05/2009 - 11:23

Mentiras de Mano Menezes incomodam a imprensa

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Minutos antes de Corinthians e Internacional, logo após ser anunciada a escalação da equipe paulista, vi um repórter se levantar na tribuna da imprensa revoltado. Dois dias antes da partida, o jornalista havia perguntado a Mano Menezes se o Corinthians ia jogar com três zagueiros, como a equipe reserva treinou naquela sexta-feira, e o técnico negou. Ao ouvir a escalação do time, no domingo, constatou que Mano mentira para ele.

Ao longo da semana passada, Mano Menezes mais de uma vez disse aos jornalistas que o Corinthians enfrentaria o Botafogo com os jogadores reservas. Não era verdade, como se viu minutos antes do início da partida, no Engenhão. O Corinthians entrou com o time titular, completo.

A “Folha de S.Paulo” desta segunda-feira registra o seu incômodo com as mentiras de Mano Menezes: “Ontem, no Engenhão, Mano Menezes usou de uma estratégia cada vez mais comum para ele: a ação diferente do discurso. Enquanto passou a semana dizendo que mesclaria titulares com reservas, a fim de preservar seus principais atletas para o duelo com o Fluminense, pela Copa do Brasil, o técnico corintiano colocou quase todos em campo diante do Botafogo. Até Ronaldo, que o treinador colocava como um dos que deveria descansar por ter passado por uma gripe, começou o jogo.”

O uso da mentira como tática para confundir o adversário é comum em casos de guerra entre países. Como se diz, com resignação, “na guerra, a primeira vítima é a verdade”. Mas no futebol? Nas primeiras duas rodadas do campeonato?

Vejo outros problemas nesta tática. Quantas pessoas deixaram de ir ao estádio, domingo, depois de “informadas” que o Corinthians atuaria com o time reserva? Não podemos falar, também, de propaganda enganosa? Desrespeito ao consumidor?

E a questão ética? Se aceitamos a mentira como um instrumento natural nas “batalhas” futebolísticas, não vamos acabar aceitando-a em qualquer situação?

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10/05/2009 - 19:47

Nilmar fez um verdadeiro gol de placa. Ou não?

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Descendo a rua Buri, caminhando em direção ao Pacaembu, dou de cara com um flanelinha de braços cruzados, sem ter o que fazer: “Não tem mais corintiano nessa terra?”, ele me pergunta. Faltam 45 minutos para o início da partida e a rua está, de fato, vazia.

A nação corintiana preferiu ficar em casa – assim como o time titular. 14.458 espectadores pagaram ingresso para assistir o time B do Corinthians estrear no Brasileiro.

Uma partida decidida antes de começar, para quem se deu ao trabalho de ler a escalação dos times que entraram em campo. Mano Menezes colocou Renato, Jean, Diego, Diogo, Jucilei, Boquita, Wellington Saci, Souza e Lulinha para enfrentar o Internacional de Nilmar, D´Alessandro e Taison. Muita ousadia…

Nilmar deu conta do recado sozinho. Recebeu um lançamento preciso de 50 metros de D´Alessandro e partiu na diagonal. Driblou diretamente quatro adversários e superou outros dois no caminho, antes de ajeitar o corpo, arrumar a bola para o pé direito e chutar longe do alcance de Felipe (veja o gol aqui)

Podemos ficar até amanhã discutindo se foi um verdadeiro gol de placa ou não. Não driblou o goleiro, alguém dirá. Não driblou na vertical, em direção ao gol, mas na diagonal, quase na horizontal, outro vai argumentar. Driblou o time reserva do Corinthians, alguém ainda poderá dizer.

Sei não… Foi um desses gols que não se vê todo dia. Nilmar merecia, no mínimo, ter sido aplaudido pela Fiel. O que ela não fez. Ao contrário, ao ser substituído, quase no fim do jogo, o camisa 9 do Inter ainda foi vaiado pela torcida do Corinthians.

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04/05/2009 - 15:22

O que o Maroni estava fazendo no vestiário do Corinthians?

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Enquanto Ronaldo criticava a desorganização da final do Campeonato Paulista, em entrevista histórica depois do jogo, Oscar Maroni passou ao meu lado e sussurrou: “Vou oferecer um passe-livre de um ano no Bahamas para ele”.

Lembro que ainda pensei algo como “o que o Maroni está fazendo aqui?”, mas logo voltei a prestar atenção no craque, que aproveitou a entrevista para passar um pito nos jornalistas e na Federação Paulista. Quando a entrevista estava se aproximando do final, Ronaldo advertiu o repórter que segurava o microfone: “Que seja boa esta pergunta, porque é a última”. Como relatei no texto “Ronaldo, o verdadeiro imperador”, o colega até perdeu o rebolado depois dessa e fez uma pergunta pouco original sobre as relações do jogador com o Corinthians.

Assim que o jogador terminou de responder e ameaçou se levantar, houve um burburinho e alguém pediu: “Mais uma, Ronaldo”. O craque assentiu com a cabeça e, então, Maroni reapareceu, com o microfone na mão, fazendo propaganda de sua casa noturna, fechada pela Prefeitura sob a acusação de facilitar a prostituição.

Foi um incidente menor, diante de tudo que aconteceu, para o bem e para o mal, domingo no Pacaembu. Mas permanece a pergunta: o que o Maroni estava fazendo numa área reservada a jornalistas, junto ao vestiário do Corinthians?

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26/04/2009 - 18:37

Ronaldo não tem concorrentes? Ou os concorrentes sumiram diante de Ronaldo?

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O que mais impressiona nos dois gols de Ronaldo na vitória do Corinthians contra o Santos é a facilidade dos seus gestos. No primeiro, ele mata uma bola que vem de um chutão para o alto como se tivesse cola na chuteira do pé direito, deixa a bola rolar e chuta com o pé esquerdo. Dois toques. No segundo, recebe uma bola em profundidade, dribla o zagueiro com um toque de calcanhar direito, ajeita e chuta com o pé esquerdo, encobrindo o goleiro. Três toques. Golaço.

Ronaldo faz a diferença no futebol paulista hoje. Comparada à sua eficiência, se trabalhassem numa fábrica, Kleber Pereira, Keirrison e Washington poderiam ser demitidos por justa causa; se fossem estudantes, ficariam de exame.

Faço uma pergunta Tostines: Ronaldo está nadando de braçada por que faltam concorrentes ou faltam concorrentes por que Ronaldo está nadando de braçada?

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24/04/2009 - 16:31

Da arte de desrespeitar os torcedores

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A vaca já foi pro brejo, eu sei. Vou chorar sobre o leite derramado. Chover no molhado. É que estou, realmente, engasgado com essa impressionante demonstração de descaso dos cartolas paulistas com o público.

Primeiro, ainda não engoli a decisão de marcar os jogos da final para Vila Belmiro e Pacaembu, estádios com a capacidade, hoje, para 18 mil e 34 mil espectadores, respectivamente. Em segundo lugar, ainda estou impressionado com a majoração no preço dos ingressos para a final.

Leio no blog do Juca Kfouri que a média de público no Campeonato Paulista, antes dos jogos decisivos, foi de 5.722 – um número que dá a dimensão do desinteresse geral pela competição. Pior, em 2008, a média foi de 6.791 pagantes por jogo. Ou seja, o desinteresse aumentou.

Chega, então, a hora dos jogos decisivos e os cartolas se perguntam: Como premiar esse público leal, que acompanhou o campeonato desde o início? Como atrair novos espectadores para as finais? Como estimular a convivência pacífica entre torcedores rivais?

Imagino, então, os presidentes do Santos, do Corinthians e da Federação Paulista esfregando as mãos e dizendo, em coro: “A solução é fácil!!!”

Em primeiro lugar, vamos escolher os estádios mais acanhados do Estado. Depois, vamos elevar o preço dos ingressos em 50%, no mínimo. E, por fim, vamos assegurar que só uma minoria consiga ver os dois jogos finais.

Para que um corintiano, que assistiu a todos os jogos do seu time, precisa ir até a Vila Belmiro ver a final? Já assistiu a tantos jogos, não precisa ver este. Por isso – decidiram os dirigentes –, vamos vender apenas 1.259 ingressos para a Fiel. Está de bom tamanho!
 
O mesmo vale para os santistas, né? Para que se deslocar até o Pacaembu? Fique em casa, veja pela televisão. Quem fizer questão de ver a final, vai ter que se espremer naquele cantinho, vai sofrer ameaças da torcida adversária, vai ter que esperar uma hora depois do fim do jogo para sair, vai, enfim, passar por um suplício. Fique em casa, santista, decidiram os dirigentes. É melhor.

Crédito da foto: Gazeta Press

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18/03/2009 - 10:41

O apelido “gordo” vai pegar em Ronaldo

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Para o bem e para o mal, o brasileiro prefere a conciliação à briga, a piada à ofensa. Veja o caso do apelido “gordo”. Diferentemente das mulheres, os homens não se ofendem quando chamados assim. Jô Soares chegou a incorporar ao seu marketing o apelido (“um beijo do gordo”). Agora, é a vez de Ronaldo. Semana passada, no jogo do Corinthians contra o São Caetano, vi mais de um torcedor, vestido com a camisa do time, incentivar Ronaldo aos gritos: “Vai, gordo!!!”. Até mesmo o presidente do clube, Andrés Sanches, se refere ao seu tesouro dessa forma. Ao ser questionado se planeja realmente contratar Zidane para jogar no time, Sanches foi ouvido (pela coluna de Monica Bergamo, da “Folha de S.Paulo”) dizendo: “Já tenho um gordo lá. Vou querer outro pra quê?”

Crédito da foto: Gazeta Press

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13/03/2009 - 19:47

Ronaldo é um anúncio que joga

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Há alguns anos, ao observar a comercialização de tudo ligado ao universo do futebol, o escritor uruguaio Eduardo Galeano anotou: “Hoje em dia, cada jogador de futebol é um anúncio que joga”.

Penso nisso depois de ler no iG Esportes que, no intervalo de pouco mais de uma hora, uma montadora de motocicletas anunciou que iria estampar a sua marca no uniforme do Corinthians e em seguida desistiu. Motivo: Mano Menezes anunciou que Ronaldo não jogará contra o Santo André domingo.

A globalização do futebol prometia muitas maravilhas – entre elas a idéia de que os clubes se tornariam empresas modernas, rentáveis, eventualmente com ações nas Bolsas de Valores. Poucas dessas promessas se cumpriram no Brasil. Pior, com a penúria geral, os clubes passaram a vender o espaço da manga de camisa, do calção e até da meia para eventuais patrocinadores.

Agora, com Ronaldo, o Corinthians viu a possibilidade de ir para o varejão e vender espaços publicitários em doses homeopáticas, jogo a jogo. Mano Menezes, aparentemente, foi forte e causou um prejuízo ao clube. Se o salário no fim do mês atrasar, ele poderá ouvir reclamações. Por que não escalou Ronaldo naquele jogo? Tínhamos um ótimo patrocinador – alguém poderá dizer. Parafraseando Galeano, Ronaldo é um anúncio que joga. Uma tristeza.

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12/03/2009 - 10:09

Corintiano dá instruções ao time e pede o salário de Mano

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Assisti Corinthians e São Caetano no Pacaembu. Atrás de mim sentou-se um daqueles torcedores fanáticos, que passam o jogo inteiro dando instruções aos jogadores e fazendo comentários críticos. O sujeito só não criticou Ronaldo. Os demais… Douglas, André Santos, Felipe, ninguém escapou da fúria do torcedor. Mas o seu principal alvo era o meia Boquita. “O Boquita é preso”, começou ele, reclamando da falta de mobilidade do jogador. “Olha esse Boquita!”, suspirava, a cada passe errado. “Esse Boquita é uma merda!”, decretou ao final do primeiro tempo.

Antes do início do segundo tempo, o placar eletrônico anuncia. Sai Boquita, entra Dentinho. Consagrado, o torcedor atrás de mim enche o peito e diz: “Viu? E eu não ganho 450 paus!”. A referência, claro, era ao técnico Mano Menezes (salário de R$ 350 mil mensais), que fez a substituição.

O meu relato da noite consagradora de Ronaldo está publicado no Último Segundo (Fiel se rende a Ronaldo; só falta inventar um grito de guerra para Ele), em texto que descrevo o clima de paixão entre a torcida e o Fenômeno. Neste link aqui, também há uma reportagem em vídeo da noite gloriosa do atacante.

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09/03/2009 - 09:39

Uma turma de ronaldianos vê o jogo na tevê do porteiro

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Festinha infantil no prédio onde mora um casal de amigos. Enquanto o mágico enganava as criancinhas no salão, eu corri para a entrada, onde o porteiro assistia, dentro da sua guarita, Palmeiras e Corinthians. Ronaldo havia acabado de entrar em campo. Fora da guarita, esticando o pescoço para acompanhar a partida, já estava um senhor de cabelos brancos.

Cheguei logo depois de Ronaldo acertar o travessão. Ainda vi o replay do lance. Com um olho na pequena tevê e outro no monitor que exibe as imagens das câmeras de segurança do prédio, o porteiro não falava uma palavra – e a tevê estava sem som. Quando dei por mim, já havia uns cinco marmanjos em volta da porta da guarita dele. Nenhum corintiano – todos ronaldianos. Impressionante.

Depois daquela jogada que ele driblou um, foi à linha de fundo e cruzou na cabeça de um companheiro, um torcedor ao meu lado disse que já estava satisfeito, que Ronaldo não precisava fazer mais nada. Na hora do gol, fizemos tanto barulho que os últimos pais que ainda estavam no salão de festas saíram para olhar o que acontecia. Ronaldo está tão gordo que até quebrou o alambrado, alguém ainda disse, para logo ser recriminado. Não foi só ele. Vários jogadores subiram na hora do gol, defendeu um ronaldiano. O alambrado estava podre, disse outro.

A tevê estava sintonizada na Band. Antes do gol, sem assunto, a turma que assistia o jogo do lado de fora da guarita ainda debateu sobre essa preferência do porteiro. O fato é que a Band repetiu a imagem do gol e do desabamento do alambrado umas 25 vezes seguidas. Para nossa sorte, dentro do salão, o mágico estava desempenhando muito bem. Do contrário, umas 30 crianças teriam se juntado a nós – e aí aquela guarita ia abaixo também.

Crédito da foto: AFP

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