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03/09/2009 - 11:24

Um elogio ao mau humor do técnico Dunga

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Como muita gente, também não tenho a menor simpatia por Dunga, mas reconheço que ele está fazendo um bom trabalho, até o momento, à frente da seleção brasileira. E um dos seus mais notórios defeitos, o mau humor crônico, tem se revelado uma ferramenta interessante no esclarecimento de alguns problemas crônicos do ambiente que cerca a CBF e a seleção.

Dunga talvez seja o técnico da seleção com pior relacionamento com a mídia que já houve. Nos seus confrontos com jornalistas, acabou explicitando uma queixa que sempre foi notória, mas ninguém ousava fazer em público, sobre privilégios concedidos à Rede Globo.

Esta semana, o alvo do mau humor do técnico foi o seu próprio empregador, a CBF. Como se sabe, a entidade concedeu a empresas patrocinadoras da seleção o direito de montar dois camarotes no campo de treinamento da seleção, em Teresópolis. A iniciativa, inédita, resultou num estranho clima de festa, bem às vésperas de um jogo contra a Argentina.

Nesta quarta-feira, Dunga manifestou-se de forma dura contra a CBF, ainda que não tenha citado o nome da entidade. “Todo mundo cria um circo e nós vamos para dentro do picadeiro. E aí a gente tem de dar a resposta pelo circo que os outros criaram”.

Como bem observou Silvio Barsetti, no “Estadão” desta quinta-feira, o clima de festa em Teresópolis lembrou a preparação do Brasil pouco antes do início da Copa de 2006, em Weggis, na Suíça. A bagunça que ocorreu na ocasião costuma ser apontada como uma das causas do fracasso da seleção na Alemanha.

Com seu mau humor, Dunga colocou o dedo na ferida, mais uma vez.

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Mudando de assunto, mas ainda falando de seleção brasileira. Em meados de julho, foi lançado o livro “Brasil x Argentina – Histórias do maior clássico do futebol mundial (1908-2008)”. Trabalho exaustivo do jornalista Newton Cesar de Oliveira Santos, como escrevi no iG Esporte, o estudo mostra que em 50% dos jogos entre os dois países houve brigas. Também fiz uma entrevista com Santos, na qual ele defende que o jeito argentino de ofender os brasileiros, chamando-os de “macaquitos”, é mais chacota do que racismo. Recomendo a leitura.

Crédito da foto: Divulgação/Vipcomm

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , , ,
17/07/2009 - 10:31

A estranha Copa que o Brasil ganhou, mas não ficou feliz

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Advertência: Esse blog não faz pregação de VERDADES ABSOLUTAS. O que você vai ler aqui é a reprodução de um ESTADO DE ESPÍRITO, num determinado tempo e lugar.

Sexta-feira, 17 de julho: há 15 anos, neste dia, o Brasil venceu a Itália, nos pênaltis, na final da Copa de 94. É um título especialmente importante por encerrar um período de 24 anos (ou cinco copas seguidas) sem conquistas.

Acompanhei a Copa direto dos Estados Unidos, enviado pela “Folha de S.Paulo”. Participei da equipe que, como carrapato, seguiu a seleção brasileira por 45 dias – basicamente na Califórnia. Foi uma experiência profissional fantástica, mas ao mesmo tempo muito dura.

A insistência do técnico Carlos Alberto Parreira num esquema muito cauteloso e pouco criativo gerou críticas pesadas, do início ao fim da Copa. Em resposta, a seleção, de uma maneira geral, tratou com pouca simpatia, quando não com aberta hostilidade, a imprensa brasileira.

Até hoje, 15 anos depois, essa vitória é considerada uma conquista “menor”, por conta do desempenho esquemático, eventualmente tedioso, da seleção de Parreira. O troféu levantado pelo capitão Dunga não suporta a comparação com as outras quatro copas vencidas e chega a ser questionado até mesmo diante da derrota em 1982. Para piorar, a final contra a Itália, debaixo do sol de meio-dia, no estádio Rose Bowl, em Pasadena, terminou 0 a 0 depois de 120 minutos e foi decidida nos pênaltis – fato inédito e inusitado  em uma final de Copa do Mundo.

Acabooou! É teeeeetra!!! – Lembranças agridoces da Copa de 94

Resolvi reler a edição de 18 de julho de 1994 da “Folha”. O “day after” da Copa. É um trabalho do qual eu me orgulho muito de ter feito parte e que deixou para a história um registro forte, até um pouco amargo, do que foi essa conquista. Todos os trechos a seguir, com a exceção de um, foram publicados no dia seguinte à conquista do tetra.

Johan Cruyff (colunista da “Folha” na Copa de 94): “A partida (final) foi ruim e não vale a desculpa de que dificilmente em uma final se pode ver bom futebol. O que acontece é que o Brasil jogou demasiadamente preocupado com seu rival e em nenhum momento conseguiu impor seu domínio de bola”

Telê Santana (colunista): “Taticamente, a seleção brasileira encerrou sua participação na Copa devendo alguma coisa. Jogou da mesma maneira, do primeiro ao último dos 600 minutos disputados”.

Alberto Helena Jr (enviado especial aos EUA): “O Brasil é o primeiro tetracampeão do mundo da história, mesmo que o futebol que o conduziu ao título seja o anti-Brasil”. Sobre a entrada de Viola no segundo tempo da prorrogação, Helena observou: “Em 15 minutos, Viola jogou mais, agrediu mais, criou mais do que Zinho ao longo de todo o campeonato”.

José Simão (enviado especial): “Essa é a filosofia do Parreira: quem quer bola na rede que vá assistir basquete. Rarará. Muda de esporte”.

Marcelo Fromer e Nando Reis (colunistas): “Ninguém nos convence de que foi este esquema medroso que garantiu nosso sucesso nesta Copa.”

Romário, ao receber a medalha de campeão, disse que o título ia “calar a boca” dos críticos. Dirigiu-se aos fotógrafos – que pediam que ele se virasse para facilitar a foto da premiação – com as seguintes palavras: “Vocês todos foram contra. Se quiserem fotografar agora vão ter que ir lá na puta que o pariu”.

Dunga: “Agora é fácil me elogiar. Mas na hora difícil a equipe teve que se unir para suportar as críticas”. Ao receber o troféu, ao lado de Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos, gritou “porra”, virou-se para os fotógrafos e disse: “Traíras!” Também disse naquele dia: “Foi uma vitória de homens!”

Este repórter escreveu: “O técnico Carlos Alberto Parreira foi vaiado pelo público ao ter seu nome anunciado pelos microfones do estádio antes do jogo. Essa cena se repetiu nas sete partidas que o Brasil disputou na Copa”.

Carlos Alberto Parreira: “O que as pessoas não entendem no Brasil é que a fantasia, a magia, o sonho e o show acabaram no futebol. Agora, o importante é ser competente” (a frase foi dita numa entrevista no meio da Copa e relembrada na edição de 18 de julho)

Zagallo (na véspera do jogo): “Fui burro em 70, sou burro em 94. Mas não reclamo”. Indagado sobre a possibilidade de ser o único tetra-campeão do mundo, um dia antes da final, disse a Mario Magalhães: “Vão ter que me engolir!”

E você, leitor, qual é a sua lembrança desta Copa?

No iG Esporte: Por andam os heróis do tetra?

Crédito da foto: Getty Images

Autor: - Categoria(s): Crônica, Esporte Tags: , , , , , , ,
27/05/2009 - 17:58

Messi e a falta que Ronaldinho Gaúcho não faz

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A conquista da Liga dos Campeões elimina, definitivamente, qualquer dúvida que poderia haver no Barcelona sobre a saída de Ronaldinho ao final da temporada passada. O Barça venceu tudo – o Espanhol, a Copa do Rei e, agora, o Europeu – depois que o brasileiro deixou o time.

Simbolicamente, a camisa 10 de Ronaldinho foi passada para Messi, que usava a 19 no time comandado pelo brasileiro. Não espantará, também, se o baixinho argentino conquistar este ano um título que já foi, duas vezes, do brasileiro – o de melhor jogador do mundo.

Ronaldinho é um herói no Barcelona. Ajudou a equipe a conquistar a Liga do Campeões (2006) e dois Espanhóis (2005 e 2006), o que não é pouco. Mas a consagradora temporada 2008-2009 (ainda falta o Mundial, no fim do ano) não fará bem à memória do craque brasileiro, hoje vivendo o seu inferno astral.

Reserva no Milan, descartado por Dunga para a Copa das Confederações, Ronaldinho pode até ter torcido pelo Barcelona nesta tarde, mas a consagração desta equipe não deixa de ter um gosto amargo para ele.

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
22/05/2009 - 08:27

Ronaldinho Gaúcho e Riquelme ainda têm futuro?

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No mesmo dia em que Ronaldinho Gaúcho perdeu definitivamente o status de craque intocável, e virou apenas mais um numa lista de 40 nomes cogitados por Dunga, Riquelme foi protagonista do maior fracasso do Boca Juniors nos últimos dez anos, ao ser eliminado nas oitavas-de-final da Libertadores em plena Bombonera.

O que aconteceu com Ronaldinho Gaúcho? Duas vezes (2004 e 2005) eleito melhor jogador do mundo, o craque está numa fase descendente já longa, de pelo menos dois anos – o Barcelona melhorou depois de sua saída e no Milan não encontrou lugar no time titular, para não falar das suas atuações decepcionantes na seleção.

Riquelme abriu mão de jogar na seleção, em conflito aberto com Maradona, e é responsabilizado pelo atual racha na equipe do Boca – não se dá com a turma de Palermo. Com problemas na sola do pé direito, ficou 40 dias sem jogar, antes de voltar a campo nesta quinta-feira, contra o Defensor Sporting, do Uruguai. Não é de se espantar que, depois desse longo período de inatividade, Riquelme não tenha jogado nada.

As duas notícias desta quinta-feira colocam nuvens negras sobre as cabeças de Ronaldinho e Riquelme. O que será do craque brasileiro agora? Aos 29 anos, sem lugar garantido na seleção e no Milan, precisa se reencontrar urgentemente com o futebol caso ainda sonhe em disputar uma Copa do Mundo.

E Riquelme, próximo dos 31 anos, o que o futuro reserva ao craque? Prevê-se um desmonte do atual Boca, a começar pelo técnico Carlos Ischia, ex-assistente de Carlos Bianchi, que dificilmente resistirá à eliminação do time na Copa, como dizem os argentinos. Riquelme vai sobreviver? 
 
Na Bolsa de Valores do Futebol, quem ainda não havia se desfeito das ações de Ronaldinho Gaúcho e Riquelme está agora com dois micos na mão. O que não quer dizer que daqui a três ou seis meses essas ações voltem a se valorizar e dar muito lucro a quem apostou neles. Espero que sim.

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , , , ,
07/05/2009 - 15:14

Quem rivaliza com Ronaldo na seleção? Ninguém

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Se “seleção é momento”, como gostam de dizer os “professores” de futebol, não há discussão possível sobre a convocação de Ronaldo. É óbvio, na comparação com qualquer camisa 9 brasileiro, atuando no país ou no exterior, que Ronaldo tem vaga entre os atacantes que serão selecionados para os próximos jogos – mesmo que ele ainda seja motivo de piadas.

O problema, a meu ver, é outro. O que significa o fato de um jogador da idade de Ronaldo, com o seu histórico de problemas físicos, estar jogando mais bola que todos – ou quase todos – os seus concorrentes brasileiros?

Ronaldo está brilhando por méritos próprios, mas é evidente que a safra de centroavantes brasileiros talvez nunca tenha sido tão fraca. Luis Fabiano? Fred? Grafite? Keirrison? Nilmar? Quem é o craque que rivaliza hoje com o 9 do Corinthians? Aceito sugestões.

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
06/03/2009 - 14:05

O “grupo” aceitaria um argentino na seleção brasileira?

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Em abril de 2008, estive em Lisboa. Era dia de Sporting x Rangers, pela Copa da Uefa. A cidade estava em festa, repleta de escoceses bebendo desde o início da manhã e de lisboetas então entusiasmados com a chance de se classificar para as semifinais do torneio. Felipão ainda era o técnico da seleção de Portugal, cargo que iria trocar dois meses depois pelo comando do Chelsea.

Naquela manhã, peguei um táxi no centro de Lisboa para ir ao Mosteiro dos Jerónimos. O velho taxista estava animadíssimo. Falava com admiração dos jogadores brasileiros que atuam em Portugal, especialmente do atacante Liedson, o craque do Sporting. Era Liedson pra cá, Liedson pra lá, até que a conversa caiu em Felipão. “Ele mudou a seleção. É um grande técnico”, começou o taxista, emendando vários elogios ao técnico. De repente, porém, ele vira levemente a cabeça e me diz: “Mas não acho correto uma seleção nacional ser dirigida por um estrangeiro”.

(Em tempo: o jogo de ida, em Glasgow, foi 0 a 0 e o de volta, naquele 10 de abril, acabou com a vitória dos visitantes por 2 a 0 e a eliminação do Sporting.)

Lembro desta história ao ler no iG Esporte reportagem sobre a resistência à idéia de convocar o atacante Amauri para a seleção italiana. Além de Gattuso, que já havia se manifestado (“Ele esperava ser chamado pelo Brasil, é justo que jogue na seleção brasileira”), a rejeição a Amauri quase já configura um complô, mostra a “Gazzetta dello Sport” nesta sexta-feira.

Outros atacantes cotados para jogar na seleção, naturalmente, não vêem com bons olhos a possibilidade de o brasileiro vestir a Azzurra. São citados Iaquinta, Di Natale e Del Piero. O goleiro Buffon, diz o jornal, apoia Amauri, “mas ele é juventino”, lembra a “Gazzetta”. Além disso, segundo o jornal, o técnico Marcelo Lippi é muito sensível ao que pensam os jogadores – e Gattuso é um dos líderes da seleção.

É verdade que jogadores brasileiros já atuaram por seleções de outros países – mas a coisa pesa em lugares com tradição e história. Sei que estou pisando em terreno espinhoso aqui. Confesso que me causaria espanto, num primeiro momento, ver um argentino jogar na seleção brasileira. Tenho certeza que me acostumaria com a idéia – especialmente se fosse um craque. Mas, me pergunto: e o “grupo” comandado por Dunga, o que diria? Gostaria de saber a opinião de Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Lucio etc: o que você acha de um argentino na seleção brasileira?

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , ,
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