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26/05/2009 - 11:20

“Caixas de filmes de Glauber Rocha” para Kim Jong-il

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O primeiro embaixador do Brasil na Coreia do Norte, o diplomata Arnaldo Carrilho, é um  conhecido cinéfilo e defensor das causas do cinema brasileiro desde a década de 60. Amigo de toda a turma do Cinema Novo (Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirszman etc), Carrilho ajudou, em diversas ocasiões, a liberação junto ao regime militar de filmes brasileiros para exibição em festivais na Europa.

Carrilho foi produtor de “O Circo”, curta-metragem de Arnaldo Jabor, realizado no início da década de 70. Muito próximo de Glauber Rocha, é o “herdeiro” do diário escrito pelo cineasta em seu período de “exílio” – um material até hoje inédito, que a editora CosacNaify planeja um dia publicar.

Como o ministro da Relações Exteriores, Celso Amorim, que foi presidente da Embrafilme entre 1979 e 1982, Carrilho presidiu na década de 90 a Riofilme, distribuidora de cinema ligada à Prefeitura do Rio de Janeiro.

Aos 71 anos, já foi embaixador em Bangcoc (Tailândia), além de ter atuado nos escritórios de representação brasileira em Sydney (Austrália) e em Ramallah (Cisjordânia). No final de 2008, foi nomeado embaixador na Coreia do Norte, onde o Brasil nunca teve representação diplomática.

Aprovado pelo Senado no início de 2009, ia assumir o cargo agora, no final de maio. Estava em Pequim, em trânsito, quando a Coréia do Norte anunciou os seus novos testes nucleares – o que levou o Brasil a suspender a abertura da missão diplomática em Pyongyang.

Em 15 de março, em entrevista ao “Diário Catarinense”, Carrilho anunciou o que pretendia fazer na Coréia do Norte e como planeja estabelecer contato com o ditador Kim Jong-il:

“Tenho expectativas de trabalho na área bilateral. Já me foi anunciado que vou assinar um protocolo comercial. O ministro dos negócios estrangeiros norte-coreano propôs uma visita ao Brasil entre 12 e 14 de maio. Por aqui, já temos a Sadia interessada na venda de carne suína e de frango à Coreia do Norte. Depois estarei com o dono da Friboi, que tem dois frigoríficos na Austrália, para exportar carne bovina também. Também poderemos importar magnesita – a Coreia do Norte é a segunda maior produtora e o Brasil importa. E a cultura, né? O líder do país é um cinéfilo. Vou levar caixas de filmes de Glauber Rocha, de Nelson Pereira dos Santos, de Leon Hirszman, mostrar o nosso Cinema Novo para ele.”

Sobre a sua relação com Glauber, Carrilho já falou em diversas ocasiões. Numa entrevista à “Revista de Cinema”, não disponível na Internet, o embaixador conta que sempre teve grandes discussões intelectuais com o diretor de “Terra em Transe”. Conta Carrilho:

“Glauber se preocupava muito com o cafajestismo das elites brasileiras. Se preocupava com as safadezas dela. Tanto que uma vez disse para ele: ‘Glauber, não temos elite, temos classe dominante. Nossa origem é capitania hereditária.” Ele se interessava muito por politicagem’.”

Autor: - Categoria(s): Cultura, Mundo Tags: , , , , , ,
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