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25/08/2009 - 12:36

“A Fazenda”: Uma reflexão sobre os sentidos da imitação

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Para alegria dos leitores que reclamaram dos meus textos sobre o “BBB9”, não pude dedicar a mesma atenção ao reality show “A Fazenda”, da Record. Assisti apenas alguns episódios e não cansei de me espantar com a semelhança, em inúmeros aspectos, com o reality global.

Não é novidade nenhuma que o projeto da Record leva em conta, numa mão, a grade da Globo – um fenômeno que transparece em inúmeros programas, tanto na área de entretenimento quanto de jornalismo. 

Assistindo ao duelo entre Dado Dolabella e Danni Carlos no último episódio de “A Fazenda” me dei conta, no entanto, de algo talvez óbvio, mas que vinha me passando despercebido: o sucesso da imitação de uma emissora pela outra só ocorre porque há uma cumplicidade de desejos entre a Record e o seu público – este último quer ver na sua tela uma imitação da emissora líder, com tudo que há de tosco nela. Convido os visitantes deste blog a lerem texto que escrevi a respeito, defendendo essa idéia, intitulado Público deseja que a Record imite a Globo, publicado na segunda-feira, 24, no Último Segundo.

Para quem, por acaso, tiver interesse em mais textos sobre o assunto, escrevi sobre “A Fazenda” em três outras ocasiões: na desastrada estréia, quando Dado e Britto Jr. discutiram publicamente por causa de um remédio e no dia em que descobri que o cachorro do programa era parte de uma ação de merchandising.

Autor: - Categoria(s): Cultura, jornalismo, televisão Tags: , , , , , , ,
16/07/2009 - 10:19

O destino de Verón estava traçado antes dele nascer

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Os “Leões da América”, como foram apropriadamente chamados pelo diário “Olé”, começaram a ganhar a Libertadores aos 4 minutos do primeiro tempo, quando Verón acertou uma cotovelada em Ramires, o juiz não viu e o jogador brasileiro perdeu o eixo, para não mais recuperá-lo na partida.

Verón comandou o Estudiantes. No lance do primeiro gol, achou Cellay na direita, que cruzou para Fernandez marcar. Depois, cobrou o escanteio na cabeça de Boselli, que assinalou o gol do título. Ao longo de 90 minutos, só deu ele. Cadenciou o jogo. Protegeu a defesa. Marcou. Atacou. Catimbou. Irritou os brasileiros. Fez cera. Foi o personagem do jogo.

Um dia antes da decisão, Gian Oddi, editor do iG Esporte, havia me convidado a escrever, caso o Cruzeiro ganhasse, sobre os destaques do time brasileiro. Respondi: “Só quero escrever se o Estudiantes ganhar. Quero escrever sobre o Verón, o jogador mais parecido com Toninho Cerezo que já vi jogar”.

Não vou aqui entrar em detalhes sobre a saga de Verón. Basta dizer que seu pai, Juan Ramón Verón, La Bruja, é um dos maiores jogadores da história do Estudiantes. Para falar apenas o essencial, foi tricampeão da Libertadores (1968-69-70) e Mundial, em 1968. A decisão, contra o Manchester United, resultou em vitória por 1 a 0 na Bombonera e empate por 1 a 1 no Old Trafford, gol de Verón.

O destino de Juan Sebastian Verón estava, portanto, traçado antes de nascer. Torcedor fanático do Estudiantes, naturalmente começou sua carreira no clube, em 1994. E o seu apelido não poderia ser outro: La Brujita. Passou rapidamente pelo Boca Juniors e, em 1996, com 21 anos, já estava na Itália. Foi levado para a Sampdoria, o time que, cinco anos antes, com Cerezo numa posição semelhante, havia conquistado o único scudetto da sua história.

Não teve a mesma sorte, mas conquistou muitos títulos em outras equipes. Jogou no Parma (e venceu a Copa da Itália, em 1999), na Lazio (onde foi campeão italiano e da Copa da Itália, em 2000) no Manchester United (campeão inglês em 2003), no Chelsea, e na Inter de Milão (campeão italiano em 2006 e bicampeão da Copa da Itália em 2005 e 2006), antes de ser repatriado pelo time onde começou a carreira.

No ano passado, na Copa Sul-Americana, vi Verón destruir o Botafogo – 2 a 0 em La Plata, 2 a 2 no Engenhão. Isso é fácil, dirão os leitores. É verdade. Mas nesta quarta-feira, contra o Cruzeiro, ele mais uma vez repetiu o feito. Aos 34 anos, foi o comandante de um time firme, não especialmente talentoso, mas corajoso o suficiente para virar um jogo que começou a perder aos 7 minutos do segundo tempo.

Os “Leões da América” realizaram uma façanha histórica nesta quarta-feira, no Mineirão, e La Brujita, definitivamente, deixará de ser apenas o filho de La Bruja nos anais do Estudiantes. Juan Sebastian Verón é o nome deste título continental – o quarto da equipe de La Plata.

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
08/04/2009 - 00:53

BBB9 – Afinal, quem manipulou quem?

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Já está no ar, no site especial do BBB, o meu comentário sobre o último programa. É este texto aqui:

Em seu último recado, Pedro Bial evocou Baruch Spinoza (1632-1677), para quem “a liberdade consiste em conhecer os cordéis que nos manipulam”, para explicar a vitória de Max, o Alemão do BBB9, sobre Priscila. “Ainda há gente que não entendeu”, disse o apresentador, “que quem manipula o programa são vocês, com a nobre co-autoria do público”.

Recado dado, Bial comunicou que a vitória ocorreu por meros 24 décimos – cerca de 105 mil votos num universo de 44 milhões (o único número divulgado na noite). “Max, o cara do BBB9”, começou Bial, à maneira de Obama sobre Lula. “E Pri é a cara do BBB9”, completou.

A primeira cena do último programa reapresentou imagens pedidas por espectadores, num tributo ao que o formato do BBB tem de melhor: a sua capacidade de provocar interação. Mas, claramente, conhecendo o número total de votos, o espectador demonstrou menos vontade de escolher quem deveria ganhar R$ 1 milhão do que votar entre Max e Ana no último Paredão do programa (quase 59 milhões de votos). Para se pensar…
 
Antes, houve o momento de gala de Mr. Edição: a apresentação do perfil de cada um dos finalistas, exibindo o que fizeram de melhor. Se entendi direito, Mr. Edição resumiu Francine a uma menina maluca, Max a um cara cuja palavra que mais pronuncia é “eu” e Priscila a uma mulher de múltiplos talentos – “a gostosa do BBB”, mas sábia (“Amor não mata, a fraqueza mata”), capaz de se transformar no programa (“Vou sair outra pessoa daqui”) e, ainda, fazer um balanço sobre a nona edição (“Esse BBB quebrou vários tabus, eu sou a prova disso”).

A julgar por este resumo, o resultado final não foi justo. Mas foi um resumo justo?

Todo de preto, em dia da festa, Bial parecia emocionado. “Entenderam, agora?”, perguntou aos três finalistas, ao final da apresentação do perfil de cada um, sugerindo: “Viu como vocês nos emocionaram aqui fora?”

O melhor momento do último dia foi o clipe de humor, um manual de recomendações para evitar o Paredão. Foi a chance de rever o pior de cada um – Ana matando formigas com sabão em pó; Naiá fofocando; o trio “mosca morta” formado por Mirla, Alexandre e Michelle fazendo nada; Emanuel, o mala sem alça; e André, o xucro sincero.

Naiá e Ana, a vovó e a netinha, “uma relação inédita” em Big Brothers no mundo todo, segundo Bial, apareceram mais no último programa do que os próprios finalistas. Estou maluco, ou está pintando um quadro para as duas no “Fantástico”? “Que par de doidas adoráveis”, apregoou o apresentador.

Enquanto aguardava o início do programa, tive a oportunidade de ouvir Christiane Torloni cantar um mantra na penúltima cena de “Caminho das Índias”. Ao fim e ao cabo, é inevitável constatar que não posso reclamar de ter sido obrigado a acompanhar Max, Priscila, Fran & cia. por 83 dias.

Autor: - Categoria(s): televisão Tags: , , , , , , , , ,
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