Publicidade

Publicidade

29/07/2009 - 10:53

Quando o repórter pergunta o óbvio ao craque

Compartilhe: Twitter

Já escrevi duas vezes neste blog sobre clichês do futebol. No primeiro texto, em novembro do ano passado, anotei o lugar comum que sempre surge em final de campeonato, dito por jogadores: “O time deles é muito grande para cair”. No segundo, registrei uma coleção de clichês ditos em uma única semana por craques do futebol paulista.

Muitos leitores reclamaram, nos dois posts, que anotei apenas lugares comuns ditos por jogadores, mas não observei que essas frases são faladas, com frequência, em resposta a perguntas igualmente óbvias e repetitivas.

Pois bem. Hoje é o dia de mostrar que o leitor tem razão. Noite de terça-feira, Vasco e Fortaleza jogam pela Série B do Brasileiro, em São Januário. Aos 45 minutos do primeiro tempo, Alex Teixeira fez um belo gol, abrindo o placar para o time da casa. Minutos depois, a caminho do vestiário, o craque é abordado pelo repórter, que manda:

–  O gol saiu no momento certo, não?

– É verdade – responde o jogador, educadamente. “Mas existe momento errado de marcar um gol?” – ele deve ter pensado…

Outra pergunta sempre feita à beira do campo, igualmente irritante, é: “O que você espera dessa partida?” O dia que um técnico ou um jogador responder o que realmente passa pela sua cabeça vai ser uma revolução.

Reunindo os melhores lugares comuns anotados por mim e pelos leitores, nestes três posts, temos até agora a seguinte seleção:

“Futebol é momento”

“Temos que respeitar o adversário”

“O grupo está unido”

“Essa é uma partida de seis pontos”

“Ainda não ganhamos nada”

“O importante é poder colaborar com o grupo” ou “Estou aqui para contribuir e ajudar a equipe” (quando está na reserva)

“Precisamos valorizar mais a posse de bola” (no intervalo da partida)

“O professor pediu para eu ajudar na marcação” (à beira do campo, antes de substituir um colega)

“O time teve muitas oportunidades, mas não soube aproveitar” (explicando a derrota)

“Nosso time ainda não ganhou nada…” (depois de uma vitória)

“Futebol não tem mais bobo”

“Clássico é clássico”

“Libertadores não aceita erro e desatenção”

“Acho que o time está de parabéns e a torcida deu um grande exemplo de como apoiar o time”.

Se você tiver alguma sugestão para aumentar a lista, pode mandar.

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
23/07/2009 - 11:43

Qual é o seu Brasil x Argentina preferido?

Compartilhe: Twitter

Acaba de ser publicado um livro essencial para quem se interessa por história do futebol. “Brasil x Argentina – Histórias do maior clássico do futebol mundial (1908-2008)”, de Newton César de Oliveira Santos (Scortecci Editora, 616 págs., R$ 60) reconstitui todas as partidas entre as duas seleções.

Santos destaca no livro uma série de episódios curiosos, mostra que houve brigas e batalhas campais em 50% dos clássicos, trata abertamente dos problemas de racismo (somos os “macaquitos) envolvidos na disputa e descreve a trajetória dos inúmeros craques, de ambos os lados, que foram protagonistas em partidas das suas seleções.

Pedi ao autor que me dissesse quais, entre as quase 100 partidas entre Brasil e Argentina são as suas favoritas. Eis o seu top 5: 

1. Argentina 0 x 1 Brasil (27/09/1914): Primeiro jogo oficial e primeiro título em disputa, em meio a muita cordialidade de ambos os lados.

2. Argentina 6  x 1 Brasil (05/03/1940): Maior goleada da Argentina e maior diferença de gols em jogos entre os dois selecionados.

3. Brasil 5 x 2 Argentina (16/04/1963): Pelé deu show e marcou 3 gols.

4. Brasil 0 x 3 Argentina (03/06/1964): Argentina goleou com autoridade, em pleno Pacaembu, e arrancou rumo a seu primeiro grande título internacional, a Taça das Nações.

5. Brasil 4 x 1 Argentina (29/06/2005): Final da Copa das Confederações, primeira decisão entre as duas seleções de um torneio da Fifa fora da América do Sul, com os mais valorizados jogadores do mundo em campo (e fora dele) – e uma partida com cinco golaços.
 
Pedi também a Santos que escalasse uma seleção argentina e uma brasileira de todos os tempos, com base na disputa entre os dois países. Eis a sua resposta:

“Não me sinto em condições de ‘escalar’ uma seleção de todos os tempos, de nenhum lado, porque só acompanho os jogos desde 1974. Não vi jogar Fredenreich, Leônidas, Zizinho, Didi e mesmo Pelé. Da mesma forma, não vi Nolo Ferreira, Stábile, Moreno, Di Stefano, etc. Mas já dá para imaginar uma seleção com Leão, Oscar, Junior, Falcão, Zico e Ronaldo, de um lado, contra Fillol, Passarella, Mascherano, Kempes, Maradona e Messi, do outro. De quantos países no mundo podemos destacar jogadores deste nível de 30 anos para cá?”

Qual é o seu Brasil x Argentina preferido? E os seus craques favoritos?

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
01/07/2009 - 11:38

Por que o debate sobre concentração não avança no futebol?

Compartilhe: Twitter

Há dois dias, Ronaldo fez uma ótima observação sobre o excesso de concentração no Corinthians. Disse ele: “Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio venceria sempre. Temos que fazer o máximo para conseguir esse título e passar o resto do ano mais tranquilo, porque eu, particularmente, estou cansado”.

A frase teve muita repercussão, mas pouca discussão – e não lembro de ter lido nenhuma menção ao seu autor original, o jornalista João Saldanha (1917-1990), que disse: “Se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária seria campeão invicto.” Desde o final da década de 60, Saldanha defendia a idéia que os excessos da concentração eram desnecessários e que os jogadores de futebol, em sua maioria, tinham consciência que o desempenho em campo estava relacionado ao bom estado físico.

Saldanha foi um dos precursores no futebol da idéia de oferecer “liberdade com responsabilidade” aos atletas. Adotada em outros países a partir da década de 70, a proposta nunca encontrou eco no Brasil, salvo em raros episódios, como a Democracia Corintiana, liderada por Sócrates, na década de 80.

Mano Menezes evitou polemizar com Ronaldo, mas defendeu o rígido regime de concentração adotado pelo Corinthians: “É um sacrifício explicável num momento como esse”, disse, encerrando o assunto.

Como ocorreu com Saldanha, Ronaldo pregou no vazio. Creio que no ambiente do futebol brasileiro permanece forte a idéia que os jogadores, em sua maioria, são crianças irresponsáveis, que só pensam em se divertir, e que precisam ser tuteladas.

Estou com Saldanha e Ronaldo: acho que concentração não ganha jogo. O que você acha?  Por que esse debate não prospera no Brasil?

Aproveito para recomendar duas leituras a quem se interessar em conhecer um pouco mais das idéias de João Saldanha. São duas ótimas biografias sobre o jornalista; “João Saldanha – Sobre nuvens de fantasia”, de João Maximo (Relume Dumará), e “João Saldanha – Uma vida em jogo”, de Andre Iki Siqueira (Companhia Editora Nacional).

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , ,
20/02/2009 - 10:53

Uma semana de clichês no futebol paulista

Compartilhe: Twitter

O clichê, a frase feita, é o porto seguro do jogador de futebol. Fico impressionado como, dia após dia, eles repetem as mesmas frases para os repórteres, em resposta a perguntas que, também, não mudam. Esta semana, em que os times de São Paulo enfrentaram algumas dificuldades, foi um festival. Vejam alguns exemplos:

“Estou aqui para contribuir e ajudar a equipe”, disse Marcão, ao ser apresentado como novo jogador do Palmeiras. Que novidade! Imagine se ele falasse: Estou aqui porque sou jogador de futebol e preciso trabalhar. Mais uma coisa. Li várias referências a ele como “o experiente” Marcão. Atenção: jogador com mais de 30 anos (ele tem 33) e nenhuma outra qualidade digna de nota é sempre chamado de “experiente”.

Ainda no Palmeiras, Keirrison falou uma ótima essa semana: “Aprendemos bastante hoje contra o campeão da Libertadores, eles foram malandros. Nós que somos novos, vamos tirar proveito”. Alguém pode traduzir essa frase? O que o Palmeiras aprendeu com a LDU?

Na mesma linha, a explicação de Jean para a decepção do São Paulo na estréia da Libertadores é um festival de lugares-comuns: “Libertadores não aceita erro e desatenção. É preciso estar atento durante os 90 minutos para não perder foco, senão os adversários marcam mesmo. Temos que manter a concentração em qualquer bola”. E no Campeonato Paulista não precisa ficar atento? E no Brasileiro? E na Copa do Brasil?

No Corinthians, disputar cada bola como se ela fosse a última e demonstrar humildade conta muitos pontos junto à torcida. Não há um jogador que ignore isso, desde Ronaldo até o jovem Diego, que terá sua chance esta semana. “Estou pronto para ir a campo. Sou um jogador que dá muita raça e procura fazer o feijão com arroz , dando tranquilidade à defesa”.

No Santos, também, é preciso fazer média com a torcida, como pode-se ler na declaração de Leo: “Sempre me entrego de corpo e alma aos clubes que estou defendendo. Estou trabalhando para entrar no ritmo ideal o mais rápido possível e sinto que estou evoluindo”. Imagine se Leo não se entregasse de corpo e alma?

Saindo de São Paulo, mas indo ali perto, a Belo Horizonte, não posso deixar de comentar a primeira partida de Kleber no Cruzeiro. Jogador quando estréia em um time sempre elogia a torcida e o “grupo”. É tiro e queda. Ouça o que ele disse ontem, após a sua “participação especial” de 14 minutos, dois gols e dois cartões amarelos, na vitória do Cruzeiro sobre o Estudiantes: “Acho que o time está de parabéns e a torcida deu um grande exemplo de como apoiar o time”.

Para encerrar por hoje, uma frase que mostra como o recurso ao lugar-comum na falta de algo melhor para dizer não é um truque usado apenas por jogadores de futebol. Veja o que disse Felipe Massa depois de um dia de treinos: “Hoje tivemos um bom dia de trabalho, apesar dos problemas elétricos”.  Um bom dia ou um dia com problemas?

PS: Para quem se interessa pelo assunto, em novembro, escrevi no blog um post intitulado “O time deles é muito grande para cair” e outros novos clichês do futebol

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
20/01/2009 - 16:08

Time pequeno não sobrevive sem ajuda pública?

Compartilhe: Twitter

Desconheço a existência de algum outro time de futebol que, como o Grêmio Recreativo Barueri, tenha avançado da sexta para a primeira divisão em cinco anos. Em 2002, o Barueri disputou a Série B-3 do Campeonato Paulista, foi promovido para a B-2 e não parou mais, até conquistar um lugar na Série A-1 em 2006. Neste ano, também disputou a Série C do Brasileiro, sendo logo promovido para a Série B. Em 2008, finalmente, conseguiu a vaga para a Série A. Ou seja, se não erro a conta, em sete anos o time conquistou sete acessos.

Façanha desse tamanho não ocorreu num passe de mágica. O Barueri nasceu como um clube municipal e, até meados de 2007, recebia oficialmente recursos da Prefeitura da cidade. Chegou a pagar salários dos jogadores com recursos oficiais, admitiu o presidente do clube, Walter Sanches. Hoje em dia, garante, o futebol profissional não recebe mais ajuda municipal.

As coisas, porém, não tão simples, como constatei ao visitar o Centro de Treinamento do Barueri, na semana passada. Como relato na reportagem, o CT pertence à Prefeitura, que o cedeu ao clube. No estacionamento, há uma vaga de carro reservada para o prefeito ao lado da vaga do presidente. Um ônibus da Prefeitura, usado para transporte de atletas, estava estacionado no CT no dia da minha visita.

Enfim, o time que estréia no Paulista nesta quinta-feira contra o Corinthians ainda tem um longo caminho a percorrer. Em campo, luta para mostrar que a sua ascensão não é fogo de palha. Nos bastidores, precisa assegurar um modelo de gestão e desenvolvimento capaz de manter o clube em condições de disputar futebol em alto nível sem a ajuda do poder público. “Não existe time pequeno que possa sobreviver sem ajuda oficial”, diz Sanches. Será?

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
24/11/2008 - 11:57

“O time deles é muito grande para cair” e outros novos clichês do futebol

Compartilhe: Twitter

Clichês e chavões são a tábua de salvação dos jogadores de futebol. Cercados por microfones, diariamente, antes, durante e depois das partidas, os craques preferem repetir os lugares comuns a arriscarem falar alguma frase polêmica ou uma grande besteira. Na dúvida, o mais garantido é falar: “futebol é momento”, “temos que respeitar o adversário”, “o grupo está unido”, “essa é uma partida de seis pontos”, “ainda não ganhamos nada”, “o importante é poder colaborar com o grupo” (quando está na reserva), “precisamos valorizar mais a posse de bola” (no intervalo da partida), “o professor pediu para eu ajudar na marcação” (à beira do campo, antes de substituir um colega), “o time teve muitas oportunidades, mas não soube aproveitar” (explicando a derrota) etc etc etc…

O campeonato por pontos corridos, que se realiza seguidamente desde 2003, introduziu alguns novos clichês no universo dos boleiros. O que eu mais gosto é quando o jogador de uma equipe bem colocada vai enfrentar um adversário que está nas últimas posições, próximo ao rebaixamento, e tenta ser politicamente correto. Tipo: “O time deles é muito grande para cair”. Ou “vai ser ruim para o futebol brasileiro se eles caírem”. Ou: “Um time com essa tradição não pode cair”. Virou um lugar comum. Antes do jogo de domingo contra o Vasco, Hugo, do São Paulo, falou uma variação dessa frase: “Não gosto quando uma equipe grande cai para a segunda divisão, pois desvaloriza muito o nosso campeonato”, disse.

Você lembra de novos clichês, criados por causa do campeonato por pontos corridos? Aceito sugestões.  

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
Voltar ao topo