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06/09/2009 - 16:58

Galvão Bueno não vai a Rosário e equipe da Band tripudia

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“Nós estamos aqui”, sublinhou Neto, o comentarista da Band, logo no início da transmissão de Argentina e Brasil, na noite de sábado. “A pressão aqui é muito forte”, repetiu mais de uma vez o narrador Luciano do Valle. “Esses dias todos que estamos aqui, deu pra sentir a pressão”, confirmou Neto. “Aqui dentro, o gol do Brasil deveria valer por dois”, disse Luciano após narrar o gol de Luisão, que abriu o placar. E ainda disse, depois do gol de Luis Fabiano: “O peso desses dois gols finalmente silencia a torcida argentina aqui em Rosário”.

Quem viu a partida pela Band deve ter estranhado a insistência do narrador e do comentarista em realçarem o fato de estarem em Rosário, local da partida. Dada a importância do encontro, seria surpreendente se não estivessem “aqui”.

Mas depois de ouvir o terceiro “aqui” em menos de cinco minutos, resolvi sintonizar na Globo. Qual não foi a surpresa ao me dar conta que Galvão Bueno e Falcão não estavam no estádio, em Rosário, mas transmitindo a partida em um estúdio fechado, em outro lugar. Se havia alguma dúvida, no intervalo da partida isso ficou claro – Galvão e Falcão apareceram à frente de uma parede com o logotipo da Globo, e não tendo uma imagem do estádio ao fundo, como é normal quando estão no local.

Pela internet, em alguns blogs, corre a versão que o principal narrador da Globo não viajou a Rosário por medo da gripe suína. Este blog apurou uma história parecida. O departamento médico da Globo determina uma quarentena de sete dias a qualquer funcionário que viaja para a Argentina neste momento. Se narrasse a partida em Rosário, Galvão não poderia atuar na partida de quarta-feira, contra o Chile, em Salvador. Em função desta quarentena recomendada pela emissora, os repórteres que a Globo enviou para Rosário estão de folga até o final da semana que vem.

O fato é que a equipe da Band reinou sozinha na tevê aberta. E se divertiu. Neto, soltinho como sempre, foi quem mais falou a palavra “aqui”, a sublinhar que estava testemunhando, de fato, o encontro. Também riu muito do técnico da Argentina: “Fala a verdade, nunca vi um cara comer tanta unha como o Maradona”. Tripudiou do zagueiro rival: “Esse Sebá jogar na seleção argentina é a baba na baba”. E fez piada com Verón, apelidado na Argentina de La Bruja: “Verón está mais pra velho do que pra bruxa”, disparou Neto.

A presença no estádio não ajudou muito Luciano do Valle a identificar os jogadores em campo. Sua narração vibrante é repleta de expressões como “cruzamento perigoso!”, “bateu!”, “tirou!”, “corte bem feito”, sem que o espectador ouça o nome dos autores das jogadas.

Outra marca das transmissões da Band são os recados que a equipe envia ao longo do jogo. Entre um lance e outro de perigo, Luciano do Valle mandava um abraço para o prefeito de Foz do Iguaçu e pedia votos para a cidade ser eleita uma das sete maravilhas da natureza. Já Oscar Roberto Godói, comentarista de arbitragem, mandou um abraço “para o pessoal da Itaipava” depois de criticar um cartão amarelo “perfeitamente desnecessário de ser mostrado”.

O que importa, enfim, como disse Neto, é que o Brasil aplicou “um chocolate” na Argentina. E fomos todos dormir mais felizes na noite de sábado.

Em tempo (atualizado às 11h30 de 7 de setembro): Vários leitores estranharam o uso que fiz da palavra “quarentena” associado a um período de isolamento de sete dias, e não a 40 dias. Recorro ao dicionário “Houaiss” para explicar.  Quando se refere a “infectologia”, a palavra “quarentena” significa: “conjunto de restrições e/ou isolamento, por períodos de tempo variáveis, impostos a indivíduos ou cargas procedentes de países em que ocorrem epidemias de doenças contagiosas” (o grifo é meu).

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15/06/2009 - 13:17

Faltou dizer sobre Brasil 4 x 3 Egito: resultado injusto

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Apesar da torcida e do patriotismo de sempre, Galvão Bueno conseguiu se dar conta, aos 35 minutos do segundo tempo, que o resultado (3 a 3) se explicava não apenas por conta da atuação do Brasil: “Joga melhor o Egito”, admitiu.

Tudo mudou aos 45 minutos do segundo tempo. Num lance em que a bola pareceu ter saído (e a tevê não exibiu replay), Daniel Alves partiu para a área e foi derrubado. Na sequência, o pênalti, que o juiz não viu, mas foi levado a assinalar – sabe-se lá por quem. 4 a 3.

Como de hábito, quando o Brasil tem dificuldades em campo, a “culpa” é sempre de alguém. Galvão criticou Alexandre Pato e Gilberto Silva. E a falta de “atitude” da seleção. Arnaldo Cesar Coelho achou de bom tom acrescentar: “Não podemos justificar o resultado pela arbitragem”.

Falcão, é bom que se diga, em mais de um momento deixou de lado o seu jeito “chuchu” de comentar futebol, e observou: o Egito jogava bem, entrou com “outra postura” no segundo tempo, passou a atuar com três atacantes e mudou a formar de marcar a seleção brasileira.

Uma análise séria deveria incluir as palavras de Milton Leite, no SporTV: “uma atuação horrorosa do Brasil”, ou de Paulo Cesar Vasconcelos, na mesma emissora: “a pior atuação do Brasil no ano”.

Uma análise isenta deveria concluir com as seguintes palavras: “resultado injusto”.

Autor: - Categoria(s): Blog, Esporte, televisão Tags: , , , , , , , ,
03/03/2009 - 13:33

Alexandre Pato já fala de si na terceira pessoa

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Quem acompanha as entrevistas de Pelé está acostumado com um de seus famosos cacoetes: falar de si mesmo na terceira pessoa. Exemplos frescos pululam na entrevista que deu à revista “Veja” esta semana: “Todo mundo acha que o Pelé poderia ser um grande presidente, mas essa possibilidade está descartada”, disse Pelé.

Ao falar sobre a agitada vida de Robinho, o Rei disse: “Pelé nunca esteve envolvido em escândalos”. O craque também adora brincar com as suas duas imagens públicas, como ao falar sobre as razões que o levaram a rejeitar o convite para ser técnico de futebol um dia: “O Edson não faria isso com o Pelé. Além disso, nem sempre o grande jogador é bom técnico”.

Outros atletas, na impossibilidade de incorporarem o talento, adquiriram este bizarro cacoete do maior jogador de futebol de todos os tempos. Lembro que Viola tem essa mania, Túlio Maravilha também adora falar de si na terceira pessoa, Robson Caetano idem…

A novidade, para meu espanto, foi assistir Alexandre Pato falando de si como se fosse uma entidade à parte. Ocorreu nesta segunda-feira, no programa “Bem Amigos”, no SporTV. Galvão Bueno entrevistou Pato e Thiago Silva em Milão. A conversa corria sem grandes emoções, até que Galvão lembrou muito bem que nem só de glórias é feita a carreira de um jogador e perguntou: “O que não deu certo nas Olimpíadas?”

Ouça a resposta de Alexandre Pato: “O Pato, ele fez o melhor. Infelizmente, as coisas não deram certo. Os companheiros que estavam atrás do Pato estavam melhores e as escolhas do treinador de colocar o Rafael Sobis e o Jô foram melhores para o grupo”. 

E disse ainda: “Não me iludo com as coisas que falam do Pato. Podem falar mal, podem falar bem…”

Alexandre Pato tem apenas 19 anos e uma longa carreira pela frente. É um garoto instruído, além de bom jogador. Convém conversar com as pessoas que o assessoram sobre o efeito que causa falar dessa maneira.

Em tempo: Agradeço ao jornalista Claudio Henrique, querido amigo e atento leitor deste blog, pela sugestão do tema deste post.

Crédito da foto: AP

Autor: - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , , , ,
03/11/2008 - 09:53

Sobre torcida, patriotismo e comentários dos leitores

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O leitor que assina Martinelli pergunta: “Poxa, Stycer, você é a favor ou contra um brasileiro torcer por outro?” Acho que está aí, nesta indagação irritada, mas educada, a chave para compreender o meu comentário de ontem à tarde, depois de assistir a transmissão do GP Brasil de F-1 pela televisão. Não tenho nada contra um brasileiro torcer por outro, muito pelo contrário. Entendo perfeitamente – e respeito – todos os leitores que escreveram para dizer que, como Galvão Bueno, estavam torcendo por Massa e secando Hamilton. Mas acho que todo cidadão tem o direito de torcer – ou não torcer – por quem quiser. Critiquei o fato de a narração tentar transformar a transmissão de uma corrida numa disputa de todo um povo contra um piloto de outra nacionalidade, ou de uma pátria contra outras.  Não vejo uma prova de F-1 dessa forma – até porque os pilotos representam fabricantes de carros, frequentemente de nacionalidades diferentes das suas. E, não à toa, ao final da corrida, executa-se o hino do país do piloto vencedor bem como do país do construtor do carro.

Aproveito para esclarecer que aceito todo tipo de críticas ao meu trabalho, menos ofensas pessoais. O mesmo vale para comentários sobre pessoas citadas. Por esse motivo, exclui uma centena de comentários agressivos, com palavrões, ou mensagens de cunho racista. Peço desculpas caso algum tenha passado, e agradeço ser alertado quando isso ocorrer.

Autor: - Categoria(s): televisão Tags: , ,
02/11/2008 - 16:34

Galvão: “O Brasil é Vettel desde criancinha”. Hã?!

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Galvão Bueno até que estava se saindo bem, torcendo por Felipe Massa e secando Lewis Hamilton dentro dos limites recomendados pela boa educação e o fair play. Até que na volta 68, a três do final, o alemão Sebastian Vettel colou em Hamilton e, se o ultrapassasse, deixaria o britânico em sexto, dando o título para o brasileiro. “O Brasil corre com Vettel, agora”, avisou Galvão, dando início ao seu show.

“Vai Vettel! Vai Vettel! Vai Vettel”, empurrou Galvão na volta 69, pouco antes da ultrapassagem. “Segura Vettel! Segura Vettel!”, suplicou em seguida. Na penúltima volta, dirigiu junto com o alemão, de maneira a evitar que ele passasse por cima da zebra, o que poderia ocasionar uma derrapagem. “Não, Vettel, por cima da zebra não”. E depois anunciou a todos nós, brasileiros, que assistíamos a corrida: “O Brasil é Vettel desde criancinha”.

Galvão, porém, se esqueceu que o alemão Timo Glock só estava em quarto, ajudando Massa a ser campeão, porque não fez uma última parada para troca de pneus e corria com equipamento para pista seca no momento em que chovia no autódromo. Uma tática ousada, quase suicida.

Assim, a euforia de Galvão deu lugar à frustração quando o “brasileiro” Vettel e Hamilton ultrapassaram Glock a 500 metros do fim da corrida – garantindo o título mundial ao piloto britânico. Restou ao narrador confortar Massa, em nome de todos nós, brasileiros: “Estamos agradecendo a você, Felipe, por tudo que você fez”. Ainda disse: “Que grande piloto nós temos e o nome dele é Felipe Massa”. E concluiu: “Felipe Massa do Brasil. Valeu, filho. Comemore. Hoje você é um grande piloto.” Mas quem foi mesmo campeão?

 

Obs: Corrigido às 18h13. Glock estava em quarto, não em terceiro, como escrevi originalmente. Obrigado ao leitor que me chamou a atenção.

Autor: - Categoria(s): televisão Tags: , , , ,
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