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02/12/2009 - 21:26

Em guerra com a Record, Globo homenageia Lombardi

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Pela importância que adquiriu no imaginário do brasileiro nos últimos 40 anos, o locutor Luiz Lombardi Neto merece todas as homenagens, inclusive o destaque que ganhou na edição do “Jornal Nacional” na noite de quarta-feira. Além de ter sido mencionada entre as principais notícias do dia, a morte de Lombardi foi objeto de uma reportagem generosa do principal noticiário da Globo, com direito, até, a uma imagem de Silvio Santos.

Não custa lembrar que, até recentemente, o SBT de Silvio Santos era o principal concorrente da Globo e orgulhava-se de ocupar a vice-liderança. Era um rival guerrilheiro, mas pouco ameaçador, e suas eventuais vitórias no Ibope, como ocorreu com “Casa dos Artistas”, eram vistas com um misto de espanto e desprezo.

O quadro mudou nos últimos anos, com a ascensão da Record, culminando com a perda, pelo SBT, da vice-liderança. Como se sabe, diferentemente da emissora de Silvio Santos, a rede da Igreja Universal do Reino de Deus não se orgulha nem se satisfaz com o segundo lugar. Quer alcançar a liderança da Globo – e essa disputa entre as duas emissoras tem provocado lances ferozes, que não cabe aqui, neste momento, comentar.

O fato é que não apenas o SBT lamenta ter perdido a vice-liderança para a Record, como também a Globo. Enxergo na cobertura simpática da morte de Lombardi mais um lance deste quadro – uma sinalização da emissora da família Marinho à concorrência.

Em junho de 2008, Daniela Beyruti, herdeira e sucessora de Silvio Santos, deu uma raríssima entrevista, publicada na revista “Poder”. Ao longo da conversa, conduzida por mim e pela jornalista Simone Galib, Daniela falou com muito carinho da Globo, como pode-se ler no trecho a seguir:

No ano passado (2007), fiz um estudo da grade da Globo. Aprendi a ter um respeito e uma admiração muito particular. É tão bem programado com o hábito do brasileiro. É muito legal. Eles têm uma programação direcionada. A gente era a segunda opção. Quando você perde isso, você se pergunta: “Onde eu me perdi? O que aconteceu?” Só quando você perde, você se depara com esta questão.

Enfim, melhor para os espectadores do “Jornal Nacional” que Lombardi tenha merecido uma reportagem à altura da sua importância. Só tenho dúvidas se essa situação teria ocorrido em outro momento.

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26/11/2009 - 23:06

MTV desafia “CQC” a exibir erro de Luciano do Valle

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Quarta-feira, 22h50. Início do segundo tempo entre LDU e Fluminense. Com a palavra, Luciano do Valle: “Começa o segundo tempo, para você, desta final. Primeira partida da final da Copa Sul-Americana, que você acompanha com exclusividade aqui na Globo… Aqui na Bandeirantes, né? Que a Globo não está fazendo pra São Paulo, é bom que se saiba. Então, a Bandeirantes faz com exclusividade pra São Paulo”. E Neto tenta ajudar: “É com a gente aqui, pelo amor de Deus”. E Luciano completa: “E nós estamos ao lado do futebol brasileiro, ao lado do Fluminense, para todo o Brasil”.

Gafes e atos falhos acontecem. Quanto mais absurdos, mais engraçados. Para infelicidade de quem participa de transmissões ao vivo, hoje em dia existe o You Tube, implacável no registro dos erros e infelicidades das figuras da televisão.

E é justamente desta matéria-prima – os erros e os absurdos vistos na tevê, preservados pela Internet – que vários programas, da própria tevê, se alimentam. No Brasil, a lista de atrações que recorre a este expediente é imensa, de A a Z. Não espanta que, menos de 24 horas depois de cometido, na noite de quinta-feira, 26, o erro de Luciano do Valle já era visto num desses programas, o “Furo MTV”, apresentado pelo ator Bento Ribeiro.

Ele lembrou que um outro programa, o “CQC”, da Band, também acolhe, semanalmente, vídeos engraçados, no quadro “Top Five”. Abusado, aproveitou para provocar seus rivais: “Como o ‘CQC’ é chapa-branca, não vai mostrar…”… E exibiu a gafe do narrador de futebol da Band. O desafio está lançado… Aguardemos o “CQC” de segunda-feira.

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20/11/2009 - 13:10

Especial sobre Cazuza “reabilita” Ney Matogrosso

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O programa sobre Cazuza (1959-1990) exibido pela Globo nesta quinta-feira, dentro da série “Por Toda a Minha Vida”, fez justiça, finalmente, ao cantor Ney Matogrosso, vetado e suprimido do filme “Cazuza, O Tempo Não Para” (2004), uma produção da Globo Filmes, dirigida por Sandra Werneck e Walter Carvalho.

Ney aparece de várias formas no especial. Ele fala sobre o relacionamento amoroso de três meses que teve com Cazuza, dá um depoimento sobre a obra do músico (elege “O Tempo Não Para”, “Blues da Piedade” e “Brasil” como suas obras-primas) e faz parte da encenação de um episódio fundamental na trajetória do Barão Vermelho: a sua decisão de gravar a canção “Pro Dia Nascer Feliz”, que deu visibilidade, no início dos anos 80, à jovem banda de rock.

Apenas por isso, o especial sobre Cazuza já mereceria todos os elogios. Mas o programa, com direção de Gustavo Fernandez, roteiro de George Moura e Teresa Frota e colaboração de Fernanda Scalzo, vai além.

Com ótimos depoimentos, inclusive do colega de escola Pedro Bial, do parceiro Roberto Frejat e do pai João Araujo, que raramente fala sobre Cazuza, o programa apresenta histórias pouco conhecidas ou inéditas sobre a breve vida do músico.

Bial descreve o dia em que os dois, crianças, foram recebidos por Vinicius de Moraes na banheira de sua casa e convidados a beber um uísque. Com muita sinceridade, Frejat relata a briga que teve com Cazuza e como reagiu à decisão do cantor de deixar o Barão Vermelho: “Fiquei puto”, diz. João Araujo aparece numa encenação aos tapas com o filho adolescente e, em outro trecho, emociona-se ao falar do legado de Cazuza.

Lucinha Araujo, mãe de Cazuza e co-autora do livro “Só as Mães São Felizes”, que serviu de fonte para o filme “O Tempo Não Para”, também é ouvida no especial, mas seu papel na história parece ter sido redimensionado.

O especial apresenta os vários Cazuzas que a sua geração conheceu: o compositor genial, o boêmio inconveniente, o hedonista irresponsável, o rebelde indomável, o artista corajoso, o exagerado em tudo. Entende-se claramente, ao final do programa, porque ele faz tanta falta.

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11/11/2009 - 13:01

Record briga ao vivo com a Globo por entrevista

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Uma repórter da Rede Record tentou invadir uma área reservada onde o secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia aguardava para dar uma entrevista à Rede Globo, na manhã desta quarta-feira, em Brasília.

A cena, muito incomum, foi ao ar no programa “Hoje em Dia”, da Record. Marcio Zimmermann havia se comprometido a falar com a emissora, ao vivo, depois que desse uma entrevista à Globo, que também seria exibida ao vivo.

O apresentador do programa, Celso Zucatelli, reclama que a Globo está “segurando” o secretário “propositalmente” e pede para a repórter Venina Nunes “insistir” na entrevista com Zimmermann. Constrangida, a repórter reconhece que “é falta de ética tentar atrapalhar o trabalho dos outros”, mas dirige-se mesmo assim à área onde a repórter da Globo prepara-se para entrevistar o secretário.

Ao tentar, então, fazer a sua entrevista, Venina Nunes é confrontada por uma repórter da Globo e pelo assessor de imprensa de Zimmermann. Este último afirma que a repórter da Record está invadindo a área da concorrente e que deve aguardar a sua vez.

Horas depois do incidente, a própria Record divulgou em seu portal o vídeo que mostra a briga.

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28/10/2009 - 11:59

Proposta de mudar horário de jogos noturnos virou pó

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Menos de duas semanas depois de Ricardo Teixeira ter levantado o assunto, parece enterrada a discussão sobre a mudança no horário noturno dos jogos da Série A do Brasileiro. Para quem não se lembra, o presidente da CBF observou que o horário das 21h50, escolhido pela Rede Globo, está longe de ser o ideal para o torcedor. “Como presidente da CBF, não posso ficar preocupado com o índice da televisão. Eu tenho que ficar preocupado também com o torcedor. Não adianta fazer jogo com o campo vazio”, disse Teixeira.

A declaração do presidente da CBF foi vista como uma reação à proposta da Globo, encaminhada dias antes aos clubes, de alterar o sistema de disputa do Brasileiro. A emissora, detentora dos direitos de transmissão do campeonato, sonha em reintroduzir o mata-mata na fase final, em lugar da classificação ser definida pela soma de pontos.

Segundo a coluna “Radar”, na “Veja”, Globo e CBF selaram um acordo de paz há uma semana: a emissora desiste de propor a volta do mata-mata e a confederação deixa de reclamar do horário dos jogos depois da novela.

Além do acordo, também há um argumento supostamente objetivo contra a mudança do horário noturno. Segundo a “Folha” desta quarta-feira, os jogos noturnos, às quartas, apresentam média de público no estádio (20,1 mil pagantes) superior à média geral do campeonato (16,5 mil). E segundo a Globo, as partidas exibidas depois da novela têm audiência superior (cinco pontos, em média) às exibidas aos domingos, às 16h.

Esses números, creio, são fáceis de explicar. Apenas 25 jogos, de um total de 310, foram realizados às 21h50. Os jogos programados para este horário envolvem sempre times muito populares – em São Paulo, quase sempre o Corinthians. Isso puxa para cima tanto a presença de público no estádio quanto o índice de audiência.

Em resumo, a boa notícia é que parece não haver riscos, no futuro próximo, de alteração do sistema de pontos corridos. A má notícia é que seguiremos com jogos neste horário esdrúxulo.

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25/08/2009 - 12:36

“A Fazenda”: Uma reflexão sobre os sentidos da imitação

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Para alegria dos leitores que reclamaram dos meus textos sobre o “BBB9”, não pude dedicar a mesma atenção ao reality show “A Fazenda”, da Record. Assisti apenas alguns episódios e não cansei de me espantar com a semelhança, em inúmeros aspectos, com o reality global.

Não é novidade nenhuma que o projeto da Record leva em conta, numa mão, a grade da Globo – um fenômeno que transparece em inúmeros programas, tanto na área de entretenimento quanto de jornalismo. 

Assistindo ao duelo entre Dado Dolabella e Danni Carlos no último episódio de “A Fazenda” me dei conta, no entanto, de algo talvez óbvio, mas que vinha me passando despercebido: o sucesso da imitação de uma emissora pela outra só ocorre porque há uma cumplicidade de desejos entre a Record e o seu público – este último quer ver na sua tela uma imitação da emissora líder, com tudo que há de tosco nela. Convido os visitantes deste blog a lerem texto que escrevi a respeito, defendendo essa idéia, intitulado Público deseja que a Record imite a Globo, publicado na segunda-feira, 24, no Último Segundo.

Para quem, por acaso, tiver interesse em mais textos sobre o assunto, escrevi sobre “A Fazenda” em três outras ocasiões: na desastrada estréia, quando Dado e Britto Jr. discutiram publicamente por causa de um remédio e no dia em que descobri que o cachorro do programa era parte de uma ação de merchandising.

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08/07/2009 - 09:24

No futebol, só a audiência importa, lamenta Tostão

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O ex-jogador Tostão se tornou uma referência no jornalismo esportivo pela rara combinação de conhecimento sobre o que fala, inteligência, independência, lucidez e equilíbrio. É um dos meus ídolos na área. O seu livro de memórias, “Tostão – Lembranças, Opiniões, Reflexões sobre Futebol”, é uma pequena jóia, indispensável a quem sonha seguir carreira no jornalismo esportivo.

Por tudo isso, chega a surpreender o tom de Tostão na sua coluna desta quarta-feira na “Folha de S.Paulo”. A contundência começa pelo título – “Quem manda é o mercado” – e prossegue desde a primeira linha. Reproduzo os três primeiros parágrafos:

Cruzeiro e Estudiantes fazem hoje o primeiro jogo decisivo. A Taça Libertadores da América é o título mais importante e mais desejado pelos clubes brasileiros e argentinos.

Mesmo assim, a CBF, para atender aos interesses da Globo, adiou o jogo entre Corinthians e Fluminense para o mesmo dia e horário da partida da Libertadores. Para a Globo, o jogo pelo Brasileiro dá mais audiência no Rio e em São Paulo.

Estou curioso para saber qual das duas partidas será transmitida para outros Estados, fora Minas, Rio e São Paulo. Com certeza, será a que a Globo acha que vai dar mais audiência. Quem manda é o mercado.

É, de fato, uma situação tão absurda que dispensa outros comentários da minha parte.

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25/06/2009 - 09:49

‘A Fazenda’ ensina ao ‘BBB’: roupa suja se lava em público

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Três semanas depois de estrear, “A Fazenda” já escreveu seu nome na história da televisão brasileira, com lugar de destaque no capítulo sobre o que de pior, involuntariamente, já foi produzido em estúdios nacionais.

A discussão entre Dado Dolabella e Britto Jr., quarta-feira à noite, ao vivo, é desses momentos que renovam a esperança do espectador numa espécie de lei de Murphy da televisão, a saber: qualquer programa ruim sempre pode piorar – para alegria de quem se diverte com atrações capengas, mal feitas e mal dirigidas.

O chamado “trash” televisivo é um gênero que exige falta de recursos, falta de traquejo e falta de humor. O resultado dessa rara combinação é o humor involuntário, a graça inesperada, a diversão nas franjas.

Para quem não viu, já há cópias da cena no You Tube. Começa pela indicação de Dado para o paredão pelo ator Jonathan Haagensen. Indicação merecida, já que, de manhã, Dado havia chicoteado as costas de Miro Moreira, confundindo-o com a vaca que deveria colocar no curral. Dado, no vídeo, não reclama da indicação. Entende e aceita. Mas protesta contra a direção do programa.

Dado conta que havia combinado receber o remédio que toma contra insônia, mas fora informado, na véspera, que não receberia a dose combinada. Deixa implícito que o seu comportamento foi influenciado pela falta do tarja preta e de uma noite sem dormir. Britto Jr., com aquele seu admirável jogo de cintura, começa a discutir com Dado, acusa-o de dizer uma “meia verdade” e defende a direção, argumentando que o ator deveria fazer o seu pedido no confessionário (aqui chamado de “câmera do desabafo”), e não pelos cômodos da casa.

São cinco minutos históricos, que deveriam ensinar muita coisa à Globo. Aprendendo enquanto faz, a Record, depois de tanto copiar, finalmente inovou em matéria de reality show: roupa suja se lava em público. Acabou o confessionário! Boninho, que já deu muita bronca em candidato do BBB (lembra-se da Mirla?), deve estar se perguntando como superar esse “golpe”. Com “A Fazenda”, os “desabafos” são agora um direito do público. Parabéns.

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15/06/2009 - 13:17

Faltou dizer sobre Brasil 4 x 3 Egito: resultado injusto

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Apesar da torcida e do patriotismo de sempre, Galvão Bueno conseguiu se dar conta, aos 35 minutos do segundo tempo, que o resultado (3 a 3) se explicava não apenas por conta da atuação do Brasil: “Joga melhor o Egito”, admitiu.

Tudo mudou aos 45 minutos do segundo tempo. Num lance em que a bola pareceu ter saído (e a tevê não exibiu replay), Daniel Alves partiu para a área e foi derrubado. Na sequência, o pênalti, que o juiz não viu, mas foi levado a assinalar – sabe-se lá por quem. 4 a 3.

Como de hábito, quando o Brasil tem dificuldades em campo, a “culpa” é sempre de alguém. Galvão criticou Alexandre Pato e Gilberto Silva. E a falta de “atitude” da seleção. Arnaldo Cesar Coelho achou de bom tom acrescentar: “Não podemos justificar o resultado pela arbitragem”.

Falcão, é bom que se diga, em mais de um momento deixou de lado o seu jeito “chuchu” de comentar futebol, e observou: o Egito jogava bem, entrou com “outra postura” no segundo tempo, passou a atuar com três atacantes e mudou a formar de marcar a seleção brasileira.

Uma análise séria deveria incluir as palavras de Milton Leite, no SporTV: “uma atuação horrorosa do Brasil”, ou de Paulo Cesar Vasconcelos, na mesma emissora: “a pior atuação do Brasil no ano”.

Uma análise isenta deveria concluir com as seguintes palavras: “resultado injusto”.

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10/06/2009 - 08:31

Globo, SBT e Ronaldo: cenas de novela mexicana

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O patrocínio do grupo Silvio Santos ao Corinthians está produzindo uma série de eventos anedóticos, típicos de um dramalhão mexicano, bem ao gosto da programação do SBT. O surpreendente neste caso é que um dos protagonistas dessa história vem a ser a Rede Globo, famosa pela qualidade “antimexicana” de suas novelas.

Há alguns dias, Silvio Santos fez um discurso engraçadíssimo, chamando Ronaldo de “farsante” por se recusar a gravar um comercial para o SBT. No ar, aparentemente de improviso, o dono da emissora ofereceu R$ 50 milhões para o craque protagonizar a publicidade. Está no You Tube – e é inacreditável.

A Globo, como se sabe, é detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Para a emissora, causa constrangimento exibir a marca de um patrocinador – o Baú da Felicidade – cujo proprietário é dono de um canal concorrente. Propaganda grátis e ainda mais de um rival? É duro…

A emissora nega estar promovendo qualquer tipo de boicote ao logotipo do Baú em suas transmissões esportivas, mas não é o que parece. Como mostrou o jornalista Ricardo Feltrin, uma entrevista com Ronaldo, feita pela Globo no último domingo (7), passa a nítida impressão que os câmeras estão orientados a não mostrar de jeito nenhum a marca de Silvio Santos. Como fazer isso se o Baú é visto quase na gola da camisa do Corinthians? Simples: enquadrando apenas o rosto de Ronaldo, entre o queixo e a testa. 

Em 1994, a Globo produziu um enquadramento semelhante na transmissão de dois amistosos da seleção brasileira às vésperas da Copa do Mundo. Patrocinada então pela Kaiser, a emissora se recusou a mostrar placas de publicidade da Brahma espalhadas pelo estádio onde ocorreu a transmissão de partidas contra Canadá e Honduras. No esforço de não exibir a marca rival, os câmeras da Globo deixaram de mostrar a bola, jogadores cobrando lateral e lances próximos à linha de fundo. Foi um papelão que entrou para a história da televisão brasileira.

Outros veículos já tomaram atitudes radicais como essa no afã de protegerem os seus interesses comerciais. Relato no livro “História do Lance!”, recém-publicado (desculpe a propaganda), que em meados de 2000 o diário esportivo manipulou imagens para não exibir a marca de Pepsi-Cola estampada na camisa do Corinthians. Escrevo no livro:

Insatisfeito com a não inclusão do Lance! na lista de veículos que receberiam anúncios de uma campanha publicitária da Pepsi-Cola, o diário passou a manipular, no computador, as fotografias que mostravam a camisa do Corinthians, de maneira a eliminar das páginas do jornal a marca do refrigerante, que então patrocinava a equipe. Depois que o caso tornou-se público, a manipulação das imagens foi interrompida.

Todas essas histórias – e há muitas outras semelhantes – expõem a defesa atabalhoada de interesses comerciais sob ameaça em meio a conflitos pesados entre empresas. Os protagonistas destes dramalhões parecem apenas se esquecer de cuidar dos interesses dos seus espectadores e leitores.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , , , , , , ,
12/05/2009 - 11:20

Unisul x Globo: o modelo do voleibol brasileiro em questão

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A desistência de alguns patrocinadores em investir em times de vôlei no Brasil expõe um dos nós da chamada “modernização” ou “profissionalização” do esporte. A prática de encampar equipes, incorporando aos seus nomes a marca do patrocinador, ou mesmo a criação de times-empresas, apresenta um problema, até agora sem solução, para as empresas de comunicação.

Há menos de um mês, a Finasa anunciou o fim do patrocínio ao Osasco e, esta semana, a Unisul comunicou o término do seu projeto em Joinville. Em ambos os casos, argumentou-se que os patrocinadores estavam insatisfeitos com os veículos de comunicação, em particular as Organizações Globo, que só se referem às equipes pelos nomes das cidades, omitindo as marcas dos patrocinadores.

Em nota, a Unisul foi clara: “Uma das sugestões é condicionar à emissora que transmite com exclusividade os jogos, a exigência de mencionar os nomes verdadeiros das equipes, considerando que a televisão não pode se omitir no seu papel de ajudar a fortalecer uma modalidade do esporte que cresceu e se fortaleceu graças à abnegação e destemor de seus atletas e dirigentes.”

Além dos eventuais benefícios fiscais e dos ganhos de imagem, o patrocínio a uma equipe esportiva nos moldes praticados pelas principais empresas envolvidas com o voleibol traz a vantagem da chamada “mídia espontânea” – termo criado pelos publicitários para designar as aparições gratuitas, sem pagamento, da marca na mídia (tevês, jornais etc).

Calcula-se o número de vezes que a marca, digamos a Unisul, apareceu numa transmissão esportiva da Globo e compara-se com o custo de uma publicidade de 30 segundos na mesma emissora. Estima-se assim um valor de “mídia espontânea”, ou seja, gratuita, que beneficiou a marca.

Mesmo sem ser citada por narradores e repórteres, a marca aparece naturalmente durante uma transmissão nos uniformes e outros materiais usados pela equipe e exibidos ao longo da partida.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, em resposta ao fim do projeto da Unisul, a Globo diz: “Do ponto de vista editorial, a citação indiscriminada de marcas comerciais por parte de narradores, comentaristas e repórteres poderia induzir o público a erro de julgamento quanto a independência, isenção e integridade que estes profissionais obrigatoriamente devem manter com relação a equipes e eventos esportivos”.

Qual o interesse de uma empresa de comunicação em proporcionar mídia espontânea para um potencial anunciante? Eis uma pergunta difícil de responder. Ao transmitir um campeonato de vôlei (um programa como qualquer outro), a Globo busca anunciantes que o tornem viável economicamente.

Diz a emissora em sua nota: “Além do propósito de apoiar o esporte, o expediente de utilizar marcas comerciais para dar nome às equipes e patrocinar ostensivamente projetos esportivos visa, evidentemente, à obtenção da chamada “mídia espontânea” – as empresas querem a citação gratuita das suas marcas, evitando adquirir espaço comercial para expor seus produtos ou serviços”.

A Globo lembra em sua nota que já adota esse procedimento há anos e, por isso, estranha que só agora tenha sido motivo de reclamação.

Não sou especialista no assunto, mas salta aos olhos neste conflito que há outros problemas em jogo, não enunciados nas notas da Unisul e da Globo. O que está em questão é o próprio modelo de manutenção de uma prática esportiva dependente exclusivamente da visibilidade da televisão.

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
30/04/2009 - 12:15

Jogo do Palmeiras sai do ar antes do final

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A noite da torcida palmeirense em São Paulo foi de angústia e desespero. Não apenas com o time, que só conseguiu fazer o gol salvador aos 42 minutos do segundo tempo, mas também com a SportTV (via NET), única emissora a transmitir a partida, que cortou o sinal do jogo um ou dois minutos depois do gol, ainda faltando uns cinco minutos para o apito final (foi até os 48 do segundo tempo).

Ocorreu algum problema técnico, ainda não explicado (aguardo notícias da Globosat, a quem pedi esclarecimentos), que levou a emissora a começar a transmitir um campeonato de motociclismo, se não me engano, enquanto o Palmeiras suava para garantir o 1 a 0.

O consolo, para quem se deu conta, é que no momento da pane no SporTV havia terminado a partida entre Corinthians e Atlético (PR), e a Globo passou a exibir o jogo do Palmeiras

Aliás, tente deixar a paixão esportiva de lado por um minuto e responda rápido: o que é mais importante, uma partida que decide vaga nas oitavas de final da Libertadores ou um jogo de ida nas oitavas de final da Copa do Brasil? Dando nome aos bois: o que é mais importante, Colo Colo x Palmeiras ou Atlético (PR) x Corinthians?

Para a Rede Globo, que optou por transmitir (do estúdio, em São Paulo) o jogo na Arena da Baixada, a resposta parece óbvia. O que atrai mais audiência? Ronaldo ou Keirrison? Corinthians ou Palmeiras?

Pensando assim, eu não também não teria dúvidas. O Corinthians tem muito mais torcedores que o Palmeiras, o que significa dizer, dá mais Ibope. Mas audiência deve ser o único critério a orientar decisões deste tipo?

Atualizado às 14hs: A assessoria de imprensa da Globosat, em resposta à minha indagação, informa: “O problema foi com o sinal da operadora (no meu caso, a NET São Paulo). Não foi um problema do SporTV”. Argumentei, porém, que no momento em que o jogo saiu do ar, entraram comerciais e, em seguida, teve início a transmissão de um outro evento esportivo. Ou seja, não fiquei sem o sinal do SporTV.

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05/03/2009 - 11:45

BBB9 – O fantasma da teoria da conspiração

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O comentário que fiz quarta-feira sobre o placar da eliminação de Ralf causou comoção entre os leitores. Mais de 1.500 comentários foram postados no blog e quase 50 e-mails recebidos diretamente na minha caixa postal. Não contei, mas estimo que um terço dos leitores escreveu para festejar a permanência de Ana na casa. Um número menor lamentou a eliminação de Ralf. A grande maioria, porém, escreveu para acusar a Globo de ter manipulado o resultado da votação.

Não foi sobre isso que escrevi. Observei, inclusive, que a enquete do iG apontava a vitória de Ana e a consequente eliminação de Ralf por 52% a 48%. Outros sites exibiam resultados semelhantes, com sinal inverso. Ou seja, caracterizava-se uma situação de empate técnico. Além disso, Bial, logo na abertura do programa, na terça-feira, enfatizou que a disputa estava apertada. O que me chamou a atenção, portanto, foi o descompasso entre a forma como foi apresentada essa disputa (apertada, acirrada) e o resultado final (64% a 36%).

Escrevi, então, que o público deveria ser informado sobre o que ocorreu para o placar sofrer tamanha alteração: “Em nome da transparência e da credibilidade do programa, seria interessante o público ser informado. Do contrário, restará a suspeita (não a primeira, diga-se) de que os resultados do BBB são manipulados.”

Não compartilho, enfim, das inúmeras teorias da conspiração descritas por muitos leitores. Não é preciso, porém, ser psicanalista, lendo os comentários postados abaixo, para perceber que ocorreu uma espécie de catarse – que merece, a meu ver, reflexão por parte do alvo atingido.

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03/03/2009 - 10:43

Bial apresenta projeto de novo programa para a Globo

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Encerrado o BBB9, na primeira quinzena de abril, Pedro Bial deve se dedicar com mais afinco ao projeto de um novo programa, intitulado “Assunto”. Em dobradinha com o diretor João Carrascosa, parceiro de Bial na série “É Muita História”, o programa se propõe a discutir, a cada episódio, um assunto de interesse popular sob uma abordagem multidisciplinar. “Você nunca viu as coisas desse ponto de vista”, é o mote do programa. “Informação com linguagem não jornalística”, adianta Bial. A intenção do jornalista é estrear “Assunto” no segundo semestre de 2009, na mesma faixa de horário, mas em dia diferente, naturalmente, que “Profissão Repórter”, de Caco Barcelos.

A propósito da entrevista com Bial sobre o BBB, publicada ontem no Último Segundo, não teria muito a acrescentar. Bial foi muito receptivo e, como escrevi, me pareceu muito franco na abordagem dos assuntos propostos. Se houve assuntos não abordados, a culpa se deve exclusivamente a este repórter – como já escrevi antes, esta é a primeira temporada em que assisto BBB regularmente.

A esse respeito, aproveito para agradecer de público às jornalistas Paula Balsinelli e Raquel Paulino, que cuidam do ótimo site especial do iG sobre o BBB e, de quebra, têm cuidado de mim nestes dias. Além das verdadeiras aulas que estão me dando sobre o assunto, também me ajudaram com idéias na preparação para a entrevista.

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07/12/2008 - 18:42

Em Marte, na hora da decisão do campeonato

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Enquanto São Paulo e Goiás disputavam a partida mais importante do campeonato, a Globo e a Bandeirantes exibiam, no Rio de Janeiro, o jogo entre Vasco e Vitória, que confirmou o ticket da equipe carioca rumo à Série B do Brasileiro.

Desconfio que a lógica da audiência explique isso – devia haver, no Rio, muito mais gente interessada em conhecer o destino do Vasco no campeonato do que saber quem seria o campeão do torneio. Além dos próprios vascaínos, imagino, torcedores dos outros times do Rio também estariam de olho nessa partida, para secar ou para torcer pelo rival carioca.

Qualquer que seja a razão para esta transmissão, fiquei com a sensação de que estava em Marte, ou em uma cidade do interior, na tarde deste domingo, no Rio. Enquanto o campeonato era decidido em Brasília e em Porto Alegre, as emissoras da cidade mostravam um jogo que iria resolver se um time carioca permaneceria, ou não, na Série A.

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