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09/11/2009 - 10:48

Repórter deve avisar ao entrevistado que ele está falando besteira?

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A entrevista do repórter Thiago Salata, do “Lance!”, com o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, “horas depois” de encerrada a partida contra o Fluminense, no domingo, levanta uma questão importante, que interessa de perto a qualquer jornalista: cabe a um repórter advertir o seu entrevistado que ele está falando o que não deve, mesmo sob o risco de perder a melhor parte da matéria?

Irritado com o erro grosseiro cometido por Carlos Eugenio Simon, que anulou um gol de Obina no primeiro tempo da partida, Belluzzo ofende o árbitro na entrevista e afirma que ele estava “na gaveta de alguém”, ou seja, foi comprado.

Em dois momentos, durante os 15 minutos em que conversou com Belluzzo, Salata adverte: “Vou publicar tudo que você está falando”. Antes, ainda havia chamado a atenção do dirigente: “Presidente, sinceramente, nunca o vi tão alterado”.

Entendo que Salata agiu corretamente. Entrevistou Belluzzo num momento em que o presidente do Palmeiras estava emocionalmente abalado, mas deu a ele diversas chances de repensar sobre as suas declarações. Na minha opinião, há algumas situações em que o entrevistado deveria ter a chance de voltar atrás em declarações, especialmente quanto podem resultar em danos para si próprio.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , ,
30/06/2009 - 08:35

Sobre o “chupa” no Twitter

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O sucesso do movimento que emplacou a palavra “chupa” como a mais mencionada no Twitter depois da partida entre Brasil e Estados Unidos me lembrou que usei exatamente esta palavra no esforço de explicar o sucesso do diário “Lance!”.

Em “História do Lance! – Projeto e prática do jornalismo esportivo”, recém-publicado, uma das questões que enfrento diz respeito ao público do jornal, hoje o principal diário esportivo do país. Relato no livro que o objetivo inicial, em 1997, era atingir um público jovem, de classe média, mas o jornal alcançou sucesso junto a outros públicos também. Com base em dados estatísticos disponíveis, e analisando o conteúdo do jornal, bem como as cartas enviadas ao “Lance!” nos seus primórdios, eu escrevo:

“Imagino que um leitor do Lance! é o jovem de classe média abonada, que vai à janela do apartamento gritar “chupa!” quando seu time ganha e, dessa forma, mantém-se à distância, protegido, de um outro leitor do jornal, o jovem de origem humilde que passa embaixo, na calçada, e não pode alcançá-lo. A julgar pelas cartas enviadas ao jornal, esses dois universos comungam de vocabulário limitado e acreditam que o jornal não apenas é uma fonte de informação esportiva, mas um espaço para tripudiar dos colegas e, eventualmente, conseguir uma camisa autografada do seu ídolo.” 

Autor: - Categoria(s): Brasil, Esporte, jornalismo Tags: , ,
10/06/2009 - 08:31

Globo, SBT e Ronaldo: cenas de novela mexicana

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O patrocínio do grupo Silvio Santos ao Corinthians está produzindo uma série de eventos anedóticos, típicos de um dramalhão mexicano, bem ao gosto da programação do SBT. O surpreendente neste caso é que um dos protagonistas dessa história vem a ser a Rede Globo, famosa pela qualidade “antimexicana” de suas novelas.

Há alguns dias, Silvio Santos fez um discurso engraçadíssimo, chamando Ronaldo de “farsante” por se recusar a gravar um comercial para o SBT. No ar, aparentemente de improviso, o dono da emissora ofereceu R$ 50 milhões para o craque protagonizar a publicidade. Está no You Tube – e é inacreditável.

A Globo, como se sabe, é detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Para a emissora, causa constrangimento exibir a marca de um patrocinador – o Baú da Felicidade – cujo proprietário é dono de um canal concorrente. Propaganda grátis e ainda mais de um rival? É duro…

A emissora nega estar promovendo qualquer tipo de boicote ao logotipo do Baú em suas transmissões esportivas, mas não é o que parece. Como mostrou o jornalista Ricardo Feltrin, uma entrevista com Ronaldo, feita pela Globo no último domingo (7), passa a nítida impressão que os câmeras estão orientados a não mostrar de jeito nenhum a marca de Silvio Santos. Como fazer isso se o Baú é visto quase na gola da camisa do Corinthians? Simples: enquadrando apenas o rosto de Ronaldo, entre o queixo e a testa. 

Em 1994, a Globo produziu um enquadramento semelhante na transmissão de dois amistosos da seleção brasileira às vésperas da Copa do Mundo. Patrocinada então pela Kaiser, a emissora se recusou a mostrar placas de publicidade da Brahma espalhadas pelo estádio onde ocorreu a transmissão de partidas contra Canadá e Honduras. No esforço de não exibir a marca rival, os câmeras da Globo deixaram de mostrar a bola, jogadores cobrando lateral e lances próximos à linha de fundo. Foi um papelão que entrou para a história da televisão brasileira.

Outros veículos já tomaram atitudes radicais como essa no afã de protegerem os seus interesses comerciais. Relato no livro “História do Lance!”, recém-publicado (desculpe a propaganda), que em meados de 2000 o diário esportivo manipulou imagens para não exibir a marca de Pepsi-Cola estampada na camisa do Corinthians. Escrevo no livro:

Insatisfeito com a não inclusão do Lance! na lista de veículos que receberiam anúncios de uma campanha publicitária da Pepsi-Cola, o diário passou a manipular, no computador, as fotografias que mostravam a camisa do Corinthians, de maneira a eliminar das páginas do jornal a marca do refrigerante, que então patrocinava a equipe. Depois que o caso tornou-se público, a manipulação das imagens foi interrompida.

Todas essas histórias – e há muitas outras semelhantes – expõem a defesa atabalhoada de interesses comerciais sob ameaça em meio a conflitos pesados entre empresas. Os protagonistas destes dramalhões parecem apenas se esquecer de cuidar dos interesses dos seus espectadores e leitores.

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08/10/2008 - 13:28

“Placar” contra-ataca e lança jornal gratuito para concorrer com “Lance!”

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Duas semanas atrás, esse blog chamou a atenção para uma inédita movimentação no segmento do jornalismo esportivo. Em questão de dias, duas novas revistas mensais foram lançadas, “Gol F.C.” e “Fut!”, para concorrer num mercado onde até dois anos atrás “Placar” reinava soberana e, desde 2006, contava com a companhia de “Trivela”.

A iniciativa que mais chamou a atenção, então, foi a da revista “Fut!”, um projeto caprichado do grupo “Lance!”, responsável pelo principal jornal esportivo do país. Nesta quarta-feira, tornou-se público o rápido contra-ataque da editora Abril, responsável por “Placar”, a principal revista esportiva do país. A publicação se associou com o diário gratuito “Destak” para lançar um jornal esportivo. Segundo a newsletter “Jornalistas & Cia”, o jornal deve circular na primeira quinzena de novembro, terá periodicidade de segunda à sexta-feira, tiragem de 70 mil exemplares e 16 páginas. O jornal será distribuído gratuitamente, informa Eduardo Ribeiro, na sua newsletter. O projeto se diz experimental – fala-se em 22 edições –, mas a expectativa é ir mais longe, naturalmente. O projeto está sendo pilotado pelo jornalista Andre Rizek, que participou, como eu, da equipe fundadora do “Lance!”.

Repito aqui o comentário com o qual encerrava a nota duas semanas atrás:

Aguardemos os próximos meses para ver como esse mercado, agora altamente competitivo, vai se comportar. Não dá para dizer se estamos vivendo uma espécie de “bolha” do jornalismo esportivo, que vai estourar em breve, ou se este é um fenômeno que veio para ficar. Torço que seja algo mais do que passageiro.

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