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13/10/2009 - 12:39

Woody Allen exibe cartões postais para continuar filmando

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Dirigindo praticamente um filme por ano desde 1969, Woody Allen entrou no século XXI em plena atividade, mas com dois problemas sérios. Primeiro, entrou em litígio judicial com sua produtora e amiga de mais de 40 anos, Jean Doumanian, a quem acusou de desviar os lucros de oito filmes. Depois, colecionando resultados não mais que medianos nas bilheterias, viu crescerem as dificuldades de encontrar recursos para financiar seus novos filmes.

A luz no fim do túnel encontrava-se na Europa – onde Allen sempre foi respeitado pela crítica. A partir de 2005, deu início a uma série de co-produções relativamente bem-sucedidas, ambientadas fora dos Estados Unidos. Em sequência, fez três filmes na Inglaterra (“Match Point, 2005; ”Scoop”, 2006; e “O Sonho de Cassandra”, 2007) e um quarto (“Vicky Cristina Barcelona”, 2008) na Espanha.

Em 2009, Allen voltou a Nova York, para rodar “Whatever Works”, cuja estreia está programada para 6 de novembro no Brasil, tendo o comediante Larry David no papel principal. Mas já retornou a Londres, para rodar o filme de 2010, ainda sem título anunciado, mas com elenco de primeira: Naomi Watts, Antonio Banderas e Anthony Hopkins.

Foi nesse contexto que surgiu a idéia de ambientar um filme no Rio de Janeiro. Allen soltou a deixa em algumas entrevistas e logo a coisa prosperou. A Prefeitura do Rio e o governo do Estado entenderam rapidamente que era a chance de divulgar a cidade num outdoor de alcance mundial. E produtores locais perceberam a chance de fazerem figura internacional e, até, ganhar algum dinheiro com o filme ao se associarem a Allen.

Nesta terça-feira, o diário “Los Angeles Times” descreve o periplo de dois produtores de Woody Allen em busca de locações pelo Rio de Janeiro e fala do esforço municipal e estadual em garantir que o cineasta faça um filme na cidade. Além da divulgação de uma imagem positiva do Rio, sediar uma produção cinematográfica também movimenta a economia da cidade, gerando empregos e recursos, argumenta o lobista oficial de Hollywood no Brasil, Steve Solot.

vickybarcelona postalO interesse governamental chama a atenção para o calcanhar de Aquiles destes filmes mais recentes de Allen. Como já havia ocorrido com Veneza em “Todos Dizem Eu Te Amo” (1996), Londres e Barcelona tornaram-se cidades óbvias, de cartão postal, nas produções recentes do cineasta.

Embora continue afiado, fazendo bons filmes, todas essas produções estrangeiras de Woody Allen padecem do mesmo problema: a ambientação de cenas que, às vezes, parecem mais de divulgação turística do que qualquer outra coisa (caso da cena acima, de “Vicky Cristina Barcelona”).

O cinema é um negócio pesado, do ponto de vista dos recursos necessários para a sua realização. Tudo bem. Entendo que o Rio possa lucrar com um filme de Woody Allen, e não tenho nada a ver com isso. Mas lamento ver o cineasta sendo obrigado a se dobrar a interesses turísticos para conseguir prosseguir a sua carreira.

Autor: - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
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