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09/11/2009 - 10:48

Repórter deve avisar ao entrevistado que ele está falando besteira?

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A entrevista do repórter Thiago Salata, do “Lance!”, com o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, “horas depois” de encerrada a partida contra o Fluminense, no domingo, levanta uma questão importante, que interessa de perto a qualquer jornalista: cabe a um repórter advertir o seu entrevistado que ele está falando o que não deve, mesmo sob o risco de perder a melhor parte da matéria?

Irritado com o erro grosseiro cometido por Carlos Eugenio Simon, que anulou um gol de Obina no primeiro tempo da partida, Belluzzo ofende o árbitro na entrevista e afirma que ele estava “na gaveta de alguém”, ou seja, foi comprado.

Em dois momentos, durante os 15 minutos em que conversou com Belluzzo, Salata adverte: “Vou publicar tudo que você está falando”. Antes, ainda havia chamado a atenção do dirigente: “Presidente, sinceramente, nunca o vi tão alterado”.

Entendo que Salata agiu corretamente. Entrevistou Belluzzo num momento em que o presidente do Palmeiras estava emocionalmente abalado, mas deu a ele diversas chances de repensar sobre as suas declarações. Na minha opinião, há algumas situações em que o entrevistado deveria ter a chance de voltar atrás em declarações, especialmente quanto podem resultar em danos para si próprio.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , ,
13/05/2009 - 10:52

Quem terá coragem de repetir o gesto de Belluzzo?

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Luiz Gonzaga Belluzzo assistiu a disputa de pênaltis que levou o Palmeiras às quartas de final da Libertadores na arquibancada, no meio dos torcedores, na Ilha do Retiro. Como tantos outros dirigentes esportivos, Belluzzo é antes de tudo um torcedor. Não é um profissional do esporte. Como ele mesmo já disse, não é presidente, está presidente do Palmeiras.

Belluzzo é uma figura rara, encantadora, educadíssima. Amigo de todos, do presidente Lula ao porteiro do seu prédio, passando pelo governador Serra, empresários, jornalistas e, descobrimos agora, os mais fanáticos torcedores da arquibancada.
 
O presidente do Palmeiras não está sozinho nesta sua demonstração de paixão pelo clube que preside. Os presidentes são todos, sem exceção, tão torcedores quanto Belluzzo. Alguns, com discurso empolado e palavras como “profissionalização”, “gerenciamento” e “marketing”, tentam demonstrar um profissionalismo que não resiste a um lance duvidoso ou de perigo do seu time no campo.

O gesto de Belluzzo, porém, cria uma situação embaraçosa para seus colegas, presidentes de clube. Ficam todos, depois dessa, obrigados a repetir a iniciativa do presidente do Palmeiras. Mas que cartola terá peito de ir à arquibancada num momento decisivo da partida sem correr o risco de ser vaiado ou, no limite, agredido pelo torcedores do seu time?

PS: Convido os leitores que estão no Rio de Janeiro para o lançamento do meu livro, “História do Lance!”, nesta quarta-feira, dia 13, a partir das 19hs, na Livraria da Travessa, Ipanema.  

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
17/03/2009 - 12:28

Flashes de uma noite palmeirense

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Duas cenas me chamaram a atenção na noite de segunda-feira, durante o lançamento de “Os Dez Mais do Palmeiras”, livro de Mauro Beting que integra a coleção “Ídolos Imortais”, da Maquinária Editora – responsável, também, por “Os Dez Mais do Flamengo”, de Roberto Sander, e os “Dez Mais do Corinthians”, de Celso Unzelte.

Estava chegando à livraria, no Shopping Eldorado, em São Paulo, quando vi uma pequena multidão cercando um homem de terno, em pé, de costas para mim. Ele assinava autógrafos. Imaginei: deve ser um ex-jogador. Mas ex-jogador não usa terno, logo pensei. Aproximei-me e vi: era o presidente do Palmeiras, o grande Luiz Gonzaga Belluzzo, tratado como ídolo, cercado por fãs (muitas crianças) e colocando a sua assinatura num livro que trata dos maiores jogadores da história do clube. Presidente de clube dando autógrafos? O que isso significa? Não sei a resposta… mas não é espantoso?

A segunda cena vi ao sair do lançamento. Ademir da Guia atendia algumas dezenas de fãs. Desde crianças a idosos, torcedores de todas as idades. Muitos faziam fila para tirar uma foto com o ídolo. Outros pediam uma assinatura na camisa – qualquer camisa. E muitos solicitavam um autógrafo – no livro, numa folha em branco, num pedaço de papel qualquer. Além da paciência e da simpatia, me chamou a atenção o ritmo de Ademir da Guia ao assinar um autógrafo – parecia o craque em campo. Falso lento, desenha cada letra do seu nome caprichosamente e passa o livro adiante, como quem conduzia a bola no meio de campo do Palmeiras e, com um passe preciso, colocava um atacante na cara do gol.

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
10/03/2009 - 14:49

Belluzzo pede bom humor e autoironia ao torcedor

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Passou sem a merecida repercussão, talvez por culpa daquele golzinho do Ronaldo, uma sábia manifestação do presidente do Palmeiras. Em texto intitulado “O palmeirensismo”, publicado na mais recente edição da revista “CartaCapital”, Luiz Gonzaga Belluzzo discorre sobre características peculiares desta sua religião, mas o faz com tamanha clareza e didatismo que as lições ali contidas podem ser lidas e absorvidas por fiéis de outros credos.

Belluzzo escreve sob o impacto da derrota do Palmeiras para o Colo-Colo por 3 a 1, pela Taça Libertadores, em casa, no último dia 3, e antes do empate com o Corinthians, em Presidente Prudente.

“Antes do jogo com o Colo-Colo, o time do Palmeiras era o melhor do Brasil, cuíca do mundo. Os jogadores, todos jovens, maravilhosos. O treinador, genial. Conseguiu entrosar o time em pouco tempo. Isso, a despeito das cautelosas advertências do Vanderley Luxemburgo sobre a precocidade, os exageros e as irrealidades das celebrações.”

Depois da derrota Belluzzo sentiu na pele o mau humor da chamada Turma do Amendoim – um grupo de torcedores fanáticos, normalmente alojados nas numeradas do Parque Antarctica, que gosta de dar palpites sobre a gestão do futebol do clube.

“Depois da derrota, o time não valia nada. Fora os telefonemas de palestrinos, uns furiosos outros angustiados, minha caixa postal ficou entupida de sugestões de novas contratações e modificações táticas urgentes. (…)A Turma do Amendoim não perdoa erro de respiração em minuto de silêncio. Pergunto ao caro leitor, seja ele palmeirense ou muito ao contrário: você conhece outro time no mundo que tenha uma torcida como a Turma do Amendoim? Duvido.”

Belluzzo diz não se incomodar com as críticas e palpites, mas lamenta, na conclusão do artigo, sentir falta de bom humor e auto-ironia nas reflexões pós-derrota. Escreve o mestre:

“A nossa proverbial intolerância com as falhas de nossos atletas está fazendo esmaecer a outra virtude, aquela que nos distinguia dos torcedores comuns: a sabedoria de tratar a amargura das derrotas com humor e autoironia, atitude própria dos que conhecem as limitações da condição humana. É isso que assegurou, no século XX, nossa trajetória vitoriosa acima de qualquer resultado contingente.”

A capacidade de rir de si mesmo, nos piores momentos, é o que distingue os grandes dos pequenos. É isso que pede Belluzzo à Turma do Amendoim – um pedido válido, evidentemente, ao torcedor de qualquer time. A íntegra do texto pode ser lida no site da revista, aqui.

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