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06/06/2009 - 18:29

Berlusconi e Kaká: tudo a ver

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Sou do tempo em que jogador de futebol, substituído no meio do jogo, descia para o vestiário para tomar banho mais cedo. Mas alguém inventou, anos atrás, que é de bom tom o jogador, depois de ser trocado, colocar um casaco e ficar no banco de reservas até o final da partida, manifestando apoio ao time. É uma dessas besteiras de cunho moralista que pegou, virou regra. 

Enfim, lembro disso ao ouvir, quase ao final da transmissão de Brasil e Uruguai, o repórter da Rede Globo informar que Kaká foi autorizado a ir para o vestiário logo depois de ser substituído. Disse o jornalista que Kaká pediu para descer com a bola ainda rolando a fim de evitar ser entrevistado ao final do jogo e ouvir alguma pergunta sobre sua transferência do Milan para o Real Madrid.

Trata-se, informam os principais meios de comunicação, de um negócio já fechado. Mas o dono do Milan, Silvio Berlusconi, é também primeiro-ministro da Itália e enfrenta, neste final de semana, eleições para o Parlamento Europeu. Com medo de desagradar os torcedores do Milan – eleitores também – Berlusconi teria adiado o anúncio oficial do negócio com o Real para segunda-feira.

Não vou aqui falar sobre Berlusconi e como ele colabora para a decadência da Itália. O noticiário está repleto de informações – e fotos – a quem se interessar pelo assunto. O que me surpreende nesse episódio é a complacência de Kaká. A intenção, indica o noticiário da Globo, do jogador brasileiro de fazer o jogo do patrão –  seu e dos italianos. Uma pena.

Em tempo: ao deixar o estádio Centenário, cercado por jornalistas, Kaká não falou nada sobre a sua iminente saída do Milan.

Autor: - Categoria(s): Esporte, Mundo Tags: , , , ,
22/05/2009 - 08:27

Ronaldinho Gaúcho e Riquelme ainda têm futuro?

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No mesmo dia em que Ronaldinho Gaúcho perdeu definitivamente o status de craque intocável, e virou apenas mais um numa lista de 40 nomes cogitados por Dunga, Riquelme foi protagonista do maior fracasso do Boca Juniors nos últimos dez anos, ao ser eliminado nas oitavas-de-final da Libertadores em plena Bombonera.

O que aconteceu com Ronaldinho Gaúcho? Duas vezes (2004 e 2005) eleito melhor jogador do mundo, o craque está numa fase descendente já longa, de pelo menos dois anos – o Barcelona melhorou depois de sua saída e no Milan não encontrou lugar no time titular, para não falar das suas atuações decepcionantes na seleção.

Riquelme abriu mão de jogar na seleção, em conflito aberto com Maradona, e é responsabilizado pelo atual racha na equipe do Boca – não se dá com a turma de Palermo. Com problemas na sola do pé direito, ficou 40 dias sem jogar, antes de voltar a campo nesta quinta-feira, contra o Defensor Sporting, do Uruguai. Não é de se espantar que, depois desse longo período de inatividade, Riquelme não tenha jogado nada.

As duas notícias desta quinta-feira colocam nuvens negras sobre as cabeças de Ronaldinho e Riquelme. O que será do craque brasileiro agora? Aos 29 anos, sem lugar garantido na seleção e no Milan, precisa se reencontrar urgentemente com o futebol caso ainda sonhe em disputar uma Copa do Mundo.

E Riquelme, próximo dos 31 anos, o que o futuro reserva ao craque? Prevê-se um desmonte do atual Boca, a começar pelo técnico Carlos Ischia, ex-assistente de Carlos Bianchi, que dificilmente resistirá à eliminação do time na Copa, como dizem os argentinos. Riquelme vai sobreviver? 
 
Na Bolsa de Valores do Futebol, quem ainda não havia se desfeito das ações de Ronaldinho Gaúcho e Riquelme está agora com dois micos na mão. O que não quer dizer que daqui a três ou seis meses essas ações voltem a se valorizar e dar muito lucro a quem apostou neles. Espero que sim.

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , , , ,
20/01/2009 - 08:35

Drible de Kaká pega o mundo no contrapé

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Sinto-me obrigado a voltar a tratar do assunto Kaká neste blog. Como escrevi cinco dias atrás (Espero não queimar a língua, mas vou elogiar o Kaká), o craque do Milan havia dado uma sinalização importante, ao sugerir que, além do dinheiro envolvido, outros aspectos deveriam pesar na negociação de sua transferência para o Manchester City.

Num mundo em que os valores materiais falam mais alto do que tudo, que ganhar dinheiro é sinal de competência, que ser frio e racional é requisito para ser bem-sucedido, a atitude de Kaká pegou todo mundo – inclusive seu pai e o premiê Silvio Berlusconi – no contrapé. Por que recusar a maior oferta financeira já feita a um jogador de futebol? Como assim?

Na década de 50 do século passado, ao escrever sobre o futebol no Brasil, o crítico de teatro Anatol Rosenfeld já havia percebido que “dar pontapés numa bola era um ato de emancipação”. Quantos jogadores já não trocaram bons times no Brasil e carreiras promissoras por contratos mais rentáveis em times inexpressivos na Coréia, no Qatar ou mesmo na Europa?

Estamos carecas de ver situações desse tipo. São, de um modo geral, negociações motivadas pelo desejo de melhorar de vida, tirar a família de uma situação de pobreza, quando não de miséria, mesmo que abrindo mão de um futuro com mais glórias, em equipes mais tradicionais e participação na seleção brasileira.

A situação de Kaká, sorte a dele, permitiu que a sua escolha não se orientasse exclusivamente pelos valores financeiros do negócio. Preferiu apostar num plano de longo alcance a mergulhar numa aventura que ninguém sabe onde vai dar. Abriu mão de milhões na expectativa que será recompensado de outras formas – talvez uma longa carreira no Milan, inclusive depois que deixar de jogar futebol. 

Todos os elogios para Kaká – mas não tenho ilusão alguma que o seu gesto servirá de exemplo para qualquer outro jogador.

Em tempo: Para quem se interessa pelo assunto, o famoso ensaio de Anatol Rosenfeld, “O Futebol no Brasil”, está publicado no livro “Negro, Macumba e Futebol” (editora Perspectiva). 

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
15/01/2009 - 09:28

Espero não queimar a língua, mas vou elogiar o Kaká

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Comentei certa vez aqui no blog sobre uma capa da “Caras” em que Kaká aparecia desfrutando férias na Sardenha e fui bombardeado pelo fã-clube do atleta. Vou correr o risco novamente. Confesso que não tenho muita simpatia pela imagem de bom-moço e carola do craque, tanto fora quanto dentro do campo. Sempre com um sorriso nos lábios ou com as mãos levantadas ao céu, posando para fotos ao lado de Berlusconi ou dando autógrafos, Kaká não parece humano, mas de outro planeta, em missão por aqui. Não à toa, é o jogador mais querido do Brasil, apontou uma pesquisa recente.

Mas, sua atitude, até o momento, no episódio que envolve a oferta de compra do seu passe pelo Manchester City, merece elogios públicos. Digo “até o momento” porque nunca se sabe o que acontecerá nos próximos capítulos e posso queimar a língua. Diferentemente do que se esperava, ao ser alvo da maior proposta financeira já feita por um jogador de futebol, Kaká evitou dizer “sim” automaticamente. O jogador declarou amor eterno ao Milan, clube em que atua, e deu a entender que grana não é tudo na vida.

Ah, dirão muitos, com o tanto de dinheiro que ele já tem, é fácil dizer isso. É verdade. Ainda assim, o simples fato de não se render de forma irrefletida, como qualquer jogador faria, ao caminhão de libras esterlinas que estacionou à porta da sua casa, já é digno de nota. Segundo seu assessor, para aceitar o convite dos donos bilionários do Manchester City, “a garantia que ele vai exigir é um time vencedor, porque ele quer voltar a ser o melhor do mundo e jogar uma Copa do Mundo, e para isso precisa jogar em um time alto nível”. 

Na minha maneira de ver, o raciocínio está corretíssimo. Espero que não seja apenas demagogia de Kaká, para ficar bem com a torcida do Milan. Vamos aguardar os próximos lances desse negócio. 

Autor: - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , ,
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