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23/10/2008 - 08:03

O blog vai à Mostra VII: Profissão: super-herói na calçada da fama

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Eles não cobram por fotos ao lado dos turistas, mas aceitam gorjetas. Se cobrassem, seriam presos pelos policiais que acompanham seus passos e, às vezes, se disfarçam de turistas para testá-los. São mais de 70 pessoas que ganham a vida em Hollywood Boulevard, Los Angeles, encarnando personagens famosos do cinema e da televisão, em frente ao Teatro Chinês, na chamada “calçada da fama”.

Matt Ogens resolveu contar a vida de quatro deles, Super-Homem, Batman, Hulk e Mulher-Maravilha. O resultado é o curioso documentário “Confissões de Super-heróis”.

Engana-se quem for ao cinema em busca de uma crítica à Hollywood e à indústria que alimenta fama e celebridades. “Confissões de Super-heróis” não alimenta tantas ambições e se contenta em contar quatro histórias bizarras.

Ogens tem carinho por seus personagens e deixa o espectador entender a loucura e a miséria de cada um deles sem forçar muito a mão. Christopher Lloyd Dennis, o Super-Homem, se diz filho da atriz Sandy Dennis (1937-1992), ganhadora do Oscar por “Quem Tem Medo de Virginia Woolf”, mas os parentes da atriz desconfiam que seja mentira. Maxwell Allen, o Batman, afirma ter matado várias pessoas no passado, mas nem sua esposa acredita. Jennifer Gerht, a Mulher-Maravilha, foi líder de torcida no colégio, na infância passada numa cidadezinha de 2.500 habitantes, e sonha ser atriz, mas lhe falta o talento básico para a tarefa. E Joe McQueen, o Hulk negro, viveu quatro anos como sem-teto em Los Angeles, acha que nunca conseguirá um bom papel por causa de seus dentes tortos, mas, graças a seu tipo físico, já conseguiu duas pontas em filmes de ação e terror.

É verdade que Matt Ogens está longe de ser um Eduardo Coutinho, mas há algo de “Edifício Master” em algumas cenas de “Confissões de Super-heróis”, sobretudo aquelas filmadas em ambientes fechados, em que os personagens estão dentro de casa e encaram a câmara para falar das próprias trajetórias. Ao ver o Super-Homem sentado no sofá falando de sua mãe é inevitável lembrar de um incrível personagem de Coutinho – o aposentado que canta “My Way” para o cineasta dentro da sua quitinete em Copacabana. Para quem gosta do gênero, e encara um baixo astral desses numa boa, é um filme que vale a pena.

“Confissões de Super-heróis”  ainda tem duas sessões na Mostra: nesta quinta-feira, dia 23, às 16h10, no Espaço Unibanco Pompéia; e no domingo, 26, às 15h20, no Espaço Unibanco Augusta.

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21/10/2008 - 19:43

O blog vai à Mostra VI: Guy Ritchie se repete

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Se você gostou de “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (1998) e/ou de “Snatch – Porcos e Diamantes” (2000), não perca tempo e garanta o seu ingresso: vem aí “RocknRolla – A Grande Roubada”, o novo filme do cineasta britânico Guy Ritchie.

Quem viu os dois filmes anteriores, nem precisa ler o que vou escrever, pois “RocknRolla” é uma cópia do anterior, que era muito parecido com o primeiro. Ou seja, há dez anos Guy Ritchie, recém-separado da cantora Madonna, vem fazendo um mesmo filme.

Para quem não viu os dois primeiros, Ritchie especializou-se num gênero “esperto”, o filme de gangster inglês em ritmo de comédia. Seus personagens são sempre bandidos e escroques de terceiro escalão, com nomes engraçados. Ingleses e imigrantes. Falam muita gíria com a língua enrolada (o título do filme é uma expressão inventada e diz respeito a um roqueiro doidão). São violentos, mas burros. Bem-humorados, mas com algum mistério a esconder. E se encontram e desencontram em trapaças, ardis e traições de todo o tipo. Os diálogos são rápidos e inteligentes, como em seriados de tevê.

Ritchie, autor também do roteiro, parece tão distante do mundo que descreve que temos a sensação de estar vendo uma história em quadrinhos. Não deixa de ser divertido, mas inconseqüente e com pouco a acrescentar.

Ainda restam três sessões de “RocknRolla”: na quinta-feira, 23, às 14h, no Espaço Unibanco Pompéia; no sábado, 25, às 22h30 no Unibanco Arteplex; e na quinta-feira, 30, às 17h20, no Espaço Unibanco Augusta.

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21/10/2008 - 19:02

O blog vai à Mostra V: Jennifer Lynch, vigiada pelo pai

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A tentação de fazer piada com o nome do filme, “Surveillance” (ou vigilância, em português), é grande. Não bastasse ser filha de um dos mais importantes cineastas americanos vivos, Jennifer Lynch ainda escalou o pai no papel de produtor-executivo de seu filme. Mas é preciso dizer que “Sob Controle”, título escolhido pela tradução brasileira, embora seja um thriller onde se enxerga pitadas de Lynch pai, vai bem além dele.

Ainda inédito nos Estados Unidos, o filme de Jennifer Lynch tem percorrido o circuito de festivais internacionais, num sinal de que seus produtores esperam vida difícil no circuito comercial americano.  

“Sob Controle” trata da chegada de uma dupla de investigadores do FBI a uma cidade do interior dos Estados Unidos para apurar a ocorrência de uma série de crimes bárbaros. Julia Ormond e Bill Pullman, nos papéis dos agentes encarregados da investigação, vão lidar com três testemunhas do caso: um policial corrupto, uma viciada em drogas e uma criança. Jennifer Lynch constrói a narrativa a partir da descrição simultânea que os três fazem do que viram, combinando de forma engenhosa os flashbacks de cada um.

Por trás da brutalidade de algumas cenas, a cineasta deixa escapar um olhar mordaz, próximo do humor negro, sobre os seus personagens e, sobretudo, sobre o próprio filme que está fazendo. “Sob Controle”, nesse sentido, paga tributo a Lynch pai ao criar uma atmosfera que combina, sem explicitar distinções, delírio e realidade, mas vai além, no final, ao expor ao ridículo uma série de clichês cinematográficos.

“Sob Controle” ainda terá uma sessão na Mostra, no sábado, 25, às 14h, no Espaço Unibanco Pompéia.

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19/10/2008 - 14:00

O blog vai à Mostra IV: Entre silêncios e longos planos, a poesia de “Liverpool”

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O argentino Lisandro Alonso foi, por alguns anos, por conta de seus dois primeiros filmes, “La Liberdad” e “Los Muertos”, um dos queridinhos da crítica cinematográfica mundial. “Liverpool”, seu terceiro filme, marca o momento em que os especialistas se desapontaram com Alonso e apontam um impasse em sua obra.

Para este blogueiro, que não conhece os filmes anteriores, “Liverpool” causou boa impressão. Econômico nos diálogos e generoso nos planos longos e silenciosos, o filme de Alonso conta a história de Farrel, um homem na casa dos 40 anos, que trabalha em um navio cargueiro e decide, numa parada em Ushuaia, visitar a sua mãe. Solitário, Farrel tem por companhia uma garrafa de vodca e uma bolsa mal ajambrada, que ele abre e fecha com o maior zelo. Na paisagem inóspita deste extremo do mundo, o personagem chega, finalmente, à aldeia onde vive a mãe, mas ela, muito velha e doente, não o reconhece. Depois de uma breve visita, Farrel vai embora, mas a câmera de Alonso, para espanto de muitos críticos, permanece na aldeia, descrevendo a vida de outra personagem – uma moça que, ao final, vai esclarecer porque o filme se chama “Liverpool”.   

“Liverpool” será exibido neste domingo, dia 19, às 19h50, na Cinemateca, sala Bndes; e na quinta-feira, 30, às 14h50, no Unibanco Artplex.

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19/10/2008 - 12:17

O blog vai à Mostra III: O lado B da Europa em dois grandes filmes

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Temáticas, formas de filmar, sensibilidades: há muito pouco em comum entre “Gomorra” e “O Silêncio de Lorna”, salvo o fato que ambos foram premiados em Cannes em 2008 e expõem a permanência de problemas graves na porção mais próspera do Ocidente.

Adaptação de uma obra do escritor Roberto Saviano, o filme dirigido por Matteo Garrone é um assustador mergulho no mundo da Camorra, a máfia estabelecida na região de Nápoles, no sul da Itália. O registro de Garrone é quase documental. Em poucos minutos, o espectador entenderá a brincadeira de Saviano com o título – “Gomorra” em lugar de “Camorra”. Estamos próximos do inferno. O espectador é levado a passear pelos conjuntos habitacionais da periferia de Nápoles, onde gangues impõem o respeito à base de violência, coação e suborno. Os negócios da Camorra, mostra o filme, vão além de tráfico de drogas, exploração do jogo e comércio de armas: eles se estendem também à indústria do lixo e à estocagem irregular de dejetos químicos poluidores.

Falado quase integralmente em dialeto, “Gomorra” foi exibido com sucesso em Cannes este ano, onde ganhou o Grande Prêmio, o segundo mais importante do festival. Esta semana, na Feira do Livro, em Frankfurt, Saviano e Garrone receberam o prêmio Hessische Filmpreis, entregue desde 2004 à melhor adaptação cinematográfica de uma obra literária. Pela primeira vez, o prêmio não foi dado apenas ao cineasta, mas também ao escritor – uma forma de homenagear Saviano, que desde a publicação do livro vive sob proteção policial.

“O Silêncio de Lorna”, dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, trata de outro tipo de violência, a luta de imigrantes do Leste europeu pela sobrevivência na zona mais próspera do continente. O filme se passa na Bélgica e retrata o esforço de uma imigrante albanesa em se estabelecer no país. Para isso, veremos como ela se envolve com a máfia russa em busca da cidadania belga. Mal o filme começa, entendemos que, para obter o documento, ela teve que se casar com um viciado em drogas e, em seguida, precisa se livrar dele para poder ser oferecida como uma “legítima” belga a um outro imigrante.

Como outros filmes dos irmãos Dardenne (“Rosetta”, “A Criança”, ambos vencedores da Palma de Ouro, em Cannes), a força de “O Silêncio de Lorna” vem da forma sutil e delicada com que os cineastas registram as fraquezas humanas e as emoções dos personagens. O filme ganhou o prêmio de melhor roteiro em Cannes, este ano. A quase estreante Arta Dobroshi, atriz que encarna Lorna, é um trunfo e tanto deste filme.

“Gomorra” será exibido neste domingo, dia 19, às 20h50, no Reserva Cultural; no sábado, 25, às 16h, no Espaço Unibanco Pompéia; e no domingo, 26, no Espaço Unibanco Pompéia.

 “O Silêncio de Lorna” ainda será exibido na segunda-feira, dia 20, às 21h, no Cine TAM; na sexta-feira, 24, às 17h10, no Espaço Unibanco Augusta; e no domingo, 26, às 22h, no Espaço Unibanco Pompéia.

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18/10/2008 - 10:40

O blog vai à Mostra: Wajda detalha o massacre de “Katyn”

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Em 1º de setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Dezessete dias depois, vindo do leste, o exército russo também invadiu o país, dividindo-o ao meio com os nazistas. O drama dos poloneses, oprimidos entre dois invasores, um de cada lado da ponte, é exibido logo na cena de abertura de “Katyn”, o mais recente e talvez mais impressionante filme de Andrzej Wajda (“Danton, o Processso da Revolução”, “O Homem de Ferro”).

As conseqüências da ocupação nazista são bem conhecidas, sobretudo o extermínio de milhões de judeus em campos de concentração. Já as marcas da ocupação soviética são menos notórias. O seu ato mais bárbaro ocorreu em meados de 1940, quando 15 mil oficiais do Exército polonês foram assassinados a céu aberto com tiros na cabeça e enterrados em valas comuns em Katyn, no interior da União Soviética.

Além dos dramas resultantes de um massacre que exterminou parte da elite polonesa (havia engenheiros, advogados, médicos etc entre os reservistas assassinados), o país conviveu por décadas com a proibição de falar desta atrocidade, já que a Polônia se tornou aliada da União Soviética a partir de 1945 – e o que ocorreu em Katyn virou um tabu.

Wajda sonhou por anos em levar a história deste massacre às telas, mas só conseguiu fazer isso em 2007. O pai do cineasta estava entre os mortos em Katyn, ele conta. Aos 81 anos, o mais famoso cineasta polonês fez um filme que é um acerto de contas pessoal, mas também de todo um povo com a sua história e a de seus inimigos. Cerca de 2 milhões de poloneses, em uma população de 38 milhões, assistiram a “Katyn” no ano passado. Candidato ao Oscar de filme estrangeiro em 2008, perdeu a estatueta para o tcheco “Os Falsários”, de Stefan Ruzowitzky. 

Para um brasileiro, pode haver algumas dificuldades em acompanhar detalhes da história, mas o essencial não se perde (Um excelente artigo sobre o filme, no “New York Review of Books, pode ser lido, em inglês, aqui). “Katyn” trata de uma atrocidade sem tamanho, daquelas que nos deixam perplexos e sem esperança. A propósito, os últimos 15 minutos do filme, ao longo dos quais Wajda recria de forma realista o massacre, são muito difíceis de assistir. Esteja preparado, caso deseje encarar.

“Katyn” será exibido neste sábado, dia 18, às 21hs, na Cinemateca, sala BNDES, e no domingo, dia 19, às 19h30, no Cinemark do Shopping Eldorado.

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