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20/07/2009 - 09:45

“NY Times” aceita financiamento externo para reportagens

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Mais respeitado jornal do mundo, o “New York Times” é hoje, também, o principal termômetro da crise que atinge gravemente a mídia impressa nos Estados Unidos. Todos os seus passos são monitorados no esforço de entender quais são as saídas – se é que existem – para a perda de leitores e a queda na receita de publicidade que afetam todos os jornais do mundo.

Em sua mais recente coluna dominical, o “public editor” (o ombudsman do jornal) Clark Hoyt discutiu um passo ousado – chocante mesmo, para a velha guarda – que o “Times” resolveu adotar na tentativa de reduzir as despesas sem perder a qualidade de suas investigações jornalísticas. Trata-se de buscar financiamento externo, fora do jornal, para a realização de reportagens.

Hoyt conta a história da jornalista Lindsay Hoshaw, que vive de free-lancers, ou seja, sem emprego fixo. Ela sugeriu ao “Times” fazer uma reportagem fotográfica sobre uma massa de lixo flutuante que percorre o oceano Pacífico, mas precisaria de US$ 10 mil (R$ 20 mil) para os gastos com a viagem, a bordo de um navio de pesquisas. O jornal informou que poderia pagar, caso a reportagem o interessasse, US$ 700 pelas fotos e mais um pouco se comprasse também o texto.

Lindsay Hoshaw partiu, então, em busca de financiamento externo para a sua reportagem. Procurou o site Spot.us, uma comunidade formado por jornalistas investigativos com o objetivo de arrecadar recursos para as suas matérias. Se conseguir US$ 6 mil até a data de partida do navio, em setembro, ela vai arrumar um empréstimo para custear o resto (já conseguiu, até agora, US$ 1,6 mil).

Escreve o “public editor”: “Para alguns, isso é exploração – o poderoso ‘New York Times’ forçando uma empenhada jornalista a mendigar com uma caneca virtual. Mas Hoshaw não pensa assim. Para ela, é uma oportunidade que ela não pode perder – uma matéria que ela sonha fazer há muito tempo e a chance de sair no ‘Times’. Para David Cohn, fundador da Spot.Us, uma organização sem fins lucrativos, é uma maneira de o público financiar o jornalismo que ele quer. Para o ‘Times’ é um novo passo na direção de um mundo impensável até poucos anos atrás”.

Como outros jornais, o “New York Times” construiu sua reputação e prestígio justamente com base na absoluta independência econômica. Entre outras implicações, tomada a decisão de fazer uma reportagem, da mais séria à mais leve (como uma matéria de turismo, por exemplo), o jornal sempre custeou todas as despesas dos jornalistas envolvidos na tarefa.

Foi assim por décadas e décadas. Não é mais. Escreve Hoyt: “À medida que as receitas com publicidade caem e a tecnologia altera drasticamente a relação do público com os meios de comunicação, o ‘Times’ está buscando novas fontes de dinheiro e se abrindo para parcerias e arranjos distantes do velho modelo, no qual editores decidem o que é notícia, escalam os seus repórteres e pagam as despesas – tudo isso sustentado por centenas e centenas de anunciantes, nenhum deles grande o suficiente para influenciar o jornalismo”

O “public editor” conta em sua coluna que o “Times” está fazendo outras parcerias, com outras entidades, além da Spot.Us, como a Pro.Publica, uma organização sem fins lucrativos dedicada ao jornalismo investigativo, fundada por banqueiros bilionários, cujos negócios já foram alvo de reportagens críticas do próprio jornal.

Herbert e Marion Sandler, os fundadores da Pro.Publica, ganharam muito dinheiro com o financiamento de hipotecas, mas saíram do negócio um pouco antes da quebradeira geral que deu origem à crise atual na economia americana.

A Pro.Publica é, assim, um exemplo interessantíssimo sobre as possibilidades e limites desta nova – e, aparentemente, inevitável – forma de financiar o jornalismo. Hoyt descreve todo o esforço da organização para conseguir mais fundos e se tornar totalmente independente do casal Sandler.

E o “public editor” conclui sua coluna com as palavras do presidente desta fundação, Alberto Ibarguen: Se os jornais não trocarem o modelo “eu escrevo e você lê” por parcerias com organizações externas e abertura à participação do público na feitura das notícias, “o mundo vai passar por cima deles”.

Aqui você encontra a coluna de Hoyt, One newspaper, many checkbooks.

Autor: - Categoria(s): jornalismo Tags: , , , ,
25/06/2009 - 14:42

Farrah Fawcett e a “cláusula Quem” do “New York Times”

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No “New York Times” chama-se esta técnica de “cláusula Quem” e foi desenvolvida pelo “mestre” Robert McG Thomas Jr., um dos mais notáveis jornalistas que passaram pela seção de obituários do jornal. Trata-se do esforço de síntese de resumir numa única frase a vida de uma pessoa. Eis a frase, na minha visão perfeita, com a qual o jornal acaba de anunciar a morte de Farrah Fawcett.

Farrah Fawcett morre de câncer aos 62

Farrah Fawcett, atriz, estrela de televisão e fenômeno da cultura pop, cujo visual e penteado influenciaram uma geração de mulheres e, começando com um famoso pôster como pinup, enfeitiçou uma geração de homens, morreu na quinta-feira, em Santa Mônica, Califórnia, de acordo com Paul Bloch, seu porta-voz. Ela tinha 62 anos e estava lutando contra o câncer desde o final de 2006.

E aqui o texto na versão original (desculpe pela tradução apressada)

Farrah Fawcett Dies of Cancer at 62

Farrah Fawcett, an actress, television star and pop-culture phenomenon whose good looks and signature leonine hairstyle influenced a generation of women and, beginning with a celebrated pinup poster, bewitched a generation of men, died on Thursday in Santa Monica, California, according to Paul Bloch, her spokesman. She was 62 and had been battling câncer since late 2006.

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22/06/2009 - 12:52

EUA discutem decisão de publicar reportagem investigativa apenas em versão online de jornal

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Neste momento delicado que a imprensa escrita vive nos Estados Unidos, qualquer movimento diferente feito por algum jornal é acompanhado com lupa pelos demais. A situação da imprensa brasileira parece ser diferente, mas não deixa de ser instrutivo acompanhar os lances dessa crise americana, e como está se dando a transição da mídia impressa para a mídia online.

O “New York Times” desta segunda-feira dedica um bom espaço para discutir uma decisão editorial de um concorrente, o “Washington Post”. O que surpreendeu o “Times” foi o fato de o “Post” ter publicado apenas na sua edição online uma longa reportagem especial, sobre um misterioso caso policial não resolvido.

“A decisão de manter o texto fora da edição impressa enfureceu muitos leitores que ainda pagam pelo jornal. Também chamou a atenção para as espinhosas questões que os editores de jornais ainda enfrentam ao atender tanto aos leitores das edições impressas quanto online”, escreve o Times. “A maioria dos editores concorda que a edição impressa ainda é o lugar para publicar reportagens investigativas profundas, ao menos para dar a certos leitores uma razão de continuar pagando por notícias”.

Com 7 mil palavras (mais de 40 mil caracteres), a reportagem do “Post” se enquadrava claramente neste critério. O texto é tão longo para os padrões jornalísticos que, mesmo na Internet, foi publicado em duas partes.

Ao investigar as motivações do “Post”, o Times conclui que a decisão de publicar o texto online deveu-se a causas econômicas – economizar papel – e não a uma experiência com o jornalismo online. Editores do “Post” disseram que chegaram considerar a possibilidade de publicar o texto na edição impressa, mas concluíram que ele era muito longo num momento em que os gastos com papel estão entre os custos que devem ser cortados pela empresa. 

Autor: - Categoria(s): Internet, jornalismo Tags: , , , ,
08/06/2009 - 09:47

Crítico de cinema: profissão em extinção?

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Levantamento do jornal “The Salt Lake Tribune” indica que ao menos 55 críticos de cinema foram demitidos ou mudaram de área na imprensa americana desde 2006. O dado, citado em reportagem na edição dominical do “New York Times”, ilumina um aspecto da crise que afeta os jornais americanos e, em particular, ajuda a compreender uma mudança significativa que vem ocorrendo na relação de Hollywood com a imprensa.

O “New York Times” dedica-se a tentar entender a perda de importância dos jornais – e o crescimento da influência dos blogs – no processo de divulgação dos filmes pelos grandes estúdios. O sinal mais aparente deste fenômeno – importante pelo volume de recursos que Hollywood movimenta em marketing – é que os jornais contribuem cada vez menos com aquelas publicidades repletas de frases retiradas de críticas.

Uma das mais antigas ferramentas de marketing de um filme, a citação tirada de uma crítica de cinema (coisas como “eletrizante” “imperdível”, “muito engraçado”, “ri do início ao fim”) já foi motivo de muita polêmica. Há alguns anos, descobriu-se que um estúdio, a Sony, havia publicado um anúncio com uma frase inventada, dita por um crítico que não existia. Também é comum tirar palavras ou frases de contexto, mudando o sentido do que o crítico quis dizer para realçar qualidades inexistentes de um filme.

O que inquieta o “New York Times” agora é o fato de que os grandes estúdios de Hollywood preferem recorrer a críticas publicadas em blogs do que em jornais. Escreve o diário:

“Os seis grandes estúdios gostam de ir à Internet em busca de frases para usar em publicidade porque há uma variedade muito grande de sites de onde tirar a palavra ou a frase certa. Alguns sites, é claro, são sérios. Outros, incluindo sites como Ain´t It Cool News, não fazem segredo do seu olhar de ‘animador de torcida’ em relação a alguns gêneros de filmes”.
 
Em outras palavras, raciocina o “New York Times”, os estúdios preferem recorrer a sites e blogs porque eles tratam os filmes de forma mais generosa e complacente que os jornais. O grande diário americano está, evidentemente, fazendo uma generalização injusta, já que há também muitos críticos em jornais que funcionam mais como “animadores de torcida” do que, propriamente, como analistas sérios e isentos.

Em todo caso, dois entrevistados do jornal reforçam a tendência de recorrer a sites e blogs no lugar dos jornais na leitura das críticas de cinema. Um vice-presidente da Universal, Michael Moss, diz ao jornal: “Alguns dos melhores críticos de cinema e a maioria das boas críticas são encontradas online”.

Já Mike Vollman, presidente de marketing da MGM e United Artists, afirma que vai preferir se basear mais em blogs do que na revista “Time” para promover o remake do filme “Fama”.  “A realidade, e lamento dizer isso para você, é que os jovens que vão ao cinema são mais influenciáveis por um blog do que por um crítico de jornal”.

A reportagem, em resumo, confirma as previsões mais pessimistas dos que enxergam na revolução promovida pela nova mídia um sinal de empobrecimento e decadência cultural. Ainda assim, o próprio “New York Times” reconhece que há sites “sérios”, publicando textos sobre cinema com o mesmo grau de rigor que os jornais ditos de prestígio.

E o Brasil? – algum leitor perguntará. O problema, ainda que em grau menor, até porque a indústria de cinema nacional é minúscula comparada a Hollywood, já aparece por aqui. Ainda estamos, pelo que observo, numa etapa anterior. Há um crescimento impressionante de sites e blogs dedicados ao cinema, mas o mercado ainda observa com desconfiança, procurando entender – e separar o joio do trigo de toda essa movimentação. Em todo caso, é possível observar que alguns produtores já utilizam frases retiradas de sites e blogs para divulgação de seus filmes.

Autor: - Categoria(s): Blog, Cultura, Internet Tags: , , , , ,
25/05/2009 - 09:25

Caso Watergate: a mancada jornalística do século

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O “New York Times” desta segunda-feira publica a notícia que um repórter e um editor do jornal tiveram informações quentes sobre o escândalo de Watergate dois meses antes de Bob Woodward e Carl Bernstein darem início, no concorrente “Washington Post”, à série de reportagens que iria resultar na renúncia do presidente Richard Nixon. A ser verdade o que é relatado, trata-se da maior mancada jornalística da história.

Robert Smith, ex-repórter do “Times”, resolveu falar depois de saber que o ex-editor Robert H. Phelps incluiu a história em seu livro de memórias, recém-publicado. Segundo Smith, em 1972, dois meses depois da invasão do prédio Watergate, ele almoçou com o então diretor do FBI, L. Patrick Gray, que revelou detalhes explosivos do caso, envolvendo o procurador-geral John Mitchell e dando dicas da ligação da Casa Branca com o escândalo – relacionado a levantamento irregular de fundos para a campanha eleitoral de Nixon e o posterior encobrimento ilegal do caso.

Smith conta que voltou voando para a sucursal do “Times” em Washington e contou tudo que ouviu para seu chefe, Phelps, que tomou notas e gravou a conversa. A partir daí, a história começa a ficar estranha.

No dia seguinte, Smith deixou o “Times” e seguiu para a Universidade Yale, para cursar Direito. E dias depois, Phelps partiu para uma viagem de descanso de um mês no Alaska. E o que foi feito com as dicas dadas pelo diretor do FBI? E as anotações? E a gravação? São perguntas que o jornal faz hoje. As respostas são nebulosas.

“Não tenho idéia”, responde Phelps, hoje com 89 anos. Ex-colegas que ele entrevistou afirmam não ter conhecimento da história. “Foi, provavelmente, culpa minha”, ele diz. Smith conta que, durante o almoço com o diretor do FBI, ouviu que o Partido Republicano cometeu “truques sujos” durante a campanha para a eleição de Nixon.

“Ele (Gray) me disse que o procurador-geral estava envolvido no esforço de esconder o caso”. O então repórter lembra-se de ter perguntado: “Chega até onde? No presidente?” Segundo Smith, Patrick Gray olhou para ele e não respondeu. “Sua resposta estava no seu olhar”.

Escreve o “New York Times” hoje: “Se os relatos dele (Phelps) e de Smith estão corretos, o ‘Times’ perdeu a chance de sair na frente na grande reportagem da sua geração”.

Outro significado da revelação é que não apenas Mark Felt, o número 2 do FBI, estava passando informações para jornalistas (em 2005, ele revelou ser o Garganta Profunda, que abasteceu Woodward durante o escândalo), mas também o número 1 da agência estava revelando segredos sobre o caso.

A reportagem de hoje do “New York Times” sobre esse caso surreal pode ser lida aqui.  

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14/04/2009 - 13:49

Twitter: muito além do diário virtual

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Coloque no Google a pergunta, entre aspas, “Para que serve o Twitter” e você encontrará 45 mil entradas. Faça a pergunta em outras línguas e descubra que esta é uma dúvida mundial. Com 14 milhões de usuários, o Twitter é uma febre, de fato, mas a sua real utilidade ainda intriga muita gente – não apenas quem observa o fenômeno de fora, mas mesmo entre os que usam o serviço.

O que nasceu como uma rede social, congregando pessoas dispostas a partilhar com outras, em 140 caracteres, os seus hábitos mais miúdos, rapidamente mostrou inúmeras outras potencialidades. Acho, mal comparando, que é uma trajetória semelhante à dos blogs, que nasceram como “diários virtuais” e hoje são utilizados de formas variadas e criativas.

Em busca, como tantos outros, de respostas a este fenômeno o “New York Times” desta terça-feira relata curiosos usos do Twitter. O jornal observa que essa descrição comezinha de hábitos (“acordei de mal humor”, “almocei um espaguete”, “fui ao cinema ver…”) pode soar totalmente sem graça aos olhos exteriores, mas se analisada em conjunto com outras descrições pode ajudar a compreender hábitos.

Assim, lê-se que empresas como Starbucks, Whole Foods e Dell estão de olho no Twitter, no esforço de entender o que os seus consumidores estão pensando e, eventualmente, adaptar as suas estratégias de marketing.

O Starbucks agora aceita críticas e sugestões enviadas para a sua conta no Twitter. Recentemente, também usou a rede social para desmentir o rumor que iria parar de enviar café ao Iraque em protesto contra a guerra. A Dell observou, lendo o Twitter, que os clientes reclamavam muito da proximidade de duas teclas no teclado do seu modelo de laptop Mini 9 e, em função disso, resolveu o problema no modelo Mini 10. 

O jornal também conta a história de Corey Menscher, estudante de New York University, que desenvolveu o Kickbee, um aparelhinho com sensor, que envia um alerta ao Twitter cada vez que o bebê na barriga da sua mulher dá um “chute”. O estudante estuda vender o produto.

E, com a mesma lógica, cogita-se desenvolver produtos semelhantes, que enviem dados e alertas a médicos sobre taxas de sangue, pressão etc de seus pacientes. O jornal relata o caso de médicos que usaram o Twitter recentemente para trocar informações durante uma delicada cirurgia de remoção de um tumor no cérebro, num hospital em Detroit.

Mais conhecida, e sempre citada, foi a experiência de trocar mensagens por Twitter em uma situação de emergência, os atentados em Mumbai, na Índia, em novembro do ano passado.

O Twitter também já está sendo usado como um centro de consulta em busca de informações úteis. Experimente colocar no ar uma pergunta qualquer (“onde posso comprar ingressos para o jogo Corinthians e São Paulo?”) e veja a as respostas que receberá.

Como de hábito, só não se sabe, ainda, como ganhar dinheiro com o Twitter – nem mesmo os seus criadores sabem direito.

Pessoalmente, tenho usado o Twitter para enviar alertas sobre textos que escrevo aqui, no blog ou no Último Segundo. Utilizei o serviço uma vez para comentar uma partida de futebol, diretamente do estádio do Pacaembu. Também vejo no Twitter as sugestões de leitores que outros colegas publicam. Se alguém tiver uma sugestão de uso melhor, fique à vontade de enviar.

Autor: - Categoria(s): Blog, Internet Tags: , , , , ,
05/04/2009 - 11:51

Rua Augusta: um hospício onde tudo é permitido

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Já escrevi no blog sobre a curiosa preferência dos correspondentes internacionais pelo Rio de Janeiro – dos 108 sócios efetivos da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE), 103 residem na cidade. O jornalista Seth Kugel é uma das exceções nesta rede. Colaborador do “New York Times”, fixou-se em São Paulo, cidade que tem procurado descobrir além da superfície.

Na edição deste domingo, no caderno “Travel” (viagem), Kugel escreve sobre a revitalização de todo a região em torno do que ele chama de “lado ruim” da Rua Augusta – o trecho da rua que desce, da Avenida Paulista, em direção ao centro da cidade. Não chega a ser um assunto original, mas o seu olhar sobre o pedaço é muito bom. 

A região, como se sabe, foi por muito tempo uma zona de prostituição, com casas noturnas voltadas ao negócio e mulheres ganhando a vida na rua. Nos últimos anos, ele escreve, também virou um bairro de casas noturnas para o público GLS, um ponto de encontros de adolescentes, e até mesmo um local onde você vê senhoras passeando com seus cachorros. “É um lugar muito interessante para passar uma noite: um hospício onde tudo é permitido”, define, com bom humor.

Autor: - Categoria(s): jornalismo, São Paulo Tags: , , , ,
05/01/2009 - 09:48

Internet supera jornais como fonte de notícias nos EUA

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Uma pesquisa do Pew Research Center for the People and the Press, um instituto especializado em estudos sobre mídia, indica que a Internet superou os jornais como principal fonte de noticias para os americanos em 2008. Em resposta a pergunta “onde você obteve a maioria das notícias nacionais e internacionais”, 40% dos entrevistados apontaram a web contra 35% dos que indicaram a mídia impressa.

Foram entrevistadas 1.489 pessoas, que podiam nomear mais de uma mídia na resposta. O resultado, lembra o New York Times, não representa um declínio da popularidade dos jornais – que cresceram um ponto percentual em relação à pesquisa realizada de 2007 (clique no quadro ao lado). O que chama a atenção foi o salto dos que indicaram a Internet como a sua fonte primária de notícias – de 24%, em 2007, para os atuais 40% dos entrevistados.

A televisão, com 70%, ainda é a principal fonte de notícias nacionais e internacionais. Mas, para os entrevistados com idades entre 18 e 29 anos (clique no quadro ao lado), internet e tevê já rivalizam como a principal maneira de se informar: 59% dos entrevistados nessa faixa etária afirmam que encontram na web a maior parte das notícias que os interessam, mesmo percentual dos que citam a tevê. Na pesquisa anterior, em setembro de 2007, o resultado foi bem diferente nesta faixa etária: 68% citaram a televisão contra 34% que mencionaram a internet.  

Um diretor do Pew Center, ouvido pelo New York Times, credita o resultado da pesquisa à eleição presidencial. “As pessoas normalmente não querem a visão geral de uma eleição. Querem seguir o seu candidato, selecionando e escolhendo o que querem ver de uma forma que a mídia mainstream não permite”, diz Michael Domock.

Na visão de Domock, a cobertura política funciona bem com recursos interativos, como pesquisas promovidas pela internet e comentários, enquanto, diz ele, “a guerra no Iraque é um assunto bem contado por jornais e televisões”.

Atualizado às 12h de 6 de janeiro de 2009.

Autor: - Categoria(s): Internet, jornalismo Tags: , , ,
02/12/2008 - 10:56

Dono de conglomerado de mídia, Berlusconi prefere responder a críticas na Justiça

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Silvio Berlusconi governa com uma sólida maioria parlamentar, comanda a rede de tevês estatais (RAI) e é dono do principal conglomerado de mídia da Itália. Por que, então, pergunta o “New York Times” nesta terça-feira, com todos estes meios à disposição, o primeiro-ministro prefere responder a seus críticos não na televisão ou nos jornais, mas na Justiça?

Depois de processar, a “Economist” e o jornalista britânico David Lane – casos que Berlusconi perdeu em primeira instância e não recorreu – o mais recente alvo é o jornalista Alexander Stille, radicado nos Estados Unidos, e um dos maiores especialistas em assuntos italianos.

Stille, cujo mais recente artigo para a revista “New Yorker”, sobre as mulheres que Berlusconi levou de suas empresas para o governo, foi comentado aqui no blog, está sendo processado por um assessor direto do primeiro-ministro, Fedele Confalonieri. Ele é citado num livro de Stille, de 2006, “The Sack of Rome”, por acusações que já haviam sido publicadas na imprensa italiana.

Todos esses processos são vistos como claras tentativas de intimidação da imprensa. Além dos custos com advogados e dos inconvenientes gerados, observa Stille, “para cada uma dessas ações, você pode afetar o comportamento de outros 100 jornalistas”.

O texto do “New York Times” comprova o efeito desses processos. David Lane, que trabalha na “Economist”, diz que pensa em retirar da edição italiana – mas não da inglesa – de seu próximo livro todas as referências a Berlusconi.

Autor: - Categoria(s): Mundo Tags: , , , ,
20/10/2008 - 11:24

Efeitos inusitados da crise nos EUA: menos desodorante, mais laxante

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Ao afetar os bolsos dos cidadãos, a crise econômica acaba tendo reflexos também nos corpos e mentes das pessoas. Reportagem publicada neste domingo no New York Times ouve economistas, sociólogos e psicólogos para avaliar efeitos inusitados da situação econômica.

Um psicólogo analisou as listas de músicas mais tocadas e concluiu que, em tempos de crise, as pessoas preferem ouvir canções longas, lentas com temas mais profundos, enquanto em fase de bonança os hits preferidos são mais rápidos e animados.

Um estudioso dos hábitos de consumo contatou que, em tempos de prosperidade econômica, cresce, por exemplo, a venda de desodorantes, porque as pessoas saem mais de casa, e em tempos de recessão aumenta o consumo de laxantes – porque as pessoas, sob estresse, acabam sofrendo mais de prisão de ventre, explica o especialista.

Sem perder de vista a ironia, a reportagem observa que qualquer coisa pode servir de indicador econômico. Um estudo feito entre plantadores de café, na Colômbia, mostrou, por exemplo, que a queda abrupta do preço do produto tem efeitos na redução da mortalidade infantil. A explicação é que nessa situação os pais têm mais tempo para ficar em casa e cuidar dos filhos.

A saúde melhora em tempos de recessão, diz um economista. “A taxa de mortalidade cai, as pessoas fumam menos, bebem menos e se exercitam mais. Os acidentes de trânsito diminuem, o que não é uma surpresa, porque as pessoas dirigem menos. Ataques do coração diminuem, problemas nas costas diminuem. As pessoas têm mais tempo para preparar refeições saudáveis em casa. Quando a economia piora, a poluição diminui”, diz Christopher Ruhm.

Lembra o economista, porém: “As pessoas ficam mais saudáveis, mas não estão mais felizes. Aumentam as taxas de suicídio e a saúde mental pode piorar”.

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