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25/06/2009 - 14:42

Farrah Fawcett e a “cláusula Quem” do “New York Times”

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No “New York Times” chama-se esta técnica de “cláusula Quem” e foi desenvolvida pelo “mestre” Robert McG Thomas Jr., um dos mais notáveis jornalistas que passaram pela seção de obituários do jornal. Trata-se do esforço de síntese de resumir numa única frase a vida de uma pessoa. Eis a frase, na minha visão perfeita, com a qual o jornal acaba de anunciar a morte de Farrah Fawcett.

Farrah Fawcett morre de câncer aos 62

Farrah Fawcett, atriz, estrela de televisão e fenômeno da cultura pop, cujo visual e penteado influenciaram uma geração de mulheres e, começando com um famoso pôster como pinup, enfeitiçou uma geração de homens, morreu na quinta-feira, em Santa Mônica, Califórnia, de acordo com Paul Bloch, seu porta-voz. Ela tinha 62 anos e estava lutando contra o câncer desde o final de 2006.

E aqui o texto na versão original (desculpe pela tradução apressada)

Farrah Fawcett Dies of Cancer at 62

Farrah Fawcett, an actress, television star and pop-culture phenomenon whose good looks and signature leonine hairstyle influenced a generation of women and, beginning with a celebrated pinup poster, bewitched a generation of men, died on Thursday in Santa Monica, California, according to Paul Bloch, her spokesman. She was 62 and had been battling câncer since late 2006.

Autor: - Categoria(s): jornalismo Tags: , , ,
02/06/2009 - 15:45

O duro ofício de entrevistar amigos e parentes sobre mortos

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Nada se compara à dor pela perda de uma pessoa querida, mas há poucas coisas piores no jornalismo do que ser encarregado de “repercutir” a morte de alguém. Explicando para quem não é jornalista, isso significa receber a missão de entrevistar familiares, amigos e parentes em busca de informações sobre o morto. É uma situação que envolve diferentes tipos de constrangimento e acaba contribuindo muito para a má fama de jornalistas.

Em busca de informações, como neste momento, do acidente com o avião da Air France, somos obrigados a interagir friamente com pessoas dominadas pela emoção da morte de algum ente querido. A reação ao assédio da imprensa varia muito – vai desde uma simples negativa ao pedido à fúria causada pelo sentimento de invasão de privacidade ou de falta de respeito com a perda.

O jornalista sabe que está sendo chato, inconveniente, mas não pode recuar, se o propósito é informar o leitor ou espectador sobre fato de interesse público.

Quando Tom Jobim (1927-1994) morreu, por exemplo, fui encarregado de entrevistar músicos americanos que haviam convivido com o maestro brasileiro. Primeiro, falei com o saxofonista Gerry Mulligan, que deu um depoimento muito bonito sobre Tom. Depois, telefonei para o cantor Jon Hendriks. Para minha infelicidade, Hendriks ainda não sabia da notícia e ficou muito abalado ao receber de mim a triste informação. O que fazer nestas horas? Você quer se esconder, mas não pode.  

Para encerrar, conto uma história com uma pitada de humor negro.

Nos meus tempos de “Folha”, eu  tinha um colega muito agitado, elétrico, que escrevia sobre educação. Ele estava fazendo uma reportagem qualquer e precisava ouvir o reitor de uma determinada universidade. Com dificuldades de encontrá-lo, telefonou para a casa do sujeito. Do outro lado da linha, foi informado que o reitor havia falecido dois dias antes. Nunca esqueço da reação do meu colega, ao telefone: “Que pena! Precisava tanto falar com ele!”

Autor: - Categoria(s): jornalismo Tags: , , , , ,
16/05/2009 - 12:28

A morte do caçador de fantasmas

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Passou em brancas nuvens no Brasil a morte do homem que dedicou a vida a caçar fantasmas. Nascido na Áustria, radicado nos Estados Unidos, Hans Holzer (1920-2009) escreveu cerca de 140 livros sobre parapsicologia, ocultismo e temas correlatos – vários deles publicados por aqui.

Holzer cunhou o termo “caça-fantasma”, nome de um programa que apresentou numa tevê americana, mas preferia ser chamado de “doutor” ou “professor”. Descobri um pouco sobre Holzer na página de obituários da revista “Economist”. O texto ensina que, com quatro anos, ele já tentava ler histórias sobre fantasmas para seus colegas – apavorados – no jardim de infância.  

Fantasmas, ele explicava, são perfeitamente naturais. São seres humanos que não estão conscientes que morreram. Com uma câmera Polaroid de alta velocidade, Holzer conseguia caçá-los – uma técnica que ele ensinou a muita gente.

Como já escrevi no blog sou fã dos obituários da “Economist”. A qualidade da seção começa pela escolha do personagem que merece ocupar a página semanal dedicada aos mortos. Pode ser Jesus Cristo, o roqueiro Syd Barret ou o papagaio Alex, cobaia de experiências sobre o estudo da fala dos animais.

O obituário da “Economist”, invariavelmente bem escrito, consegue conciliar reverência ao personagem escolhido com bom humor e ironia. O texto sobre o caça-fantasma Hans Holzer, por exemplo, termina assim: “No funeral arrangements were announced for Mr. Holzer. He did not intend, however, to stick arround.” (“Informações sobre o enterro do Sr. Holzer não foram anunciadas. Ele não pretendia, porém, continuar por aí.”)

Autor: - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: , ,
09/10/2008 - 09:16

“Economist” reúne seus clássicos obituários em livro

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O obituário é um gênero jornalístico cada vez mais valorizado. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, especialmente, é tratado como uma forma nobre de jornalismo, quase uma arte. A publicação no Brasil, no início deste ano, de “O Livro das Vidas” (Companhia das Letras), uma antologia de obituários publicados no “New York Times”, alcançou surpreendente sucesso, mostrando que, também aqui, há interesse por textos de qualidade – pequenas jóias literárias capazes de, ao falar da morte de alguém, fazer uma ode à vida.

Na aula que dá sobre o assunto, no posfácio de “O Livro das Vidas”, Matinas Suzuki Jr. faz um histórico sobre a difusão do hábito de publicar obituários na imprensa de qualidade ao redor do mundo. Ele lembra que a revista “Economist” fez uma reportagem de três páginas em 1994 chamando a atenção para o alto nível dos obituários publicados então – “de longe, mais bem escritos do que as outras páginas dos jornais”. Um ano depois, a própria “Economist” instituiu um espaço semanal para os seus obituários – uma maneira de “trazer gente – ainda que morta – para a revista”, explicou o editor Bill Emmott (citado por Matinas).

Eis que, uma década depois, a “Economist” reúne em livro 200 dos seus formidáveis e surpreendentes obituários. Não está lá o famoso texto sobre Jesus Cristo, mas a antologia inclui, por exemplo, o obituário do papagaio Alex, morto aos 31 anos, em 6 de setembro de 2007, depois de anos de serviços prestados aos estudos sobre a fala dos animais. Sem preconceitos, a sóbria “Economist” publicou obituários sobre rebeldes do naipe de Syd Barret, do Pink Floyd, ou Hunter Thompson, o famoso jornalista gonzo, ou ainda do poeta beat Allen Ginsberg, mas também de gente séria, como o fundador da Sony, Akio Morita, ou o papa João Paulo II. A lista é enorme e pode ser acessada no site da Amazon UK, clicando-se na capa do livro, à venda lá.

“Book of Obituaries” foi editado por Ann Wroe, atual responsável pela seção da revista, e por Keith Colquhoun, o primeiro editor, que escreveu os obituários da “Economist” por oito anos. O livro acabou de ser lançado na Inglaterra (352 páginas, 20 libras) e sai nos Estados Unidos em novembro. Se você, por acaso, está com viagem marcada para Nova York e se interessa pelo assunto, saiba que a revista está anunciando a realização de um debate na cidade, no dia 31 de outubro, intitulado “A arte do obituário”, com a presença da editora Ann Wroe.

Autor: - Categoria(s): jornalismo Tags: ,
10/09/2008 - 10:31

Morte também é cultura: variações sobre a frase de Mark Twain

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Há duas semanas, quando a agência Bloomberg publicou, por engano, o obituário de Steve Jobs, este blog, como muitos outros, lembrou da famosa frase dita por Mark Twain ao ser vítima de engano semelhante: “As notícias sobre a minha morte são exageradas”.

Nesta terça-feira, finalmente, Jobs se manifestou sobre a precipitação da Bloomberg. Ao anunciar um novo iPod da Apple, o executivo fez exibir num telão ao fundo do auditório a ironia de Twain – com uma pequena diferença em relação à citada pelo blog: “As notícias sobre a minha morte são muito exageradas”.

“The Oxford Dictionary of Humorous Quotations”, de Ned Sherrín, minha fonte na matéria, registra que a frase foi publicada no “New York Journal” em 2 de junho de 1897 (treze anos, portanto, antes da morte de Twain), mas em outro tempo verbal – no passado: “The report of my death was an exaggeration”. O dicionário informa, ainda, que a frase costuma ser mais citada com o advérbio que Jobs a usou ontem: “Reports of my death have been greatly exaggerated”. O executivo da Apple, porém, falou a frase no presente, como este blog a citou: “The reports of my death are greatly exaggerated”.

Foto: AP

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