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18/09/2009 - 11:14

“Os decepcionaldinhos”, Freud do Cariri e as crianças

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O grande Xico Sá, jornalista de múltiplos talentos, cunhou na “Folha” desta sexta-feira uma expressão genial para se referir aos torcedores que perseguem craques em momentos de crise. São os “decepcionaldinhos”, os “marcadores cricris”.

O próprio Xico faz uma autocrítica e conta que agiu assim, como um “decepcionaldinho”, em relação a Ronaldo, antes da última volta por cima do craque no Corinthians. “Ronaldo ensinou o que nem precisava”, reconhece.

O cronista protesta contra “gente que está sempre decretando o fim de carreira para uns, magoado com outros, dizendo que esperava mais de fulano etc… Não queria ser grosso, mas que tal cuidarem das suas próprias decepções, que são o que não nos falta pelo caminho?”, escreve, com precisão, o nosso Freud do Cariri.

Hoje, especialmente, Xico Sá reclama dos que pegam no pé de Ronaldinho Gaúcho. “O julgamento moral é implacável, e o nome da vez é de novo Ronaldinho, o grande Gaúcho. Especulam sobre a sua parada, haja bobagem, dizem que ele envergonha o Brasil em campos da Itália, qualé, cara pálida?”

Concordo com Xico. Devemos tomar sempre o cuidado de não projetar nos outros, amigos ou ídolos, as expectativas que temos em relação a nós mesmos. Evitar os julgamentos morais é fundamental.

Mas acho que há uma outra dimensão no caso Ronaldinho Gaúcho, que não é apenas a da decepção. Com seu futebol de lances imprevistos e geniais, e seu jeito engraçado de ser, Ronaldinho se tornou ídolo não apenas dos amantes do bom futebol, mas também das crianças. Vê-lo perdido em campo, sem brilho ou luz, provoca a mesma melancolia que assistir a um mágico aposentado em festa infantil.

Autor: - Categoria(s): Crônica, Esporte, jornalismo Tags: , , ,
16/08/2009 - 19:02

Ronaldo na tribuna explica vazio na arquibancada

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Os 19.773 torcedores que pagaram ingresso para assistir Corinthians 2 x 0 Atlético-MG representam praticamente a metade da capacidade do Pacaembu. Não é um público desprezível, mas muito inferior ao potencial da equipe paulistana de levar gente ao estádio.

As razões para os enormes vazios nas arquibancadas são conhecidas. O Corinthians não vencia havia cinco jogos. Desfez-se, para fazer caixa, de três dos seus principais jogadores e Ronaldo, ídolo maior, está no estaleiro. A presença do craque na tribuna, neste domingo, teve a aparência de um aviso, como que a lembrar a nação corintiana que pelo menos o Fenômeno não foi embora.

Cercado por seis seguranças do Corinthians, Ronaldo assistiu boa parte da partida na última fila da tribuna. Não se levantou em momento algum, nem no intervalo. Os fãs não tiveram acesso ao ídolo – puderam apenas fotografá-lo à distância (como eu, que fiz a foto acima com o celular).

Os corintianos saíram, naturalmente, alegres com o fim do jejum. Mas foi um jogo muito fraco, com muitas faltas e erros de passe, dos dois lados. Quem comprou ingresso para ver Diego Tardelli, único jogador de Seleção Brasileira em campo, está a essa hora pedindo o dinheiro de volta. Fez uma jogada aos 2 minutos do primeiro tempo e nada mais.

Do lado do Corinthians, só vi o esforço de Jorge Henrique em criar algo. Curiosamente, o primeiro gol da equipe, marcado por Dentinho, saiu minutos depois que o cérebro da equipe, Edu, deixou o campo contundido. E o segundo gol foi obra de Boquita, um dos poucos jogadores que vi a torcida vaiar este ano.

O único setor do Pacaembu praticamente lotado era o anel onde fica a Gaviões da Fiel e a Camisa 12. Como de hábito, gritaram e cantaram do início ao fim. E ainda puderam comemorar o fim do jejum com o grito de guerra que, desde a volta à Série A, tornou-se uma marca registrada: “O Curingão voltou!”

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12/08/2009 - 14:06

Ronaldo joga para a torcida

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Jornalistas que ainda não perderam o juízo enfrentam diariamente um dilema: onde termina a privacidade de uma figura pública? Quando a intimidade de políticos, artistas, jogadores de futebol ou celebridades se torna notícia? Qual é a nossa obrigação ao descobrir segredos da esfera íntima de personagens que são notícia?

São questões tão delicadas quanto fundamentais no exercício profissional. E muito antigas. O critério mais usado na definição do que é ou não notícia nesses casos é o chamado “interesse público”.

Sei que não é fácil definir o que é “interesse público”. Ao ouvir o jogador Ronaldo sugerir que a cirurgia de lipoaspiração que realizou é um problema particular, eu concordo com ele, mas pergunto: não tem interesse público?

Ronaldo não apenas é uma figura pública, como raramente demonstra preocupação em preservar a sua vida privada. O jogador exibe os seus filhos em revistas, aparece em eventos públicos variados, é garoto-propaganda de uma série de produtos e, desde que chegou ao Corinthians, tem falado com certa franqueza sobre inúmeros temas espinhosos.

É até discutível se uma lipoaspiração terá o efeito de afetar o desempenho atlético do jogador, mas o simples fato de alterar a sua aparência já torna a cirurgia de Ronaldo um fato de inquestionável interesse público.

Por isso, ao dizer que é um assunto particular, acho que Ronaldo está jogando para a torcida e tentando deixar os jornalistas numa saia justa. Entre a imprensa e o craque, a apaixonada nação corintiana não precisa pensar duas vezes antes de dizer com quem está.

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09/07/2009 - 15:50

Na vitória do Corinthians, o gol mais bonito será esquecido

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O jogo está 4 a 0 e o time que está perdendo reúne forças para, aos 42 do segundo tempo, deixar a sua marca no placar. É o chamado “gol de honra”. Gosto muito dessa expressão por se referir, implicitamente, ao sacrifício, ao sofrimento e espírito de luta do time perdedor, capaz de balançar a rede do adversário mesmo sofrendo uma derrota humilhante.

O gol de Conca, do Fluminense, contra o Corinthians, na quarta-feira (8), quase foi um “gol de honra”. O tricolor perdia de 3 a 0 no Pacaembu quando o argentino teve um desses lampejos mágicos, que diferenciam um jogador comum de um craque, e com um drible apenas se livrou de toda a defesa do Corinthians, ficou diante do goleiro Felipe e tocou para o fundo do gol.

A obra-prima de Conca não pode ser chamada de “gol de honra” porque o Fluminense ainda marcou uma segunda vez, antes de Ronaldo liquidar a partida e fechar o placar em 4 a 2. Acabou sendo, para usar outro clichê do futebol, um “gol inútil”, no sentido de que não serviu para evitar a derrota.

“De honra” ou “inútil”, o gol de Conca sofrerá, como tudo que se relaciona com os derrotados no esporte, a síndrome do esquecimento. A enquete que o iG Esporte está promovendo mostra isso. Ele tem apenas 12% dos votos e perde de goleada para dois dos três gols que Ronaldo marcou na partida.

Não discuto que o Fenômeno, mais uma vez, deu aula de futebol no Pacaembu. Mostrou todos os seus recursos na partida. Fez gol de pé esquerdo, de pé direito, driblando, pegando de primeira e por aí vai. Foi o craque da partida, sem dúvida.

Isoladamente, porém, o gol de Conca é uma jóia de maior valor, na minha opinião. Mais difícil de se realizar, exige visão de jogo, raciocínio veloz e habilidade. Uma pena que, amanhã, ninguém mais se lembrará dele. Assim é o futebol.

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01/07/2009 - 11:38

Por que o debate sobre concentração não avança no futebol?

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Há dois dias, Ronaldo fez uma ótima observação sobre o excesso de concentração no Corinthians. Disse ele: “Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio venceria sempre. Temos que fazer o máximo para conseguir esse título e passar o resto do ano mais tranquilo, porque eu, particularmente, estou cansado”.

A frase teve muita repercussão, mas pouca discussão – e não lembro de ter lido nenhuma menção ao seu autor original, o jornalista João Saldanha (1917-1990), que disse: “Se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária seria campeão invicto.” Desde o final da década de 60, Saldanha defendia a idéia que os excessos da concentração eram desnecessários e que os jogadores de futebol, em sua maioria, tinham consciência que o desempenho em campo estava relacionado ao bom estado físico.

Saldanha foi um dos precursores no futebol da idéia de oferecer “liberdade com responsabilidade” aos atletas. Adotada em outros países a partir da década de 70, a proposta nunca encontrou eco no Brasil, salvo em raros episódios, como a Democracia Corintiana, liderada por Sócrates, na década de 80.

Mano Menezes evitou polemizar com Ronaldo, mas defendeu o rígido regime de concentração adotado pelo Corinthians: “É um sacrifício explicável num momento como esse”, disse, encerrando o assunto.

Como ocorreu com Saldanha, Ronaldo pregou no vazio. Creio que no ambiente do futebol brasileiro permanece forte a idéia que os jogadores, em sua maioria, são crianças irresponsáveis, que só pensam em se divertir, e que precisam ser tuteladas.

Estou com Saldanha e Ronaldo: acho que concentração não ganha jogo. O que você acha?  Por que esse debate não prospera no Brasil?

Aproveito para recomendar duas leituras a quem se interessar em conhecer um pouco mais das idéias de João Saldanha. São duas ótimas biografias sobre o jornalista; “João Saldanha – Sobre nuvens de fantasia”, de João Maximo (Relume Dumará), e “João Saldanha – Uma vida em jogo”, de Andre Iki Siqueira (Companhia Editora Nacional).

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10/06/2009 - 08:31

Globo, SBT e Ronaldo: cenas de novela mexicana

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O patrocínio do grupo Silvio Santos ao Corinthians está produzindo uma série de eventos anedóticos, típicos de um dramalhão mexicano, bem ao gosto da programação do SBT. O surpreendente neste caso é que um dos protagonistas dessa história vem a ser a Rede Globo, famosa pela qualidade “antimexicana” de suas novelas.

Há alguns dias, Silvio Santos fez um discurso engraçadíssimo, chamando Ronaldo de “farsante” por se recusar a gravar um comercial para o SBT. No ar, aparentemente de improviso, o dono da emissora ofereceu R$ 50 milhões para o craque protagonizar a publicidade. Está no You Tube – e é inacreditável.

A Globo, como se sabe, é detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Para a emissora, causa constrangimento exibir a marca de um patrocinador – o Baú da Felicidade – cujo proprietário é dono de um canal concorrente. Propaganda grátis e ainda mais de um rival? É duro…

A emissora nega estar promovendo qualquer tipo de boicote ao logotipo do Baú em suas transmissões esportivas, mas não é o que parece. Como mostrou o jornalista Ricardo Feltrin, uma entrevista com Ronaldo, feita pela Globo no último domingo (7), passa a nítida impressão que os câmeras estão orientados a não mostrar de jeito nenhum a marca de Silvio Santos. Como fazer isso se o Baú é visto quase na gola da camisa do Corinthians? Simples: enquadrando apenas o rosto de Ronaldo, entre o queixo e a testa. 

Em 1994, a Globo produziu um enquadramento semelhante na transmissão de dois amistosos da seleção brasileira às vésperas da Copa do Mundo. Patrocinada então pela Kaiser, a emissora se recusou a mostrar placas de publicidade da Brahma espalhadas pelo estádio onde ocorreu a transmissão de partidas contra Canadá e Honduras. No esforço de não exibir a marca rival, os câmeras da Globo deixaram de mostrar a bola, jogadores cobrando lateral e lances próximos à linha de fundo. Foi um papelão que entrou para a história da televisão brasileira.

Outros veículos já tomaram atitudes radicais como essa no afã de protegerem os seus interesses comerciais. Relato no livro “História do Lance!”, recém-publicado (desculpe a propaganda), que em meados de 2000 o diário esportivo manipulou imagens para não exibir a marca de Pepsi-Cola estampada na camisa do Corinthians. Escrevo no livro:

Insatisfeito com a não inclusão do Lance! na lista de veículos que receberiam anúncios de uma campanha publicitária da Pepsi-Cola, o diário passou a manipular, no computador, as fotografias que mostravam a camisa do Corinthians, de maneira a eliminar das páginas do jornal a marca do refrigerante, que então patrocinava a equipe. Depois que o caso tornou-se público, a manipulação das imagens foi interrompida.

Todas essas histórias – e há muitas outras semelhantes – expõem a defesa atabalhoada de interesses comerciais sob ameaça em meio a conflitos pesados entre empresas. Os protagonistas destes dramalhões parecem apenas se esquecer de cuidar dos interesses dos seus espectadores e leitores.

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17/05/2009 - 18:44

Qual é o problema do gol de bico?

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Final do primeiro tempo de São Paulo e Atlético (PR). O repórter de uma emissora de rádio aproxima-se de Rafael Santos, autor do único gol da partida até então, e pergunta, não sem ironia: “Gol de bico, né?” Rafael explica que pegou na bola do jeito que ela veio, de bico, sim. Se fosse um pouco abusado, teria perguntado ao repórter: E daí? Fiz alguma coisa errada?

O gol de bico é o patinho feio do futebol. Pega mal apelar para a ponta da chuteira em momento de gol. No país que cultua o futebol-arte, a pedalada, a ginga, recorrer ao bico é sinônimo de falta de habilidade – como se o craque fosse menos craque, apelasse a um golpe baixo, para fazer o que há de mais sublime no futebol.

Não entendo por que há tanto preconceito com o gol de bico. Qual é a diferença entre empurrar a bola para o fundo das redes com o peito do pé, a “chapa” ou a bicanca? Romário fez gol de bico em Copa do Mundo. Ronaldo idem. Basílio tirou o Corinthians de uma fila de 22 anos com um gol de bico. Você lembra de outros?

Lanço aqui uma campanha em defesa do gol de bico. Feio é não fazer gol.

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07/05/2009 - 15:14

Quem rivaliza com Ronaldo na seleção? Ninguém

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Se “seleção é momento”, como gostam de dizer os “professores” de futebol, não há discussão possível sobre a convocação de Ronaldo. É óbvio, na comparação com qualquer camisa 9 brasileiro, atuando no país ou no exterior, que Ronaldo tem vaga entre os atacantes que serão selecionados para os próximos jogos – mesmo que ele ainda seja motivo de piadas.

O problema, a meu ver, é outro. O que significa o fato de um jogador da idade de Ronaldo, com o seu histórico de problemas físicos, estar jogando mais bola que todos – ou quase todos – os seus concorrentes brasileiros?

Ronaldo está brilhando por méritos próprios, mas é evidente que a safra de centroavantes brasileiros talvez nunca tenha sido tão fraca. Luis Fabiano? Fred? Grafite? Keirrison? Nilmar? Quem é o craque que rivaliza hoje com o 9 do Corinthians? Aceito sugestões.

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04/05/2009 - 15:22

O que o Maroni estava fazendo no vestiário do Corinthians?

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Enquanto Ronaldo criticava a desorganização da final do Campeonato Paulista, em entrevista histórica depois do jogo, Oscar Maroni passou ao meu lado e sussurrou: “Vou oferecer um passe-livre de um ano no Bahamas para ele”.

Lembro que ainda pensei algo como “o que o Maroni está fazendo aqui?”, mas logo voltei a prestar atenção no craque, que aproveitou a entrevista para passar um pito nos jornalistas e na Federação Paulista. Quando a entrevista estava se aproximando do final, Ronaldo advertiu o repórter que segurava o microfone: “Que seja boa esta pergunta, porque é a última”. Como relatei no texto “Ronaldo, o verdadeiro imperador”, o colega até perdeu o rebolado depois dessa e fez uma pergunta pouco original sobre as relações do jogador com o Corinthians.

Assim que o jogador terminou de responder e ameaçou se levantar, houve um burburinho e alguém pediu: “Mais uma, Ronaldo”. O craque assentiu com a cabeça e, então, Maroni reapareceu, com o microfone na mão, fazendo propaganda de sua casa noturna, fechada pela Prefeitura sob a acusação de facilitar a prostituição.

Foi um incidente menor, diante de tudo que aconteceu, para o bem e para o mal, domingo no Pacaembu. Mas permanece a pergunta: o que o Maroni estava fazendo numa área reservada a jornalistas, junto ao vestiário do Corinthians?

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
27/04/2009 - 11:54

Futebol-arte é coisa nossa!

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Os dois lances mágicos de Ronaldo neste domingo fizeram a gente relembrar de um termo que andava meio esquecido nos gramados brasileiros: futebol-arte. A expressão, reza uma lenda, teria sido criada pelo jornalista francês Gabriel Hanot, depois de assistir a seleção brasileira na Copa de 58 (Hanot dirigiu o diário esportivo “L´Équipe” e foi, também, o inventor da Copa dos Campeões da Europa).

Criada por um francês, ou não (alguém tem uma pista?), a expressão futebol-arte já deu margem a muitas discussões no Brasil, especialmente depois do fracasso da seleção na Copa de 82 – ápice, na visão de muita gente, de uma forma tipicamente brasileira de praticar o esporte. Depois vieram Lazaroni (1990), Parreira (94) etc…

Sob inspiração deste conceito, o editor Cesar Oliveira, criador da livraria virtual livrosdefutebol.com, pensou num evento batizado como “Futebol-arte: a arte do futebol”. O objetivo principal é discutir as relações entre futebol, arte e cultura. Dá pano pra manga.

Para isso, em associação com o historiador Victor Andrade de Melo, do Laboratório de História do Esporte e do Lazer, do IFICS da UFRJ, Oliveira idealizou uma série de debates, sempre com a participação de alguém atuante na área esportiva e um acadêmico, mediados por um âncora, e apertados pela “torcida” (a entrada é grátis).

Os debates ocorrerão na primeira terça-feira de cada mês, a partir de 5 de maio, na Associação Brasileira de Imprensa, no Rio (rua Araujo Porto Alegre, 71, 9º andar, das 18h30 às 21h).

A primeira “partida” de futebol-arte será disputada pelo jornalista Renato Maurício Prado (“O Globo”) e pelo sociólogo Mauricio Murad (UERJ), tendo como tema “Futebol e jornalismo”. No dia 2 de junho, o tema é “Futebol e Samba”, com a participação de Guinga e Celso Branco (UFRJ). No dia 7 de julho, o cineasta José Carlos Asbeg e Vitor Melo debatem “Futebol e cinema”. E no dia 4 de agosto, o radialista Luis Mendes e o sociólogo Ronaldo Helal (UERJ) falam sobre “Futebol e Rádio”.

“Já passou da hora de cuidar do futebol como arte e cultura. E mais do que já passou da hora de cuidar dele como ‘business’, levando-o a sério”, defende Cesar Oliveira. “Aposto nisso”, acrescenta. Eu também.

Autor: - Categoria(s): Cultura, Esporte Tags: , , , , ,
26/04/2009 - 18:37

Ronaldo não tem concorrentes? Ou os concorrentes sumiram diante de Ronaldo?

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O que mais impressiona nos dois gols de Ronaldo na vitória do Corinthians contra o Santos é a facilidade dos seus gestos. No primeiro, ele mata uma bola que vem de um chutão para o alto como se tivesse cola na chuteira do pé direito, deixa a bola rolar e chuta com o pé esquerdo. Dois toques. No segundo, recebe uma bola em profundidade, dribla o zagueiro com um toque de calcanhar direito, ajeita e chuta com o pé esquerdo, encobrindo o goleiro. Três toques. Golaço.

Ronaldo faz a diferença no futebol paulista hoje. Comparada à sua eficiência, se trabalhassem numa fábrica, Kleber Pereira, Keirrison e Washington poderiam ser demitidos por justa causa; se fossem estudantes, ficariam de exame.

Faço uma pergunta Tostines: Ronaldo está nadando de braçada por que faltam concorrentes ou faltam concorrentes por que Ronaldo está nadando de braçada?

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
15/04/2009 - 09:24

Publicidade deforma Ronaldo

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Tem causado alguma comoção a mais recente publicidade da Brahma. Num filmete de 30 segundos, Ronaldo aparece em campo superando diferentes obstáculos. O narrador informa que são as suas contusões, os repórteres, os cartolas e os médicos. O texto, em off, ainda acrescenta: “driblou todos que não acreditaram nele”. Ronaldo, então, diz: “Mas eu sempre dei a volta por cima. É, não é fácil. Mas o que é suado tem mais sabor”. 

Seria muita pretensão querer ensinar algo aos publicitários que idealizaram essa campanha. Mas devo dizer que não entendi a mensagem. Até onde sei, o principal obstáculo que Ronaldo enfrentou em sua trajetória como atleta foi de ordem física. Sofreu contusões gravíssimas, que colocaram a sua carreira em risco em três ocasiões. Todas as lesões que o tiraram de campo ocorreram em consequência do seu próprio esforço – nenhum zagueiro jamais quebrou a sua perna.

Jornalistas ou médicos que questionaram a capacidade de o jogador voltar a atuar em alto nível não fizeram mais do que a sua obrigação. Teriam sido irresponsáveis se comungassem cegamente da vontade geral, legítima mas não fundada em bases científicas, que Ronaldo iria superar as suas dificuldades. E os cartolas? Não tenho simpatia alguma pela maioria dos dirigentes esportivos, mas o que fizeram contra Ronaldo? Não conheço nenhum episódio importante em sua carreira na qual algum cartola o tenha prejudicado seriamente.

Quem o viu chegar ao Corinthians, com dez (15?) quilos em excesso, estava errado em achar que o jogador não teria mais condições de voltar a ser o Ronaldo de antes? Ronaldo é um sobrevivente por méritos dos seus médicos, dos fisioterapeutas e do seu esforço pessoal. É realmente um guerreiro, como descreveu a campanha anterior da Brahma.

Enfim, acho que esse novo anúncio “força a mão”, como se diz, no esforço de apresentar o “herói”. Ronaldo já é suficientemente admirado, por corintianos e não corintianos. O risco do exagero é causar uma deformação na imagem – o que acontece, a meu ver, nesta publicidade.

Uma última questão: não entro aqui no mérito se um atleta deveria fazer propaganda de bebida alcoólica. Apenas acho hipocrisia levantar essa discussão neste momento. Ronaldo é garoto-propaganda da Brahma desde 1994 – e nunca ninguém reclamou. Já o argumento que o próprio jogador está usando em sua defesa não é menos hipócrita: “A Champions League é patrocinada por uma marca de cerveja”. E daí? Uma coisa é um atleta emprestar a sua credibilidade para vender um produto; outra, é um evento esportivo ter o apoio de um produto. 

PS. Antes que a torcida fanática envie comentários me ofendendo, sugiro a leitura do texto Por que gostamos tanto de Ronaldo?, no qual eu falo da alegria de ver o jogador novamente em campo. E também do texto Uma turma de ronaldianos vê o jogo na tevê do porteiro, no qual eu descrevo a emoção de assistir o gol que ele marcou contra o Palmeiras.

Crédito da foto: AFP

Autor: - Categoria(s): Esporte, publicidade, televisão Tags: , , ,
10/04/2009 - 20:42

A fama de Ronaldo num táxi em Buenos Aires

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Conversa animada sobre futebol dentro do táxi, no centro de Buenos Aires. O motorista é torcedor fanático do River Plate, que anda em má fase, e grande admirador do futebol brasileiro. A sua primeira pergunta para mim é sobre Dunga. Digo que esperava mais coragem e ousadia de um técnico seleção brasileira. “Ele é técnico da mesma forma que era jogador”, resume o taxista.

“Técnico era Santana”, ele diz, referindo-se a Telê. “E por que Ronadinho nao é titular do time?” Digo que ele está em má fase, é reserva também no Milan. E ele: “É o melhor jogador brasileiro, muito melhor do que Kaká”.

O taxista faz outra pergunta difícil: “E Robinho, o que acontece com ele? Era um craque…” Conversamos sobre alguns jogadores que atuam bem em time, mas mal em selecionados nacionais. Riquelme, ele começa. Edmundo, ele acrescenta. E citamos uma dezena de craques, brasileiros e argentinos, que jogam bem em seus clubes, mas “diminuem” quando vestem a camisa da nacional.

“Mas um que eu gostaria de ver na minha seleção é o gordo”, lança o taxista. Que gordo?, eu pergunto, espantado. “Ronaldo. É um definidor. Todo mundo tem medo dele, mesmo com uns quilos a mais”. É verdade, concordo. “Melhor que ele só o Chapolim”. Chapolim??? “Sim, Romário. É um gênio.”

PS. Leitores perguntam a respeito do apelido Chapolim para Romário. É uma referência ao seriado “Chapolim”, o herói que aparecia quando alguém dizia: “E agora, quem poderá me salvar”. Foi essa a frase que o taxista me disse quando me surpreendi ao ouvi-lo chamar Romário de Chapolim. (Atualizado às 11h de 11 de abril)

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23/03/2009 - 13:09

Ronaldo em 21 lances no Twitter

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O iG Esportes publicou na manhã desta segunda-feira um texto que escrevi sobre a participação do Fenômeno no clássico de domingo (Ronaldo leva a primeira vaia. Da torcida do Santos). Não foi um bom jogo – e, para piorar, Ronaldo jogou mal à beça. A novidade, para mim, foi a forma como trabalhei no Pacaembu.

Como havia avisado aqui no blog, passei a partida enviando informações em forma de drops, de até 140 caracteres cada, para o Twitter. Foram 21 informes breves, nos quais tentei escrever sobre fatos que poderiam complementar a visão de quem estava assistindo a partida pela televisão, à medida que o jogo corria. De qualquer forma, olhando o resultado hoje, vejo que o trabalho pode ser lido também, na sequência, como um relato paralelo do jogo. Para quem se interessar, bastar acessar a minha página no Twitter.  

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22/03/2009 - 13:57

Ronaldo x Neymar: “passado, presente e futuro juntos”

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Tostão, um dos maiores craques em atividade hoje no jornalismo esportivo, resume com rara sabedoria o principal atrativo do clássico deste domingo, entre Corinthians e Santos, no Pacaembu. Escreve ele em sua coluna na “Folha”:

Passado, presente e futuro
Hoje, veremos, de um lado, Ronaldo, tentando se reencontrar com a leveza, com a alegria e com os sonhos que tinha aos 17 anos. Só não dá para ter o mesmo corpo. Do outro lado, o franzino Neymar, 17 anos, ainda uma promessa, tentando encontrar o segredo para se tornar um craque como Ronaldo. Passado, presente e futuro juntos. Encontros e reencontros. Todo encontro é um reencontro com algo vivido e/ou imaginado.”

Vou acompanhar a partida do estádio, enviando comentários pelo Twitter. Se você quiser entrar no Twitter, acesse o site e, se quiser me seguir, adicione o meu endereço ou, então, clique no atalho colocado na barra lateral direita do blog.

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