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02/12/2009 - 21:26

Em guerra com a Record, Globo homenageia Lombardi

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Pela importância que adquiriu no imaginário do brasileiro nos últimos 40 anos, o locutor Luiz Lombardi Neto merece todas as homenagens, inclusive o destaque que ganhou na edição do “Jornal Nacional” na noite de quarta-feira. Além de ter sido mencionada entre as principais notícias do dia, a morte de Lombardi foi objeto de uma reportagem generosa do principal noticiário da Globo, com direito, até, a uma imagem de Silvio Santos.

Não custa lembrar que, até recentemente, o SBT de Silvio Santos era o principal concorrente da Globo e orgulhava-se de ocupar a vice-liderança. Era um rival guerrilheiro, mas pouco ameaçador, e suas eventuais vitórias no Ibope, como ocorreu com “Casa dos Artistas”, eram vistas com um misto de espanto e desprezo.

O quadro mudou nos últimos anos, com a ascensão da Record, culminando com a perda, pelo SBT, da vice-liderança. Como se sabe, diferentemente da emissora de Silvio Santos, a rede da Igreja Universal do Reino de Deus não se orgulha nem se satisfaz com o segundo lugar. Quer alcançar a liderança da Globo – e essa disputa entre as duas emissoras tem provocado lances ferozes, que não cabe aqui, neste momento, comentar.

O fato é que não apenas o SBT lamenta ter perdido a vice-liderança para a Record, como também a Globo. Enxergo na cobertura simpática da morte de Lombardi mais um lance deste quadro – uma sinalização da emissora da família Marinho à concorrência.

Em junho de 2008, Daniela Beyruti, herdeira e sucessora de Silvio Santos, deu uma raríssima entrevista, publicada na revista “Poder”. Ao longo da conversa, conduzida por mim e pela jornalista Simone Galib, Daniela falou com muito carinho da Globo, como pode-se ler no trecho a seguir:

No ano passado (2007), fiz um estudo da grade da Globo. Aprendi a ter um respeito e uma admiração muito particular. É tão bem programado com o hábito do brasileiro. É muito legal. Eles têm uma programação direcionada. A gente era a segunda opção. Quando você perde isso, você se pergunta: “Onde eu me perdi? O que aconteceu?” Só quando você perde, você se depara com esta questão.

Enfim, melhor para os espectadores do “Jornal Nacional” que Lombardi tenha merecido uma reportagem à altura da sua importância. Só tenho dúvidas se essa situação teria ocorrido em outro momento.

Autor: - Categoria(s): televisão Tags: , , , , , ,
10/06/2009 - 08:31

Globo, SBT e Ronaldo: cenas de novela mexicana

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O patrocínio do grupo Silvio Santos ao Corinthians está produzindo uma série de eventos anedóticos, típicos de um dramalhão mexicano, bem ao gosto da programação do SBT. O surpreendente neste caso é que um dos protagonistas dessa história vem a ser a Rede Globo, famosa pela qualidade “antimexicana” de suas novelas.

Há alguns dias, Silvio Santos fez um discurso engraçadíssimo, chamando Ronaldo de “farsante” por se recusar a gravar um comercial para o SBT. No ar, aparentemente de improviso, o dono da emissora ofereceu R$ 50 milhões para o craque protagonizar a publicidade. Está no You Tube – e é inacreditável.

A Globo, como se sabe, é detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Para a emissora, causa constrangimento exibir a marca de um patrocinador – o Baú da Felicidade – cujo proprietário é dono de um canal concorrente. Propaganda grátis e ainda mais de um rival? É duro…

A emissora nega estar promovendo qualquer tipo de boicote ao logotipo do Baú em suas transmissões esportivas, mas não é o que parece. Como mostrou o jornalista Ricardo Feltrin, uma entrevista com Ronaldo, feita pela Globo no último domingo (7), passa a nítida impressão que os câmeras estão orientados a não mostrar de jeito nenhum a marca de Silvio Santos. Como fazer isso se o Baú é visto quase na gola da camisa do Corinthians? Simples: enquadrando apenas o rosto de Ronaldo, entre o queixo e a testa. 

Em 1994, a Globo produziu um enquadramento semelhante na transmissão de dois amistosos da seleção brasileira às vésperas da Copa do Mundo. Patrocinada então pela Kaiser, a emissora se recusou a mostrar placas de publicidade da Brahma espalhadas pelo estádio onde ocorreu a transmissão de partidas contra Canadá e Honduras. No esforço de não exibir a marca rival, os câmeras da Globo deixaram de mostrar a bola, jogadores cobrando lateral e lances próximos à linha de fundo. Foi um papelão que entrou para a história da televisão brasileira.

Outros veículos já tomaram atitudes radicais como essa no afã de protegerem os seus interesses comerciais. Relato no livro “História do Lance!”, recém-publicado (desculpe a propaganda), que em meados de 2000 o diário esportivo manipulou imagens para não exibir a marca de Pepsi-Cola estampada na camisa do Corinthians. Escrevo no livro:

Insatisfeito com a não inclusão do Lance! na lista de veículos que receberiam anúncios de uma campanha publicitária da Pepsi-Cola, o diário passou a manipular, no computador, as fotografias que mostravam a camisa do Corinthians, de maneira a eliminar das páginas do jornal a marca do refrigerante, que então patrocinava a equipe. Depois que o caso tornou-se público, a manipulação das imagens foi interrompida.

Todas essas histórias – e há muitas outras semelhantes – expõem a defesa atabalhoada de interesses comerciais sob ameaça em meio a conflitos pesados entre empresas. Os protagonistas destes dramalhões parecem apenas se esquecer de cuidar dos interesses dos seus espectadores e leitores.

Autor: - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , , , , , , ,
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