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10/03/2009 - 14:49

Belluzzo pede bom humor e autoironia ao torcedor

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Passou sem a merecida repercussão, talvez por culpa daquele golzinho do Ronaldo, uma sábia manifestação do presidente do Palmeiras. Em texto intitulado “O palmeirensismo”, publicado na mais recente edição da revista “CartaCapital”, Luiz Gonzaga Belluzzo discorre sobre características peculiares desta sua religião, mas o faz com tamanha clareza e didatismo que as lições ali contidas podem ser lidas e absorvidas por fiéis de outros credos.

Belluzzo escreve sob o impacto da derrota do Palmeiras para o Colo-Colo por 3 a 1, pela Taça Libertadores, em casa, no último dia 3, e antes do empate com o Corinthians, em Presidente Prudente.

“Antes do jogo com o Colo-Colo, o time do Palmeiras era o melhor do Brasil, cuíca do mundo. Os jogadores, todos jovens, maravilhosos. O treinador, genial. Conseguiu entrosar o time em pouco tempo. Isso, a despeito das cautelosas advertências do Vanderley Luxemburgo sobre a precocidade, os exageros e as irrealidades das celebrações.”

Depois da derrota Belluzzo sentiu na pele o mau humor da chamada Turma do Amendoim – um grupo de torcedores fanáticos, normalmente alojados nas numeradas do Parque Antarctica, que gosta de dar palpites sobre a gestão do futebol do clube.

“Depois da derrota, o time não valia nada. Fora os telefonemas de palestrinos, uns furiosos outros angustiados, minha caixa postal ficou entupida de sugestões de novas contratações e modificações táticas urgentes. (…)A Turma do Amendoim não perdoa erro de respiração em minuto de silêncio. Pergunto ao caro leitor, seja ele palmeirense ou muito ao contrário: você conhece outro time no mundo que tenha uma torcida como a Turma do Amendoim? Duvido.”

Belluzzo diz não se incomodar com as críticas e palpites, mas lamenta, na conclusão do artigo, sentir falta de bom humor e auto-ironia nas reflexões pós-derrota. Escreve o mestre:

“A nossa proverbial intolerância com as falhas de nossos atletas está fazendo esmaecer a outra virtude, aquela que nos distinguia dos torcedores comuns: a sabedoria de tratar a amargura das derrotas com humor e autoironia, atitude própria dos que conhecem as limitações da condição humana. É isso que assegurou, no século XX, nossa trajetória vitoriosa acima de qualquer resultado contingente.”

A capacidade de rir de si mesmo, nos piores momentos, é o que distingue os grandes dos pequenos. É isso que pede Belluzzo à Turma do Amendoim – um pedido válido, evidentemente, ao torcedor de qualquer time. A íntegra do texto pode ser lida no site da revista, aqui.

Autor: - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
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